Voluntários farão limpeza de três praias na Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, em Guarujá

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16/09/2014 

Voluntários do Instituto EcoFaxina e da Fundação SOS Mata Atlântica se reunem no Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias para mais uma ação em defesa da vida marinha. 

Vista aérea da Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, em Guarujá. Foto: Pedro Rezende
Vista aérea da Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, em Guarujá. Foto: Pedro Rezende

Neste sábado (20/9) acontece a 29ª edição do International Coastal Cleanup (ICC) - no Brasil (DMLRP) - evento anual promovido pela ONG norte-americana Ocean Conservancy com o objetivo de engajar pessoas em ações de limpeza em regiões costeiras para coleta dados sobre a poluição marinha por resíduos sólidos. Em 2013 cerca de 650 mil pessoas retiraram 5.592 toneladas de lixo de praias em mais de 90 países. O equivalente a 823 elefantes africanos machos adultos.

Os voluntários irão percorrer três praias - Branca, Preta e Camburí - localizadas na Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, no Guarujá, região conhecida também como "Rabo do Dragão", porção norte da ilha de Santo Amaro que abriga rica biodiversidade. Trata-se do último trecho remanescente de Mata Atlântica intacto em Guarujá, lar de felinos, como a onça parda e a jaguatirica.

Um ônibus com cerca de 40 voluntários da Fundação SOS Mata Atlântica partirá de São Paulo com destino ao Guarujá, onde encontrarão os voluntários do Instituto EcoFaxina que partirão de Santos, também de ônibus. A ação deve reunir entre 80 a 100 voluntários para a ação.  

As trilhas que levam às praias serão percorridas com guias locais e funcionam como uma terapia de cores, cheiros e sons, com um "coral" formado por anfíbios e aves como tiés-sangue, saíras de sete cores e maritacas.

Voluntários do Instituto EcoFaxina e da Fundação SOS Mata Atlântica durante ação realizada em 2012 na APA da Serra do Guararú. Foto: Rodrigo Aquino/Instituto EcoFaxina
Voluntários do Instituto EcoFaxina e da Fundação SOS Mata Atlântica durante ação realizada em 2012 na APA da Serra do Guararú. Foto: Rodrigo Aquino/Instituto EcoFaxina

Criada em 2012, a APA compreende uma área de aproximadamente 25,6 km² e tem como objetivo proteger a biodiversidade e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais da região.

Prainha Branca

O núcleo populacional da Prainha Branca formou-se no início do século XX, com o estabelecimento de famílias caiçaras que buscavam prover a própria subsistência à custa da pesca e da prática de uma lavoura rudimentar, sendo oriundos de Ubatuba e da ilha Montão de Trigo, situada no município de São Sebastião (litoral norte de São Paulo), a aproximadamente 40 km de Bertioga.

Hoje, a comunidade reúne cerca de 90 famílias que pertencem a quatro eixos familiares, que deram origem à população local, família Neto, família Lemos, família Oliveira e família Santos.

A indústria pesqueira na Baixada Santista viveu período de exploração desenfreada com grandes barcos e suas redes de arrasto que não respeitavam os períodos de defeso, ou seja, o pescado rareou na área. A árdua tarefa de pescar passou a não compensar já há bastante tempo para os caiçaras da Prainha Branca/Ponta da Armação.

Os pescadores restantes enfatizam, porém, que as medidas de fiscalização e proteção recém-implementadas pelos órgãos competentes (mormente a partir da criação da APA Marinha do Litoral Centro, que engloba a área da Prainha Branca/Ponta da Armação, em 2008) além do seguro-defeso criado pelo Governo Federal, devem fazer com que o peixe reapareça em maior escala nos próximos anos.

Atualmente, as principais atividades econômicas que compõem e renda familiar dos moradores estão ligadas ao setor de turismo, como pousadas, campings, lanchonetes e pequenos comércios.


Vista da trilha de acesso à Prainha Branca. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

2 de 3

Esta será a segunda das três Ações Voluntárias EcoFaxina realizadas durante o mês de setembro, que terão os dados das coletas integrados ao relatório do International Coastal CleanUp (ICC). A primeira aconteceu dia 7 de setembro em uma faixa de manguezal na Zona Noroeste de Santos. A terceira acontecerá dia 28 de setembro na praia do Portinho, em Ilhabela, em parceria com o Instituto Dharma.


SERVIÇO:

Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias (DMLRP) 2014
51ª Ação Voluntária EcoFaxina - Praias Branca, Preta e Camburí

Cartaz - divulgação
Cartaz - divulgação
  • Aconselhamos o uso de roupas leves e mochila com lanche, frutas, água, protetor solar, repelente, máquina fotográfica, etc.
  • Transporte gratuito: saída às 7h30 da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão - em frente à Unisanta. Mapa
  • Ponto de encontro: lanchonete no final da estrada do Perequê, às 9 horas. Mapa
Organização: Instituto EcoFaxina e Fundação SOS Mata Atlântica.
Apoio: Sociedade Amigos da Prainha Branca, Universidade Santa Cecília - Unisanta, Projeto Construindo o Amanhã, Terracom Engenharia, Prefeitura de Guarujá e Prefeitura de Santos.

Informações: facebook.com/ecofaxina


Sacolas plásticas descartáveis serão probidas em todo o estado da Califórnia

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11/09/2014 

O governador da Califórnia, Jerry Brown, disse na quinta-feira que irá aprovar a proibição de uso de sacolas plásticas descartáveis, o que tornará o estado norte-americano o primeiro a proibi-las.

Sacolas plásticas podem levar até quatro séculos para se decompor. Sobrecarregam aterros sanitários, contribuem para inundações em centros urbanos, contaminam os oceanos, causam a morte de centenas de milhares de animais marinhos por emaranhamento e ingestão e liberam substâncias tóxicas ao se decomporem.
Sacolas plásticas podem levar até quatro séculos para se decompor. Sobrecarregam aterros sanitários, contribuem para inundações em centros urbanos, contaminam os oceanos, causam a morte de centenas de milhares de animais marinhos por emaranhamento e ingestão e liberam substâncias tóxicas ao se decomporem.

Os legisladores aprovaram o projeto final, que e agora só necessita da assinatura de Brown para virar lei. O que deverá ser feito pelo governador antes do final de setembro.

"Eu provavelmente vou assinar, sim", disse o veterano democrata, durante um debate televisionado com o seu rival eleitoral republicano Neel Kashkari, que está mal nas pesquisas de opinião.

