Aves comem plástico no oceano porque sentem 'cheiro de alimento'

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12/11/2016 

Um novo estudo lança luz sobre por que tantas aves marinhas, peixes, baleias e outras criaturas estão ingerindo tanto plástico. E não é exatamente o que os cientistas pensavam. 


Os oceanos estão sendo invadidos pelo plástico e centenas de espécies marinhas ingerem quantidades surpreendentes. No entanto, o porquê de tantas espécies, de minúsculos zooplânctons às baleias, confundirem plástico com alimentos nunca foi totalmente explorado.

Agora, um novo estudo explica o porquê: Tem cheiro de comida.

Algas são consumidas pelo krill, pequenos crustáceos que são a principal fonte de alimento para muitas aves marinhas. Como as algas se decompõe naturalmente no oceano, elas emitem um forte odor de enxofre conhecido como dimetilsulfureto (DMS). Aves marinhas em busca de krill aprenderam que o odor de enxofre às levam a suas áreas de alimentação.

Pequenos crustáceos semelhantes ao camarão, o krill compõe o zooplâncton, base da cadeia alimentar nos oceanos.

Acontece que o plástico flutuante fornece uma plataforma perfeita para as algas prosperarem. Como as algas se decompõe, emitindo o odor do DMS, aves marinhas, seguindo seus olfatos em busca de krill, são enganadas por uma "armadilha olfativa", de acordo com um novo estudo publicado dia 9 de novembro na Science Advances. Em vez de se alimentarem de krill, elas se alimentam de plástico.

"DMS é o sino do almoço", diz Matthew Savoca, estudante de doutorado da Universidade da Califórnia - Davis e principal autor do estudo. "Quando as pessoas ouvem o sino do almoço, sabemos que a comida está pronta. Este é o mesmo conceito. Uma vez que o olfato dos pássaros lhes diz que este é o lugar onde podem encontrar o krill, iniciam o forrageamento (comportamento de busca e exploração de recursos alimentares)".

Os detritos plásticos têm se acumulado rapidamente nos oceanos do planeta, quase dobrando a cada década. Em 2014, uma análise global estimou a quantidade de plástico nos oceanos em 250 milhões de toneladas, em grande parte suspenso na forma de pequenas partículas do tamanho de um grão de arroz. Mais de 300 espécies foram documentadas consumindo plástico, incluindo tartarugas, baleias, focas, aves e peixes. Aves marinhas estão especialmente em risco; Um estudo publicado no ano passado por cientistas da Austrália concluiu que praticamente todas as aves marinhas já consumiram plástico.

Na Baixada Santista, toneladas de plástico descartadas diariamente por favelas de palafitas em manguezais no interior do estuário saem para o oceano pelo do canal do Porto de Santos (acima) e pelo canal de São Vicente.

Cerca de 700 espécies de animais marinhos foram registradas como tendo encontrado detritos feitos pelo homem, como plástico, metal e vidro, de acordo com o estudo de impacto mais abrangente em mais de uma década realizado por pesquisadores da Universidade de Plymouth.

O plástico representa cerca de 92 % dos casos de ingestão e emaranhamento e 17 % de todas as espécies envolvidas está na lista vermelha de ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção da IUCN, como a foca-monge-do-havaí e a tartaruga-cabeçuda.

Os cientistas sabem há muito tempo que o plástico no oceano é consumido porque parece comida. As tartarugas marinhas, por exemplo, confundem frequentemente sacolas plásticas com águas-vivas. Outros animais marinhos, incluindo peixes, devoram pedaços de microplástico, quebrados pela luz solar e a ação das ondas, porque se assemelham a pequenos organismos de que normalmente se alimentam.

Mas o estudo de como os odores podem influenciar na ingestão de plástico por animais marinhos é o primeiro de seu tipo. Savaca uniu-se a uma cientista que estuda como os odores afetam as tomadas de decisão, e um químico de alimentos e vinhos, para determinar qual odor poderia ser o causador.

