Nós sabemos como diminuir a quantidade de plástico nos oceanos

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28/04/2016 - Por William Rodriguez Schepis/IEF 

Qual seria a melhor estratégia para diminuirmos a quantidade de plástico nos oceanos? Se quisermos oceanos livres do plástico devemos, antes de tudo, entender de fato o problema para buscarmos soluções eficazes.

Voluntários posam para foto após coletarem 722,5 kg de lixo em manguezal no estuário de Santos, sendo 450,5 kg somente plástico. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntários posam para foto após coletarem 722,5 kg de lixo em manguezal no estuário de Santos, sendo 450,5 kg somente plástico. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

A cada ano 8 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos. Os oceanos contém hoje pelo menos 5 trilhões de pedaços de plástico em seus ecossistemas, média de 700 pedaços por humano no planeta, cerca de 250.000 toneladas.

Nos últimos tempos tenho ouvido falar muito sobre projetos que, da forma como são tratados pela mídia, "prometem salvar os oceanos do plástico". Especialmente dois projetos, o The Ocean Cleanup Project - Projeto Limpeza do Oceano em inglês - , criado pelo jovem holandês Boyan Slat, e o Seabin Project - Projeto Lixeira Marinha em inglês, criado pelos australianos Andrew Turton e Pete Ceglinski.

Vamos analisar os dois projetos para sabermos mais sobre como cada um funciona, começando pelo Projeto de Limpeza do Oceano.

Focado na limpeza no meio do oceano, o Ocean Cleanup Project pretende coletar plástico no Giro Subtropical do Pacífico Norte através de uma rede gigante, o que no meu ponto de vista não se caracteriza uma estratégia viável. Sem entramos em aspectos técnico-operacionais como tempestades oceânicas, rotas de navegação e distância da costa. Em seu site o projeto possui a seguinte descrição: "O primeiro método viável para livrar os oceanos do plástico. O objetivo da Ocean Cleanup Project é extrair, prevenir e interceptar a poluição por plástico, iniciando a maior limpeza da história". O início das operações está previsto para 2020.

Ilustração mostra como se dará a limpeza no Giro do Pacífico Norte. Crédito: Cleanup Project
Ilustração mostra como se dará a limpeza no Giro do Pacífico Norte. Crédito: Cleanup Project

Para combatermos esse grave problema devemos voltar nossos olhos, pensamentos e ações para as regiões costeiras, direcionando nossos esforços na elaboração de projetos que levem em conta a diminuição do aporte de resíduos nos oceanos, levando em conta sobretudo as diversas singularidades locais. Combater a poluição marinha nos giros subtropicais é o mesmo que tratar um paciente com hérnia de disco utilizando analgésicos.

Cerca de 80% da poluição marinha tem origem no descarte incorreto em terra, e é na região costeira que a poluição por resíduos sólidos, especialmente o plástico, causa maior impacto à fauna marinha, pois nela se concentra a maioria dos animais, incluindo peixes, tartarugas, mamíferos e aves marinhas, que acabam confundindo plástico com alimento. Quanto mais nos afastamos da costa, mais estéril se torna o oceano. Por isso, limpar o meio do oceano se torna menos eficaz em relação à iniciativas que busquem a limpeza e recuperação de rios, manguezais, estuários e praias. Sem dúvida, faz muito mais sentido retirar resíduos ou evitar que sejam descartados em regiões costeiras antes que eles possam causar danos à vida marinha.

Contudo, além da necessidade de projetos voltados para a despoluição e recuperação ambiental em regiões costeiras, precisamos que políticas públicas de habitação e saneamento básico, como os Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, sejam colocadas em prática urgentemente em todos os nossos municípios.

Leia também: Estudo: 90% das aves marinhas já ingeriram plástico

Porém, é fundamental que a imprensa não preste um desserviço ambiental pela maneira como aborda certos projetos, que possuem o seu valor, devem receber atenção e reconhecimento, porém, não podem gerar expectativa no leitor de que surgiu alguém ou algo que nos livrará do problema. Como diz o ambientalista Robert Swan, "A maior ameaça para nosso planeta é a crença de que alguém irá salvá-lo".

O plástico se acumula em ecossistemas costeiros como manguezais, praias e costões rochosos, causando graves impactos à fauna marinha. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
O plástico se acumula em ecossistemas costeiros como manguezais, praias e costões rochosos, causando graves impactos à fauna marinha. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina 

"Lixeira do mar"

O Seabin Project é um projeto que também causou enorme repercussão na mídia. Muitos familiares e amigos meus me enviam links ou me marcam em postagens no Facebook sobre essa invenção, que consiste em um tubo que aspira a água da superfície através de uma bomba, transportando o lixo flutuante para o interior desse tubo que contém uma rede, onde o lixo vai se acumulando.

Ilustração do funcionamento do projeto. Crédito: Seabin Project
Ilustração do funcionamento do projeto. Crédito: Seabin Project

Protótipo em funcionamento. Crédito: Seabin Project
Protótipo em funcionamento. Crédito: Seabin Project

Rede coletora de resíduos dentro do tubo. Crédito: Seabin Project
Rede coletora de resíduos dentro do tubo. Crédito: Seabin Project

A ideia é muito boa para regiões com águas calmas, próximas à rede elétrica e pouco poluídas, pois a estrutura não comporta grande quantidade de resíduos. Uma solução paliativa para regiões abrigadas, interessante para ser utilizada em marinas, por exemplo, mas inviável em diversos aspectos para a nossa realidade.

Na ferida

Tratando-se da Baixada Santista, temos o estuário de Santos como a principal fonte de poluição marinha por resíduos sólidos, proveniente sobretudo de enormes favelas de palafitas localizadas em áreas invadidas de mangue. Tais favelas geram diariamente grande quantidade de resíduos descartados diretamente nos manguezais e transportados para praias e mar aberto, através de marés e correntes litorâneas.