"Na verdade, eu vou te dizer porque eu vou assinar: há cerca de 50 cidades com a sua própria proibição de sacolas de plásticas, e isso causa muita confusão", disse ele, citado pelo Los Angeles Times e outros jornais.

E acrescentou: "Este é um compromisso, levando em conta as necessidades ambientais, econômicas e dos comerciantes."

Nos termos da legislação californiana, as sacolas plásticas descartáveis desaparecerão dos supermercados e farmácias em 1º de julho de 2015 e, em seguida, lojas de conveniência e de bebidas a partir de 1º de julho de 2016.

A lei permitirá que as lojas cobrem 10 centavos por cada sacola de papel ou reutilizável. Proibições similares, apoiadas por ambientalistas, já estão em vigor em cidades como Los Angeles e San Francisco.

A proibição tem a oposição de republicanos que dizem que seria muita intromissão do governo para pequenas e médias empresas, e para fabricantes de sacolas, que temem a perda de empregos.

Seu rival, Kashkari, disse que se opõe à legislação. "Sem chance deu assinar o projeto de lei", disse ele no último debate entre os candidatos.


Fonte: AFP


Exposição "Humor e Meio Ambiente" abre nesta sexta (12), em Santos

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11/09/2014 

Exposição Humor e Meio Ambiente

Que tal pensar o meio ambiente sob a ótica da cultura?

Exposição que une Humor e Meio Ambiente marca encontro do cartunista DaCosta com o jornalista Marcus Vinicius Batista

Discutir a preservação ambiental e o impacto do homem sobre a natureza por meio do humor. Com este propósito, a exposição “Humor e Meio Ambiente” será inaugurada, em 12 de setembro, uma sexta, a partir das 21 horas, no Lobo Estúdio, na Vila Mathias, em Santos.

A mostra reúne 14 cartuns e 12 textos que abordam diversos aspectos do meio ambiente, de energia nuclear ao uso da água, de poluição atmosférica à produção e consumo de alimentos transgênicos. A exposição é o encontro do cartunista DaCosta e do jornalista Marcus Vinicius Batista.

No dia da abertura, haverá também um bate-papo com a dupla, além da exibição de curtas-metragens sobre meio ambiente, na "1ª Mostra Gelatina de Audiovisual".

A mostra nasceu após uma conversa informal, em que DaCosta percebeu quanto a temática ambiental era recorrente na obra dele. A partir daí, Marcus Vinicius Batista elaborou os textos, baseando-se apenas no tópico satirizado pelo cartunista.

A exposição já passou pelo Jardim Botânico de Santos, Universidade Santa Cecília, Unimep (Piracicaba) e no Centro Cultural Martha Watts, também em Piracicaba.

No mês passado, veio o convite para expor no Lobo Estúdio, espaço marcado pela diversidade cultural, que envolve de teatro à apresentações musicais, de mostras fotográficas à debates sobre a cultura contemporânea.

Sobre os autores

Osvaldo DaCosta se formou na Faculdade de Belas Artes, em São Paulo. Mestre em Comunicação, ele é professor da Universidade Santa Cecília. Premiado em diversos salões de humor dentro e fora do país, DaCosta foi considerado por Ziraldo o último desenhista de humor brasileiro. 
DaCosta já publicou ilustrações e cartuns em vários jornais da imprensa brasileira. Trabalhou, por exemplo, na Folha de S.Paulo, Diário do Povo, A Tribuna, Editora Abril. Em 2014, DaCosta foi premiado pela segunda vez no Porto Cartoon Festival, em Portugal. Ele também foi jurado no Salão Internacional de Humor, em Piracicaba, o maior da América do Sul, após vencê-lo duas vezes.

Marcus Vinicius Batista é jornalista há 21 anos. Formou-se também em História e é mestre em Educação. Há 12 anos, leciona em cursos de Comunicação na Universidade Santa Cecília e na Universidade Católica de Santos. Trabalhou no jornal Folha de S.Paulo e em emissoras afiliadas das redes Globo, Record e Manchete. Atualmente, é colunista do jornal Boqnews, colaborador de revistas e dos sites Cinezen Cultural, Culturalmente Santista e Jornalirismo. Também edita blogs sobre política, futebol e crônicas.

A mostra “Humor e Meio Ambiente” estará em cartaz até dia 30 de setembro.

Serviço:

Endereço: O Lobo Estúdio está localizado na rua Luís de Camões, 12 – Vila Mathias – Santos. A rua fica entre a rua Constituição e a avenida Washington Luiz (canal 3), próxima à Universidade Católica de Santos.
Horário: 21 horas
Evento no Facebook

Confira o vídeo-promo do evento:



Fonte: MAC


Criação de áreas marinhas protegidas está estagnada

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10/09/2014 - Marcia Hirota e Leandra Gonçalves* 

Nos últimos meses, diversos países passaram a anunciar a criação de grandes áreas protegidas costeiras e marinhas ou até mesmo um conjunto significante de pequenas áreas. O movimento é recente. Começou com a iniciativa da Austrália em criar a maior rede mundial de reservas marinhas em 2012. Para isto, o governo do país declarou uma rede que engloba 44 reservas marinhas, cobrindo 2,3 milhões de quilômetros quadrados – um terço do seu território marinho.

Arquipélago de Alcatrazes, litoral do estado de São Paulo. Foto: Kelen Leite/ICMBio
Arquipélago dos Alcatrazes, litoral do estado de São Paulo. Foto: Kelen Leite/ICMBio

Em junho, Bahamas, Ilhas Cook, Palau e Estados Unidos tornaram públicos planos de criação e ampliação de áreas marinhas protegidas. O presidente americano Barack Obama, por exemplo, propôs aumentar a proteção no entorno do Monumento Nacional Marinho das remotas ilhas do Pacífico, transformando-a na maior área marinha protegida do mundo, onde não será permitida a exploração de óleo e gás nem atividades de pesca. Mais recentemente, foi a vez de a Escócia anunciar a criação de 30 novas áreas marinhas protegidas, tornando a região a maior área protegida de toda a Europa.

Por aqui, tudo parado

O Brasil, porém, parece seguir no sentido contrário.

No país, as últimas iniciativas de criação de Unidades de Conservação (UCs) na zona costeira e marinha partiram do Poder Legislativo: Monumento Nacional das Ilhas Cagarras (RJ, 2010) e Parque Nacional Marinho da Ilha dos Currais (PR, 2013). Por iniciativa do Poder Executivo, as últimas áreas foram criadas cinco anos atrás – as Reservas Extrativistas da Prainha do Canto Verde (CE) e do Cassurubá (BA).