"Isso não desmente que o plástico possa parecer visualmente atraente", diz ele. "Muitas vezes, é o cheiro que faz os animais forragearem na área e ativam o processo de alimentação. É muito mais provável que uma ave marinha coma plástico se ele parecer e 'cheirar' como comida."

Chelsea Rochman, uma bióloga evolucionária da Universidade de Toronto, que estuda os efeitos tóxicos do plástico consumido pelos peixes, chamou o estudo de um passo importante para entender por que os animais marinhos estão comendo plástico.

"Ao longo da literatura sobre detritos plásticos, você vê pesquisadores escreverem declarações implicando que os animais estão 'escolhendo' comer detritos plásticos sem um bom teste ou explicação do porquê", diz ela. "Este é o primeiro grupo a mergulhar realmente nos detalhes do porquê."

A equipe de Savoca decidiu se concentrar em aves já severamente afetadas pelo consumo de plásticos: albatrozes, pardelas e petréis. Eles começaram o estudo colocando sacos com microplástico em boias da baía de Monterey e Bodega Bay, ao largo da costa da Califórnia. Depois de três semanas eles recolheram os sacos e testaram o odor em laboratório.

"Eles cheiravam a enxofre", diz Savoca.


Não demorou muito para identificar o DMS como um forte preditor de consumo de plástico nos oceanos e a "infoquímica fundamental" que atrai animais marinhos para o plástico como se fosse krill. Testes de extração de odor confirmaram que três variedades comuns de plástico adquiriram uma "assinatura DMS" em menos de um mês. A equipe também descobriu, não surpreendentemente, que as aves mais atraídas pelo odor DMS são albatrozes, pardelas e petréis, as mais severamente afetadas pelo consumo de plástico.

Os pesquisadores querem agora desenvolver novos estudos para saber se outros animais, como peixes, pinguins e tartarugas, também são atraídos para o plástico por substâncias químicas.

E eles dizem que pode ser possível desenvolver plásticos que não atraiam algas ou não quebrem rapidamente no ambiente.

"Saber as espécies mais impactadas com base na maneira como encontram alimentos permite que a comunidade científica descubra como melhor alocar esforços de monitoramento e conservação para as espécies mais necessitadas", disse Savoca.

Fontes: Science Magazine e National Geographic 
Tradução e adaptação: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina


Pesquisa realizada pelo Instituto EcoFaxina, UNESP e CETESB confirma contaminação por metais no Rio dos Bugres

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17/09/2016 

Supressão de vegetação, aterramento, ocupação irregular em área de manguezal por uma das maiores favelas de palafitas do Brasil e um lixão, este é o cenário do Rio dos Bugres, que delimita parte dos municípios de Santos e São Vicente.

Invasões de áreas de mangue e lixão são fatores que contribuem para a contaminação do rio.
A pesquisa realizada com os sedimentos do Rio dos Bugres a fim de se averiguar a qualidade dos sedimentos (nível de toxicidade e contaminação por metais) confirmou a suspeita dos autores do estudo: os sedimentos exibiram alta toxicidade e alta contaminação, extrapolando os limites de qualidade de sedimentos para alguns metais.

A poluição por resíduos sólidos foi um obstáculo superado durante a coleta dos sedimentos.

O trabalho consistiu em testes de toxicidade aguda com o anfípodo Tiburonella viscana, realizado no Laboratório do Núcleo de Estudos em Poluição e Ecotoxicologia Aquática (NEPEA), coordenador pelo Professor Doutor Denis Abessa da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus do Litoral Paulista e análises químicas de sedimentos, realizadas na Companhia Ambiental Do Estado De São Paulo (CETESB).

Os atores envolvidos na execução do trabalho, Instituto EcoFaxina (Sociedade Civil), UNESP (Academia) e a CETESB (Agência Ambiental do Governo do Estado de São Paulo), demonstram que diversos setores da sociedade podem atuar em colaboração, o que reforça a imparcialidade do trabalho.

