O estuário de Santos não teve o que comemorar no Dia Mundial da Água

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22/03/2017  

Águas contaminadas por lixo e esgoto. Falta de moradia e tratamento de esgoto são os principais motivos que levam o estuário de Santos ao caos ambiental.

No Dia Mundial da Água, 22 de março, a região do estuário de Santos, na Baixada Santista (SP), não teve muito o que comemorar. O manguezal, seu maior patrimônio natural, que abriga rica biodiversidade e presta serviços ambientais fundamentais para a região, está sendo desmatado e contaminado devido às invasões de palafitas, que despejam esgoto e todo o tipo de lixo em suas águas.

Milhares de crianças ainda convivem muito com lixo e esgoto no estuário de Santos.
Milhares de crianças ainda convivem muito com lixo e esgoto no estuário de Santos.

Segundo estimativas de líderes da própria comunidade do Dique da Vila Gilda, em Santos (onde concentra-se a maior parte desse tipo de habitação) existem aproximadamente 40 mil pessoas vivendo em condições precárias, expostas ao lixo e ao esgoto. E, apesar de básico em sua denominação, nas palafitas da baixada santista o saneamento básico é algo inexistente em pleno século XXI, sendo o poder público impedido de oferecer as mínimas condições de salubridade e saúde para a população. É de conhecimento de todos que sem saneamento básico não há saúde. Sendo que, tratando-se de uma região estuarina, sem o saneamento básico e habitação também não existe preservação das suas águas, respeito à biodiversidade presente nos manguezais, berçário da vida marinha, e consequentemente aos ecossistemas marinhos da região, que recebem esse enorme aporte de lixo e esgoto diariamente.

Além de poluir á água, propiciando a ocorrência de doenças de veiculação hídrica, como gastroenterite, amebíase, giardíase, febres tifoide e paratifoide, hepatite A e cólera, o lixo e o esgoto atraem e contribuem para a proliferação de animais e insetos que se tornam vetores de doenças como a dengue, chikungunya, zica, leptospirose, febre da mordida de rato, peste bubônica, tifo murino, salmonelose, sarnas e micoses.
Além de poluir a água, propiciando a ocorrência de doenças de veiculação hídrica, como gastroenterite, amebíase, giardíase, febres tifoide e paratifoide, hepatite A e cólera, o lixo e o esgoto atraem e contribuem para a proliferação de animais e insetos que se tornam vetores de doenças como a dengue, chikungunya, zica, leptospirose, febre da mordida de rato, peste bubônica, tifo murino, salmonelose, sarnas e micoses.

O Instituto EcoFaxina, entidade sem fins econômicos e de utilidade pública de Santos (SP), atua desde 2008 com o objetivo de levar informações à população que vive em palafitas e articular parcerias com o poder público, visando a recuperação das áreas degradadas de mangue. Em um de seus projetos está prevista a limpeza e reflorestamento do local, gerando renda com a reciclagem para os jovens em situação de vulnerabilidade social, habitantes de palafitas.

A recuperação de áreas degradadas de mangue, se atrelada a políticas públicas habitacionais, tem como objetivo tornar-se uma ferramenta de congelamento das favelas, auxiliando a Defesa Civil no trabalho de contenção das invasões.
A recuperação de áreas degradadas de mangue, se atrelada a políticas públicas habitacionais, tem como objetivo tornar-se uma ferramenta de congelamento das favelas, auxiliando a Defesa Civil no trabalho de contenção das invasões.

“Todos os dias, milhares de famílias que vivem em palafitas descartam seus resíduos no manguezal, juntamente com fezes, urina, óleo de cozinha, produtos de limpeza, etc. O mar se tornou uma densa sopa de plástico misturado ao esgoto em nossa região, que é muito frequentada por diversas espécies marinhas, como tartarugas marinhas e golfinhos, por exemplo”, comenta o presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis. “As crianças nadam nessas águas contaminadas, repletas de resíduos cortantes e perfurantes, ficam expostas a diversos patógenos e acabam ingerindo a água contaminada, podendo contrair diversos tipos de doenças de veiculação hídrica”, salienta.