Submoradias em áreas de mangue no estuário de Santos são responsáveis por grande parte da poluição marinha por plástico que afeta região da Baixada Santista. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Submoradias em áreas de mangue no estuário de Santos são responsáveis por grande parte da poluição marinha por plástico que afeta região da Baixada Santista. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

Com o objetivo de diminuir o aporte de plástico em nossa região costeira, desenvolvemos em 2009 o projeto "Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos", que tem como foco principal a limpeza e recuperação de áreas degradas de mangue através da formação de uma frente de trabalho formada por jovens moradores de palafitas em situação de risco social, envolvendo educação ambiental e geração de renda através da reciclagem. A ideia é que esses jovens se tornem educadores ambientais dentro da própria comunidade e que a recuperação das áreas degradas, seja feita gradativamente ao passo que as famílias são transferidas para conjuntos habitacionais, impedindo dessa forma que novas palafitas ocupem novamente essas áreas, promovendo o congelamento e a diminuição das favelas de palafitas no manguezal.

Desde então estamos em ininterrupta tratativa com a Prefeitura de Santos para celebração de um Termo de Cooperação Técnica que propicie o início das atividades, tendo como única contrapartida para o município a cessão de uma área próxima ao mangue ocupado por palafitas, onde toda a infraestrutura para o trabalho de coleta e beneficiamento dos resíduos ficará por conta de parcerias com a iniciativa privada.


As ecobarreiras que serão utilizadas no projeto já foram aprovadas pela Câmara Municipal de Santos, através de projeto de lei do vereador Kenny Mendes (PSDB). No momento a minuta do Termo de Cooperação Técnica passa por avaliação na Secretaria do Meio Ambiente e a expectativa é de que seja enviado para assinatura do prefeito Paulo Alexandre Barbosa entre maio e junho deste ano.


Engº. Civil Adalberto Joaquim Mendes fala sobre saneamento na Rádio CBN Santos

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22/04/2016 

Confira a entrevista concedida pelo nosso Conselheiro de Saneamento Ambiental, Engº. Civil Adalberto Joaquim Mendes, ao quadro Espaço Verde da Rádio CBN Santos.

Rádio CBN Santos – Bom dia, obrigada pela sua participação.

Adalberto Joaquim Mendes – Bom dia a você, bom dia a todos.

CBN – Bom, a respeito dessa palestra que você vai dar em um desses eventos mais conhecidos no mundo de tecnologias ambientais, um dos principais temas é o Sistema Nacional de Informações de Saneamento. Esse vai ser o principal assunto abordado?

AJM – Sim, entre todos os assuntos, esse é um deles. E temos também outros assuntos que vão ser abordados, que acabam escoando nas Leis vigentes, que foram aprovadas e até o momento não cumpridas.

CBN – A respeito desse Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades, qual seria então a obrigação do município para cumprir, justamente, todos esses requisitos e cumprir todas essas mudanças que deveriam acontecer na cidade, Adalberto?

Falta vontade política", lamenta Adalberto Mendes.
"Falta vontade política", lamenta Adalberto Mendes.
AJM – Bem, a Lei nº 11.445/10 ela estabelece o SINISA – Sistema Nacional de Saneamento Básico e que os municípios, e os operadores dos serviços, têm que declarar ao Ministério das Cidades, ao SNIS, que atualmente ainda não mudou de nome, embora a Lei nº 11.445 estabelece o SINIS, ele ainda não foi implantando – isso em relação a água e esgoto. Com relação aos resíduos sólidos, a Lei nº 12.305, estabeleceu o SINIR, o Sistema Nacional de informações sobre Resíduos, mas apenas SNIS, que é o Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento é que vem funcionando. E a medida que o município fornece a informação via internet, ele recebe um atestado de regularidade, que é um documento exigido na hora de obtenção dos financiamentos.

CBN – Agora os municípios que não tiverem esses planos de saneamento básico, eles não terão acesso a alguns tipos de recursos?

AJM – Bem, atualmente o Governo Federal colocou como Lei, que é a nº 12.305, um prazo que não foi cumprido até agora, que foi sendo erradicação dos lixões até o ano de 2014 e que não ocorreu, e através de uma interferência política, se alterou essas datas. Ou seja, mesmo a Lei estando vigente não foi cumprida e também nada foi feito em termos de Ministério Público, nada disso.

CBN – Mas existe alguma expectativa para isso acontecer, até alguma forma de punição para esses municípios que não respeitam, que não têm esses planos municipais?

AJM – A punição, na verdade, é o que a Lei estabelece: que os recursos federais só seriam possíveis transferi-los, para o município ou Estado desde que haja algum tipo de plano – plano municipal de saneamento básico – água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana, mas na verdade o ajeitamento político tem levado ao não cumprimento dessas Leis. Veja que a Lei nº 11.445, que é a Lei de Saneamento Básico, ela vige desde 22 de fevereiro de 2007, ou seja, há 9 anos e até agora não foi cumprida.

CBN – O mesmo acontece nas cidades da Baixada Santista, a gente sempre tenta regionalizar, trazer para nossa região, as nove cidades hoje cumprem esse plano? Têm um plano de Saneamento Básico?

AJM – Em relação a Baixada Santista, a situação não é tão grave em termos de planos. Os planos foram feitos por interesse da companhia estadual, o primeiro plano para os nove municípios, onde se focou exclusivamente nos sistemas de água e esgoto. Os resíduos sólidos, até hoje nós não temos os planos municipais elaborados adequadamente. Ademais, como o tempo ultrapassa 4 anos, onde a Lei exige que eles sejam revisados, até o momento nós podemos dizer que os municípios da Baixada também não estão de acordo com a legislação vigente, uma vez que eles deveriam ser revisados. Outro fato importante é que nos planos anteriores não havia previsão do Fundo Municipal de Universalização dos serviços de saneamento, portanto como os municípios não dispõem desses fundos, não estão aptos para receber verbas do Fundo Nacional do Saneamento Básico.

CBN – E existe alguma dificuldade que poderia ser usada como “desculpas” para não realização desses planos ou para não estar de acordo com essa Lei, Adalberto?