Os dados são inéditos e de especial importância, tendo em vista que as campanhas de monitoramento no Sistema Estuarino de Santos e São Vicente realizadas pela CETESB não incluem cenários com essa característica. Ademais, esse estudo pode servir como referência para pesquisadores de outras regiões do país que possuem cenário semelhante.

Poder público

A inércia e o descaso dos gestores públicos de diferentes órgãos ao longo de décadas sobre a não observância e deficiência no cumprimento, planejamento, execução, fiscalização de políticas públicas e planos setoriais tais como o Código Florestal (Lei Federal nº 12651/12) – Manguezais são Áreas de Preservação Permanente - APP, Plano de Saneamento Básico (Lei Federal nº 11.445/07), Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/10), Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos entre outros, contribuíram e contribuem sobremaneira para que este cenário se perpetue e piore a cada dia.

A Prefeitura de Santos conduz um programa denominado Santos Novos Tempos que contempla obras de macrodrenagem na região do entorno do Bugres, remoção de submoradias, e ações que irão alterar o regime hidrológico e sedimentológico do rio, no entanto, as ações não possuem comunhão com o município de São Vicente, nem tampouco se contempla estudos para averiguar se existe ou não contaminação no Rio dos Bugres, pois, em caso de obras de dragagem, essa atividade terá que observar a Resolução CONAMA nº 454/2012 (Estabelece as diretrizes gerais e os procedimentos referenciais para o gerenciamento do material a ser dragado em águas sob jurisdição nacional).

O projeto Santos Novos Tempos apresenta problemas em sua execução e perdeu o financiamento do Banco Mundial. Link para os relatórios:  
http://documents.worldbank.org/curated/en/docsearch/projects/P104995

Por ser uma realidade complexa, somente um conjunto de ações como a remoção total das palafitas (contemplando a realocação dessas pessoas com moradias através de planos habitacionais), implantação e melhoria das condições de saneamento no entorno, gestão de resíduos, remediação das áreas contaminadas pelo lixão, limpeza e reflorestamento das áreas degradadas de mangue, poderá gradativamente restabelecer a condição natural do Rio dos Bugres e seus serviços ambientais.

O Programa Santos Novos Tempos, se revisto e ajustado de acordo com as necessidades locais e as legislações em vigor, se tornará uma boa oportunidade para o início de reversão deste cenário. É fundamental que São Vicente acompanhe esse processo, especialmente em colaboração com a CETESB para a remediação da área do antigo lixão.

Naturalmente, os esforços conjuntos de distintos setores do poder público dependem de vontade política dos seus gestores, no entanto, o clamor da comunidade e a atuação do Ministério Público poderiam acelerar esse processo a fim de reverter esse quadro de vulnerabilidade ambiental e social.

Link para o artigo:


Detritos plásticos são atualmente os itens mais frequentes no estômago da pescada-amarela

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18/08/2016 

Estuários tropicais estão entre os ambientes aquáticos mais produtivos do planeta, e suportam uma produção pesqueira de importância econômica e social. No entanto, a crescente pressão antrópica vem provocando diversas modificações das funções naturais dos estuários. 

Pesquisadores da UFPE analisam conteúdo gastrointestinal da pescada-amarela Pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Gerenciamento de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisaram o trato digestivo da pescada-amarela (Cynoscion acoupa) no Estuário do Rio Goiana em Pernambuco, que faz parte da Reserva Extrativista Acaú-Goiana. O item que apareceu com maior frequência, em todas as fases de vida foram os resíduos plásticos: 64,4% dos juvenis, 50% dos sub-adultos e 100% dos adultos tinham resíduo plástico em seus estômagos.