Ilha Guapirá, arquipélago de Currais, Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais. Foto: Juliano Dobis
Ilha Guapirá, arquipélago de Currais, Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais. Foto: Juliano Dobis

A inércia e a falta de prioridade para criação das UCs costeiras e marinhas no Brasil é tanta que o tema sequer é mencionado nas propostas dos novos candidatos à Presidência e nenhum dos programas de governo apresentados promete fazer mudanças para promover a compatibilização do uso e da conservação do território marinho.

Esse cenário ilustra o grande conflito existente na costa brasileira – e que seria facilmente solucionado com planejamento e políticas mais equilibradas, que envolvessem não apenas a exploração, mas também a sustentabilidade dos recursos naturais e dos ecossistemas costeiros e marinhos.

Em um rápido levantamento, é possível resgatar o manifesto pró-UCs apresentado por entidades da sociedade civil, aprovado por unanimidade no Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação em 2012. A lista, assinada por 72 especialistas de todo o país e proposta por 43 instituições, incluía 19 Unidades de Conservação cujos processos se encontravam em estágio avançado e dependiam apenas do empenho por parte do Governo Federal para se tornarem realidade. Passados quase dois anos, nenhuma dessas UCs foi criada. Entenda-se por empenho não apenas vontade para destravar processos prontos, mas sobretudo força política para enfrentar conflitos em áreas onde ocorrem grandes obras de infraestrutura.

Ao governo brasileiro, falta clareza sobre o papel das áreas protegidas. A importância de tais áreas é sem dúvida a recuperação e conservação da biodiversidade marinha, já bastante degradada. Mas vai muito além, pois as áreas marinhas protegidas podem e devem ser transformadas em polos de transformação social.

Somado a isso, é necessário ressaltar que as informações sobre planos e interesses em territórios públicos geralmente não são compartilhadas com a sociedade, o que desencadeia uma frustração coletiva. Esta prática governamental está no cerne das principais tensões sociais e também na dificuldade de entendimento do real papel das áreas protegidas para o país. Isso precisa mudar. E em ano eleitoral quem tem boas propostas será rei ou rainha.

A Fundação SOS Mata Atlântica em sua carta "Desenvolvimento para sempre – Uma agenda para os candidatos nas eleições 2014" traz metas e programas realistas e alinhados com as melhores práticas no mundo todo. Um exemplo: cumprir até 2018 a meta de proteger pelos menos 5% da área marinha sob jurisdição nacional e garantir que 100% das áreas protegidas marinhas tenham planos de manejo aprovados.

É necessário implementar de fato as potencialidades das UCs e dar conhecimento à sociedade sobre seus benefícios. Importante também que se desenvolva uma estratégia mais ampla de conservação e uso racional da biodiversidade para que o nosso mar não seja simplesmente mais uma arena para o equivocado conflito entre meio ambiente e desenvolvimento.


* Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica; Leandra Gonçalves é bióloga e consultora da organização. Fonte: O Eco


Voluntários retiram 985 quilos de lixo de manguezal em Santos

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08/09/2014 

A 50ª Ação Voluntária EcoFaxina reuniu 43 voluntários para um Dia da Independência com muita união e amor à natureza. 

Voluntários posam para foto ao final da 50ª Ação Voluntária EcoFaxina. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntários posam para foto ao final da ação. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

No último domingo (07) os voluntários do Instituto EcoFaxina se reuniram na Zona Noroeste de Santos para mais uma limpeza de manguezal. A ação, que celebrou o Dia da Independência, também faz parte de um conjunto de três ações que o Instituto realizará durante o mês de setembro, reunindo dados para o relatório mundial do Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias (DMLRP), que acontece sempre no terceiro sábado de setembro.

Ao chegarem no local da ação, como sempre, a reação dos voluntários de "primeira viagem" foi de espanto e indignação ao se depararem com a enorme quantidade de resíduos acumulados no manguezal.

Após uma breve explicação, era hora de vestirem os coletes, botas e luvas para meter a mão na massa, o melhor, no lixo. E era muito, muito lixo! Sacolas de supermercado, garrafas PET, tampinhas embalagens de alimentos, pedaços de isopor, televisores, móveis, colchões, roupas, calçados, pneus, pranchas de surf, brinquedos, cosméticos, remédios, seringas, camisinhas... de tudo, e mais um pouco.

Voluntários exibem alguns resíduos coletados. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

A quantidade era tão grande que ficou claro que não daria para limpar toda a área de mangue, por isso, nos concentramos em uma faixa de 40 metros de manguezal próximo à margem, que dá para uma praça pública, no bairro do Jardim São Manoel.

Em cerca de três horas os voluntários já tinham coletado tanto lixo (168 sacos) que, mesmo contra a nossa vontade, tivemos que finalizar a coleta para que houvesse tempo para a triagem e quantificação dos resíduos. 

Voluntários fazendo a triagem e a coleta de dados. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

Confira os dados da coleta que integrarão o relatório do DMLRP:

 Resíduo  Quantidade  Peso (Kg)
Sacola plástica  1.678  192,5
Embalagem plástica de alimentos  3.264  100,5
Embalagem plástica de produtos de limpeza  130  20,5
Embalagem plástica de produtos de higiene pessoal e cosméticos  323 14
Garrafa PET  388  22
Tampa de plástico  1.192  5
Garrafa de vidro 28 8,5
Embalagens diversas de vidro 214 51
Isopor 582 37
Preservativo 23 -
Fraldas 220  26
Material hospitalar e medicamento 167 4,5
Seringa 26 -
Eletroeletrônico (12 televisores e 1 porta de geladeira)  12  119
Material escolar 68 16
Colchão 6 -
Sofá 1 -
Pino de cocaína 75 -
Vestuário (roupas e calçados) 562 132
Isqueiro 34 -
Pneu 2 82
Brinquedo  163  19
Outros resíduos 226 136
Alguns resíduos não foram pesados por serem muito leves ou, como no caso dos colchões e sofá, por estarem encharcados.

Partes 2 e 3

Confira as datas das duas próximas Ações Voluntárias EcoFaxina, que terão os dados das coletas incluídos no relatório do DMLRP:

20/09 - Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias - Praias Branca, Preta e Camburi, em Guarujá, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica.

28/09 - Praia do Portinho, em Ilhabela, em parceria com o Instituto Dharma. A ação em Ilhabela será a primeira a ser realizada pelo Instituto fora da Região Metropolitana da Baixada Santista.

