- INÍCIO / O PROJETO

Consiste basicamente na construção de um galpão às margens do estuário que funcionará como base operacional para o trabalho de limpeza e recuperação de áreas degradadas de mangue, a ser realizado por uma frente de trabalho composta por moradores de palafitas, dando origem a uma nova profissão dentro do setor de limpeza e reciclagem, o “Agente Ambiental de Coleta de Resíduos”, responsável pelo trabalho de limpeza, reciclagem e recuperação ambiental no estuário de Santos e São Vicente.

A capacitação dos moradores ocorrerá por meio de um curso com duração de duas semanas. A primeira semana envolve aulas teóricas sobre o ecossistema, sua importância ecológica e socioambiental para a região, e a metodologia aplicada para a coleta dos resíduos em manguezais e canais estuarinos. Após a semana de aulas teóricas o candidato vai a campo em treinamento prático. Durante essa fase os trabalhadores deverão perceber a importância dos Agentes Ambientais de Coleta de Resíduos para a recuperação e proteção do ecossistema estuarino, contribuindo no processo de elevação da autoestima, fator preponderante para o sucesso do projeto.

 

O cadastro dos candidatos será feito em comunidades de baixa renda, em parceria com associações de moradores, que atuarão como facilitadoras, indicando moradores desempregados com perfil de liderança local, que serão entrevistados e capacitados para trabalharem e agirem como multiplicadores da consciência ambiental dentro das comunidades.

No galpão os resíduos serão pesados e passarão por uma triagem manual, onde todo material reciclável é separado e beneficiado por uma equipe feminina, afim de se obter um material pronto para a venda. O rejeito será recolhido pela empresa de limpeza urbana, que dará a destinação final. A instalação do galpão trará benefícios imediatos também para os moradores da região, que contarão com um Ponto de Entrega Voluntária de Materiais Recicláveis (PEV). 

Os recursos para a construção do galpão de beneficiamento e a compra de equipamentos serão captados preferencialmente através de investimento social privado e financiamento coletivo. Recursos também poderão ser captados junto a fundos ambientais e de fomento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, visando a expansão do trabalho, o aprimoramento tecnológico, a capacitação para gestão e eventuais melhorias em infraestrutura.

A Prefeitura de Santos, em sua esfera de atuação, fornecerá o apoio necessário para a execução do projeto nas áreas que forem de sua responsabilidade e alcance, como a cessão da área para construção do galpão de beneficiamento e a divulgação dos resultados. Valores relativos à prestação de serviço de coleta de rejeitos que serão enviados para o aterro sanitário deverão ser calculados junto à empresa de limpeza urbana e à prefeitura. Cabe ainda à prefeitura fiscalizar as ações do instituto no tocante aos resultados e cumprimento do Termo de Cooperação Técnica.

OBJETIVO GERAL

 

Recuperar áreas degradadas de mangue e diminuir o aporte plástico no oceano.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

Conter e coletar resíduos sólidos, reduzir o descarte irregular, gerar renda através da comercialização de materiais recicláveis, reflorestar áreas degradadas de mangue e congelar favelas de palafitas.

BASE OPERACIONAL DE SANTOS

Levando em consideração os fatores hidrodinâmica, navegação e logística, bem como a necessidade de prevenir novas invasões no local o Instituto EcoFaxina sugere tecnicamente, que o galpão para descarga e beneficiamento dos resíduos sólidos esteja localizado em uma área na margem estuarina, mais precisamente no bairro São Manoel.

O local é caracterizado como Área de Preservação Permanente (APP), havendo a necessidade de adequação jurídica para o uso e ocupação do solo que possibilite a sua construção e operação.

O projeto necessita de uma área mínima de 1.350 m², sendo 1.000 m² previstos de área construída para o galpão e 350 m² para transbordo de resíduos e pátio para manobra de embarcações. O solo, em sua maior parte, já foi aterrado com entulho e encontra-se ocupado por 205 famílias, que serão transferidas para o conjunto habitacional “Santos  Ó” em janeiro de 2018, segundo a Cohab Santista.

REUNIÕES E VISITAS TÉCNICAS

Design gráfico e animação conceitual do galpão:

BASE OPERACIONAL DE SÃO VICENTE

Assim como a Base Operacional de Santos, a Base Operacional de São Vicente necessita de uma área mínima de 1.350 m², sendo 1.000 m² previstos de área construída para o galpão e 350 m² para transbordo de resíduos e pátio para manobra de embarcações.

Os recursos para as reformas e adequações necessárias serão captados através de investimento social privado com base na responsabilidade compartilhada na gestão dos resíduos sólidos. O Instituto EcoFaxina pretende reativar a escola de remo e vela em parceria público privada.

