O outro lado do incêndio da Ultracargo

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05/04/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini 

Um incêndio de grandes proporções atingiu a empresa de armazenamento de combustíveis Ultracargo, na Alemoa, em Santos, na manhã da última quinta-feira (2/4). Após mais de 80 horas de trabalho árduo dos bombeiros, ainda não há estimativa de quando o combate às chamas será concluído.

Atualmente, apenas dois dos seis tanques permanecem pegando fogo e o trabalho de rescaldo do Corpo de Bombeiros continua em um terceiro tanque que continha álcool.

A quantidade de partículas nocivas enviadas através da fumaça tóxica para a atmosfera é difícil de ser calculada. Seus efeitos são mais prejudiciais para pessoas com doenças alérgicas ou respiratórias crônicas e também para aquelas que estiverem próximas ao foco da fumaça.

Porém, há uma outra face do problema que vai além da poluição do ar. O incêndio da Ultracargo pode provocar um desiquilíbrio ambiental grave na região, tendo inclusive impactos econômicos.

Fonte de renda comprometida

A 59ª Ação Voluntária EcoFaxina aconteceu neste domingo no mangue que fica às margens da Vila dos Pescadores, em Cubatão. O dia da Páscoa foi data útil para cinco voluntários do instituto se unirem com a comunidade para, mais do que recolher resíduos sólidos no manguezal, observar os efeitos já visíveis do escoamento das águas usadas no combate às chamas em todo o estuário.


De acordo com os pescadores artesanais que trabalham na região, já na tarde de quinta-feira era possível encontrar peixes mortos boiando na superfície. Neste domingo, durante visita técnica guiada pelo pescador José Hélio, encontramos toneladas de peixes e invertebrados: uma cena desoladora para quem luta por um ecossistema limpo e também para quem tira da pesca o seu sustento. Em meio ao manguezal, resquícios de espuma utilizada no combate ao incêndio.


“Sou pescador há 40 anos e trabalho aqui na região há mais de 25 anos. Nem nos outros incêndios do porto nós tivemos um problema tão grande quanto o de agora. Se fosse possível contar certamente daria várias toneladas de peixes mortos, é uma tristeza muito grande para quem vive disso. Quem vai bancar o nosso prejuízo?”. José Hélio não sai para pescar desde a tarde da quinta-feira, data do início do incêndio.


Alex Correa é filho de pescador e atualmente trabalha em Minas Gerais. A notícia do incêndio e o relato de amigos sobre a morte dos peixes fez com que ele voltasse para a Baixada Santista para ver com os próprios olhos a situação. “É assustador ver peixes como o robalo, a enguia e o bagre (que não são comuns na superfície) boiando. Isso significa que a situação pode estar pior do que a gente imagina. Quando vamos poder voltar a pescar e consumir peixes? Como a comunidade que sobrevive da pesca vai ficar? A multa da empresa não será direcionada para quem precisa.”, desabafa.

Estuário prejudicado

Enquanto percorríamos o estuário, o forte odor do peixe aumentava gradativamente. Então, nos deparamos com a cena mais lamentável da visita: uma extensão de cerca de um quilometro de peixes mortos. Dentre eles, dois meros juvenis (Epinephelus itajara) espécie ameaçada de extinção.


A CETESB (Companhia Ambiental do estado de São Paulo) informou que uma equipe acompanha permanentemente os trabalhos de emergência realizados na Ultracargo, com o objetivo de minimizar os impactos ao meio ambiente decorrentes do incêndio. No sábado foram coletados peixes no estuário e no rio Cubatão, além de amostras da água de cinco pontos diferentes da região. Análises preliminares indicam que peixes da região morreram devido à poluição da água, que apresenta baixa oxigenação e temperatura elevada. O órgão não sabe informar quantos peixes foram mortos.

Enquanto percorríamos o estuário encontramos uma equipe da empresa “Alpina Briggs” recolhendo peixes mortos. A CETESB informou que a ação de recolhimento irá encaminhar animais mortos para um local ambientalmente adequado.

Enquanto a atenção das autoridades está voltada para o incêndio, os pescadores artesanais permanecem em dúvida sobre o futuro e o sustento de suas casas. Para as comunidades que vivem nas palafitas, além da ausência de peixes na mesa e da poluição do mangue, sobra o odor desagradável que vai muito além do cheiro da fumaça negra.

Parceria com a comunidade

Organizada em parceria com a Associação de Pescadores “José Tobias Barros” e o Esporte Clube Só Bolado, a 59ª Ação Voluntária EcoFaxina encerrou o 1º Projeto Verão Saúde Ambiental da Vila dos Pescadores, envolvendo dezenas de moradores que utilizaram quatro barcos para recolher 130 sacos de 100 litros cheios, totalizando 1.055 quilos de resíduos sólidos a menos no estuário de Santos. Já estamos programando a próxima!



Vila dos Pescadores terá limpeza de manguezal na Páscoa

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01/04/2015 

Pescadores artesanais serão maioria entre os voluntários. Ação integra a programação do 1º Projeto Verão Saúde Ambiental da Vila dos Pescadores, promovido pela Associação de Pescadores “José Tobias Barros”. As atividades tiveram início em fevereiro com ações de prevenção a doenças e cuidados com a saúde e com o meio ambiente. 

Canoas caiçaras utilizadas por pescadores da comunidade.
Canoas caiçaras utilizadas por pescadores da comunidade.

Nas duas últimas semanas, a diretora presidente da Associação de Pescadores “José Tobias Barros”, Sra. Marly Vicente, idealizadora do Projeto Verão Saúde Ambiental, juntamente com o diretor e engenheiro ambiental, Sr. Adeildo Messias, promoveram nas ultimas duas semanas reuniões com pescadores do bairro para planejarem a limpeza do manguezal com a equipe do Instituto EcoFaxina. 