Serão divulgadas, em breve, mais informações em nosso blog, Facebook e Twitter.


Mortes de pinguins no litoral do RS ultrapassam 2 mil casos em 2014

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06/09/2014 

Número de óbitos em 2014 já bateu índices registrados em 2012 e 2013. Possível causa é a falta de alimento e lixo espalhado pelas águas. 

Pinguins ingerem lixo descartados no mar. Foto: Reprodução/RBS TV
Pinguins ingerem lixo descartados no mar. Foto: Reprodução/RBS TV

A morte de pinguins da espécie magalhães no litoral do Rio Grande do Sul já ultrapassou o número de 2 mil somente neste ano. Em todo o ano de 2013, foram 1,8 mil mortes. A situação preocupa ambientalistas e pesquisadores do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), que buscam explicações para a mortandade dos animais.

No inverno, as areias das praias do litoral gaúcho estão vazias, mas o mar recebe visitantes em busca de alimento. Entretanto, os animais não estão sobrevivendo. Os pinguins dessa espécie se reproduzem principalmente nas costas leste e oeste da América do Sul, do Chile à Argentina. Os que chegam até o Brasil vêm da área da Patagônia.

É comum que alguns animais morram, mas a quantidade de mortes neste ano na costa gaúcha tem surpreendido os especialistas. “Esses animais são pinguins juvenis, é o primeiro ano de vida deles. Estão fazendo a primeira viagem e sobem o litoral do Brasil até a costa de São Paulo, Rio de Janeiro, pra se alimentar. Os que a gente está encontrando mortos, eles estão bem magros”, descreve o médico veterinário Derik Blaese de Amorim.

Quantidade de mortes tem surpreendido os especialistas. Foto: Reprodução/RBS TV
Quantidade de mortes tem surpreendido os especialistas. Foto: Reprodução/RBS TV

A explicação para o aumento das mortes de pinguins também pode estar no clima. O fenômeno El Niño - representa o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial - modifica as correntes marítimas também no Oceano Atlântico. Com isso, fica mais difícil de encontrar alimento.

Além disso, segundo os especialistas, as toneladas de lixo encontradas nas águas também contribuem para as mortes. Todos os anos, resíduos são despejadas nos oceanos. O material é facilmente confundido com alimento e é consumido, por engano, pelos animais. “As prefeituras limpam as praias, mas no inverno nem tanto, porque não tem procura, não tem tanta gente, tanto turista. Mas a gente está aqui o tempo todo e vê que tem muito lixo, tanto no mar quanto na praia”, diz a bióloga marinha Camila Thiesen Rigon.

O que tem chamado a atenção dos pesquisadores é que a maioria dos pinguins encontrados mortos tem algum tipo de lixo no estômago, como plástico por exemplo. No ano passado, uma pesquisa constatou que 43% desses animais tinha consumido lixo. Este ano, o número passou dos 50%.

“Teve o caso de um pinguim que estava com canudo no esôfago.  Quando abrimos o estômago, não encontramos nenhum resíduo alimentar. Nem de peixe e nem de cefalópodes, que são as lulas, o que normalmente é o alimento deles. Provavelmente esse canudo estava impedindo o animal de se alimentar”, lamenta a bióloga Angélica Alves de Paula.

Confira a reportagem da RBS TV:



Fonte: G1 RS


Ilha Porchat recebe a 49ª Ação Voluntária EcoFaxina neste domingo

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21/08/2014 

Voluntários do Instituto EcoFaxina retornam à ilha Porchat neste domingo (24) para mais uma ação voluntária de limpeza e conscientização ambiental. O objetivo é recolher o lixo presente na mata das encostas e também no costão rochoso, bem como conscientizar moradores e skatistas sobre os impactos da poluição marinha.

Voluntário contempla a linda vista da praia do Itararé durante ação realizada na ilha Porchat em dezembro de 2013. Foto: William R. Schepis / Instituto EcoFaxina
Voluntário contempla a linda vista da praia do Itararé durante ação realizada em 2013 na ilha Porchat.

A negligência com o lixo tem sido uma das principais causas da elevação do número de mortes de tartarugas marinhas no litoral brasileiro. Em 2010, um levantamento do Projeto Tamar apontou que no período entre janeiro e agosto daquele ano, mais de 44% das tartarugas necropsiadas pela equipe no litoral dos estados do Ceará, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina morreram por causa da ingestão de lixo. Das 192 tartarugas mortas, 80 tinham objetos em seu trato digestivo (estômago), principalmente o plástico, que compõe mais de 80% do lixo marinho, e em algumas regiões, mais de 90%. Não é por acaso que virou rotina tartaruga confundir sacola plástica com alga.

Segundo William Schepis, fundador da ONG, grande parte do lixo acumulado no costão rochoso da ilha é proveniente de favelas de palafitas existentes nos municípios de São Vicente, Santos e Cubatão. “Quando a maré enche, o lixo acumulado nos manguezais boia e é transportado por correntezas”, explica o biólogo marinho, lembrando que o lixo, principalmente o plástico, também é responsável pela morte de milhares de animais marinhos, colocando em risco o ecossistema da região, já bastante prejudicado".

Vídeo: Trote Ecológico Unisanta 2011 - Ilha Porchat

Atualmente, cerca de 260 espécies da fauna marinha são afetadas pelo lixo descartado, com aproximadamente 80% dos resíduos provenientes de áreas terrestres. O habitat marinho virou um enorme lixão que recebe toneladas de resíduos. Ambientalistas estimam que 14 bilhões de quilos de lixos sejam descartados todos os anos nos oceanos, destino final de todo o nosso lixo.
 
EcoBoarders

Em parceria com a Associação de Carveboard das Ilhas Porchat e São Vicente (Ascarvi-PSV), será promovido o 1º Encontro EcoBoarders - Família Tradição Ilha Porchat, com o objetivo de envolver na ação cerca de 30 skatistas da região, conscientizando sobre a importância de pequenos atos que fazem a diferença para o meio ambiente, como carregar o lixo até a lixeira mais próxima.

Skatistas de todas as idades costumam praticar o esporte diariamente nas ladeiras da ilha Porchat. Foto: William R. Schepis / Instituto EcoFaxina
Skatistas de todas as idades praticam o esporte diariamente nas ladeiras da ilha Porchat. 

