Dia da Terra: Os oceanos são os verdadeiros pulmões do mundo! Será?
- Aline Medeiros
- 22 de abr.
- 4 min de leitura
Microrganismos, chamados fitoplâncton, fornecem de 50 a 80% do oxigênio da Terra.
Dia 22 de abril, celebramos o Dia da Terra, ou Dia Internacional da Mãe Terra. O tema escolhido para este ano foi “Nosso Poder, Nosso Planeta” (Our Power, Our Planet), e diante das questões climáticas e suas consequências, nunca foi tão importante refletirmos sobre nossas ações individuais e coletivas.
Neste momento de celebração e conscientização, por que não dar voz aos oceanos? Cobrindo cerca de 70% da superfície do planeta, eles exercem funções vitais para a regulação do clima, a manutenção da biodiversidade e o equilíbrio dos ciclos naturais, sustentando não apenas a vida humana, mas todo o sistema terrestre.

Os oceanos fornecem até 80% do oxigênio da atmosfera
Diferentes estudos estimam que os oceanos produzam de 50% a 80% do oxigênio da nossa atmosfera, o que os torna os verdadeiros “pulmões do mundo”. Já foi bastante divulgada a imagem de florestas em formato de pulmões, o que tornou comum a percepção equivocada de que apenas as árvores teriam maior importância para o equilíbrio da vida. Ainda que desempenhem papéis insubstituíveis, as florestas não são as únicas protagonistas nesta função.
Os mares abrigam espécies microscópicas conhecidas como fitoplâncton. Esses organismos realizam a fotossíntese, isto é, utilizam luz solar e gás carbônico (CO₂) para produzir oxigênio. Tais seres flutuam na água, em camadas iluminadas pelo sol, e, embora sejam muito pequenas, superam as grandes florestas. Isso não significa que devemos deixar de lado esses ecossistemas terrestres, muito pelo contrário! Juntamente com os oceanos, eles exercem papéis complementares, como, por exemplo, na regulação do clima.
Com um volume imenso, que corresponde a 97% de toda a água do planeta, os oceanos desempenham função essencial nos processos de evaporação e precipitação (chuvas), promovendo uma intensa troca hídrica com os continentes e suas florestas. Esse processo contínuo contribui para o equilíbrio dos diferentes regimes climáticos observados no globo.
E ainda: cerca de 30% do dióxido de carbono (CO₂ ) liberado na nossa atmosfera é absorvido pelos oceanos. Vale lembrar que esse composto é um dos principais gases do efeito estufa produzidos pelas atividades humanas.

Muito mais que consumo consciente: mudanças começam com impacto econômico e social
As mudanças climáticas e a poluição são ameaças sérias à sobrevivência do fitoplâncton. Com o aumento da temperatura e a alteração de outras condições físicas e químicas das águas, essas espécies microscópicas podem ser prejudicadas e até mesmo desaparecer. Isso impacta de forma muito negativa a produção de oxigênio e toda a estabilidade das demais espécies marinhas, que compõem uma complexa teia alimentar.
Calcula-se que existam mais de dois milhões de espécies marinhas. Muitas delas são importantes na pesca, tanto como fonte de alimento para os seres humanos, quanto matéria-prima em diferentes setores da indústria. Assim, os danos causados a esse grupo não são apenas ecológicos, mas também econômicos.
E como podemos contribuir com a proteção dos oceanos, do fitoplâncton e das demais espécies? A tarefa não é fácil e depende de cada um de nós não apenas olharmos para nossas escolhas e consumo, mas também em atitudes coletivas.
A preferência por meios de transporte coletivos ou não poluentes, a redução do uso de embalagens e descartáveis, a destinação correta de resíduos recicláveis, a preferência por produtos provenientes de fontes ecologicamente mais responsáveis ajudam - e muito - porém, o que trará a mudança real a longo prazo são a organização e a pressão para que sejam criadas políticas públicas locais e globais. Iniciativas que causam impacto econômico e sociais efetivas em cidades, estados e países são o principal meio para que a mudança aconteça.
A nossa saúde depende de um planeta saudável, e cuidar do Oceano é um importante, e poderoso, passo para isso.

Fontes Consultadas:
CAMPOS, E. J. D. O papel do oceano nas mudanças climáticas globais. Revista USP, São Paulo, n. 103, p. 66, 2014. Disponível em: <https://www.io.usp.br/images/noticias/papel_oceanos_clima.pdf >
CNN BRASIL. Censo do oceano quer descobrir 100 mil espécies marinhas nos próximos 10 anos. 2023. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/censo-do-oceano-quer-descobrir-100-mil-especies-marinhas-nos-proximos-10-anos/ > EARTHDAY.ORG. 2026. Disponível em:<https://www.earthday.org/earth-day-2026/ > FERNANDO DE NORONHA. A importância dos oceanos. Disponível em: <https://www.noronha.pe.gov.br/a-importancia-dos-oceanos/ >
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS OCEÂNICAS - INPO. 2025. Conhece o fitoplâncton? Esse ser invisível que flutua no oceano produz mais de 50% do oxigênio da terra. Disponível em: <https://inpo.org.br/conhece-o-fitoplancton-esse-ser-invisivel-que-flutua-no-oceano-produz-mais-de-50-do-ar-que-respiramos/ >
NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. 2023. Oceano ou árvores: quem produz mais oxigênio? Disponível em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/03/oceano-ou-arvores-quem-produz-mais-oxigenio > NATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION. 2025. Ocean Acidification. Disponível em: <https://www.noaa.gov/education/resource-collections/ocean-coasts/ocean-acidification >
Sobre o Instituto EcoFaxina:
O Instituto EcoFaxina é uma organização da sociedade civil fundada em 2008, que atua na defesa, conservação e recuperação de ecossistemas, com foco na promoção da educação ambiental, cultura oceânica, ciência cidadã e economia circular. Com sede em Santos (SP), o Instituto desenvolve projetos socioambientais integrados que unem pesquisa científica, inovação social e mobilização comunitária, para enfrentar os desafios do lixo no mar, da poluição plástica e da degradação de ecossistemas. As ações do Instituto combinam limpezas de áreas naturais, pesquisa, monitoramento, formação de agentes ambientais, recuperação de áreas degradadas, gestão de resíduos sólidos e atividades educativas junto a escolas, empresas e órgãos públicos.



Comentários