São aguardados de 80 a 100 voluntários da comunidade, em sua maioria pescadores artesanais que utilizarão suas canoas caiçaras para transportar os voluntários e os resíduos retirados do manguezal. 

À partir da esquerda, Francisco Tobias, Adeildo Messia e Marly Vicente (Associação de Pescadores), William Rodriguez Schepis (Instituto EcoFaxina), Sr. Pedro Ximbica (Associação de Pescadores) e Rosângela Chad (Zoonoses).
À partir da esquerda, Francisco Tobias, Adeildo Messia e Marly Vicente (Associação de Pescadores), William Rodriguez Schepis (Instituto EcoFaxina), Sr. Pedro Ximbica (Associação de Pescadores) e Rosângela Chad (Zoonoses), antes de uma reunião na Vila dos Pescadores.

A 59ª Ação Voluntária EcoFaxina terá início às 10 horas e percorrerá toda a margem ocupada por palafitas, assim como becos e áreas com floresta remanescente, até chegar a comunidade vizinha, Vila Pelicas.

Um ônibus, cedido pela prefeitura de Cubatão, partirá às 8h30m da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, no Boqueirão, em Santos - em frente à Unisanta. Aproveitaremos o transporte para levarmos doações de roupas feitas por voluntários para a sede do Exército da Salvação presente na comunidade. A prefeitura também apoiará a ação com lanches e água para os voluntários

A Vila dos Pescadores originou-se na década de 1960, quando um grupo de pescadores fixou moradia no local, dedicando-se à pesca sobretudo no Rio Casqueiro. Algumas vantagens favoreceram o crescimento da vila, como a proximidade do bairro Jardim Casqueiro e da Via Anchieta. À partir de 1972 verificou-se um crescente fluxo populacional para esta área, resultando em déficit habitacional e no agravamento de problemas socioambientais.

59ª Ação Voluntária EcoFaxina - Vila dos Pescadores
Data: domingo, 05/04
Transporte: saída do ônibus às 8h30min da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão.
Fornecemos: luvas, botas, máscaras, coletes de identificação e certificados de participação.



58ª Ação Voluntária Ecofaxina retira 1065 kg de lixo do manguezal

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24/03/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini  

Ação reuniu mais de 50 pessoas no último domingo na Zona Noroeste, em Santos.  A ação se concentrou na área do Mangue Seco e Butantã, região atingida por um incêndio no dia 1º de março do ano passado. No total, mais de uma tonelada de lixo foi retirada do manguezal.

Nos manguezais da Baixada Santista a vida pede socorro.
Nos manguezais da Baixada Santista a vida pede socorro.

O tempo fechado e a previsão de chuva não impediram os 51 voluntários de se encontrarem na porta da Universidade Santa Cecília para seguirem rumo à mais uma ação. Eram jovens de todas as idades. Homens, mulheres, estudantes e formados: pessoas com senso ambiental e consciência de que é preciso fazer a diferença.

Foi a primeira vez que o técnico de manutenção Luan Martins participou. Ele conheceu o trabalho através das redes sociais. “Eu acompanhava pelo Facebook e achava a ideia muito legal. Decidi participar de uma ação e fazer parte de tudo isso. É uma maneira simples de praticar a construção de um futuro melhor”, afirmou.

Futuro esse, que não diz respeito apenas ao meio ambiente. Cada ação provoca uma mudança no pensamento da comunidade como um todo. Para o biólogo William Rodriguez Schepis, idealizador do projeto, o maior ganho para o Instituto EcoFaxina é coletivo.  “Nós trazemos pessoas de outros lugares para conhecer a raiz do problema da poluição. Através do trabalho, eles desenvolvem o sendo crítico. A prefeitura, por conta disso, começa a prestar atenção na atividade e se posiciona para a implementação de políticas públicas que venham atender essa região. A comunidade vê a gente aqui, se pergunta o que está acontecendo e passa a pensar mais no meio ambiente. É um ciclo e o maior impacto é o da consciência coletiva”, refletiu.

Em meio a tanto lixo, voluntas priorizam a coleta do plástico.
Em meio a tanto lixo, voluntas priorizam a coleta do plástico.

Cada voluntário recebeu um saco de 100 litros e foi instruído a recolher resíduos sólidos, em especial o plástico, um dos maiores poluidores dos mares na atualidade. Além disso, o material é extremamente prejudicial para a vida aquática, pois os animais marinhos podem confundi-lo com comida e serem sufocados.

Foram retirados 67 sacos de 100 litros de resíduos sólidos, um sofá (cujo peso não foi considerado na contagem final), 32 pneus e 68 quilos de vasos sanitários inutilizados. No total, o manguezal, berçário da vida marinha e ecossistema prioritário para conservação no mundo todo ficou 1065 kg mais limpo.

Voluntas posam para "foto da ação" debaixo de chuva.
Voluntas posam para "foto da ação" debaixo de chuva.


Dia Mundial da Água pede ação no manguezal

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20/03/2015 

Neste domingo (22/3), voluntários do Instituto EcoFaxina celebrarão o Dia Mundial da Água com limpeza de manguezal em Santos. 

A preservação dos manguezais é de grande importância para a manutenção da qualidade da água e da biodiversidade marinha.
A preservação dos manguezais é de grande importância para a manutenção da qualidade da água e da biodiversidade marinha.

A 58ª Ação Voluntária EcoFaxina será realizada em uma área de manguezal invadida por palafitas, onde moradores convivem com lixo e esgoto a céu aberto, com o objetivo de conscientizar a comunidade e limpar a área que teve cerca de 100 palafitas destruídas por incêndio em maio do ano passado.

Próximo a essa área, o Instituto EcoFaxina pretende construir um galpão de reciclagem para receber os resíduos que sufocam o mangue, principalmente o plástico, material que é confundido com alimentos e ocasiona a morte de milhares de animais marinhos todos os anos.

