Detritos plásticos são atualmente os itens mais frequentes no estômago da pescada-amarela

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18/08/2016 

Estuários tropicais estão entre os ambientes aquáticos mais produtivos do planeta, e suportam uma produção pesqueira de importância econômica e social. No entanto, a crescente pressão antrópica vem provocando diversas modificações das funções naturais dos estuários. 

Pesquisadores da UFPE analisam conteúdo gastrointestinal da pescada-amarela Pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Gerenciamento de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisaram o trato digestivo da pescada-amarela (Cynoscion acoupa) no Estuário do Rio Goiana em Pernambuco, que faz parte da Reserva Extrativista Acaú-Goiana. O item que apareceu com maior frequência, em todas as fases de vida foram os resíduos plásticos: 64,4% dos juvenis, 50% dos sub-adultos e 100% dos adultos tinham resíduo plástico em seus estômagos.

A ingestão de resíduos plásticos pela ictiofauna é recorrente em sistemas estuarinos devido à abundância deste contaminante nestas áreas, associada a condições ambientais como turbidez da água, hidrodinâmica do estuário, transferência pela cadeia trófica, entre outros fatores. Espécies que pertencem a família Sciaenidae frequentemente utilizam os estuários em seu ciclo de vida. Elas desovam no mar e utilizam o ambiente estuarino como criadouro de larvas, juvenis e sub-adultos, podendo permanecer, sob condições favoráveis, no estuário o ano todo. Estas espécies sofrem com as ações antrópicas durante praticamente todo seu ciclo de vida. Dentre os detritos encontrados, 97% deles eram filamentos de plástico de aproximadamente 5 milímetros. Vale ressaltar que esta espécie possui ampla distribuição pelo litoral brasileiro, representando um importante recurso pesqueiro que deve ser preservado. Estudos desta natureza revelam como a intensa ação antrópica interfere na cadeia trófica de diversos organismos direta ou indiretamente.

Para ler o artigo completo clique aqui.
Fonte: ObservaSC


Sete dias sem tratores nas praias de São Vicente

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21/06/2016 - Por William Rodriguez Schepis 

A solução de um problema social tem início quando a sociedade reconhece o problema. 

São Vicente passa por uma grave crise administrativa, apresenta problemas de infraestrutura, segurança, saúde, educação e claro, problemas ambientais. Ironicamente, sua má administração serviu para tornar evidente à população o real quadro da poluição marinha no estuário de Santos.

Com a interrupção da limpeza das praias, o lixo trazido pelas ondas se acumulou na faixa de areia da praia do Itararé, em São Vicente
Com a interrupção da limpeza das praias, o lixo trazido por marés e ondas se acumulou na faixa de areia da praia do Itararé, em São Vicente

Funcionários da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi) entraram em greve no dia 8 de junho, paralisando a coleta de lixo na cidade, o que na Baixada Santista inclui garis e tratores para recolhimento de lixo que o mar despeja diariamente na faixa de areia das praias. Resultado, frequentadores e repórteres começaram a se manifestar sobre o lixo acumulado nas praias de São Vicente.





No último sábado (18)  estivemos bem cedo na praia do Itararé para qualificar os resíduos presentes na preamar da faixa de areia, e assim identificarmos as fontes poluidoras. Não foi surpresa constatarmos que mais de 90% dos resíduos tinham origem domiciliar, provenientes do descarte em áreas de mangue invadidas por favelas de palafitas nos municípios de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá, que margeiam o estuário de Santos.

Logo após a análise dos resíduos, acompanhamos o trabalho de coleta realizado por trabalhadores da Codesavi, que voltaram de greve assim que a prefeitura realizou o pagamento dos salário atrasados.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.

O lixo descartado no mangue polui o mar.


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Para combatermos a poluição marinha em nossa região, é de suma importância que a sociedade compreenda que o lixo acumulado nas praias de São Vicente não é resultado da greve dos trabalhadores da Codesavi, não é resultado somente da má gestão do prefeito Bili, não é culpa dos "paulistas" (como muitos moradores se referem aos turistas) e também não é culpa dos navios que atracam no porto de Santos. É resultado de décadas de falta de vontade política para resolver o problema das submoradias em áreas de preservação permanente nas periferias das cidades. É resultado do pífio investimento em políticas habitacionais condizentes com a absurda realidade socioambiental onde milhares de famílias vivem em áreas insalubres e de vulnerabilidade social. Mas sobretudo, é resultado de décadas de descaso, de falta de amor e respeito ao próximo e à natureza.