AJM – Na verdade falta vontade política, por que infelizmente se você não tiver vontade política não adianta Lei, não adianta nada, infelizmente essa é a verdade. E veja que na relação com os resíduos sólidos e o lixo, até hoje os municípios, os 9 municípios, ainda não têm o seu plano regional, é aquilo que já comentei com você, já faz 9 anos da Lei 11.445 e 6 anos da Lei 12.305, ou seja, o que não houve até o momento das autoridades, é a vontade política. Foi liberado um recurso recentemente do Comitê de Bacias, mas já faz aproximadamente um ano isso e até agora não foi dada nenhuma satisfação do que vai ser feito ou não. E a população espera já que os problemas graves da Baixada, em relação aos resíduos sólidos, praticamente não estão resolvidos.

CBN – Ou seja, há muito o que avançar?

AJM – Há muito o que avançar, há muito o que se discutir para as melhores condições de vida da população. Veja que a falta de saneamento básico adequado, principalmente numa região que tem alto nível de contaminação, como a nossa Baixada Santista, nós não podemos ficar à mercê da vontade meramente política, há que ter uma participação social e que haja coragem de assumir todos os problemas e tentar resolve-los.

CBN – Ok, Adalberto, um assunto que deveria ser prioridade, o saneamento básico. Obrigada.

AJM – Um abraço a todos, bom dia.


  • Áudio - Ouça a entrevista na Rádio CBN Santos


Voluntários farão limpeza de mangue neste domingo (13), em Santos

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11/12/2015 

Ação voluntária também terá como objetivo eliminar possíveis focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti.

A 65ª Ação Voluntária EcoFaxina acontecerá em uma área de mangue, às margens do rio dos Bugres, onde está prevista a instalação do galpão para a implantação do Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos no estuário de Santos, que consiste em uma frente de trabalho composta por jovens de comunidades de palafitas da região.

Voluntas posam para foto durante a última ação no rio dos Bugres.
Voluntas posam para foto durante a última ação no rio dos Bugres.

Esta será a 16ª ação voluntária realizada no rio dos Bugres. Ao todo já foram retirados 17.565 quilos de lixo do rio.

Parceria

Nesta quinta-feira (10) estivemos reunidos com a secretária do meio ambiente de Santos, Débora Blanco Bastos Dias, que reiterou o empenho da secretaria em acelerar o andamento do processo para a cessão de área próxima ao manguezal para os trabalhos de recuperação do mangue. O vereador Kenny Mendes também esteve presente na reunião.

Maryta Cerávolo (IEF), Kenny Mendes (Câmara Municipal), Debora Blanco, Viviane Ferreira (Semam) e William Schepis (IEF)
Maryta Cerávolo (IEF), Kenny Mendes (Câmara Municipal), Debora Blanco, Viviane Ferreira (Semam) e William Schepis (IEF)

O processo segue agora para a Procuradoria Geral do Município, que após parecer encaminhará ao gabinete do prefeito para a assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre a prefeitura de Santos e o Instituto EcoFaxina.

65ª Ação Voluntária EcoFaxina

Aconselhamos o uso de roupas leves, meias para usar com bota e mochila com squeeze, lanche, protetor solar, repelente, etc. Menores de 18 anos somente acompanhados por adulto responsável.

São fornecidos coletes de identificação, luvas e botas (uso obrigatório). Certificado de participação - 5 horas.

Ônibus: saída às 8h30-40 da rua dr. Oswaldo Cruz, 266, Boqueirão - http://bit.ly/1Q1mMBU. Retorno às 15 horas.
Apoio: Prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta e Terracom.
Reserva de vaga e mais informações: 


Voluntários retiram 368 quilos de lixo de manguezal em Santos

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23/09/2015 

A 64ª Ação Voluntária EcoFaxina celebrou o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias. Dados alertam para o grave quadro de poluição por plástico no estuário de Santos.

Sopa de plástico: mais de 300 espécies de animais marinhos confundem plástico com alimentos. Um recente estudo apontou que cerca de 90% das aves marinhas já ingeriram plástico.
Sopa de plástico: mais de 300 espécies de animais marinhos confundem plástico com alimentos. Um recente estudo apontou que cerca de 90% das aves marinhas já ingeriram plástico.

No último domingo (20/09) voluntários do Instituto EcoFaxina estiveram uma área de mangue em Santos e coletaram 92 sacos de 100 litros cheios de resíduos. De tampinhas de garrafa a embalagens de óleo de motor, o manguezal acumula uma enorme variedade de resíduos, caracterizando o descarte de resíduos domiciliares proveniente de comunidades de palafitas e submoradias que ocupam vastas áreas às margens de canais e largos do estuário de Santos e São Vicente.

O plástico e o isopor são os materiais em maior volume nos manguezais.
O plástico e o isopor são os materiais em maior volume nos manguezais.

A grande variedade de resíduos exigiu paciência dos voluntas durante a coleta de dados.
A grande variedade de resíduos exigiu paciência dos voluntas durante a coleta de dados.

Os voluntários cobriram uma área de aproximadamente 2.000 m² e coletaram 360 quilos de materiais recicláveis, sobretudo plástico. Com a variação de marés, grande parte do plástico descartado no mangue contamina praias, costões, ilhas e mar aberto.

Confira os dados da coleta: 

Itens coletados Quantidade % Peso
Garrafas pet 586 11,23 36
Tampinha de garrafa pet 314 6,02 1
Pedaços de plástico 526 10,08 59
Sacolas plásticas 343 6,57 3
Embalagens cosméticos e higiene pessoal 877 16,80 51
Embalagens produtos alimentícios 840 16,10 21
Embalagens produtos de limpeza 552 10,58 62
Embalagens produtos farmacêuticos 75 1,44 2
Embalagens óleo para motor 8 0,15 1
Embalagens tetra pak 234 4,48 8
Isqueiros 85 1,63 2
Fraldas 32 0,61 14
Pedaços de isopor 275 5,27 4
Brinquedos 62 1,19 25
Chinelos 102 1,95 20
Calçados 58 1,11 21
Pinos de cocaína 92 1,76 -
Garrafas de vidro 46 0,88 23
Lâmpadas 64 1,23 3
Preservativos 8 0,15 8
Objetos metálicos 32 0,61 4
Latinhas de alumínio 6 0,11 -
Maços de cigarro 2 0,04 -
TOTAL 5219
368

Os dados foram encaminhados para o escritório da Ocean Conservancy em Washington, D.C. que reunirá os dados no relatório do Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias.