Voluntários retiraram 928 quilos de resíduos da área onde houve incêndio de palafitas em ação realizada no mês passado. Só de plástico foram retirados 719 quilos.
Voluntários retiraram 928 quilos de resíduos da área onde houve incêndio de palafitas em ação realizada no mês passado. Só de plástico foram retirados 719 quilos.

Contudo, a construção do galpão depende ainda da assinatura de termo de cooperação técnica, encaminhado no dia 12/3 pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa para a Secretaria do Meio Ambiente, que definirá, entre outras coisas, o local exato do terreno na área onde hoje ocorrem intervenções do programa Santos Novos Tempos.


58ª Ação Voluntária EcoFaxina - Mangue Seco e Butantã
Data: domingo, 22/03
Transporte: saída do ônibus às 9 horas da rua dr. Oswaldo Cruz, 277
Fornecemos: luvas, botas, máscaras, coletes de identificação e certificados de participação.
Clique aqui para obter mais informações e confirmar a sua presença!



Instituto EcoFaxina ganha linha de camisetas ecológicas

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19/03/2015 

Linha ecológica trará mensagens contra a poluição marinha com renda destinada a projetos de educação ambiental, limpeza e preservação de ambientes marinhos.

Com o objetivo de divulgar, conscientizar e servir como uma fonte extra de renda para a entidade, além das doações, a linha de camisetas ecológicas é fruto de uma parceria entre o Instituto EcoFaxina e a Mr. Fly Moda Sustentável.

A empresa, com sede em Juiz de Fora, Minas Gerais, é focada no desenvolvimento sustentável e trabalha na confecção de camisetas com malha 50% algodão e 50% poliéster derivado do plástico reciclado de garrafas PET. Para cada camisa confeccionada, duas garrafas plásticas são recicladas. Dessa forma, a empresa contribui para a diminuição dos resíduos e a geração de emprego e renda com a coleta das garrafas. E todo esse cuidado ainda resulta em peças de excelente qualidade e estampas superestilosas.

"Contribuir com a causa através do Instituto Ecofaxina é muito gratificante tanto para mim, como para todos os colaboradores da Mr. Fly. Compartilhamos dos mesmo ideais de sustentabilidade visando as futuras gerações e conscientizando a todos sobre a importância de adquirirmos hábitos sustentáveis em nosso dia a dia.", diz Anna Lopes, CEO da Mr. Fly.

A linha tem início com uma camiseta exclusiva para voluntários que já pode ser adquirida por R$ 39,90 durante as Ações Voluntária EcoFaxina ou através de pedido por e-mail. Outros modelos já estão sendo elaborados e estarão em breve disponíveis para todos que desejam contribuir para o trabalho do instituto adquirindo um produto sustentável e de alta qualidade.

O primeiro modelo, exclusivo para voluntários, já está disponível nas versões masculina (foto) e feminina (baby look).
O primeiro modelo, exclusivo para voluntários, já estádisponível em versões masculina (foto) e feminina (baby look).
O primeiro modelo, exclusivo para voluntários, já está disponível nas versões masculina (fotos) e feminina (baby look).


Trote promoverá confraternização consciente entre calouros, neste sábado (28)

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24/02/2015 

Em sua sexta edição, o Trote Ecológico EcoFaxina reunirá calouros das faculdades de Biologia Marinha, da Universidade Santa Cecília - Unisanta e Ciências do Mar, da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp, em mais uma Ação Voluntária EcoFaxina.

Calouros curtindo o visual à bordo da escuna em durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2014
Calouros curtindo o visual à bordo da escuna em durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2014.

Neste sábado (28), os calouros partirão às 9 horas de Santos em uma escuna até a praia do Saco do Major e passarão por um trote diferente, onde ovos, tintas e moedas em semáforos são substituídos por coletes, luvas e sacos em uma bela praia com acesso somente por trilha ou mar, na região da Cabeça do Dragão, em Guarujá, que lamentavelmente, acumula grande quantidade de plástico que sai do estuário de Santos.

Calouros coletam plástico na praia do Saco do Major durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2013. Fragmentos e pequenos objetos de plástico, como tampinhas de garrafas PET, são frequentemente ingeridos por diversas espécies de animais marinhos que os confundem com alimentos.
Calouros coletam plástico na praia do Saco do Major durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2013. Fragmentos e pequenos objetos de plástico, como tampinhas de garrafas PET, são frequentemente ingeridos por diversas espécies de animais marinhos que os confundem com alimentos.

Após darem um trato na praia, pesarem e embarcarem os resíduos, os calouros terão a oportunidade de praticar algumas atividades de pesquisa, como análise de parâmetros físico-químicos da água, coleta de plâncton e sedimento, observação de aspectos ecológicos e morfodinâmicos da praia, além de se familiarizarem com as práticas de mergulho livre e autônomo, necessárias em boa parte das pesquisas.

Calouros transportando os resíduos até a escuna ao final do Trote Ecológico EcoFaxina 2014
Calouros transportando os resíduos até a escuna ao final do Trote Ecológico EcoFaxina 2014.

Ao término das atividades a escuna retornará a Santos para o desembarque e destinação correta dos resíduos. Como grande parte do plástico fica exposta aos raios UV por longos períodos, sofrendo fotodegradação, a sua reciclagem se torna inviável, sendo necessário o encaminhamento para o aterro sanitário pela empresa de limpeza urbana. Parte dos resíduos coletados nas ações são integrados ao acervo do Instituto EcoFaxina. Esta será a 57ª Ação Voluntária EcoFaxina.

Gravando!

Nesta edição os calouros terão a companhia de uma equipe do Canal Off, que fará imagens para o Coletivo Off, uma iniciativa do canal em prol do desenvolvimento sustentável, através de personagens autênticos, ideias inovadoras, projetos simples e pequenas ações do dia a dia que podem informar, sensibilizar e influenciar pessoas.


Navegar é preciso, e acampar com amigos também!