A ingestão de resíduos plásticos pela ictiofauna é recorrente em sistemas estuarinos devido à abundância deste contaminante nestas áreas, associada a condições ambientais como turbidez da água, hidrodinâmica do estuário, transferência pela cadeia trófica, entre outros fatores. Espécies que pertencem a família Sciaenidae frequentemente utilizam os estuários em seu ciclo de vida. Elas desovam no mar e utilizam o ambiente estuarino como criadouro de larvas, juvenis e sub-adultos, podendo permanecer, sob condições favoráveis, no estuário o ano todo. Estas espécies sofrem com as ações antrópicas durante praticamente todo seu ciclo de vida. Dentre os detritos encontrados, 97% deles eram filamentos de plástico de aproximadamente 5 milímetros. Vale ressaltar que esta espécie possui ampla distribuição pelo litoral brasileiro, representando um importante recurso pesqueiro que deve ser preservado. Estudos desta natureza revelam como a intensa ação antrópica interfere na cadeia trófica de diversos organismos direta ou indiretamente.

Para ler o artigo completo clique aqui.
Fonte: ObservaSC


Sete dias sem tratores nas praias de São Vicente

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21/06/2016 - Por William Rodriguez Schepis 

A solução de um problema social tem início quando a sociedade reconhece o problema. 

São Vicente passa por uma grave crise administrativa, apresenta problemas de infraestrutura, segurança, saúde, educação e claro, problemas ambientais. Ironicamente, sua má administração serviu para tornar evidente à população o real quadro da poluição marinha no estuário de Santos.

Com a interrupção da limpeza das praias, o lixo trazido pelas ondas se acumulou na faixa de areia da praia do Itararé, em São Vicente
Com a interrupção da limpeza das praias, o lixo trazido por marés e ondas se acumulou na faixa de areia da praia do Itararé, em São Vicente

Funcionários da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi) entraram em greve no dia 8 de junho, paralisando a coleta de lixo na cidade, o que na Baixada Santista inclui garis e tratores para recolhimento de lixo que o mar despeja diariamente na faixa de areia das praias. Resultado, frequentadores e repórteres começaram a se manifestar sobre o lixo acumulado nas praias de São Vicente.





No último sábado (18)  estivemos bem cedo na praia do Itararé para qualificar os resíduos presentes na preamar da faixa de areia, e assim identificarmos as fontes poluidoras. Não foi surpresa constatarmos que mais de 90% dos resíduos tinham origem domiciliar, provenientes do descarte em áreas de mangue invadidas por favelas de palafitas nos municípios de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá, que margeiam o estuário de Santos.

Logo após a análise dos resíduos, acompanhamos o trabalho de coleta realizado por trabalhadores da Codesavi, que voltaram de greve assim que a prefeitura realizou o pagamento dos salário atrasados.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.


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Para combatermos a poluição marinha em nossa região, é de suma importância que a sociedade compreenda que o lixo acumulado nas praias de São Vicente não é resultado da greve dos trabalhadores da Codesavi, não é resultado somente da má gestão do prefeito Bili, não é culpa dos "paulistas" (como muitos moradores se referem aos turistas) e também não é culpa dos navios que atracam no porto de Santos. É resultado de décadas de falta de vontade política para resolver o problema das submoradias em áreas de preservação permanente nas periferias das cidades. É resultado do pífio investimento em políticas habitacionais condizentes com a absurda realidade socioambiental onde milhares de famílias vivem em áreas insalubres e de vulnerabilidade social. Mas sobretudo, é resultado de décadas de descaso, de falta de amor e respeito ao próximo e à natureza.

Todo o lixo gerado pelas palafitas é descartado no manguezal, assim como o esgoto, o óleo de cozinha e a água utilizada em máquinas de lavar roupa.
Todo tipo de resíduo é descartado no manguezal, embalagens e sacolas plásticas, móveis, eletroeletrônicos, remédios, bem como esgoto, óleo de cozinha e água das máquinas de lavar roupa. 

Dona Maria, mãe de 17 filhos, dos quais 12 sobreviveram, tem 55 netos e 6 bisnetos. Ao todo, 73 descendentes, dos quais 22 moram com ela em uma palafita de 30 metros quadrados, em Santos.