Após exaustiva coleta de dados, os voluntas posam para foto ao final de mais uma ação.
Após exaustiva coleta de dados, os voluntas posam para foto ao final de mais uma ação.

Organização: Instituto EcoFaxina
Apoio: Ocean Conservancy, Prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta e Terracom


Voluntários celebrarão o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias com ação no mangue

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17/09/2015 

Ação reforça alerta do Instituto EcoFaxina para o descarte de lixo no mangue, origem de grande parte do plástico que polui praias da região e causa danos à vida marinha.

Com vastas áreas de mangue invadidas por palafitas, o estuário de Santos acabou se transformando em uma enorme sopa de plástico. Armadilha mortal para diversas espécies que buscam no mangue um local para se alimentarem e se reproduzirem.
Com vastas áreas de mangue invadidas por palafitas, o estuário de Santos acabou se transformando em uma enorme sopa de plástico. Armadilha mortal para diversas espécies que buscam no mangue um local para alimentação e reprodução.

A 64ª Ação Voluntária EcoFaxina será realizada neste domingo (20/9) em comemoração ao Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias. Promovido desde 1986, sempre no terceiro sábado de setembro pela ONG norte-americana Ocean Conservancy, o International Coastal Cleanup tem como objetivo envolver o maior número de pessoas na coleta de resíduos em praias e demais ecossistemas costeiros por todo o planeta. Além das coletas, o programa visa identificar as fontes de resíduos e mudar padrões comportamentais que contribuem para a poluição dos oceanos. Os dados das coletas são reunidos, publicados e utilizados para sensibilizar e educar consumidores, empresários e governantes. Em 2014 o evento reuniu cerca de 560.000 voluntários em 91 países, que retiraram mais de 7 mil toneladas de lixo de ambientes marinhos.

Caminhões descartam lixo misturado com resíduos da construção civil sobre o mangue. Após serem é aterradas as áreas se transformam em terrenos para habitações em madeira e depois em alvenaria. O metro quadrado desmatado de mangue possui hoje valor médio de trinta reais.
Caminhões descartam lixo misturado com resíduos da construção civil sobre o mangue. Após serem aterradas, as áreas se transformam em terrenos para habitações em madeira e depois em alvenaria. O metro quadrado desmatado de mangue possui hoje valor médio de trinta reais.

Por estarmos em uma região estuarina, a limpeza precisa começar pelo manguezal, berço da vida marinha e local de descarte de lixo para milhares de famílias que vivem em palafitas. A ação voluntária acontecerá na Zona Noroeste de Santos, em uma área de manguezal invadida por palafitas, onde moradores convivem com lixo e esgoto a céu aberto. Assim como nas demais ações promovidas durante o ano, o objetivo é conscientizar moradores sobre a importância da separação e do descarte correto dos resíduos, envolvendo cada vez mais pessoas com a causa e com o trabalho voluntário.

Além da limpeza e da educação ambiental, a coleta de dados e informações também é muito importante, pois eles servem de alerta e subsídio para governantes e empresários desenvolverem políticas públicas e empresariais que contribuam para que o plástico, esse material com inúmeras qualidades, mas que é confundido com alimentos e ocasiona a morte de milhares de animais marinhos todos os anos, siga seu caminho natural, o da reciclagem.


Mais de 80% dos resíduos que se acumulam nas praias da região tem origem domiciliar, proveniente de áreas de invasão de mangue nos municípios que compõe o estuário de Santos e São Vicente.

Cidade sem lixo, mangue sem lixo, praias sem lixo

Esta será a segunda ação realizada em parceria com a Prefeitura de Santos através do programa Cidade sem Lixo. A primeira foi realizada dia 30/08. A parceria visa conscientizar moradores de áreas invadidas e a população em geral através da educação ambiental e participação nas Ações Voluntárias EcoFaxina. Antes da parceria nas ações, o Instituto EcoFaxina e a Prefeitura já vinham atuando juntos na divulgação do programa com a fixação de cartazes nas comunidades.

Tratores percorrem as praia de Santos para remover lixo expelido pelo mar. Enquanto continuarmos poluindo o mangue, todo dia será dia de limpeza de praias na Baixada Santista. Crédito: Janelas TV
Tratores percorrem as praias de Santos para remover lixo expelido pelo mar. Diariamente são coletadas até 40 toneladas de resíduos. Enquanto continuarmos poluindo o mangue, todo dia será dia de limpeza de praias na Baixada Santista. Crédito: Janelas TV

O programa é fruto da Lei Complementar 831, de 10 de abril de 2014, criada por meio de projeto de lei do vereador Kenny Mendes (DEM), que alterou o Código de Posturas, com a proibição do descarte de resíduos de qualquer natureza em vias públicas, passeios, jardins, logradouros, terrenos e canais, com multas previstas para os infratores. Antiga reivindicação do Instituto EcoFaxina. As multas são de R$ 150,00 para volumes até 2 litros, R$ 250,00 para volumes de 2 a 100 litros, R$ 500,00 para volumes de 100 a mil litros e R$ 1.000,00 para volumes superiores a mil litros. Sendo dobrados os valores nos casos de reincidência.

64ª Ação Voluntária EcoFaxina
Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias 2015
Ecossistema: manguezal - Zona Noroeste, Santos.
Data: domingo, 20/09.
Aconselhamos o uso de roupas leves, meia para utilizar com bota e mochila com caneca, lanche, protetor solar, repelente, etc. Menor de 18 anos somente acompanhado por adulto responsável.
Fornecemos: coletes de identificação, botas, luvas e certificados de participação.
Transporte: ônibus com partida às 8h30 da rua dr. Oswaldo Cruz, 277. Retorno previsto para as 16 horas.
Apoio: Ocean Conservancy, Prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta e Terracom.
Reserva de vaga e mais informações: 


Estudo: 90% das aves marinhas já ingeriram plástico

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11/09/2015 

Até 2050 será 99%, se a humanidade continuar saturando o oceano com bilhões de toneladas de plástico, de acordo com um novo estudo. Estima-se que haja atualmente 580.000 objetos de plástico por km² nos oceanos do planeta.