"Tem tudo a ver essa integração entre esporte e meio ambiente. A inclusão dos nossos skatistas nesse processo de conscientização é muito importante, pois eles serão grandes multiplicadores dessa consciência na região", explica Leonardo Branco, presidente da Ascarvi-PSV. "O encontro servirá também para a Ascarvi fortalecer o projeto Meu Quintal, que visa a sensibilização ambiental e o envolvimento de moradores e atletas na preservação da Ilha Porchat." completou Leonardo.

Cartaz 49ª Ação Voluntária EcoFaxina - Ilha Porchat49ª Ação Voluntária EcoFaxina - Ilha Porchat

Save the date: domingo, 24/08, das 9 às 15 horas.
Ponto de encontro: às 9 horas no final da alameda Paulo Gonçalves.
O que levar: mochila com protetor solar, repelente, lanche, água e câmera fotográfica. Aconselhamos o uso de tênis e roupas leves.

Imagem de satélite da ilha Porchat indicando o ponto de encontro da ação. Fonte: Google Maps
Imagem de satélite da ilha Porchat indicando o ponto de encontro da ação.

O Instituto 

O Instituto EcoFaxina foi criado em 2008 na cidade de Santos, e desde então retirou 28,7 toneladas de lixo de áreas naturais da Baixada Santista. Esta será a quinta ação voluntária na ilha Porchat. Somando as quatro anteriores, foram retirados 1.353 quilos de lixo da ilha.

Para saber mais sobre o Instituto EcoFaxina, viste o blog ou a fanpage da ONG no Facebook.


Moscas varejeiras carregam alta porcentagem de bactérias que causam doenças em humanos

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19/08/2014 

Estudo verificou que 30% dos microrganismos encontrados nos insetos podem causar doenças, como peste bubônica, gastrite, úlcera e câncer de estômago. CC
Estudo verificou que 30% dos microrganismos encontrados nos insetos podem causar doenças, como peste bubônica, gastrite, úlcera e câncer de estômago. 

Cerca de 30% dos microrganismos encontrados em moscas varejeiras são capazes de causar doenças em seres humanos, revelou um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da PennState University, dos Estados Unidos, e da Nanyang Technological University, de Cingapura.

Entre as bactérias encontradas nos corpos dos insetos estavam a Yersinia pestis, causadora da peste bubônica, a Helicobacter pylori, associada ao surgimento de gastrite, úlcera e câncer de estômago, e diversas espécies que podem provocar gastroenterite, pneumonia e infecções urinárias.

Os dados foram apresentados por Ana Carolina Martins Junqueira, pesquisadora do Singapore Centre on Environmental Life Sciences Engineering (Scelse), de Cingapura, durante o evento “Advanced Topics in Genomics and Cell Biology”, realizado entre os dias 4 e 6 de agosto na Unicamp.

“Todo mundo sabe que moscas são insetos sujos, mas o índice de bactérias patogênicas foi tão alto que ficamos assustados. É o microbioma mais patogênico já descrito. Vamos iniciar agora alguns experimentos para descobrir se elas apenas transportam os microrganismos ou se podem, de fato, transmitir essas doenças para as pessoas ao pousar na comida, por exemplo”, contou Junqueira.

Os cientistas analisaram a microbiota encontrada no corpo de 127 moscas, de 19 espécies que costumam ser atraídas por matéria orgânica em decomposição. Os insetos foram coletados em 12 locais diferentes do Brasil e dos Estados Unidos durante o pós-doutorado de Junqueira – realizado na Unicamp com apoio da FAPESP.

Nos arredores de Campinas, a coleta foi feita em um hospital público, um mercado de comidas, um parque de área urbana e um lixão. Também foram realizadas coletas em uma reserva natural da Floresta Amazônica e em seis estábulos de diferentes espécies de animais criados no campus da PennState University, em University Park, Pennsylvania. Uma linhagem foi mantida em um laboratório do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG/Unicamp) como controle.

Originalmente, contou Junqueira, o objetivo do projeto era sequenciar o genoma mitocondrial de 20 espécies de moscas pertencentes à ordem Diptera, bem como estudar a evolução desses insetos com auxílio de plataformas de sequenciamento de nova geração.

“No início, tive certa dificuldade para sequenciar determinados fragmentos do genoma. Posteriormente, conheci Stephan Schuster, na época professor da PennState University, que se interessou pelo trabalho e decidiu colaborar”, contou Junqueira.

Schuster propôs que a melhor maneira de mapear o genoma mitocondrial seria sequenciar tudo que havia nas moscas coletadas, inclusive a microbiota por elas transportada, e depois filtrar os genomas associados (metagenoma) durante a etapa de análise dos dados. “Primeiro sequenciamos apenas a cabeça, depois o tórax, o abdômen e, por último, patas e asas”, contou a pesquisadora.

Após terminar o pós-doutorado, Junqueira trabalhou com Schuster nos Estados Unidos para fazer a análise do metagenoma. Para isso, foi necessário desenvolver novas técnicas, de modo a otimizar o tratamento e a categorização do imenso volume de dados gerados pelos métodos de sequenciamento de nova geração.

“Por meio de análises estatísticas dos microrganismos encontrados, foi possível separar as moscas de ambiente urbano, as da Amazônia, as de ambiente rural e as de laboratório. Isso mostra que o ambiente tem um peso muito maior na modulação do microbioma do que a espécie em si”, disse Junqueira.

De acordo com a pesquisadora, o número de patógenos encontrados nas moscas de ambientes urbanos foi muito maior que nas demais, provavelmente porque nesse ambiente há maior quantidade disponível de lixo e de matéria orgânica em decomposição.

“O grande problema é que esses insetos comutam facilmente entre um ambiente sujo, como um lixão, e o churrasco das nossas casas. Nas moscas coletadas dentro do hospital, por exemplo, encontramos bactérias responsáveis por dois terços das infecções hospitalares do mundo”, disse Junqueira.

Além das bactérias patogênicas para humanos, acrescentou a pesquisadora, também foram encontradas espécies que podem causar doenças em animais e em plantas.

“Defendemos a hipótese de que esse tipo de inseto pode ser usado como sensor ambiental e ajudar a predizer surtos, principalmente em regiões de fronteira, portos, aeroportos. Poderíamos monitorar a contaminação dos ambientes por meio da análise do microbioma das moscas”, afirmou a pesquisadora.

Aedes

Atualmente no Singapore Centre on Environmental Life Sciences Engineering, Schuster e Junqueira estão usando a mesma abordagem criada no estudo com moscas varejeiras para investigar o microbioma do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

“O objetivo é ver se há diferença entre os microrganismos encontrados em mosquitos infectados pelo vírus da dengue e os não infectados. O estudo ainda está no começo e, por enquanto, só trabalhamos com espécimes de laboratório. Mas já vimos diferenças entre as bactérias existentes nesses dois grupos”, explicou a pesquisadora.