Após o desembarque dos resíduos, os alunos que optarem por prolongar a confraternização seguirão à bordo da escuna até a Prainha Branca, na região do Rabo do Dragão. Ao chegar, o grupo montará as barracas em um camping com chuveiro elétrico. No domingo as atividades serão livres, com  grupo retornando de ônibus para Santos por volta das 17 horas.

A Prainha Branca abriga uma comunidade caiçara e está localizada na APA Serra do Guararú, o maior conjunto remanescente de Mata Atlântica na Ilha de Santo Amaro, com restingas e mangues preservados. O acesso se dá somente por trilha ou mar.
A Prainha Branca abriga uma antiga comunidade caiçara e está localizada na APA Serra do Guararú, o maior conjunto remanescente de Mata Atlântica na Ilha de Santo Amaro, com restingas e mangues preservados. O acesso se dá somente por trilha ou mar.

Bora mar!

Banner divulgação
Para reservar vaga e embarcar no trote o calouro deve entrar em contato com o diretório acadêmico da sua faculdade.

O que levar?


Para o trote, o calouro deve levar mochila, com roupa de banho, toalha, lanche, caneca, protetor solar, óculos de sol e máquina fotográfica. Mascara de mergulho e nadadeiras são opcionais.

Quem seguir para a Prainha Branca deverá dividir ou levar uma barraca, equipamentos de camping, repelente e dinheiro para o camping - na faixa de R$ 20,00 por pessoa - e para alimentação. Instrumento musical e prancha de surf são opcionais.

* Não será permitido o embarque de bebidas alcoólicas na escuna.

Ponto de encontro

A escuna partirá às 9 horas da Ponte Edgard Perdigão - terminal de passageiros - na Av. Alm. Saldanha da Gama, em frente ao Clube de Regatas Saldanha da Gama, na Ponta da Praia. Clique aqui para ver o mapa


Vida marinha está à beira da extinção em massa, afirma estudo

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11/02/2015 

Um grupo de cientistas concluiu que os humanos estão prestes a causar um dano sem precedentes aos oceanos e os animais que vivem neles. 

Voluntário coleta o lixo flutuante durante Ação Voluntária EcoFaxina na baía de Santos. A poluição marinha causa degradação dos habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos. A poluição marinha causa degradação dos habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos. Crédito: Instituto EcoFaxina
Voluntário coleta lixo flutuante durante Ação Voluntária EcoFaxina na baía de Santos. A poluição marinha causa degradação de habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos.

"Podemos estar sentados à beira do precipício de uma grande extinção", afirmou Douglas McCauley, ecologista da Universidade da Califórnia e autor do estudo, publicado na revista Science no mês passado (15/1).

Segundo McCauley, ainda há tempo para evitar uma catástrofe maior. Isso porque, comparados com os continentes, os oceanos estão quase intactos.

"Os impactos estão aumentando, mas não estão tão graves a ponto de não podermos reverte-los", afirmou Martin Pinsky, biólogo marinho da universidade Rutgers e coautor do estudo.

A pesquisa de McCauley e Pinsky é sem precedentes, pois cruzou dados de diversas fontes, desde relatórios sobre a exploração de combustíveis fósseis até estatísticas sobre remessas de containers, pesca e mineração oceânica.

Plataforma P-36 da Petrobras afundando a cerca de 130 quilômetros da costa do Rio após duas explosões em 15 de março de 2001. Falha mecânica em uma das válvulas foi apontada como a principal causa para o acidente.
Plataforma P-36 da Petrobras afundando a cerca de 130 quilômetros da costa do Rio após duas explosões em 15 de março de 2001. Falha mecânica em uma das válvulas foi apontada como a principal causa para o acidente.

Os cientistas detectaram sinais claros que os seres humanos afetaram os oceanos e a vida marinha de forma grave.

Enquanto algumas espécies sofrem com a superpopulação, outras estão ameaçadas de extinção, devido a destruição seus habitats naturais, geralmente causada pela intervenção humana.

A população de recifes de corais, por exemplo, diminuiu 40% no século passado, principalmente pelas consequências do aquecimento global.

Algumas espécies de peixes estão migrando para águas mais frias. Outras espécies, com a locomoção reduzida, não irão conseguir encontrar novos lares.

Ao mesmo tempo, as emissões de gases do efeito estufa estão alterando a química da água do mar, tornando-a mais ácida.

Ainda assim, a pesquisa afirma que há tempo para reduzir os estragos, com a implantação de programas que limitem a exploração dos oceanos.

Os autores alegam que a limitação da industrialização dos oceanos em algumas regiões permitiria que espécies ameaçadas migrassem para outras partes ainda preservadas.

"Acredito que nosso melhor parceiro para salvar o oceano é ele próprio", afirma McCauley.


Fonte: Revista Info


ONU dá luz verde a um tratado sobre águas de alto mar

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29/01/2015 

Depois de quatro dias de intensas negociações, precedidas por nove anos de idas e vindas, a Organização das Nações Unidas (ONU) acordou convocar uma conferência intergovernamental a fim de redigir um tratado juridicamente vinculante que conserve a vida marinha e regule as águas de alto mar que estão fora de toda jurisdição nacional.

Como um fantasma na noite, esta medusa se desloca perto do fundo marinho do cânion de Barkley, diante da costa ocidental do Canadá, a 892 metros de profundidade. Foto: CSSF/NEPTUNE Canadá/cc by 2.0
Como um fantasma na noite, esta medusa se desloca perto do fundo marinho do cânion de Barkley, diante da costa ocidental do Canadá, a 892 metros de profundidade. Foto: CSSF/NEPTUNE Canadá/cc by 2.0

A decisão final foi tomada nas primeiras horas da manhã do sábado, dia 24, enquanto o restante da ONU já havia entrado no descanso de final de semana. O Grupo de Trabalho Especial que negociou o acordo começou a trabalhar em 2006. A Aliança de Alto Mar, uma coalizão de 27 organizações não governamentais, e a União Internacional para a Conservação da Natureza, tiveram muito a ver com o progresso das negociações do tratado proposto.