Todo o lixo gerado pelas palafitas é descartado no manguezal, assim como o esgoto, o óleo de cozinha e a água utilizada em máquinas de lavar roupa.
Todo tipo de resíduo é descartado no manguezal, embalagens e sacolas plásticas, móveis, eletroeletrônicos, remédios, bem como esgoto, óleo de cozinha e água das máquinas de lavar roupa. 

Dona Maria, mãe de 17 filhos, dos quais 12 sobreviveram, tem 55 netos e 6 bisnetos. Ao todo, 73 descendentes, dos quais 22 moram com ela em uma palafita de 30 metros quadrados, em Santos.

Claro, existem outras fontes de poluição marinha em nossa região, que juntas correspondem a cerca de 20% dos resíduos coletados em nossas ações voluntárias, realizadas em diversas praias da região. Essas fontes estão relacionadas sobretudo às atividades pesqueiras e ao consumo de comida, bebida e cigarro nas praias. Para esses casos, necessitamos urgentemente de políticas públicas voltadas para educação, fiscalização e punição.

#MangueFazADiferença #PorUmMarSemLixo

Desde sua fundação em 2008, o Instituto EcoFaxina busca alertar governo, imprensa e sociedade sobre o problema da poluição marinha no estuário de Santos, que possui principal fonte de resíduos as favelas de palafitas. Como entidade do terceiro setor, entendemos que nosso principal parceiro deva ser o ente público, responsável direto pelas questões ambientais no município. Mantemos diálogo permanente com diversos órgãos públicos municipais, buscando apoio sobretudo para a implementação de uma frente de trabalho formada por jovens desempregados moradores de palafitas para o trabalho diário de limpeza, reciclagem e reflorestamento de áreas degradas de mangue na Zona Noroeste de Santos.

Jovem coleta garrafas pet em manguezal de Santos. O pet sujo coletado no mangue possui tem valor quando não beneficiado. Desde 2009, muitos jovens da região torcem para que ocorra a parceria entre a Prefeitura de Santos e o Instituto EcoFaxina, o que para eles significará um trabalho com melhores condições de segurança e aumento na geração de renda.

O diálogo com a Prefeitura de Santos teve inicio na gestão (2008 - 2012) do prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB), hoje deputado federal pelo PSDB, com a elaboração em 2009 do Projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos, no qual o governo municipal realiza a cessão de uma área próxima à margem do rio dos Bugres para a construção de um galpão por meio de parcerias entre o Instituto EcoFaxina e a iniciativa privada.

Durante a gestão Papa, o projeto quase saiu do papel, chegando a ser anunciado à imprensa pelo então secretário do meio ambiente, Flávio Rodrigues Correia, que comandou a Semam de 2005 à 2010, sendo substituído por Fábio Alexandre de Araújo Nunes, o professor Fabião, biólogo, ambientalista, e até então vereador e "padrinho" do Instituto EcoFaxina, exercendo fundamental apoio para o início de nossas atividades. Hoje é secretário de cultura de Santos e nosso conselheiro estatutário e associado benemérito.

Professor Fabião posa para foto com crianças da comunidade durante ação voluntária em manguezal de Santos.

No segundo semestre de 2011, fomos procurados pela equipe de campanha do atual prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) para contribuirmos na elaboração de seu plano de governo para a área ambiental. Participamos de diversas reuniões em que discutimos, sobretudo, a questão da poluição marinha, onde apresentamos o projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos, que já se encontrava na Semam como um processo administrativo da prefeitura. O projeto entraria como prioridade no plano de cem dias de governo, sendo firmada uma parceria entre a prefeitura de Santos e o Instituto EcoFaxina, possibilitando a sua implantação, e contemplando parte das metas ambientais do projeto Santos Novos Tempos.