No futuro, os cientistas pretendem investigar a possibilidade de inibir a infecção do mosquito pelo vírus por meio da modulação do microbioma existente em seu corpo.

Paralalelamente, Junqueira também colabora com pesquisadores do Laboratório de Genética e Evolução Animal do CBMEG/Unicamp, liderado pela professora Ana Maria Lima de Azeredo-Espin. O grupo analisa microRNAs de diferentes espécies de moscas varejeiras e pragas da pecuária para tentar entender a regulação de genes envolvidos no hábito alimentar desses insetos, com o apoio da FAPESP.

“O estudo poderá gerar dados a respeito de fatores genéticos das moscas que estão associados à atração por matéria orgânica em decomposição ou tecidos vivos, além de proporcionar dados fundamentais para o estudo da interação hospedeiro-microbioma”, contou Junqueira. 


Fonte: Agência Fapesp


Estudo alerta para concentração de mercúrio nos oceanos

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14/08/2014 

Grupo internacional de pesquisadores conclui que as águas a menos de 100 metros de profundidade apresentam hoje três vezes mais mercúrio do que antes da Revolução Industrial.

Uma bomba McLane sendo lançada pelo navio de pesquisas R/V Thompson durante o cruzeiro GEOTRACES, no Pacífico oeste em 2013, ajudaram os pesquisadores na coleta de pequenas partículas de matéria orgânica em que o mercúrio se fixa e afunda em profundidades intermediárias (100 a 1.000 metros) no oceano. Foto: Brett Longworth / WHOI
Uma bomba McLane sendo lançada pelo navio de pesquisas R/V Thompson durante o cruzeiro GEOTRACES, no Pacífico Oeste em 2013, que ajudou os pesquisadores na coleta de pequenas partículas de matéria orgânica em que o mercúrio se fixa e afunda em profundidades intermediárias (100 a 1.000 metros) no oceano. Foto: Brett Longworth / WHOI

Um novo estudo publicado na mais recente edição da revista Nature divulgou os primeiros cálculos sobre a concentração do mercúrio – um elemento prejudicial à saúde humana – no oceano global.

O trabalho foi feito com base em informações obtidas em 12 viagens de navio para a amostragem da água do mar nos Oceanos Atlântico (norte e sul) e Pacífico durante os últimos oito anos.

Os resultados das análises foram muito condizentes com outros modelos (não mensurações, como neste caso) usados anteriormente para a estimativa da poluição do oceano por mercúrio: entre 60 mil e 80 mil toneladas. Os maiores níveis foram encontrados no norte do Oceano Atlântico e no Ártico.

Os pesquisadores - um grupo internacional formado por cientistas da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI), da Universidade Estadual Wright, do Observatório Midi-Pyrénées e do Instituto Real da Holanda para Pesquisas Marinhas (NIOZ) - concluíram que as águas a menos de 100 metros de profundidade apresentaram o triplo de mercúrio do que na época da Revolução Industrial e que o oceano como um todo teve um aumento de cerca de 10% na concentração no mesmo período.

A unidade CTD (condutividade, temperatura, profundidade) é baixada pelo navio de pesquisas durante o cruzeiro GEOTRACES no Atlântico Norte em 2011. Dados e amostras de água coletadas durante o cruzeiro contribuíram para o estudo sobre o mercúrio no oceano global liderado por Carl Lamborg. Foto: Brett Longworth / WHOI
A unidade CTD (condutividade, temperatura, profundidade) sendo lançada pelo navio de pesquisas  R/V Knorr durante o cruzeiro GEOTRACES no Atlântico Norte, em 2011. Dados e amostras de água coletadas durante o cruzeiro contribuíram para o estudo sobre o mercúrio no oceano global liderado por Carl Lamborg. Foto: Brett Longworth / WHOI

“O problema é que não sabemos o que isso tudo significa para os peixes e os mamíferos marinhos. Provavelmente significa que alguns peixes têm ao menos três vezes mais mercúrio do que há 150 anos, mas pode ser mais. O essencial é que agora temos números sólidos sobre os quais basear a continuidade dos trabalhos”, alertou o químico marinho Carl Lamborg, do WHOI.

 “Com o incremento que vimos no passado recente, os próximos 50 anos podem muito bem adicionar a mesma quantidade que vimos nos últimos 150 anos”, completou.

Considerando as dificuldades de distinção entre as causas naturais e antropogênicas, os pesquisadores decidiram começar avaliando os dados de uma substância com comportamento similar ao mercúrio, mas que é melhor estudada, o fosfato.

Ao considerar o padrão de circulação oceânica e determinar a proporção do fosfato e do mercúrio em águas profundas, a mais de um quilômetro, que não tiveram contato com a atmosfera desde a Revolução Industrial, o grupo conseguiu estimar o mercúrio que estava no oceano e provem de fontes naturais, segundo o WHOI.

Para determinar a influência humana em águas mais superficiais, o grupo usou como um tipo de ‘rastreador’ o dióxido de carbono, substância que pode ser relacionada às principais atividades que liberam o mercúrio no ambiente, e que é muito bem estudada. Assim, os pesquisadores elaboraram um índice relacionando ambos os elementos.

Dr. Carl Lamborg (à esquerda), principal autor de um artigo recente na revista Nature estima a quantidade de mercúrio natural e derivado da poluição dos oceano, com a sua chefe de laboratório, Gretchen Swarr, que também é co-autora do artigo. Foto: Ken Kostel / WHOI
Dr. Carl Lamborg (à esquerda), autor de um artigo recente na revista Nature estima a quantidade de mercúrio natural e derivado da poluição dos oceano, com a sua chefe de laboratório, Gretchen Swarr, que também é co-autora do artigo. Foto: Ken Kostel / WHOI

"Por enquanto, não é possível olhar para uma amostra de água e diferenciar entre o mercúrio que veio da poluição e aquele de fontes naturais. Agora, ao menos temos uma forma de separar grande parte das contribuições de fontes naturais e humanas ao longo do tempo”, explicou Lamborg.

As estimativas de biodisponibilidade do mercúrio, a forma que ele pode ser absorvido por animais e humanos, têm um papel importante em tudo, desde a elaborações de tratados internacionais para controlar a liberação desse elemento, até o estabelecimento de políticas públicas para alertar sobre o consumo de frutos do mar.