O mangue poluído é a "praia" da maioria das crianças que vivem em palafitas.
O mangue poluído é a "praia" da maioria das crianças que vivem em palafitas.

Diferentemente de casas em áreas urbanizadas, que possuem ruas, e serviços de coleta de lixo e esgoto, como é normal, os moradores das palafitas, que ocupam áreas onde antes haviam árvores de mangue e uma enorme biodiversidade, contam apenas com a maré para levar seus dejetos. Os próprios comentam que ela é o lixeiro para eles. “O lixo que vemos nas praias não é apenas descaso de turistas ou de navios, como muitos munícipes pensam. Cerca de 90% do que é recolhido diariamente com tratores nas praias vem de favelas de palafitas que ocupam os manguezais do estuário. Ou seja, temos um esgoto a céu aberto, com as marés se encarregando de levar os dejetos, que vão parar nas praias e são responsáveis pela morte de uma série de animais marinhos que confundem o plástico com alimento. Plástico esse, que exposto aos poluentes presentes na água, concentram substâncias químicas bioacumulativas, que são transferidas para pescados e frutos do mar, e consequentemente, para as pessoas que se alimentam desses organismos.”, ressalta William.

Na questão ambiental, o gerenciamento integrado de resíduos sólidos na Baixada Santista está diretamente atrelado à questão da moradia.
Na questão ambiental, o gerenciamento integrado de resíduos sólidos na Baixada Santista está diretamente atrelado à questão da moradia.

Emissário submarino e tratamento de esgoto

Além do problema das palafitas e ligações clandestinas de esgoto na rede pluvial, outra questão que afeta o mar da baixada santista é o esgoto de Santos e São Vicente lançado pelo emissário submarino de Santos. Diariamente são lançados cerca de 432 milhões de litros de esgoto sem tratamento no meio da baía de Santos a uma profundidade de apenas 8 metros, não permitindo uma dispersão eficaz, ocasionando a concentração de poluentes e maior proliferação de algas devido à alta concentração de nitrogênio e fósforo, o que contribui para a turbidez da água. O indicado seria prolongar em mais 7,6 quilômetros os atuais 4,4 quilômetros, totalizando 12 quilômetros de tubulação, atingindo assim a isóbata de 20 metros de profundidade.

O prolongamento do emissário até a isóbata de 20 metros aumentaria substancialmente a capacidade de diluição do efluente tratado e a eficiência degradativa do ambiente marinho, gerando benefícios ecológicos diretos e indiretos para a vida marinha, e consequentemente para a saúde humana, o turismo e a pesca.
O prolongamento do emissário até a isóbata de 20 metros aumentaria substancialmente a capacidade de diluição do efluente tratado e a eficiência degradativa do ambiente marinho, gerando benefícios ecológicos diretos e indiretos para a vida marinha, e consequentemente para a saúde humana, o turismo e a pesca.

Atualmente o efluente não passa por nenhuma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), contando somente com uma Estação de Pré-Condicionamento (EPC) com gradeamento para a retirada de sólidos e cloração. O indicado seria um tratamento utilizando aeração, tanques de carbono ativado, ozônio, peróxido de hidrogênio, radiação ultravioleta e biorreatores com membranas, compondo um sistema de tratamento eficaz não só para a retirada de matéria orgânica e bactérias, mas também nitrogênio, fósforo e poluentes emergentes como remédios e hormônios.

Um estudo publicado em 2016 na revista americana Science of the Total Environment (Ocorrência de fármacos e cocaína em uma zona costeira brasileira), conduzido por pesquisadores da UNIFESP, UNISANTA e UNESP, constatou a presença de 32 substâncias farmacológicas na saída do emissário submarino de Santos. Entre os fármacos mais presentes, estão os anti-inflamatórios e os anti-hipertensivos, além de cafeína e cocaína, substâncias ausentes nos parâmetros de controle dos órgãos ambientais e previstos pela legislação.

Esse é um questionamento antigo na região, e a CETESB já questionou o Plano Municipal de Saneamento Básico de Santos, por exemplo, que foi aprovado em 2010, contemplando a prática de se manter apenas o pré-condicionamento dos esgotos antes de seu encaminhamento para emissários submarinos.