Rogério Custódio, chefe do Departamento de Assuntos Legislativos, William Rodriguez Schepis, diretor-presidente do Instituto EcoFaxina, Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos e Kenny Mendes, vereador de Santos, durante reunião ocorrida em março de 2015 para tratar da implantação do Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos.
Rogério Custódio, chefe do Departamento de Assuntos Legislativos, William Rodriguez Schepis, diretor-presidente do Instituto EcoFaxina, Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos e Kenny Mendes, vereador de Santos, durante reunião ocorrida em março de 2015 para tratar da implantação do Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos.

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa, o líder comunitário André Ribeiro e o diretor-presidente William Rodriguez Schepis durante visita ao canteiro de obras do projeto Santos Novos Tempos.
O prefeito Paulo Alexandre Barbosa, o líder comunitário André Ribeiro e o diretor-presidente William Rodriguez Schepis durante visita ao canteiro de obras do projeto Santos Novos Tempos.

Apesar da vontade do prefeito, que se mostrou preocupado com a pauta durante algumas reuniões que tivemos nos últimos quatro anos, a Secretaria do Meio Ambiente passou por diversas transições de comando, o que atrasou o andamento interno do processo, tendo à frente o advogado Luciano Cascione, o advogado e biólogo Luciano Pereira de Souza, a arquiteta Marise Céspede Tavolaro, e conta desde setembro de 2015 com a também arquiteta, Débora Branco Bastos Dias, com quem o processo avançou bastante, e conseguimos finalizar a minuta do Termo de Cooperação Técnica neste semestre, que deverá seguir agora para parecer da Procuradoria e posterior encaminhamento ao Gabinete do Prefeito.

Somente através da limpeza e do reflorestamento de áreas degradadas de mangue poderemos juntos congelar o avanço das invasões, educar e diminuir gradualmente o aporte de lixo no mar e nas praias da região.

Enormes quantidades de plástico se acumulam em costões rochosos da região.
Enormes quantidades de plástico se acumulam em costões rochosos da região.

Plástico e propágulos de mangue, em comum a mesma origem.
Plástico e propágulos de mangue, em comum a mesma origem.

Câmara Municipal

O Instituto EcoFaxina atua também junto aos vereadores, e tem conseguido apoio sobretudo do vereador Kenny Mendes (PSDB) que criou um projeto de Lei de Utilidade Pública, sancionada pelo prefeito , projeto de Lei que multa quem descarta lixo em áreas públicas, e projeto de Lei para a compra de ecobarreiras, para serem utilizadas no projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos. O Instituto EcoFaxina vem recebendo diversos votos de congratulação da Câmara Municipal de Santos pelo trabalho que desenvolve na cidade.

Ações Voluntárias

Sim, nossas ações limpam. Nossos voluntários retiram enormes quantidades de plástico de ambientes naturais, principalmente de manguezais, resíduos que poderiam causar danos à fauna. Contudo, além de limpar, as ações voluntárias organizadas pelo Instituto EcoFaxina no estuário de Santos tem como objetivo, principal, conscientizar a sociedade que de nada adianta continuarmos coletando resíduos que chegam às praias pelo mar sem que direcionemos nossos olhares e esforços para transformarmos a realidade dos manguezais e das milhares de famílias que vivem em condições inaceitáveis em uma cidade rica como Santos, que abriga o maior porto do Brasil e da América Latina, e que deveria dar exemplo de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental para outras prefeituras do Brasil.

Lutamos por políticas públicas de habitação, saneamento básico, educação e recuperação ambiental porque acreditamos ser a maneira mais eficaz no combate à poluição marinha no estuário de Santos e São Vicente. Se quiser praias mais limpas e evitar que animais marinhos ingiram plástico e morram, a população deve cobrar seus por esses direitos básicos, garantidos pela constituão federal. A falta de investimento em saneamento básico acarreta prejuízos para áreas como saúde, turismo, pesca e navegação. Investir em saneamento é básico. Por um mar sem lixo!  