Carcaça de um albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis). Processo de decomposição evidencia a causa da morte.
Carcaça de um albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis). Decomposição evidencia a causa da morte.

Para chegarem a esses números, os pesquisadores começaram reunindo meio século de trabalhos acadêmicos sobre aves marinhas e plástico. Eles descobriram que, 80 das 135 espécies presentes nos estudos ingerem plástico e que cerca de um terço das aves continham objetos plásticos - tampas, lacres, isqueiros, sacolas rasgadas, brinquedos, filamentos e fragmentos - em seus estômagos quando necropsiadas.

Mas esses estudos datam desde 1962, quando a poluição por plástico era um problema muito menor. E se esses mesmos estudos em aves fossem todos executados hoje? Os estudiosos desenvolveram um modelo para responder a essa pergunta, e utilizando dados atuais sobre a concentração de plástico nos oceano, descobriram: 90% das aves marinhas em 186 espécies por todo o planeta já ingeriram plástico.

Os resultados foram publicados no jornal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Cerca de 90% dos resíduos coletados durante as Ações Voluntárias EcoFaxina em manguezais no estuário de Santos é composto por plástico.

O plástico está em todos os lugares, em nossas casas, em nossos carros, em nossa comida, mas onde ele vai parar quando acabamos de utilizá-lo? O fato triste é que grande parte acaba em nossos oceanos. E com todo esse plástico flutuando, alguns são inevitavelmente apanhados por aves marinhas. Eric van Sebille, coautor, do Imperial College London, analisou 60 anos de dados e descobriu que, em comparação com a década de 1960, quando apenas 5% das aves estudadas continham objetos plásticos em seus estômagos, hoje esse número subiu para 90% , e pode chegar a 99% em 2050. Connie Orbach da Univesidade de Cambridge falou com Eric sobre o problema....

Erik - Nós sabemos que estas aves são forrageadoras, certo? Eles passam muito tempo apenas pairando acima da superfície do oceano, tentando encontrar alimentos. E, por vezes, confundem um isqueiro, por exemplo, com um peixe, ou ficam penas curiosas e querem pegá-lo.

Connie - Então, por que você acha que há tanto plástico no estômago? De onde vem tudo isso?

Erik - Muitas pessoas já devem ter ouvido falar sobre o que nós chamamos "ilhas de lixo" - são áreas no oceano aberto, onde todo o plástico em algum momento se acumula. Mas o que descobrimos é, na verdade, que não há muitas muitas aves marinhas forrageando nessas áreas, não existem muitas aves marinhas ingerindo plástico em mar aberto. Assim, a maior parte dos danos à fauna causado pelo plástico realmente ocorre em regiões costeiras.

Guará (Eudocimus ruber) procura alimento no mangue em meio a muito plástico.
Guará (Eudocimus ruber) procura alimento no mangue em meio a muito plástico.

Connie - O que significa estas aves terem plástico no estômago?

Erik - Nós não sabemos realmente o que o plástico causa em aves marinhas, mas temos certeza de que é prejudicial. Pode tanto causar obstrução do trato digestório quanto feri-las internamente. Outra coisa que acontece em alguns casos é o acúmulo de grandes quantidades de plástico nos estômagos. Já encontramos o equivalente a 8% da massa corporal nos estômagos de aves marinhas. Para uma pessoa adulta, seriam 6 quilos. É como andar por aí com dois gatos no estômago. E, em seguida, em terceiro lugar, o plástico pode conter toxinas e estas toxinas podem ser absorvidas nas aves.

Connie - A ideia de transportar dois gatos por aí soa realmente irritante. Quando eu penso em aves marinhas, penso nas gaivotas, que no Reino Unido são um tipo de praga. Elas roubam comida de todos à beira-mar - por que eu deveria me importar com o que está acontecendo com estas gaivotas?

Erik - Pense sobre pinguins, pense sobre albatrozes. Mas eu acho que o mais importante é que, as aves marinhas são quase literalmente canários em uma mina de carvão. Se as aves marinhas ingerem plástico, podemos estar certos de que outras criaturas também ingerem plástico. É que as aves marinhas têm sido sempre mais fácil de estudar. Elas nidificam em terra, assim a literatura sobre aves marinhas tem muito mais tempo, muito mais do que a maioria dos animais marinhos.

Connie - Existe a possibilidade de que as aves marinhas ingerindo parte desse plástico através dos animais que elas estão comendo e não apenas diretamente?

Erik - Provavelmente, isso é verdade, mas a partir de nossos estudos, foi muito difícil evidenciar isso. Então, novamente, isso é algo que nós realmente precisamos entender. Nós mal sabemos a quantidade certa de plástico que entra no oceano. Nós não sabemos aonde o plástico está, e onde preocupantemente, parte desse plástico pode ser incorporado aos animais, ao que chamamos de biota. Assim, o plástico pode realmente estar incorporado a pássaros, peixes, plâncton, mexilhões. Todas essas criaturas pode realmente conter plástico.

Voluntária coleta plástico em praia do Guarujá (SP) durante Ação Voluntária EcoFaxina.
Voluntária coleta plástico em praia do Guarujá (SP) durante Ação Voluntária EcoFaxina.

Connie - Alguns dos animais que você mencionou, em seguida - mexilhões e peixes, são coisas que normalmente comemos - há alguma possibilidade de nós também estarmos ingerindo plástico através da cadeia alimentar?

Erik - Sim, embora ninguém realmente saiba a magnitude disso, quanto de plástico que realmente estamos ingerindo através da cadeia alimentar. Eu acho que nós precisamos perceber que vivemos em um mundo de plástico. O plástico é um material fantástico, certo? É durável, é leve, é à prova d'água. É tudo o que você quer de um material que é tão versátil. O único problema é a forma como gerimos os resíduos de plástico. Precisamos ter certeza de que eles não cheguem aos oceanos, que não alcancem ambientes naturais.