Karen Sack, diretora da organização humanitária The Pew Charitabel Trusts, uma integrante da coalizão, afirmou à IPS que um Comitê Preparatório, que compreende os 193 Estados membros da ONU, começará a trabalhar em 2016. Mas esclareceu que não houve consenso quanto a “um prazo final para completar o tratado”.

Segundo Sack, “as negociações sempre são difíceis, mas em quase uma década houve muitas conversações sobre as questões em análise e definitivamente há alguns assuntos nos quais se poderia avançar rapidamente”. O Comitê Preparatório apresentará em 2017 um informe da Assembleia Geral com recomendações substanciais sobre a convocação de uma conferência intergovernamental com o propósito de redigir um instrumento internacional juridicamente vinculante.

As conversações concluídas no dia 24 tiveram a resistência inicial de vários países, entre eles Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Rússia, e em certa medida Islândia, segundo relatou um dos participantes da reunião. Mas, com o tempo, esses países se somaram à grande maioria de Estados favoráveis à redação de um tratado que regule as águas internacionais ou de alto mar.

Pescador exibe um atum-azul-do-atlântico (Thunnus thynnus), espécie de alto mar ameaçada de extinção devido à sobrepesca. Foto: Wikimedia

De todo modo, esses países resistiram à adoção de um processo de negociação com prazos determinados. “Com relação aos Estados Unidos, em particular, estamos muito contentes por ver que finalmente mostram flexibilidade e esperamos que, ao avançar, encontrem uma maneira de apoiar um cronograma mais ambicioso”, opinou à IPS Sofia Tsenikli, assessora do Greenpeace Internacional.

Em um comunicado divulgado no dia 24, a Aliança de Alto Mar afirma que o avanço aconteceu apesar da pressão de um pequeno grupo de governos que questionou a necessidade de um novo marco legal. “Essa minoria bloqueou um acordo sobre um calendário mais rápido que reflete o imperativo científico claro para a ação, mas todos os países concordaram com a necessidade de agir”, acrescentou. Os membros da Aliança elogiaram a decisão de seguir adiante com o tratado.

Lisa Speer, diretora de programa de oceanos internacionais do Conselho para a Defesa de Recursos Naturais, pontuou que muitos Estados realizaram grandes esforços para proteger a metade do planeta que constituem as águas internacionais. “Sabemos que estes Estados continuarão defendendo a necessidade urgente de uma proteção maior” neste processo, acrescentou.

Daniela Diz, do Fundo Mundial para a Natureza, considerou que a decisão foi um passo fundamental para a conservação dos oceanos. “Agora podemos olhar para um futuro no qual levaremos a conservação desses bens comuns globais para o beneficio de toda a humanidade”, afirmou. “Armados com novos conhecimentos, estamos dando os primeiros passos para proteger as águas de alto mar e manter o mundo seguro para nossos filhos”, afirmou Sylvia Earle, da organização ecológica Mission Blue.

O resultado da reunião terá que ser aprovado pela Assembleia Geral em setembro, algo que é considerado uma formalidade.

As águas de alto mar são os mares que estão além da zona econômica exclusiva dos países, que constituem 64% dos oceanos, e o fundo marinho que há fora da plataforma continental de um país, explica um informe divulgado pela Aliança de Alto Mar. Essas áreas representam quase 50% da superfície da Terra, e incluem alguns dos ecossistemas mais importantes, mais ameaçados e menos protegidos do planeta.

Somente um tratado internacional sobre a biodiversidade dos mares internacionais abordaria o atual contexto legal e institucional, insuficiente, fragmentado e mal implantado, que não protege os mares internacionais das numerosas ameaças que enfrentam no século 21.


Fonte: Envolverde/IPS


Ambiente marinho é prejudicado pela poluição por microplástico

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21/01/2015

Entrada de “pellets” nos ambientes marinhos e costeiros pode trazer graves consequências aos ecossistemas e até mesmo aos seres humanos. Diretrizes e ações por parte de órgãos públicos e privados são necessárias no Brasil.

Voluntária exibe alguns pellets coletados durante ação realizada na Prainha Branca, em Guarujá. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntária exibe alguns pellets coletados durante ação realizada na Prainha Branca, em Guarujá

Visando analisar a origem da poluição por pellets – grânulos de matéria plástica com menos de 5 milímetros de diâmetro – nos oceanos, suas consequências e possíveis soluções para o problema, a pesquisadora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), Flávia Cabral Pereira, desenvolveu seu estudo de mestrado. Atualmente, a poluição marinha por microplástico, material encontrado em diversos ambientes marinhos e costeiros do Brasil e do mundo, é uma grande preocupação, principalmente em função de sua elevada capacidade de dispersão e resistência à degradação.

Por que os pellets são encontrados nos oceanos?
Comumente componentes do lixo marinho, os pellets provavelmente chegam aos oceanos através de perdas acidentais durante o transporte oceânico ou do escoamento por drenagem de perdas de processos industriais. Encontrados em áreas próximas a centros urbanos e portos, e até mesmo em alto mar, apenas três ocorrências da presença do material foram formalmente publicadas no Brasil, na cidade de Santos, São Paulo, em Tamandaré, Pernambuco, e Fernando de Noronha. Porém, coletas do Projeto Marplast, convênio entre a Plastivida e o IO, revelam que outras praias em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro de Santa Catarina também são alvo do contaminante.