Claro, existem outras fontes de poluição marinha em nossa região, que juntas correspondem a cerca de 20% dos resíduos coletados em nossas ações voluntárias, realizadas em diversas praias da região. Essas fontes estão relacionadas sobretudo às atividades pesqueiras e ao consumo de comida, bebida e cigarro nas praias. Para esses casos, necessitamos urgentemente de políticas públicas voltadas para educação, fiscalização e punição.

#MangueFazADiferença #PorUmMarSemLixo

Desde sua fundação em 2008, o Instituto EcoFaxina busca alertar governo, imprensa e sociedade sobre o problema da poluição marinha no estuário de Santos, que possui principal fonte de resíduos as favelas de palafitas. Como entidade do terceiro setor, entendemos que nosso principal parceiro deva ser o ente público, responsável direto pelas questões ambientais no município. Mantemos diálogo permanente com diversos órgãos públicos municipais, buscando apoio sobretudo para a implementação de uma frente de trabalho formada por jovens desempregados moradores de palafitas para o trabalho diário de limpeza, reciclagem e reflorestamento de áreas degradas de mangue na Zona Noroeste de Santos.

Jovem coleta garrafas pet em manguezal de Santos. O pet sujo coletado no mangue possui tem valor quando não beneficiado. Desde 2009, muitos jovens da região torcem para que ocorra a parceria entre a Prefeitura de Santos e o Instituto EcoFaxina, o que para eles significará um trabalho com melhores condições de segurança e aumento na geração de renda.

O diálogo com a Prefeitura de Santos teve inicio na gestão (2008 - 2012) do prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB), hoje deputado federal pelo PSDB, com a elaboração em 2009 do Projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos, no qual o governo municipal realiza a cessão de uma área próxima à margem do rio dos Bugres para a construção de um galpão por meio de parcerias entre o Instituto EcoFaxina e a iniciativa privada.

Durante a gestão Papa, o projeto quase saiu do papel, chegando a ser anunciado à imprensa pelo então secretário do meio ambiente, Flávio Rodrigues Correia, que comandou a Semam de 2005 à 2010, sendo substituído por Fábio Alexandre de Araújo Nunes, o professor Fabião, biólogo, ambientalista, e até então vereador e "padrinho" do Instituto EcoFaxina, exercendo fundamental apoio para o início de nossas atividades. Hoje é secretário de cultura de Santos e nosso conselheiro estatutário e associado benemérito.

Professor Fabião posa para foto com crianças da comunidade durante ação voluntária em manguezal de Santos.

No segundo semestre de 2011, fomos procurados pela equipe de campanha do atual prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) para contribuirmos na elaboração de seu plano de governo para a área ambiental. Participamos de diversas reuniões em que discutimos, sobretudo, a questão da poluição marinha, onde apresentamos o projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos, que já se encontrava na Semam como um processo administrativo da prefeitura. O projeto entraria como prioridade no plano de cem dias de governo, sendo firmada uma parceria entre a prefeitura de Santos e o Instituto EcoFaxina, possibilitando a sua implantação, e contemplando parte das metas ambientais do projeto Santos Novos Tempos.

Rogério Custódio, chefe do Departamento de Assuntos Legislativos, William Rodriguez Schepis, diretor-presidente do Instituto EcoFaxina, Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos e Kenny Mendes, vereador de Santos, durante reunião ocorrida em março de 2015 para tratar da implantação do Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos.
Rogério Custódio, chefe do Departamento de Assuntos Legislativos, William Rodriguez Schepis, diretor-presidente do Instituto EcoFaxina, Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos e Kenny Mendes, vereador de Santos, durante reunião ocorrida em março de 2015 para tratar da implantação do Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos.

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa, o líder comunitário André Ribeiro e o diretor-presidente William Rodriguez Schepis durante visita ao canteiro de obras do projeto Santos Novos Tempos.
O prefeito Paulo Alexandre Barbosa, o líder comunitário André Ribeiro e o diretor-presidente William Rodriguez Schepis durante visita ao canteiro de obras do projeto Santos Novos Tempos.