Connie - Então, você não está dizendo que deveríamos usar menos plástico. Que deveríamos administrá-lo melhor.

Erik - Acho que devemos ser mais conscientes de que, ao usarmos plástico, devemos ter cuidado ao descartar no final.

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Connie - Então, sobre a estimativa de que 99% das aves marinhas terão plástico no estômago em 2050, você acha que podemos virar esse jogo?

Erik - Sim. Um estudo relatou que houve um grande esforço da União Europeia para reduzir a quantidade de plástico que entra no oceano, na verdade, houve uma queda significativa na quantidade de plástico encontrado em aves marinhas no mar do Norte. Essa é uma grande notícia. Isso significa que se você parar, as aves serão menos impactadas, e irão se recuperar.

Fontes: Cambridge University e MSNBC
Tradução: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina


Resíduos Sólidos e Saneamento: o meio ambiente e a sua saúde dependem de planejamento

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14/07/2015 - Por Engº Adalberto Joaquim Mendes, diretor de saneamento ambiental. 

Em milhares de municípios brasileiros, a problemática dos Resíduos Sólidos, bem como do Saneamento Ambiental, ainda é subentendida e não tratada com a devida atenção.

O problema dos RSU - Resíduos Sólidos Urbanos, DEVE ser enfrentado com profissionalismo, pois está diretamente ligado a problemas ainda maiores, se observado pela ótica da Saúde Pública, por exemplo.

Os PMGIRS - Planos Municipais ou Metropolitanos de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos, são uma ferramenta, e também é uma ótima oportunidade para os municípios sanarem passivos ambientais, sociais, econômicos e de saúde pública.

Voluntário do Instituto Ecofaxina coletando resíduos em manguezal de Santos
Voluntário do Instituto EcoFaxina coleta resíduos sólidos em manguezal de Santos. Os ecossistemas marinhos sofrem intensa degradação devido a falta de uma gestão eficiente dos resíduos sólidos nas cidades litorâneas.

Além disso, um excelente instrumento que balizará investimentos públicos e privados, para estudos, projetos e obras com foco em Tratamento de Resíduos Sólidos e Saneamento Ambiental.

Sendo assim, este importante documento, o PMGIRS, deve ser elaborado por profissionais de forma plurissetorial, pois necessita diagnosticar e apresentar aos municípios soluções diversas nas áreas de engenharia civil, sanitária, química, biológica, geológica, além de outros diversos nas áreas socioeconômicas, de educação e direito.

Desafios

Estamos acompanhando processos de elaboração dos PMGIRS em diversos municípios, nosso objetivo é orientar para que o tema seja tratado com profissionalismo, pois somente assim a população terá a oportunidade de colher os frutos de um trabalho bem elaborado, que traga resultados significativos para o saneamento ambiental, resultando em benefícios concretos para a saúde de toda a população.

O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, do Ministério das Cidades, informava que no ano de 2007 o índice médio de atendimento dos sistemas de abastecimento de água, à população urbana, atingia 92,9%. Para a coleta de esgotos 42,4%, bem como o tratamento de esgotos gerados, que atendia a um contingente de, apenas, 34,3%. Na publicação mais recente do SNIS, divulgada no final de 2014, os índices de atendimento dos sistemas de abastecimento de água, totalizou 93%, para coleta de esgotos 56,3% e para o tratamento de esgotos gerados, 39%.

A meta do Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB é garantir, até 2023, todo o território nacional abastecido por água potável e, até 2033, 92% dos esgotos estejam tratados. No período compreendido entre os anos de 2007 (ano da promulgação da Lei N° 11.445/07) e 2011, foi desembolsado pelo Governo Federal, em recursos não onerosos, o total de R$ 18,9 bilhões, no ano de 2012 os investimentos totalizaram algo em torno de R$ 9,8 bilhões e em 2013, cerca de R$ 10,5 bilhões.

Na pesquisa dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, publicada em 2012, mostra que três em cada dez domicílios urbanos, não possuíam coleta de esgoto, e somente 38% do esgoto produzido no país era tratado. Na Região Norte, por exemplo, somente 13% dos domicílios têm acesso à rede coletora de esgoto.

Em 2013, a Agência Nacional de Águas – ANA divulgou o resultado de uma pesquisa, na qual encontrou água de qualidade "ruim" ou "péssima", em 44% dos pontos urbanos, contaminada, principalmente, por esgoto doméstico. Três em cada dez domicílios urbanos ainda não são abastecidos com água potável. Nas regiões com menor acesso a rios, nascentes e aquíferos, o atendimento é precário. Nas áreas e bairros mais pobres, o mesmo cenário. Ainda considerando dados da ANA, apenas 29% dos brasileiros contam com abastecimento satisfatório. Como se pode notar, na comparação dos indicadores apresentados em relação aos investimentos realizados, podem ser considerados pífios.

De acordo com o que determina a Lei Nº 11.445, de 05 de janeiro de 2007, que estabelece as Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico (Art. 9º), regulamentada pelo Decreto Nº 7.217, de 21 de junho de 2010, os titulares dos serviços de saneamento devem formular a política pública de saneamento em função dos Planos Municipais de Saneamento Básico - PMSB.

O PMSB é o resultado de um conjunto de estudos, que objetiva conhecer a situação atual dos municípios brasileiros e planejar as ações e alternativas para a universalização dos serviços públicos de saneamento, resultando na promoção do saneamento, da saúde pública e do meio ambiente. Trata-se de um instrumento estratégico de planejamento e gestão participativa, o qual visa atender o que determina os preceitos da Lei Nº 11.445/2007.

A elaboração dos Planos Municipais, nos termos previstos nas Leis vigentes, é condição para os titulares dos serviços de saneamento, terem acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados a empreendimentos e serviços relacionados ao setor, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade. Decorridos mais de 8 anos da promulgação da Lei N° 11.445/2007, menos de 20% dos municípios brasileiros elaboraram os seus PMSB.