O objeto de estudo da tese são os microplásticos primários, resinas termoplásticas que podem ser transportados na forma de grãos ou pó. “Uma visão macro utilizada como critério de análise para este trabalho permite identificar duas fases distintas na cadeia dos plásticos como um todo: pré-consumo e pós-consumo. Estes microplásticos podem ser considerados como existentes apenas na etapa pré-consumo, tendo em vista que são produzidos pelas indústrias de segunda geração (produtoras) e moldadas nas indústrias de terceira geração (transformadoras). Então, a partir daí, eles dão origem aos mais diversos produtos plásticos que chegam ao consumidor final, como embalagens, brinquedos, componentes automotivos, utilidades domésticas, peças para a indústria eletroeletrônica e para a construção civil, dentre uma infinidade de outras aplicações”, completa Flávia.

Essas partículas são um problema em potencial aos organismos vivos, uma vez que a ingestão de plástico pode gerar bloqueio intestinal ou úlceras no estômago, reduzindo a absorção de nutrientes, além de provocar uma falsa sensação de saciedade e alterações hormonais prejudiciais à reprodução dos animais. “Além disso, a superfície dos pellets pode adsorver poluentes orgânicos persistentes (POPs), como PCBs (Bifenispoliclorados) e DDTs (DicloroDifenilTricloetano), contaminando os animais que os ingerem e causando problemas hormonais, o que pode acarretar em alterações nas taxas de crescimento e reprodução, inclusive levando à morte. Ainda, aditivos químicos como corantes e antioxidantes, comumente adicionados à composição das resinas termoplásticas para alterar suas características naturais e aprimorar seus usos finais podem ser tóxicos provocando efeitos nocivos aos organismos”, afirma a pesquisadora.

Brasil precisa de soluções

No âmbito internacional, o problema da poluição por microplásticos já teve algumas iniciativas desenvolvidas, como é o caso do programa “pellet zero”, ancorada no programa Operation Clean Sweep (OCS). O programa consiste na apresentação de um manual com orientações para auxiliar a gestão das operações nas indústrias de plástico, com o objetivo de reduzir a perda do composto para o ambiente.

No caso brasileiro, a simples transposição dos programas internacionais para a realidade do país não resolveria o problema, porque primeiramente é necessário levantar informações sobre a produção e a logística das indústrias, dados que ainda não estão disponíveis no país. “Além disso, não é possível absorver diretamente os manuais produzidos por outros países em uma proposta nacional, tendo em vista que realidades diferentes refletem problemas, lógicas e, consequentemente, soluções distintas. Importar uma solução proposta em outro contexto e realidade incorre, em grande probabilidade, na geração de resultados ineficientes e incoerentes, não adequados para solucionar o problema em questão”, explica.

Para Flávia, a resolução do problema vem através de uma interlocução entre iniciativa privada, órgãos públicos do poder e sociedade civil. “A solução do problema de forma integrada e sistêmica perpassa pelo envolvimento dos principais atores mapeados, como proposto pela Estratégia de Honolulu, que marca uma nova abordagem intersetorial para ajudar a reduzir a ocorrência de lixo marinho, bem como os danos que esses resíduos provocam nos habitats marinhos, na economia global, na biodiversidade e na cadeia alimentar humana.”


Fonte: IO-USP


Superbactéria é encontrada em rio que deságua na Praia do Flamengo (RJ)

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16/12/2014 

"As superbactérias" resistentes à drogas foram encontradas nas águas onde serão realizados os eventos de vela dos próximos Jogos Olímpicos Rio 2016. São as mesmas encontradas em hospitais, muito difíceis de tratar.

Atletas competem no Feminino 470, durante o último dia da Regata Internacional de Vela Internacional Aquece Rio de 2014, primeiro evento-teste para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil, em 9 de agosto de 2014. (AFP Photo)
Atletas competem no Feminino 470, durante o último dia da Regata Internacional de Vela Internacional Aquece Rio de 2014, primeiro evento-teste para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil, em 9 de agosto de 2014. (AFP Photo)

Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) encontraram bactérias resistentes a antibióticos nas águas do Rio Carioca, que atravessa diversos bairros da capital fluminense. Mais comumente detectadas no ambiente hospitalar, as bactérias produtoras da enzima KPC foram identificadas em amostras de água coletadas em três pontos na Zona Sul da cidade: no Largo do Boticário, no Cosme Velho; no Aterro do Flamengo, antes da estação de tratamento do rio; e na foz do Rio Carioca, no ponto onde ele desagua na Praia do Flamengo. Segundo a pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC, Ana Paula D'Alincourt Carvalho Assef, coordenadora do trabalho, é preciso ter atenção para a possibilidade de disseminação deste tipo de resistência aos antibióticos, o que pode dificultar o controle de algumas infecções. “Até o momento, não houve registro de contaminação entre frequentadores dos ambientes estudados. Ainda assim, os resultados da pesquisa foram enviados para as autoridades competentes, que podem avaliar as medidas a serem adotadas”, declara a microbiologista, lembrando que a Praia do Flamengo é frequentada por banhistas e fica perto da Marina da Glória, que será palco de competições de vela nas Olimpíadas de 2016.

As bactérias encontradas produzem uma enzima chamada KPC, característica que as torna resistentes aos principais antibióticos utilizados no combate a estas infecções. De acordo com Ana Paula, as doenças causadas por estes micro-organismos são iguais àquelas provocadas por bactérias comuns, mas os tratamentos exigem antibióticos mais potentes. Uma vez que as superbactérias são resistentes aos medicamentos mais modernos, os médicos precisam recorrer a drogas que estavam em desuso por serem tóxicas para o organismo – como a polimixina. “Mergulhar num rio onde há bactérias produtoras de KPC é como mergulhar em qualquer rio poluído. Existe o risco de contrair doenças, que não são mais graves do que as causadas por outros micro-organismos. O problema é que, no caso de uma eventual infecção, é possível que o tratamento exija uma abordagem de internação hospitalar”, afirma a pesquisadora.