“Ninguém antes tentou realizar um panorama mais abrangente de todos os oceanos e ter uma estimativa do total de mercúrio na superfície e de parte das águas profundas”, afirmou David Streets, cientista do Laboratório Nacional Argonne (Estados Unidos) que não estava envolvido no estudo, à Nature.

O mercúrio – que ocorre naturalmente, mas também é um sub-produto de diversas atividades humanas como a queima do carvão, a mineração e a fabricação de cimento – é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos dez principais químicos de maior preocupação para a saúde pública.

Segundo a OMS, a intoxicação por mercúrio pode causar deficiências em fetos e em recém-nascidos, e ter efeitos sobre os sistemas nervoso, digestivo e imune, além dos pulmões, rins, pele e olhos.

A principal forma de contaminação humana pelo mercúrio é o consumo de frutos do mar, pois, ao entrar na cadeia alimentar marinha, ele se acumula nos animais de forma crescente, de acordo com o aumento do nível trófico.

Em 2010, avaliações de várias espécies de atum comprovaram que todas excederam ou se aproximaram dos níveis de mercúrio permitido pela OMS. Ou seja, apesar de variar dependendo da espécie, o atum, tão elogiado por suas propriedades saudáveis, na verdade também pode trazer riscos consideráveis.


Fonte: Instituto CarbonoBrasil


Microchips em abelhas podem fornecer pistas sobre o colapso das colônias

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12/08/2014 

A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil. Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”. 

Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax. Foto: Vale/CSIRO
Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax. Foto: Vale/CSIRO

O desaparecimento das fabricantes de mel preocupa não só pela ameaça à existência desse produto, mas também porque as abelhas têm chamado a atenção principalmente pelo importante papel que representam na produção de alimentos. Não é para menos. Elas são responsáveis por 70% da polinização dos vegetais consumidos no mundo ao transportar o pólen de uma flor para outra, que resulta na fecundação das flores.

Leia também: Cientistas descobrem o que está matando as abelhas, e é mais grave do que se pensava 

Algumas culturas, como as amêndoas produzidas e exportadas para o mundo inteiro pelos Estados Unidos, dependem exclusivamente desses insetos na polinização e produção de frutos. A maçã, o melão e a castanha-do-pará, para citar alguns exemplos, também são dependentes de polinizadores.

Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo.

Além de pesticidas, outros fatores, como mudanças climáticas com maior ocorrência de eventos extremos, infestação por um ácaro que se alimenta da hemolinfa (correspondente ao sangue de invertebrados) das abelhas, monoculturas que fornecem pouco pólen como milho e trigo e até técnicas para aumentar a produção de mel, podem ser responsáveis pelo fenômeno conhecido como Distúrbio do Colapso de Colônias (CCD, na sigla em inglês), que provoca a desorientação espacial desses insetos e morte fora das colmeias. O distúrbio já provocou a morte de 35% das abelhas criadas em cativeiro nos Estados Unidos.

Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada (abelhas com ferrão resultantes de variedades europeias e africanas) para avaliação do seu comportamento sob a influência de pesticidas e de eventos climáticos. Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil.

As abelhas são um dos principais polinizadores das flores e plantas, até um terço da comida que ingerimos depende da polinização. Foto: Vale/CSIRO
As abelhas são um dos principais polinizadores das flores e plantas, até um terço da comida que ingerimos depende da polinização. Foto: Vale/CSIRO

No estado australiano da Tasmânia, ilha ao sul do continente da Oceania, será feito um estudo comparativo com 10 mil abelhas para avaliar como elas reagem quando expostas a pesticidas. Para isso, duas colmeias foram colocadas em contato com pólen contaminado e outras duas não. “Se for notada qualquer alteração no comportamento dos insetos expostos ao pesticida, como incapacidade de voltar para a colmeia, desorientação ou mesmo morte precoce, o produto passará a ser o principal suspeito do distúrbio de colapso de colônias”, diz o físico Paulo de Souza, coordenador da pesquisa e professor visitante do ITV.

O projeto foi iniciado em setembro do ano passado e seu término está previsto para abril de 2015, com a divulgação dos resultados no segundo semestre. “A principal razão para a escolha da Tasmânia é que se trata de um ambiente distinto, onde não há poluição e metade do território é composta por florestas”, diz Souza, que também é professor da Universidade da Tasmânia.

Como as melíferas australianas pesam em torno de 105 miligramas, o sensor representa cerca de 5% do seu peso. Já as abelhas da mesma espécie que vivem no Brasil pesam cerca de 70 miligramas – o que levou os pesquisadores a fazerem testes em túneis de vento para avaliar se o sensor poderia ter influência sobre a sua capacidade de voo. “Avaliamos a batida das asas e a inclinação do corpo em abelhas com o sensor e sem ele, e verificamos que não houve alteração na capacidade de voar”, diz Souza.


A parte do experimento que está sendo feita no Brasil tem como foco inicial o monitoramento de 400 abelhas durante três meses para avaliar em que medida as mudanças do clima, principalmente a alteração do regime de chuvas na Amazônia, afetam os insetos.

“Não sabemos como elas vão se comportar diante das projeções de aumento da temperatura e de alterações no clima devido ao aquecimento global”, diz Souza. Os estudos estão sendo feitos em um apiário no município de Santa Bárbara do Pará, próximo a Belém.

Clique aqui para ler a reportagem completa


Fonte: Agência Fapesp


Empresas irão escavar o leito oceânico em busca de minerais

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05/08/2014 

As perspectivas de uma "corrida do ouro" nas profundezas do mar, abrindo um polêmico caminho para a mineração no leito oceânico, estão mais próximas. 

A ONU acaba de publicar seu primeiro plano para o gerenciamento da extração dos chamados "nódulos" - pequenas rochas ricas em minerais - do fundo do mar.

Lançamento de um Veículo Operado Remotamente (ROV, na sigla em inglês) do deck de um navio. Estes ROVs são utilizados para exploração e amostragem. Cortesia: Nautilus Minerals
Lançamento de um Veículo Operado Remotamente (ROV, na sigla em inglês) do deck de um navio. Estes ROVs são utilizados para exploração e amostragem. Cortesia: Nautilus Minerals

Um estudo técnico promovido pela Autoridade Internacional do Leito Oceânico (ISA, na sigla em inglês), o órgão da ONU que controla a mineração nos oceanos, diz que as companhias interessadas podem pedir licenças a partir de 2016.