Recursos

O PLANSAB prevê investimentos da ordem de R$ 508 bilhões visando a Universalização dos Serviços de Saneamento até o ano de 2033, sendo 59% de Agentes Federais e 41% de outros Agentes. Dos valores previstos no PLANSAB, no período de 2014 – 2033, algo em torno de R$ 122 bilhões são para os sistemas de abastecimento de água, aproximadamente R$ 182 bilhões para os sistemas de esgotos sanitários, cerca de R$ 23 bilhões para resíduos sólidos urbanos e R$ 69 bilhões para drenagem urbana. Para os investimentos em Gestão estão previstos R$ 112,345 bilhões, sendo aproximadamente R$ 34 bilhões dos Agentes Federais.

Além do acesso aos recursos financeiros, provenientes da União, com a elaboração dos Planos Municipais há a possibilidade de geração de recursos financeiros através da aplicação do art. 13 da Lei Nº 11.445, que se reproduz a seguir:

Art. 13.  Os entes da Federação, isoladamente ou reunidos em consórcios públicos, poderão instituir fundos, aos quais poderão ser destinadas, entre outros recursos, parcelas das receitas dos serviços, com a finalidade de custear, na conformidade do disposto nos respectivos planos de saneamento básico, a universalização dos serviços públicos de saneamento básico.

O Fundo poderá ser investido em infraestrutura e instalações necessárias para a melhoria nos serviços, ou ser utilizado como fonte de garantia para empréstimos, a fim de custear investimentos na universalização dos serviços públicos de saneamento básico. Os municípios só terão acesso aos recursos financeiros do Fundo Nacional de Universalização dos Serviços de Saneamento – FNUSB se for previsto no PMSB. Boa parte dos PMSB analisados, não contemplam a criação do Fundo Municipal de Universalização dos Serviços de Saneamento Básico – FMUSB.

A situação dos serviços de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos, bem como de drenagem urbana e manejo de águas pluviais, pode ser considerada a pior, em relação aos eixos dos serviços de abastecimento de água e esgotos sanitários, pois nem informações confiáveis existem, principalmente, em municípios de pequeno e médio porte.

Há reconhecimento amplo que no Brasil especialistas dominam plenamente a tecnologia aplicada aos serviços de saneamento básico e que dispomos de um parque industrial, no segmento de máquinas e equipamentos, que podem ser utilizados em prol da população. Entretanto se faz necessário conscientizar os entes federativos que os serviços de saneamento básico são fundamentais para a promoção da saúde pública.


Voluntários retiram 602 kg de lixo de manguezal em Santos

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17/06/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini 

A 62ª Ação Voluntária EcoFaxina reuniu 31 voluntários no último domingo (14) na Zona Noroeste, em Santos.  A ação se concentrou em uma área de mangue degradado próxima à comunidade Mangue Seco, atingida por um incêndio no dia 1º de março do ano passado. No total, mais de meia tonelada de lixo foi retirada do manguezal.

A 62ª Ação Voluntária EcoFaxina reuniu 31 voluntários que retiraram 602 kg de resíduos em área degradada de mangue na Zona Noroeste de Santos.

Antes do início da ação, os voluntários foram até a Vila Telma, região atingida por um incêndio de grandes proporções na última quinta-feira (11/06), deixando 70 barracos destruídos.

Área de mangue invadida por palafitas atingida por um incêndio de grandes proporções na última quinta-feira (11/06).

Próximo a essa área, o Instituto EcoFaxina pretende construir um galpão de reciclagem para receber os resíduos que sufocam o mangue, principalmente o plástico, material que é confundido com alimentos e ocasiona a morte de milhares de animais marinhos todos os anos.

Para a ação, cada voluntário recebeu um saco de 100 litros e foi instruído a recolher resíduos sólidos, em especial o plástico, o grande vilão da poluição marinha. No total foram retirados do manguezal 402 kg de plástico; 102 kg de borracha (pneus); 64kg de porcelana (louça sanitária) e 34kg de tecido.

As Ações Voluntárias EcoFaxina recebem o apoio da prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta, Terracom Engenharia e Mr. Fly Moda Sustentável.

Voluntários posam para foto ao final da 62ª Ação Voluntária EcoFaxina.

Moradores cobram melhorias

Durante visita à Vila Telma, os voluntários foram indagados pelos moradores da região sobre as promessas de melhorias no bairro. Jane Maria Vieira, líder comunitária, afirmou que há meses está tentando agendar uma audiência com o prefeito da cidade para questionar as precárias condições dos fios elétricos na comunidade, fato que pode provocar curtos circuitos e acidentes, principalmente com as crianças.

No final de março diretores do Instituto EcoFaxina realizaram uma visita técnica ao manguezal da Zona Noroeste para estudo da área onde será construído o galpão onde serão realizarados os trabalhos de limpeza, reciclagem e plantio de mudas de mangue com jovens da comunidade.

Visita técnica com técnicos da Prefeitura de Santos ao manguezal da Zona Noroeste para estudo da área onde será construído o galpão onde serão realizarados os trabalhos de limpeza, reciclagem e plantio de mudas de mangue com jovens da comunidade.

Participaram da visita técnica representantes da Secretaria do Meio Ambiente, Unidade de Gerenciamento do Programa Santos Novos Tempos, Departamento de Assuntos Legislativos, Subprefeitura da Zona Noroeste, COHAB e Defesa Civil. A equipe realizou visita técnica nas imediações, onde foi constatado que houveram novas invasões em áreas de mangue, sendo um dos objetivos do projeto evitar novas invasões através da recuperação do monitoramento das áreas degradadas.  

O projeto visa trabalhar a reciclagem dos materiais coletados no manguezal, a recuperação ambiental e também a geração de renda, dando oportunidades para os jovens desempregados da própria comunidade, e encontra-se em trâmite na prefeitura desde 2009. A minuta do Termo de Cooperação Técnica elaborado em abril deste ano junto à Secretaria do Meio Ambiente está pronto, aguardando somente a definição da área para o início do trabalho de recuperação ambiental, já previsto pelo programa Santos Novos Tempos.

Nesta quinta-feira (18) diretores do Instituto EcoFaxina se reunirão com o chefe de gabinete da Prefeitura de Santos, Sr. Rogério Pereira dos Santos. A expectativa é que seja definida a localização da área próxima ao manguezal para o agendamento da assinatura do termo de cooperação técnica com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa.