Além do risco para a população, os cientistas consideram que a principal ameaça é a disseminação da resistência, que ocorre na medida em que as bactérias são capazes de transmitir genes umas para as outras. “Os genes que estão associados à resistência aos antibióticos podem estar localizados em elementos móveis dentro das bactérias, que podem ser multiplicados e transferidos para outros micro-organismos. Fazendo uma analogia, é como se as bactérias trocassem figurinhas de mecanismos de resistência. Assim, a água pode se tornar uma biblioteca destes genes”, explica Carlos Felipe Machado de Araujo, aluno do programa de mestrado em Biologia Celular e Molecular do IOC e também autor da pesquisa.

As bactérias produtoras de KPC identificadas no Rio Carioca são classificadas como enterobactérias, uma família que reúne micro-organismos encontrados frequentemente colonizando o corpo humano – ou seja, vivendo normalmente no intestino e transitoriamente sobre a pele e mucosas. Porém, em alguns indivíduos, estes micro-organismos também podem ser agentes de doenças comuns, como infecções urinárias, gastrointestinais e pneumonias. Segundo Ana Paula, esta interação das bactérias com o homem e o ambiente aumenta o risco de propagação da resistência. “Ao entrar na água onde há bactérias produtoras de KPC, o banhista pode ser colonizado por estes micro-organismos. Mesmo que não fique doente naquele momento, eventualmente, ele pode carrear estas bactérias resistentes para o ambiente e para outras pessoas, estabelecendo um ciclo de disseminação”, explica a microbiologista.

Sobre as bactérias hospitalares

Assim como outras superbactérias, as produtoras de KPC foram inicialmente identificadas dentro dos hospitais. Nestes ambientes, o uso intensivo de antibióticos costuma exterminar as bactérias sensíveis às drogas e selecionar os micro-organismos que possuem alguma característica que os torna resistentes. O primeiro registro da enzima KPC foi feito nos Estados Unidos, em 2006, e esta forma de resistência se espalhou para unidades de saúde em todo o mundo. Até hoje, não há registro de infecções causadas por estas bactérias fora dos hospitais. No entanto, os cientistas temem rever um filme assistido mais de 20 anos atrás.

“Nos anos 1980, surgiram nos hospitais bactérias produtoras de enzimas chamadas ESBLs, que as tornavam resistentes a diversos antibióticos. Após se disseminar em unidades de saúde, micro-organismos carreando este mecanismo de resistência chegaram à população em geral, causando infecções comunitárias, e hoje são encontrados até mesmo em animais silvestres. Para combater as bactérias produtoras de ESBL, tivemos que usar antibióticos da classe dos carbapenemas. Então, surgiram as bactérias produtoras de KPC, que são resistentes a estas drogas. O receio é que essa forma de resistência também saia dos hospitais para a comunidade”, alerta Ana Paula.

Dos hospitais para o ambiente

A possibilidade de disseminação das bactérias produtoras de KPC para o ambiente já preocupa os cientistas há alguns anos. Em 2010, o Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC publicou um artigo científico apontando a presença destas superbactérias no esgoto hospitalar carioca mesmo após o tratamento. Já no final do ano passado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comunicou, no Congresso Brasileiro de Microbiologia, que havia identificado a presença destes micro-organismos nas praias do Flamengo e de Botafogo. Agora, o novo estudo do IOC indica um dos prováveis caminhos percorridos pelas superbactérias, que são carreadas pelo Rio Carioca até o desague na praia. “O Rio Carioca corta diversos bairros e reconhecidamente recebe lançamento de esgoto. Nós não encontramos estes micro-organismos no alto da Floresta da Tijuca, perto da nascente do rio. O primeiro ponto em que detectamos a sua presença foi no Largo do Boticário, após o rio atravessar áreas com moradias e hospitais”, afirma Ana Paula.

Infográfico Fiocruz

Os pesquisadores ressaltam ainda que a chegada das superbactérias até a foz do rio pode ter duas explicações. “É possível que as bactérias tenham sido encontradas na chegada do rio à Praia do Flamengo porque conseguiram sobreviver ao tratamento realizado ou porque não houve tratamento da água naquele determinado momento”, explica Carlos.


Fonte: Fiocruz


Mais de 5 trilhões de pedaços de plástico flutuam pelos oceanos do planeta

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16/12/2014 

Pesquisadores revelaram quarta-feira passada (10) o que chamaram de estimativa de dados científicos mais rigorosa da quantidade de lixo plástico nos oceanos - cerca de 269 mil toneladas - com base em dados de 24 expedições de navios em todo o mundo ao longo de seis anos.

Praia do Perequê em Ilhabela após um show gratuito na última sexta-feira (12)
Praia do Perequê, em Ilhabela, após um show gratuito na última sexta-feira (12)

Há sacolas, garrafas, tampas de garrafas, brinquedos, camisinhas, chupetas, escovas de dente, hastes de cotonete, calçados, embalagens de produtos, alças de guarda-chuva, petrechos de pesca, assentos sanitários e muito mais. A poluição por plástico é generalizada nos oceanos da Terra.

"Há muito mais poluição por plástico do que as recentes estimativas sugerem", disse Marcus Eriksen, diretor de pesquisa do 5 Gyres Institute, com sede em Los Angeles, que estuda este tipo de poluição.

"Tem de tudo o que você pode imaginar feito de plástico", acrescentou Eriksen, que liderou o estudo publicado na revista científica PLoS ONE. "É como um Walmart à deriva."

Noventa e dois por cento do plástico vem sob a forma de "microplásticos" - partículas de itens maiores degradados pela luz solar e fragmentados por ondas, mordidas de tubarões e outros peixes ou de outras maneiras, disse Eriksen.

Especialistas tem soado o alarme nos últimos anos sobre a forma como a poluição por plástico está matando um grande número de aves marinhas, tartarugas marinhas, mamíferos marinhos e outras criaturas enquanto sujam ecossistemas marinhos.

Alguns objetos de plástico, como redes de pesca descartadas matam por afogamento golfinhos, tartarugas marinhas e outros animais. Fragmentos de plástico são encontrados na garganta e trato digestório de animais marinhos.