Apesar da vontade do prefeito, que se mostrou preocupado com a pauta durante algumas reuniões que tivemos nos últimos quatro anos, a Secretaria do Meio Ambiente passou por diversas transições de comando, o que atrasou o andamento interno do processo, tendo à frente o advogado Luciano Cascione, o advogado e biólogo Luciano Pereira de Souza, a arquiteta Marise Céspede Tavolaro, e conta desde setembro de 2015 com a também arquiteta, Débora Branco Bastos Dias, com quem o processo avançou bastante, e conseguimos finalizar a minuta do Termo de Cooperação Técnica neste semestre, que deverá seguir agora para parecer da Procuradoria e posterior encaminhamento ao Gabinete do Prefeito.

Somente através da limpeza e do reflorestamento de áreas degradadas de mangue poderemos juntos congelar o avanço das invasões, educar e diminuir gradualmente o aporte de lixo no mar e nas praias da região.

Enormes quantidades de plástico se acumulam em costões rochosos da região.
Enormes quantidades de plástico se acumulam em costões rochosos da região.

Plástico e propágulos de mangue, em comum a mesma origem.
Plástico e propágulos de mangue, em comum a mesma origem.

Câmara Municipal

O Instituto EcoFaxina atua também junto aos vereadores, e tem conseguido apoio sobretudo do vereador Kenny Mendes (PSDB) que criou um projeto de Lei de Utilidade Pública, sancionada pelo prefeito , projeto de Lei que multa quem descarta lixo em áreas públicas, e projeto de Lei para a compra de ecobarreiras, para serem utilizadas no projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos. O Instituto EcoFaxina vem recebendo diversos votos de congratulação da Câmara Municipal de Santos pelo trabalho que desenvolve na cidade.

Ações Voluntárias

Sim, nossas ações limpam. Nossos voluntários retiram enormes quantidades de plástico de ambientes naturais, principalmente de manguezais, resíduos que poderiam causar danos à fauna. Contudo, além de limpar, as ações voluntárias organizadas pelo Instituto EcoFaxina no estuário de Santos tem como objetivo, principal, conscientizar a sociedade que de nada adianta continuarmos coletando resíduos que chegam às praias pelo mar sem que direcionemos nossos olhares e esforços para transformarmos a realidade dos manguezais e das milhares de famílias que vivem em condições inaceitáveis em uma cidade rica como Santos, que abriga o maior porto do Brasil e da América Latina, e que deveria dar exemplo de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental para outras prefeituras do Brasil.

Lutamos por políticas públicas de habitação, saneamento básico, educação e recuperação ambiental porque acreditamos ser a maneira mais eficaz no combate à poluição marinha no estuário de Santos e São Vicente. Se quiser praias mais limpas e evitar que animais marinhos ingiram plástico e morram, a população deve cobrar seus por esses direitos básicos, garantidos pela constituão federal. A falta de investimento em saneamento básico acarreta prejuízos para áreas como saúde, turismo, pesca e navegação. Investir em saneamento é básico. Por um mar sem lixo!  

Voluntários coletam plástico durante ação voluntária em manguezal de Santos
Voluntários coletam plástico durante ação voluntária em manguezal de Santos

Voluntários posam para foto após coletarem 153 kg de resíduos da praia de Itaquitanduva, em São Vicente
Voluntários posam para foto após coletarem 153 kg de resíduos da praia de Itaquitanduva, em São Vicente


Peixes comem plástico como adolescentes comem fast food, aponta estudo

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07/06/2016 

Filhotes tornam-se viciados em plástico no mar da mesma forma que adolescentes em fast food, afirmam pesquisadores suecos. 

Filhote de peixe donzela que ingeriu microplásticos. Crédito: Oona Lonnstedt
Filhote de peixe donzela que ingeriu microplásticos. Crédito: Oona Lonnstedt

Publicado na revista Science, o estudo descobriu que a exposição a grandes níveis de poliestireno - polímero pertencente ao grupo dos plásticos cuja característica é a sua moldabilidade - faz com que o peixe prefira estas partículas do que alimentos naturais e mais saudáveis.