Incêndio Ultracargo: primeiros resultados das análises em amostras de água

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23/04/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini e William Rodriguez Schepis 

Testes apontam alto nível de toxicidade da água que escoou do combate ao incêndio nos tanques da Ultracargo. Foram coletadas amostras de água, peixes e ostras.

No dia 7/4, ainda durante o incêndio, uma equipe do Instituto EcoFaxina percorreu o estuário de Santos com o objetivo de coletar amostras de água, peixes e ostras da região para testes e análises em laboratórios. A ação durou cinco horas. Foram coletadas amostras de água em sete pontos do estuário: rio Casqueiro, Jardim São Manoel, Ilha Caraguatá, Canal do Porto e duas na região do incêndio.

Os estudos estão sendo realizados em parceria com a Universidade Santa Cecília (UNISANTA), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).

Mapa com os pontos onde foram coletadas amostras de água.
Mapa com os pontos onde foram coletadas amostras de água.

As amostras de água foram entregues para os biólogos mestres Fernando Sanzi Cortez e Fabio Pusceddu, do Laboratório de Ecotoxicologia da Unisanta. Eles conduzirão as análises que incluem parâmetros físico-químicos da água como pH, amônia, oxigênio dissolvido, salinidade e sulfetos, além de testes de toxicidade (toxicidade crônica com embriões de ouriço). Frações das amostras foram enviadas também para o professor Dr. Denis Abessa, da UNESP, onde serão conduzidos testes de toxicidade crônica com copépodos (Nitokra sp).

Uma amostra de peixes coletados ainda vivos por pescadores na tarde do dia 3/4, dia do início do incêndio, foi enviada para a Dra. Isabella Bordon, do IPEN, que está realizando análises de metais e poluentes orgânicos nos tecidos. Uma amostra de ostras, coletada dia 10/4, foi encaminhada para o Dr. Igor Dias Medeiros, da UNIFESP, para análise de biomarcadores.

Amostras ostras dissecadas e prontas para análise de biomarcadores.
Amostras ostras dissecadas e prontas para análise de biomarcadores.

Monitoramento e resultados

Os primeiros resultados indicaram um alto nível de toxicidade em uma amostra coletada próxima ao incêndio, nos demais pontos, não houve indícios de toxicidade. Contudo, somente com esses primeiros testes, não é possível afirmar ainda se houve ou não contaminação nos demais pontos, considerando que fatores abióticos como hidrodinâmica, marés e ventos influenciam no deslocamento e dispersão de águas superficiais.

Amostra coletada no ponto 5, próximo ao incêndio, causou letalidade total em testes com embriões de ouriço, indicando alto nível de toxicidade da "água" que escorria dos tanques para o estuário.
Amostra coletada no ponto 5, próximo ao incêndio, causou letalidade total em testes com embriões de ouriço, indicando alto nível de toxicidade da "água" que escorria dos tanques para o estuário.

O monitoramento ambiental continuará com coletas periódicas de água e sedimento, possibilitando uma avaliação mais precisa dos impactos ambientais no sistema estuarino. Também serão realizadas saídas com pescadores para verificação da disponibilidade e da qualidade do pescado. Os dados serão unificados e constarão em um relatório que será disponibilizado online e enviado ao Ministério Público Federal e demais órgãos competentes.

Cresce números de espécies conhecidas

Em coletas de amostras de peixes do estuário, feita pelo Laboratório de Pesquisas Biológicas do Acervo Zoológico da Universidade Santa Cecília (Unisanta) durante o incêndio, o biólogo e pesquisador Matheus Rotundo detectou que "cresceu" o número de espécies no estuário de Santos. 

Desastre ecológico: Contaminação causou a morte de milhões de peixes e invertebrados.
Desastre ecológico: contaminação causou a morte de milhões de peixes e invertebrados.

De acordo com Rotundo, estudos realizados em 2012 encontraram 78 espécies na região.  A coleta realizada durante o incêndio da Ultracargo registrou 64 novas espécies o que fez subir para 142 o número de espécies conhecidas identificadas no estuário de Santos. “Na verdade o número cresceu ainda mais, pois não foi possível identificarmos algumas espécies, tendo em vista que muitos exemplares coletados perderam características morfológicas que os diferenciam e servem de base para identificação”, destacou o biólogo. "Com a mortandade, espécies difíceis de capturarmos em amostragens, seja por escassez de indivíduos, isolamento, hábito ou comportamento, acabaram aparecendo", completou Rotundo.

A lista das espécies encontradas foi enviada por Rotundo para o Ministério Público Federal.
A lista das espécies encontradas foi enviada por Rotundo para o Ministério Público Federal.

Pelo menos seis espécies registradas no levantamento estão ameaçadas de extinção, conforme as portarias nº 444 e 445/2014, do Ministério do Meio Ambiente: Epinephelus itajara (mero), Rhinobatos horkelii (raia viola) e Megalops atlanticus (Pirapema), categorizadas como criticamente em perigo, Pogonias cromis (miraguaia) e Genidens barbus (bagre branco), em perigo, e Epinephelus marginatus (garoupa) e Hippocampus reidi (cavalo marinho), classificadas como vulneráveis.

Segundo Rotundo, a lista de espécies afetadas ainda pode aumentar, pois parte do material examinado não apresentava condições para uma identificação precisa. Nesses casos, amostras de tecidos foram coletadas para identificação molecular (DNA).

A mortandade de certa forma ajudou na identificação de espécies que vivem no estuario de Santos.
A mortandade de certa forma ajudou na identificação de espécies que vivem no estuario de Santos.

Danos a longo prazo

Rotundo considera que as consequências ambientais do incêndio foram sérias e que os danos levarão anos para serem contornados. “Os aspectos reprodutivos dos peixes foram seriamente afetados e muitas das espécies se reproduzem apenas uma vez por ano. Além disso, como o próprio nome diz, um Estuário é um intermediário entre as águas do mar e dos rios. O incêndio afetou os peixes dos dois ambientes”, afirmou o biólogo.