A ideia de explorar ouro, cobre, manganês, cobalto e outros metais do leito oceânico foi considerada por décadas, mas só recentemente se tornou factível, por conta do alto preço dos minerais e metais e de tecnologias mais modernas de exploração.

De acordo com a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, a ISA foi estabelecida para estimular e administrar a mineração do fundo do mar para o benefício mais amplo da humanidade - com uma parcela dos lucros dirigida para os países em desenvolvimento.

Agora o órgão está dando o passo significativo de não só mais simplesmente manejar pedidos para exploração mineral, mas também considerar como licenciar as primeiras operações reais de mineração e como dividir as receitas.

"Estamos à beira de uma nova era de mineração do leito marinho profundo", disse o conselheiro legal do ISA, Michael Lodge.

Minerais no fundo do mar

Especialistas em proteção ambiental vêm advertindo há tempos que a mineração no leito oceânico pode ser altamente destrutiva e poderia ter consequências de longo prazo desastrosas para a vida marinha.

A ilustração mostra o processo de mineração do leito marinho pela empresa Nautilus Minerals. Imagem cortesia.
A ilustração mostra o processo de mineração do leito marinho pela empresa Nautilus Minerals.

O próprio estudo da ONU reconhece que a mineração provocará "danos ambientais inevitáveis".

Mas o relatório foi divulgado em meio ao que um porta-voz do órgão descreve como "um aumento sem precedentes" no interesse das companhias estatais e privadas.

Funcionários da Soil Machine Dynamics trabalhando em uma máquina de mineração submarina construída para a Nautilus Minerals, em Wallsend, Inglaterra. Crédito: Nigel Roddis / Reuters
Funcionários da Soil Machine Dynamics trabalhando em uma máquina de mineração submarina construída para a Nautilus Minerals, em Wallsend, Inglaterra. Crédito: Nigel Roddis / Reuters

O número de licenças emitidas para a busca de minerais já chega a 17, com outras sete prestes a serem emitidas e muitas mais em análise. Elas cobrem vastas áreas dos Oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.

A atração é óbvia. Uma análise do leste do Pacífico - uma área de 5 milhões de quilômetros quadrados conhecida como zona Clarion-Clipperton - concluiu que mais de 27 bilhões de toneladas de nódulos poderiam estar misturadas à areia.

Essas pedras poderiam conter 7 bilhões de toneladas de manganês, 340 milhões de toneladas de níquel, 290 milhões de toneladas de cobre e 78 milhões de toneladas de cobalto - apesar de ainda não se saber o quanto disso é acessível.

No mês passado, geólogos japoneses encontraram o que afirmam ser um tesouro de terras raras no oceano, mas dentro do mar territorial do país, fora do alcance da ISA.

O grande desafio da mineração marinha será combinar interesses privados com recursos que devem ser compartilhados por toda a humanidade.

Mineração marinha e meio ambiente

As perspectivas da mineração no fundo do mar já geraram um forte debate entre cientistas marinhos.

"Não creio que nós tenhamos a propriedade sobre o oceano profundo, no sentido de que possamos fazer o que quisermos com ele", afirma Jon Copley, biólogo da Universidade de Southampton e chefe de missão do navio de pesquisas britânico James Cook.

"Em vez disso, nós dividimos a responsabilidade por sua condução", diz. "Nós não temos um histórico bom em alcançar um balanço em nenhum outro lugar - pense nas florestas tropicais -, então a questão é: 'Será que conseguiríamos acertar?", questiona.

O também biólogo Paul Tyler, do Centro Nacional Oceanográfico, da Grã-Bretanha, adverte de que espécies únicas podem ser colocadas em risco.

"Se você limpa aquela área pela mineração, aqueles animais terão que fazer uma dessas duas coisas: ou se dispersam e colonizam outra fissura hidrotermal em outro lugar ou eles morrem", comenta. "E o que acontece quando elas morrem é que a fissura se torna biologicamente extinta."

A química marinha Rachel Mills, da Universidade de Southampton, sugere um debate mais amplo sobre a mineração em geral, com o argumento de que todos nós usamos minerais e que as minas em terra são muito maiores do que seria qualquer uma no leito do mar.

Ela fez pesquisas para a Nautilus Minerals, uma empresa canadense que planeja explorar minas nas fissuras hidrotermais na costa da Papua Nova Guiné.

"Tudo o que nos cerca, e a maneira como vivemos, depende de fontes minerais, mas não nos perguntamos com frequência de onde eles veem." "Precisamos nos perguntar se há mineração sustentável em terra e se há mineração sustentável no mar. Acho que são as mesmas questões morais que devemos colocar se é nos Andes ou no Mar de Bismarck", diz.

Esse debate deve crescer mais com a proximidade cada vez maior do início das operações de mineração.

Mineração marinha no Brasil

No Brasil, a mineração marinha será realizada na exploração de crostas cobaltíferas na Elevação do Rio Grande.

Elevação do Rio Grande (destaque em vermelho). Imagem cortesia da Marinha do Brasil
Elevação do Rio Grande (destaque em vermelho). Imagem cortesia da Marinha do Brasil

A Coordenação da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), apresentou um Plano de Trabalho, resultado de mais de quatro anos de estudos desenvolvidos no Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (PROAREA), com intensa cooperação dos setores técnicos e políticos envolvidos, como o Serviço Geológico do Brasil, o Ministério das Minas e Energia, o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério das Relações Exteriores.

Esse Plano vai assegurar ao Brasil o direito exclusivo de exploração da área requisitada por, pelo menos, quinze anos, ampliando o espaço do País como ator no cenário político-estratégico dessa região de interesse. Acresce, ainda, importante contribuição para as pesquisas no Atlântico Sul e o nosso desenvolvimento socioeconômico. 

As atividades de pesquisa relacionadas à geologia e biologia marinha em áreas internacionais ganharam prioridade no País a partir de 2009, com a criação do PROAREA no âmbito da CIRM, que tem como propósito a identificação e avaliação da potencialidade mineral de áreas com importância econômica e político-estratégica localizadas na Área, por meio do desenvolvimento de tecnologia de ponta, da geração de empregos e qualificação de recursos humanos.

Como exemplo dessa sinergia, podemos citar que mais de sessenta estudantes e pesquisadores de diferentes instituições e áreas científicas como geologia, biologia e geofísica contribuíram para a construção do Plano de Trabalho.

Além das crostas ricas em cobalto, as pesquisas na Elevação do Rio Grande também constataram a ocorrência de outros minérios, como níquel, platina, manganês e terras raras que possuem relevante potencial científico e econômico.


Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br e Marinha do Brasil