Como resultado desta exposição ao plástico, os peixes tornam-se mais frágeis, lentos e suscetíveis de serem atacados por predadores. Um outro estudo, feito por pesquisadores americanos e publicado pela mesma revista, estima que cerca de 8 milhões de toneladas de plástico sejam introduzidas, por ano, nos oceanos.

Areia repleta de microplástico na praia do Gonzaga, em Santos. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Areia repleta de microplástico na praia do Gonzaga, em Santos.

Quando exposto à radiação ultra violeta e também devido ao movimento das ondas, estes plásticos dividem-se em pequenas partículas com menos de cinco milímetros, tornando-se microplásticos. Os pesquisadores mostram-se preocupados com esta situação, já que estes minúsculos fragmentos se instalam nas vísceras dos peixes.

Filhotes de perca preferiram plástico à alimentos durante estudo. Crédito: Oona Lonnstedt
Filhotes de perca preferiram plástico à alimentos durante estudo. Crédito: Oona Lonnstedt

Para conhecerem os impacto causados pelo plástico nos peixes jovens, os pesquisadores expuseram, em tanques, larvas de peixes com e sem concentrações de poliestireno. Nos tanques sem poliestireno, 96% das larvas tiveram sucesso enquanto que nos tanques com poliestireno, a percentagem diminuiu para 81%.

"Todos eles tinham acesso ao plâncton mas decidiram comer apenas o plástico. O plástico parece ter um componente químico que desencadeia uma resposta alimentar para os peixes", afirma a pesquisadora da Universidade de Uppsala, Oona Lonnstedt, em declarações à estação britânica BBC.

"Penso nisto como os adolescentes que preferem fast-food, uma comida menos saudável, apenas para se encherem", diz Lonnstedt.

Os pesquisadores dizem que está ocorrendo um declínio nas espécies de peixes e que este impacto pode ter, consequentemente, efeitos profundos sobre os ecossistemas.

      Fonte: BBC


Apesar do frio e da chuva, voluntários retiram 48 kg de lixo da praia do Gonzaga

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06/06/2016 - Por William Rodriguez Schepis 

Em Santos, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi marcado por muita determinação e amizade.

Um domingo frio e chuvoso, perfeito para ficar em casa debaixo da coberta dormindo até tarde! Não para os nossos voluntários, que acordaram cedo para mais uma ação contra a poluição marinha por plástico.

A 70ª Ação Voluntária EcoFaxina contou com a participação de alunos da Universidade Santa Cecília, Universidade Federal de São Paulo, funcionários do Hospital Ana Costa e da Vopak Brasil, empresa que atua com armazenagem e movimentação de granéis líquidos no Porto de Santos. Um grupo de voluntários do Greenpeace Brasil acordou ainda mais e veio de São Paulo para reforçar o pelotão ecológico!

Na praia os voluntários se depararam com uma das areias mais poluídas do país, com milhões de partículas de plástico com menos de 3 milímetros, incluindo pellets (esferas de polietileno, matéria prima para a produção de diferentes tipos de plástico), além de uma enorme quantidade de bitucas de cigarro, lacres, tampas, embalagens, sacolas plásticas, pedaços de plástico filme, hastes de cotonete e pirulito, brinquedos, etc. Foram coletados também dois pneus de carro e um grande saco de ráfia que estavam enterrados na areia.

No total, os voluntários retiraram 48 kg de resíduos da areia -  30 kg de plástico e 18 kg de borracha.

Confira algumas fotos da ação:

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina


Santos terá limpeza de praia no Dia Mundial do Meio Ambiente

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03/06/2016 - Por William Rodriguez Schepis 

A 70ª Ação Voluntária EcoFaxina acontece neste domingo (5/6) na praia do Gonzaga com foco no microlixo, que para muitos banhistas, acostumados com garrafas pet, fraldas, sacolas plásticas e outros resíduos maiores, acaba passando "desapercebido" em meio à areia das praias de Santos.