ECOBARREIRAS

A ecobarreira é um equipamento que impede a dispersão dos resíduos descartados pelas favelas de palafitas no manguezal, evitando a degradação de áreas de mangue ou que alcancem a baía de Santos e o mar aberto, onde não encontram fronteiras.

A construção, instalação e operação das ecobarreiras será feita pelos Agentes Ambientais de Coleta de Resíduos, sob supervisão de diretores do Instituto EcoFaxina, gerando renda, e o mais importante, despertando na comunidade o sentimento de apropriação do equipamento.

A estrutura das ecobarreiras utilizará bombonas de 200 litros. Entre as ecobarreiras de um mesmo ponto haverão distanciamentos que variam de 25 a 80 metros nos locais com maior profundidade permitindo o transito de embarcações. 

Calcula-se que mais de 50 mil pessoas habitem favelas de palafitas na região de abrangência e descartem 20 toneladas de resíduos recicláveis por dia no mangue, sendo 10 toneladas só de plástico. As ecobarreiras serão responsáveis pela contenção e retirada de até 40 toneladas de resíduos por mês da água, até 40 toneladas serão coletadas em áreas de mangue não invadidas, mas que acumulam enormes quantidades de resíduos sólidos e também em áreas ocupadas, totalizando cerca de 80 a 100 toneladas/mês.

Base Operacional de Santos: ecobarreiras 1 e 2, farão a contenção dos resíduos flutuantes que chegam pelo Rio Casqueiro, provenientes das favelas Vila dos Pescadores, em Cubatão, e Vila dos Criadores, em Santos. Ecobarreiras 3 e 4 farão a contenção dos resíduos flutuantes provenientes das favelas Alemoa, Caminho da União e Dique da Vila Gilda, em Santos, e Dique do Sambaiatuba, em São Vicente, que atinjam o corpo d’água pela margem estuarina ou que não tenham sido contidos pelas ecobarreiras anteriores.

Base Operacional de São Vicente: ecobarreiras 5 e 6 farão a contenção dos resíduos flutuantes provenientes do Dique do Pompeba e Cachetas, que atinjam o corpo d’água pela margem estuarina ou que não tenham sido contidos pelas ecobarreiras anteriores.

Base Operacional de São Vicente: ecobarreiras 7, 8 e 9 farão a contenção dos resíduos flutuantes provenientes da favela México 70, que atinjam o corpo d’água pela margem estuarina ou que não tenham sido contidos pelas ecobarreiras anteriores.

COLETA E TRANSPORTE DOS RESÍDUOS

 

Os resíduos sólidos serão coletados no estuário por meio de barcos e balsas de alumínio, sendo três (03) barcos modelo “chata”, embarcação de baixo calado e alta estabilidade lateral, ideal para águas calmas e profundidades rasas, com propulsão por motor de popa, servindo para transporte de pessoal e reboque para duas (02) plataformas flutuantes, sendo estas, embarcações sem motorização, no formato de balsas com baixo calado e capacidade para transportar até 3 toneladas de carga.

 

A metodologia para a coleta de resíduos nas ecobarreiras, barreiras de contenção e manguezais possui como base o ciclo lunar e a hidrodinâmica estuarina. Durante as marés de quadratura, nas fases quarto crescente e quarto minguante, onde o coeficiente de marés é mais baixo, as coletas serão realizadas ininterruptamente, em dois períodos, manhã e tarde. Durante as marés de sizígia, nas fases lua cheia e lua nova, as coletas serão realizadas ininterruptamente até o limite 0.4 metros de maré. Nos intervalos de maré baixa, os Agentes Ambientais de Coleta de Resíduos realizarão a coleta de materiais recicláveis em favelas utilizando bicicletas elétricas.

 

Os trabalhos de coleta, transporte e reciclagem serão coordenados e supervisionados por diretores executivos do Instituto EcoFaxina, com o auxílio de estagiários, divididos em dois turnos, manhã e tarde.

PROGRAMA DE REFLORESTAMENTO ESTUARINO

Tem como objetivo principal reflorestar áreas degradadas de mangue após a ações de limpeza dos “Agentes Ambientais de Coleta de Resíduos”. A equipe de trabalho será composta por diretores do Instituto EcoFaxina, Agentes Ambientais de Coleta de Resíduos e estagiários da área de Ciências Biológicas.

 

Devemos valorizar os serviços ambientais prestados pelos manguezais, sobretudo em um estuário tão antropizado. Além de atrair alta biodiversidade e possuir papel fundamental no ciclo do carbono, devido à alta taxa de captura e retenção de carbono atmosférico, as florestas de mangue protegem zonas costeiras contra a erosão e o assoreamento de canais estuarinos, contribuindo de forma eficaz e natural para a macrodrenagem, principalmente da Zona Noroeste de Santos.