Voluntários coletam plástico durante ação voluntária em manguezal de Santos
Voluntários coletam plástico durante ação voluntária em manguezal de Santos

Voluntários posam para foto após coletarem 153 kg de resíduos da praia de Itaquitanduva, em São Vicente
Voluntários posam para foto após coletarem 153 kg de resíduos da praia de Itaquitanduva, em São Vicente


Peixes comem plástico como adolescentes comem fast food, aponta estudo

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07/06/2016 

Filhotes tornam-se viciados em plástico no mar da mesma forma que adolescentes em fast food, afirmam pesquisadores suecos. 

Filhote de peixe donzela que ingeriu microplásticos. Crédito: Oona Lonnstedt
Filhote de peixe donzela que ingeriu microplásticos. Crédito: Oona Lonnstedt

Publicado na revista Science, o estudo descobriu que a exposição a grandes níveis de poliestireno - polímero pertencente ao grupo dos plásticos cuja característica é a sua moldabilidade - faz com que o peixe prefira estas partículas do que alimentos naturais e mais saudáveis.

Como resultado desta exposição ao plástico, os peixes tornam-se mais frágeis, lentos e suscetíveis de serem atacados por predadores. Um outro estudo, feito por pesquisadores americanos e publicado pela mesma revista, estima que cerca de 8 milhões de toneladas de plástico sejam introduzidas, por ano, nos oceanos.

Areia repleta de microplástico na praia do Gonzaga, em Santos. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Areia repleta de microplástico na praia do Gonzaga, em Santos.

Quando exposto à radiação ultra violeta e também devido ao movimento das ondas, estes plásticos dividem-se em pequenas partículas com menos de cinco milímetros, tornando-se microplásticos. Os pesquisadores mostram-se preocupados com esta situação, já que estes minúsculos fragmentos se instalam nas vísceras dos peixes.

Filhotes de perca preferiram plástico à alimentos durante estudo. Crédito: Oona Lonnstedt
Filhotes de perca preferiram plástico à alimentos durante estudo. Crédito: Oona Lonnstedt

Para conhecerem os impacto causados pelo plástico nos peixes jovens, os pesquisadores expuseram, em tanques, larvas de peixes com e sem concentrações de poliestireno. Nos tanques sem poliestireno, 96% das larvas tiveram sucesso enquanto que nos tanques com poliestireno, a percentagem diminuiu para 81%.

"Todos eles tinham acesso ao plâncton mas decidiram comer apenas o plástico. O plástico parece ter um componente químico que desencadeia uma resposta alimentar para os peixes", afirma a pesquisadora da Universidade de Uppsala, Oona Lonnstedt, em declarações à estação britânica BBC.

"Penso nisto como os adolescentes que preferem fast-food, uma comida menos saudável, apenas para se encherem", diz Lonnstedt.

Os pesquisadores dizem que está ocorrendo um declínio nas espécies de peixes e que este impacto pode ter, consequentemente, efeitos profundos sobre os ecossistemas.

      Fonte: BBC


Apesar do frio e da chuva, voluntários retiram 48 kg de lixo da praia do Gonzaga

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06/06/2016 - Por William Rodriguez Schepis 

Em Santos, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi marcado por muita determinação e amizade.

Um domingo frio e chuvoso, perfeito para ficar em casa debaixo da coberta dormindo até tarde! Não para os nossos voluntários, que acordaram cedo para mais uma ação contra a poluição marinha por plástico.

A 70ª Ação Voluntária EcoFaxina contou com a participação de alunos da Universidade Santa Cecília, Universidade Federal de São Paulo, funcionários do Hospital Ana Costa e da Vopak Brasil, empresa que atua com armazenagem e movimentação de granéis líquidos no Porto de Santos. Um grupo de voluntários do Greenpeace Brasil acordou ainda mais e veio de São Paulo para reforçar o pelotão ecológico!

Na praia os voluntários se depararam com uma das areias mais poluídas do país, com milhões de partículas de plástico com menos de 3 milímetros, incluindo pellets (esferas de polietileno, matéria prima para a produção de diferentes tipos de plástico), além de uma enorme quantidade de bitucas de cigarro, lacres, tampas, embalagens, sacolas plásticas, pedaços de plástico filme, hastes de cotonete e pirulito, brinquedos, etc. Foram coletados também dois pneus de carro e um grande saco de ráfia que estavam enterrados na areia.