Estudantes de São Paulo se surpreenderam com a diversidade de resíduos presentes nas praias.

A poluição marinha por plástico se tornou uma preocupação global. Vivemos a era do plástico, um material indispensável na vida moderna, que quando não utilizado de maneira consciente e responsável causa graves prejuízos à fauna, à saúde dos oceanos e à nossa saúde.

Ao não darmos destinação correta através da reciclagem, o plástico pode chegar com facilidade aos oceanos. Aproximadamente 80% do plástico que polui os oceanos tem origem em terra e chegam ao mar através de ventos, chuvas, rios, estuários e praias poluídas, os outros 20% representam o descarte ou perda por navios e embarcações de pesca e recreio.

Voluntários da comunidade em ação em um dos poluídos canais de São Vicente.

Estando presente em ambientes naturais o plástico começa a ser lentamente degradado pelos raios solares, mais precisamente pelos raios ultra violeta, é a chamada fotodegradação. Você pode estar pensando, que bom que ele é degradado, dessa forma ele vai desaparecendo, mas infelizmente esse processo acaba agravando o problema, gerando fragmentos cada vez menores, que vão se espalhando por todos os ecossistemas marinhos até "virarem pó". E é aí que mora o perigo. Ao confundirem com alimentos, diversas espécies de animais marinhos ingerem esses fragmentos, que ao se partirem em pedaços cada vez menores vão atingindo diferentes espécies, até se tornarem micropartículas, que serão ingeridas por organismos filtrantes como ostras, mexilhões e o plâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Plâncton ingerindo micropartículas de plástico (pontos verdes).

Além de causarem sufocamento, obstrução do trato digestório e diminuição do volume funcional do estômago, problemas que podem levar os animais à morte em pouco tempo, ocorre a transferência de poluentes orgânicos persistentes (POPs) presentes na composição do plástico e que também são adsorvidos em ambientes poluídos, como o estuário de Santos, para o tecido dos animais. Estudos apontam que a concentração desses poluentes no plástico pode chegar a um milhão de vezes a concentração presente na água, tornando-se uma fonte adicional de contaminação.

Os poluentes orgânicos persistentes são bastante conhecidos por seus efeitos tóxicos e além da sua grande persistência no ambiente, possuem alta afinidade com os tecidos animais. Os bifenilos policlorados (PCBs) e pesticidas organoclorados, como os DDTs, são exemplos de alguns poluentes orgânicos persistentes que possuem afinidade molecular com o plástico e se concentram nele.

Deu para perceber que o problema do plástico no ambiente marinho vai muito além do aspecto desagradável das praias sujas. Adivinha só... ele está chegando aos nossos pratos!

#MangueFazADiferença #PorUmMarSemLixo

Grande parte do plástico que polui o mar e as praias de Santos tem origem em manguezais invadidos por favelas de palafitas, onde o lixo e o esgoto gerado por milhares de famílias, vivendo muitas vezes em condições subumanas, são despejados diariamente no ecossistema, é levado para o mar com a alternância das marés.

Supressão e aterramento do manguezal com lixo e resíduos da construção civil, poluição por plástico e esgoto. Um cenário de terror no berçário da vida marinha que se estende ao mar e às praias da Baixada Santista.  

Propágulos e objetos de plástico se acumulam no costão rochoso. Ambos tem a mesma origem, os manguezais do estuário de Santos.

A cada mês a Terracom, empresa responsável pela limpeza urbana, retira com tratores em média 40 toneladas de lixo das praias de Santos.

70ª Ação Voluntária EcoFaxina - Dia Mundial do Meio Ambiente

O ponto de encontro será em frente à Concha Acústica, na praia do Gonzaga, às 8 horas, com o término da ação previsto para as 12 horas. Caso chova a ação será transferida para o próximo domingo.

Clique aqui para confirmar a sua presença!

Apoio: Prefeitura de Santos, Hospital Ana Costa, Vopak Brasil, Universidade Santa Cecília, Instituto do Mar - UNIFESP, Greenpeace São Paulo e Terracom.