 

É dividido e organizado em 7 fases:

 

  1. Desenvolver estudos envolvendo as espécies individualmente e a ecologia de comunidades de espécies de mangue que ocorrem naturalmente no local, prestando particular atenção aos padrões de reprodução, distribuição, e sucesso no estabelecimento de plântulas.

  2. Obedecer a hidrodinâmica normal que controla a distribuição e suporta com sucesso o crescimento de espécies alvo de mangue.

  3. Avaliar as alterações do ambiente de mangue que ocorreram e que atualmente impedem a sucessão secundária natural.

  4. Selecionar as áreas de reflorestamento através da aplicação das etapas 1-3 acima, que garantem a probabilidade de sucesso na reabilitação de um ecossistema florestal e evitam desperdícios, tanto financeiros quanto de esforços. Considerar o trabalho para realizar os projetos, incluindo o acompanhamento adequado de seu progresso para a concretização dos objetivos quantitativos estabelecidos antes do reflorestamento. Esta etapa inclui a resolução de posse de terra / questões de uso necessárias para assegurar o acesso a longo prazo e para a conservação do local.

  5. Executar o programa de reflorestamento em locais apropriados, selecionados na etapa 4, acima, visando restaurar a hidrologia adequada e utilizar sementes, propágulos e ou mudas provenientes do manguezal natural, utilizando fontes locais para manejo.

  6. Realizar o plantio somente depois de completar os passos de 1-5, acima, garantindo o recrutamento natural que irá fornecer a quantidade de mudas estabelecida com sucesso, a taxa de estabilização e a taxa de crescimento necessária para o sucesso do projeto.

  7. Inclui-se ainda a utilização de técnicas específicas para o plantio sobre áreas que possam receber impactos provenientes do contato com resíduos flutuantes como sacos plásticos, garrafas PET, fraldas, e demais resíduos que sejam descartados no leito estuarino. Tais técnicas já vem sendo empregadas em programas de reflorestamento de áreas de manguezal em diversas partes do mundo.

 

As áreas isoladas para recuperação ambiental deverão receber placas de sinalização e informação. Deste modo espera-se que as áreas recuperadas auxiliem no processo de congelamento e redução das favelas de palafitas na região. Para que isso ocorra, é imprescindível o envolvimento da comunidade e uma ação conjunta entre Instituto EcoFaxina, COHAB Santista, Administração Regional da Zona Noroeste e Defesa Civil.

Imagem ilustrativa da região antes e depois do processo de recuperação ambiental:

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

 

Mais que coletar e triar resíduos, os Agentes Ambientais que trabalharão no galpão serão educadores e multiplicadores da consciência ambiental dentro de suas comunidades, onde deverão incentivar outros moradores a separarem os resíduos e descarta-los corretamente, promovendo mudanças de hábitos nas famílias. Para isso, o Instituto EcoFaxina pretende experimentalmente instalar em um trecho do Dique da Vila Gilda alguns decks flutuantes no final dos principais becos de palafitas para a disposição final e coleta dos materiais recicláveis nas comunidades utilizando as embarcações que passarão duas vezes por semana com sinal sonoro avisando os moradores que está sendo realizada a coleta.

 

A necessidade de coletar materiais recicláveis pela água ocorre pela impossibilidade, em muitos locais, do descarte ser realizado integralmente em via urbana.

Imagem ilustrativa da disposição dos decks flutuantes para coleta de materiais recicláveis nas favelas:

Contando com um mini auditório e uma passarela no mangue, um dos objetivos é que o galpão se torne um espaço de visitação para alunos da rede pública e privada de ensino, onde os alunos poderão conhecer o trabalho de limpeza realizado pela comunidade e adquirir conhecimento sobre a ecologia de manguezal e a importância desse ecossistema para a região.

Ilustração do mini auditório para educação ambiental:

Uma minuta de Termo de Fomento entre a Secretaria do Meio Ambiente de Santos e o Instituto EcoFaxina foi redigida em 2016 pela secretária Debora Blanco Bastos Dias e aguarda licenças urbanísticas e ambientais para cessão de área na margem estuarina.

Vídeo de uma visita técnica à área com o deputado estadual, Kenny Mendes:

PROJETO ARQUITETÔNICO

SISTEMA AMBIENTAL DE COLETA DE RESÍDUOS

Um projeto tripartite pela recuperação do estuário de Santos e São Vicente.

ENDEREÇO

Rua Dr. Oswaldo Cruz, 377, Conj.03

Santos (SP) - CEP 11045-101

+55 (13) 3301-2391

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