No total, os voluntários retiraram 48 kg de resíduos da areia -  30 kg de plástico e 18 kg de borracha.

Confira algumas fotos da ação:

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina

Dia Mundial do Meio Ambiente - 70ª Ação Voluntária EcoFaxina


Santos terá limpeza de praia no Dia Mundial do Meio Ambiente

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03/06/2016 - Por William Rodriguez Schepis 

A 70ª Ação Voluntária EcoFaxina acontece neste domingo (5/6) na praia do Gonzaga com foco no microlixo, que para muitos banhistas, acostumados com garrafas pet, fraldas, sacolas plásticas e outros resíduos maiores, acaba passando "desapercebido" em meio à areia das praias de Santos.

Estudantes de São Paulo se surpreenderam com a diversidade de resíduos presentes nas praias.

A poluição marinha por plástico se tornou uma preocupação global. Vivemos a era do plástico, um material indispensável na vida moderna, que quando não utilizado de maneira consciente e responsável causa graves prejuízos à fauna, à saúde dos oceanos e à nossa saúde.

Ao não darmos destinação correta através da reciclagem, o plástico pode chegar com facilidade aos oceanos. Aproximadamente 80% do plástico que polui os oceanos tem origem em terra e chegam ao mar através de ventos, chuvas, rios, estuários e praias poluídas, os outros 20% representam o descarte ou perda por navios e embarcações de pesca e recreio.

Voluntários da comunidade em ação em um dos poluídos canais de São Vicente.

Estando presente em ambientes naturais o plástico começa a ser lentamente degradado pelos raios solares, mais precisamente pelos raios ultra violeta, é a chamada fotodegradação. Você pode estar pensando, que bom que ele é degradado, dessa forma ele vai desaparecendo, mas infelizmente esse processo acaba agravando o problema, gerando fragmentos cada vez menores, que vão se espalhando por todos os ecossistemas marinhos até "virarem pó". E é aí que mora o perigo. Ao confundirem com alimentos, diversas espécies de animais marinhos ingerem esses fragmentos, que ao se partirem em pedaços cada vez menores vão atingindo diferentes espécies, até se tornarem micropartículas, que serão ingeridas por organismos filtrantes como ostras, mexilhões e o plâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Plâncton ingerindo micropartículas de plástico (pontos verdes).

Além de causarem sufocamento, obstrução do trato digestório e diminuição do volume funcional do estômago, problemas que podem levar os animais à morte em pouco tempo, ocorre a transferência de poluentes orgânicos persistentes (POPs) presentes na composição do plástico e que também são adsorvidos em ambientes poluídos, como o estuário de Santos, para o tecido dos animais. Estudos apontam que a concentração desses poluentes no plástico pode chegar a um milhão de vezes a concentração presente na água, tornando-se uma fonte adicional de contaminação.

Os poluentes orgânicos persistentes são bastante conhecidos por seus efeitos tóxicos e além da sua grande persistência no ambiente, possuem alta afinidade com os tecidos animais. Os bifenilos policlorados (PCBs) e pesticidas organoclorados, como os DDTs, são exemplos de alguns poluentes orgânicos persistentes que possuem afinidade molecular com o plástico e se concentram nele.

Deu para perceber que o problema do plástico no ambiente marinho vai muito além do aspecto desagradável das praias sujas. Adivinha só... ele está chegando aos nossos pratos!

#MangueFazADiferença #PorUmMarSemLixo

Grande parte do plástico que polui o mar e as praias de Santos tem origem em manguezais invadidos por favelas de palafitas, onde o lixo e o esgoto gerado por milhares de famílias, vivendo muitas vezes em condições subumanas, são despejados diariamente no ecossistema, é levado para o mar com a alternância das marés.

Supressão e aterramento do manguezal com lixo e resíduos da construção civil, poluição por plástico e esgoto. Um cenário de terror no berçário da vida marinha que se estende ao mar e às praias da Baixada Santista.  

Propágulos e objetos de plástico se acumulam no costão rochoso. Ambos tem a mesma origem, os manguezais do estuário de Santos.

A cada mês a Terracom, empresa responsável pela limpeza urbana, retira com tratores em média 40 toneladas de lixo das praias de Santos.