Os pesquisadores disseram que o plástico entra nos oceanos dos rios e de regiões costeiras densamente povoadas, bem como de navios.

Objetos maiores de plástico, abundantes perto da costa, também flutuam em cinco giros subtropicais do mundo - grandes regiões com correntes circulares no Pacífico Norte e Sul, no Atlântico Norte e Sul e no Oceano Índico.

Giros oceânicos subtropicais

No meio destes giros o lixo plástico se acumulou em enormes "porções de lixo" que atuam como "liquidificadores gigantes - moendo grandes objetos de plástico até chegarem a microplásticos", disse Eriksen.

O estudo, baseado em dados de expedições a cinco giros subtropicais, litoral da Austrália, Baía de Bengala e Mar Mediterrâneo, estimou que existam 5,25 trilhões de partículas de lixo plástico nos oceanos. Minúsculas partículas de plástico, até o tamanho de um grão de areia, se espalharam através dos até atingem regiões polares, mesmo remotas.

Os pesquisadores disseram que as partículas adsorvem facilmente poluentes químicos como DDT, PCBs e outros, e essas toxinas entram na cadeia alimentar marinha quando ingeridas por peixes e outras criaturas marinhas.


Fonte: Reuters


Baixada Santista sofre com contaminação por metal

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04/12/2014 

Análise sedimentar do Estuário de Santos e São Vicente mostra que acúmulo de metais pode gerar consequências para biota local. 

A Baixada Santista vem sendo alvo da poluição gerada pela industrialização e pelo crescimento populacional da área, e uma das conseqüências desse quadro é o acúmulo de metais em todo o ecossistema marítimo. Visando analisar o fenômeno, Juliê Rosemberg Sartoretto, mestre do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), realizou um estudo que faz o levantamento do nível de contaminação por metais no Estuário de Santos e São Vicente através da observação de colunas sedimentares. Estudos sobre metais em sedimentos já foram realizados anteriormente, porém nenhuma pesquisa atentou em fazer um paralelo entre o aumento das concentrações das substâncias dos últimos 70 anos, com a industrialização e a ocupação cada vez maior da região.

Voluntários retiram televisor CRT de manguezal em Santos. Além da poluição industrial, é comum o descarte de aparelhos eletroeletrônicos, assim como pilhas, lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias em algumas regiões do estuário de Santos e São Vicente.

Para realizar a pesquisa, Juliê utilizou métodos variados durante o processo, entre eles, digestão parcial dos sedimentos – método US EPA 3050B –, digestão total dos sedimentos – método US EPA 3010 –, e análise de mercúrio por geração de vapor (US EPA). “A maioria dos metais estudados podem ser encontrados naturalmente no meio ambiente, e muitos deles têm importância vital para o funcionamento de alguns organismos. No entanto, o excesso se sua concentração pode gerar uma contaminação de todo o ecossistema. A grande acumulação desses metais no sedimento é uma evidência de que esse ecossistema está sobrecarregado desses contaminantes, e assim como ele acumula nos sedimentos, ele também acumula nos organismos e na água”, afirma a pesquisadora.

Mercúrio é fator de risco

Resultados finais apontaram a existência de dois ambientes distintos nos Estuários de Santos e São Vicente, o Canal de Bertioga e o Alto Estuário Santista. No Canal de Bertioga, a quantidade de metais concentrados ainda está abaixo dos níveis de TEL, adotado pela CETESB, e Nível 1 da Resolução Conama 454 (2012), que são concentrações pré-estabelecidas nas quais se observa um efeito negativo do metal nos organismos presentes dentro de um sistema. Porém, o aumento da porcentagem de metais gerado de alguns anos para cá pode encontrar suas causas em alguns incidentes ambientais, como o incêndio na Ilha de Socó nos anos 80, a proximidade com o Alto Estuário Santista, e um derramamento de óleo, também ocorrido nos anos 1980. Já o Alto Estuário de Santos apresenta concentrações elevadas e alarmantes de cobre, chumbo, zinco e mercúrio, sendo este último o mais preocupante. Desde a década de 50 pode-se perceber um aumento na concentração de metais nessa região, sendo que a agravação do quadro teve início a partir dos anos 1970, em reflexo à efervescência da atividade industrial.

“Os resultados encontrados de maior relevância foram os teores de mercúrio, que denotaram alguns pontos com alta poluição dentro do Alto Estuário Santista. Esses resultados são de suma importância para diversos setores envolvidos. Primeiramente são dados alarmantes devido à alta toxicidade do mercúrio, indicando um possível risco à biota local. Economicamente falando há um outro problema, uma vez que devido a presença do Porto de Santos a região necessita de frequentes processos de dragagem. Altas concentrações de mercúrio no sedimento impossibilitam o processo de dragagem, gerando prejuízos imensos para os setores envolvidos. Altas concentrações desse elemento no sistema também geram problemas econômicos para a comunidade pesqueira local, uma vez que, devido às legislações, não é possível a comercialização de organismos que apresentem altas concentrações desses metais em seus tecidos”, completa.

A pesquisadora ainda destaca o fato de que essa contaminação pode ser prejudicial aos seres humanos pelo consumo da carne de peixe. Alguns metais, como o mercúrio, por exemplo, podem sofrer o processo de biomagnificação, em que a concentração da substância vai aumentando gradativamente a cada nível trófico da cadeia alimentar.

Previsão pessimista

Caso os níveis de contaminação do ecossistema marítimo por metais não diminuam, conseqüências imediatas poderão ser notadas na biota local, já que a maioria dos organismos não resistiria ao ambiente desequilibrado. A reconstrução da degradação ambiental não é uma prática viável no caso da Baixada Santista, portanto, a melhor solução possível para a situação seria o controle da disseminação de poluentes até que aconteça uma reconstrução natural da região.


Fonte: IO-USP