No Dia da Terra, Santos terá área de mangue recuperada

Neste domingo, 22 de abril, voluntários do Instituto EcoFaxina celebrarão o Dia Internacional da Mãe Terra com a primeira ação de recuperação de área degradada de mangue em Santos.

 

Na manhã da última sexta-feira (13) o Instituto EcoFaxina realizou uma visita técnica à favela de palafitas "Dique da Vila Gilda" com o vereador Fabrício Cardoso Oliveira e o subprefeito da Zona Noroeste de Santos, Acácio Egas, para definir o início dos trabalhos com a comunidade.

 

A área, que já foi ocupada por barracos de palafitas, sofreu um grande incêndio em janeiro de 2017 que destruiu cerca de duzentos barracos. Após a tragédia, houve muita conversa entre o Instituto EcoFaxina e a comunidade, bem como um esforço por parte da Prefeitura de Santos, de forma que a área de mangue não fosse reocupada e pudesse vir a ser recuperada. 

 

Portanto, temos grande satisfação em comunicar que a partir deste mês iniciaremos a limpeza e o reflorestamento de 3.200 m² de mangue!

 

A ação faz parte de um estudo conduzido por nossa estagiária e estudante de ecologia da UNESP-CLP, Larissa Lazzari, que acompanhará durante 12 meses o desenvolvimento das árvores, servindo como Trabalho de Conclusão de Curso.

 

O objetivo principal do estudo é colocar em prática e demonstrar a viabilidade da recuperação de áreas degradadas de mangue como ferramenta de congelamento de favelas de palafitas no estuário de Santos e São Vicente, com vistas à recuperação dos serviços ecossistêmicos e sobretudo a redução do descarte de resíduos sólidos e esgoto no manguezal e do aporte de plástico no ambiente marinho.

 

Para esta primeira ação, os voluntários farão a retirada de todos os resíduos sólidos, incluindo o entulho, que será utilizado pela subprefeitura da Zona Noroeste na construção de uma quadra de futebol de salão para as crianças da comunidade. Após a limpeza será realizado o plantio de propágulos de mangue coletados no estuário.

 

Também está programada uma coleta de amostras de água, sedimentos e organismos para análises de poluentes e a verificação da concentração de microplástico no ecossistema e no interior de peixes e siris.


O estudo está integrado ao projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos, que tramita na Secretaria do Meio Ambiente de Santos e prevê limpeza, reflorestamento de áreas degradadas de mangue, instalação de ecobarreiras para contenção de resíduos sólidos flutuantes e geração de renda para famílias que habitam palafitas por meio da reciclagem.

 

Serviços Ecossistêmicos

Os serviços ecossistêmicos (SE) são os benefícios que o ser humano obtém dos ecossistemas. Estes incluem serviços de provisão, tais como alimentos e água; regulação, tais como a regulação de inundações, secas, degradação do solo; serviços de suporte, tais como formação do solo e ciclagem de nutrientes; e serviços culturais, como de lazer, espiritual, religioso e outros benefícios não materiais (MEA, 2005).

 

Dentre os diversos serviços ambientais prestados pelo manguezal, como retenção de sedimentos, regulação do clima, proteção da faixa costeira, manutenção da qualidade da água e dos estoques pesqueiros, destacamos o importante papel que ele desempenha na região da Zona Noroeste de Santos em relação à macrodrenagem do solo.

Como sabemos, a Zona Noroeste de Santos sofre com constantes alagamentos que ocorrem com a subida da maré e que se agravam em dias de chuva. Um transtorno enorme para quem vive próximo às favelas de palafitas. Nos últimos anos o rio dos Bugres vem tendo as suas margens aterradas sistematicamente, sendo possível verificar em alguns pontos uma perda de até 40 metros de seu leito, ocasionando uma drástica redução de sua área naturalmente alagável. Tal processo de degradação do ecossistema se intensificou nos últimos 8 anos, originando novos pontos de alagamento na região. Moradores antigos dos bairros Jardim Castelo e Rádio Clube são os que mais sentiram os efeitos causados pelo aterramento do manguezal. Residências que nunca tiveram problemas com alagamentos, hoje necessitem de muretas e vedação de ralos para que não sejam tomadas pelas águas.