70ª Ação Voluntária EcoFaxina - Dia Mundial do Meio Ambiente

O ponto de encontro será em frente à Concha Acústica, na praia do Gonzaga, às 8 horas, com o término da ação previsto para as 12 horas. Caso chova a ação será transferida para o próximo domingo.

Clique aqui para confirmar a sua presença!

Apoio: Prefeitura de Santos, Hospital Ana Costa, Vopak Brasil, Universidade Santa Cecília, Instituto do Mar - UNIFESP, Greenpeace São Paulo e Terracom.


Nós sabemos como diminuir a quantidade de plástico nos oceanos

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28/04/2016 - Por William Rodriguez Schepis/IEF 

Qual seria a melhor estratégia para diminuirmos a quantidade de plástico nos oceanos? Se quisermos oceanos livres do plástico devemos, antes de tudo, entender de fato o problema para buscarmos soluções eficazes.

Voluntários posam para foto após coletarem 722,5 kg de lixo em manguezal no estuário de Santos, sendo 450,5 kg somente plástico. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntários posam para foto após coletarem 722,5 kg de lixo em manguezal no estuário de Santos, sendo 450,5 kg somente plástico. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

A cada ano 8 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos. Os oceanos contém hoje pelo menos 5 trilhões de pedaços de plástico em seus ecossistemas, média de 700 pedaços por humano no planeta, cerca de 250.000 toneladas.

Nos últimos tempos tenho ouvido falar muito sobre projetos que, da forma como são tratados pela mídia, "prometem salvar os oceanos do plástico". Especialmente dois projetos, o The Ocean Cleanup Project - Projeto Limpeza do Oceano em inglês - , criado pelo jovem holandês Boyan Slat, e o Seabin Project - Projeto Lixeira Marinha em inglês, criado pelos australianos Andrew Turton e Pete Ceglinski.

Vamos analisar os dois projetos para sabermos mais sobre como cada um funciona, começando pelo Projeto de Limpeza do Oceano.

Focado na limpeza no meio do oceano, o Ocean Cleanup Project pretende coletar plástico no Giro Subtropical do Pacífico Norte através de uma rede gigante, o que no meu ponto de vista não se caracteriza uma estratégia viável. Sem entramos em aspectos técnico-operacionais como tempestades oceânicas, rotas de navegação e distância da costa. Em seu site o projeto possui a seguinte descrição: "O primeiro método viável para livrar os oceanos do plástico. O objetivo da Ocean Cleanup Project é extrair, prevenir e interceptar a poluição por plástico, iniciando a maior limpeza da história". O início das operações está previsto para 2020.

Ilustração mostra como se dará a limpeza no Giro do Pacífico Norte. Crédito: Cleanup Project
Ilustração mostra como se dará a limpeza no Giro do Pacífico Norte. Crédito: Cleanup Project

Para combatermos esse grave problema devemos voltar nossos olhos, pensamentos e ações para as regiões costeiras, direcionando nossos esforços na elaboração de projetos que levem em conta a diminuição do aporte de resíduos nos oceanos, levando em conta sobretudo as diversas singularidades locais. Combater a poluição marinha nos giros subtropicais é o mesmo que tratar um paciente com hérnia de disco utilizando analgésicos.

Cerca de 80% da poluição marinha tem origem no descarte incorreto em terra, e é na região costeira que a poluição por resíduos sólidos, especialmente o plástico, causa maior impacto à fauna marinha, pois nela se concentra a maioria dos animais, incluindo peixes, tartarugas, mamíferos e aves marinhas, que acabam confundindo plástico com alimento. Quanto mais nos afastamos da costa, mais estéril se torna o oceano. Por isso, limpar o meio do oceano se torna menos eficaz em relação à iniciativas que busquem a limpeza e recuperação de rios, manguezais, estuários e praias. Sem dúvida, faz muito mais sentido retirar resíduos ou evitar que sejam descartados em regiões costeiras antes que eles possam causar danos à vida marinha.

Contudo, além da necessidade de projetos voltados para a despoluição e recuperação ambiental em regiões costeiras, precisamos que políticas públicas de habitação e saneamento básico, como os Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, sejam colocadas em prática urgentemente em todos os nossos municípios.

Leia também: Estudo: 90% das aves marinhas já ingeriram plástico

Porém, é fundamental que a imprensa não preste um desserviço ambiental pela maneira como aborda certos projetos, que possuem o seu valor, devem receber atenção e reconhecimento, porém, não podem gerar expectativa no leitor de que surgiu alguém ou algo que nos livrará do problema. Como diz o ambientalista Robert Swan, "A maior ameaça para nosso planeta é a crença de que alguém irá salvá-lo".

O plástico se acumula em ecossistemas costeiros como manguezais, praias e costões rochosos, causando graves impactos à fauna marinha. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
O plástico se acumula em ecossistemas costeiros como manguezais, praias e costões rochosos, causando graves impactos à fauna marinha. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina 

"Lixeira do mar"

O Seabin Project é um projeto que também causou enorme repercussão na mídia. Muitos familiares e amigos meus me enviam links ou me marcam em postagens no Facebook sobre essa invenção, que consiste em um tubo que aspira a água da superfície através de uma bomba, transportando o lixo flutuante para o interior desse tubo que contém uma rede, onde o lixo vai se acumulando.

Ilustração do funcionamento do projeto. Crédito: Seabin Project
Ilustração do funcionamento do projeto. Crédito: Seabin Project

Protótipo em funcionamento. Crédito: Seabin Project
Protótipo em funcionamento. Crédito: Seabin Project

Rede coletora de resíduos dentro do tubo. Crédito: Seabin Project
Rede coletora de resíduos dentro do tubo. Crédito: Seabin Project

A ideia é muito boa para regiões com águas calmas, próximas à rede elétrica e pouco poluídas, pois a estrutura não comporta grande quantidade de resíduos. Uma solução paliativa para regiões abrigadas, interessante para ser utilizada em marinas, por exemplo, mas inviável em diversos aspectos para a nossa realidade.

Na ferida

Tratando-se da Baixada Santista, temos o estuário de Santos como a principal fonte de poluição marinha por resíduos sólidos, proveniente sobretudo de enormes favelas de palafitas localizadas em áreas invadidas de mangue. Tais favelas geram diariamente grande quantidade de resíduos descartados diretamente nos manguezais e transportados para praias e mar aberto, através de marés e correntes litorâneas.

Submoradias em áreas de mangue no estuário de Santos são responsáveis por grande parte da poluição marinha por plástico que afeta região da Baixada Santista. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Submoradias em áreas de mangue no estuário de Santos são responsáveis por grande parte da poluição marinha por plástico que afeta região da Baixada Santista. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

Com o objetivo de diminuir o aporte de plástico em nossa região costeira, desenvolvemos em 2009 o projeto "Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos", que tem como foco principal a limpeza e recuperação de áreas degradas de mangue através da formação de uma frente de trabalho formada por jovens moradores de palafitas em situação de risco social, envolvendo educação ambiental e geração de renda através da reciclagem. A ideia é que esses jovens se tornem educadores ambientais dentro da própria comunidade e que a recuperação das áreas degradas, seja feita gradativamente ao passo que as famílias são transferidas para conjuntos habitacionais, impedindo dessa forma que novas palafitas ocupem novamente essas áreas, promovendo o congelamento e a diminuição das favelas de palafitas no manguezal.

Desde então estamos em ininterrupta tratativa com a Prefeitura de Santos para celebração de um Termo de Cooperação Técnica que propicie o início das atividades, tendo como única contrapartida para o município a cessão de uma área próxima ao mangue ocupado por palafitas, onde toda a infraestrutura para o trabalho de coleta e beneficiamento dos resíduos ficará por conta de parcerias com a iniciativa privada.


As ecobarreiras que serão utilizadas no projeto já foram aprovadas pela Câmara Municipal de Santos, através de projeto de lei do vereador Kenny Mendes (PSDB). No momento a minuta do Termo de Cooperação Técnica passa por avaliação na Secretaria do Meio Ambiente e a expectativa é de que seja enviado para assinatura do prefeito Paulo Alexandre Barbosa entre maio e junho deste ano.