O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA) – Baixada Santista do Ministério Público Estadual possui uma ação civil pública, aberta em 2008 contra a Sabesp, para que a estatal trate adequadamente o esgoto de Santos e São Vicente.

Ações voluntárias

Reunindo diversos voluntários, o instituto realiza mensalmente ações de coleta de resíduos pelos manguezais da baixadas santista e também em praias ou locais de preservação ambiental. Até o presente foram realizadas 81 Ações Voluntárias EcoFaxina, que já retiraram mais de 43 toneladas de lixo, como embalagens plásticas, embalagens de leite, tampinhas de garrafas, brinquedos, fraldas e até seringas, remédios, pinos de cocaína, ou mesmo resíduos maiores como televisores, colchões ou sofás. Na última ação, realizada no mangue da Zona Noroeste de Santos e que contou também com a participação de voluntários do Greenpeace, foram recolhidos 756 quilos de lixo, em sua maior parte composto por materiais leves como isopor e plástico.

Voluntários do Greenpeace de São Paulo participam regularmente das ações, contribuindo na divulgação de informações sobre a problemática e a causa defendida.
Voluntários do Greenpeace de São Paulo participam regularmente das ações, contribuindo na divulgação de informações sobre a problemática e a causa defendida.

“É incrível o que recolhemos nas ações. É uma situação muito degradante e é inaceitável que os órgãos públicos responsáveis não estejam vendo e dando apoio”, comenta William. “Um dos objetivos do Instituto EcoFaxina é mostrar a origem de toda essa poluição que afeta os ecossistemas marinhos da região, levar informação e conscientização, mostrando que nossos governantes precisam promover mudanças estruturais para mudarmos essa situação absurda em que se encontra o nosso estuário. Enquanto tais mudanças não ocorrerem, torna-se muito complicado falarmos de educação ambiental para pessoas que não têm o básico para a sua dignidade e manutenção de sua saúde, que é moradia e saneamento. Por isso estamos lutando também junto às prefeituras por projetos habitacionais que possam oferecer condições dignas a essas pessoas que vivem em palafitas no manguezal”, afirma.

As Ações Voluntárias EcoFaxina são uma forma de chamar a atenção da população e do governo para o grave quadro de poluição por resíduos sólidos que existe em nos mangues e no mar.  Ao mesmo tempo conseguem retirar o máximo possível de plástico presente nos ecossistemas costeiros e marinhos da região. São também uma ferramenta de pesquisa e educação ambiental, que por meio da sensibilização e do trabalho em equipe, propiciam uma nova perspectiva do problema para quem os acompanha. “É uma intensa troca de informações e experiências que promove a real perspectiva do problema na população”, afirma William Schepis.

Para conhecer um pouco mais sobre a situação do local, assista ao vídeo realizado pelo Grupo SAL para o Canal OFF: https://youtu.be/Hycq_6scZ88. Confira também mais informações no site www.institutoecofaxina.org.br.

O Instituto EcoFaxina é uma Organização Não Governamental, sem fins econômicos, que desenvolve suas ações através de doações. Se você quiser se associar e contribuir com a causa, acesse: bit.ly/2ldbuQA.


Instituto EcoFaxina e Greenpeace coletam 756 kg de lixo em manguezal de Santos

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13/03/2017 

A estimativa prevista era de mais de 1 tonelada de lixo, mas o volume de isopor coletado foi enorme, totalizando 141 sacos de 100 litros só desse material. Em seguida veio o plástico, com 57 sacos.

O sol forte e a alta temperatura não diminuiu o ritmo de trabalho dos voluntários.
O sol forte e a alta temperatura não diminuiu o ritmo de trabalho dos voluntários. 

Plástico: 318 kg; isopor: 243 kg; borracha 108 kg; vidro: 26 kg; tecido: 15 kg; eletroeletrônicos: 29 kg; outros: 17 kg, totalizando 756 kg de lixo recolhidos. Este foi o resultado da 81ª Ação Voluntária do Instituto EcoFaxina, realizada no último domingo (12/3) no mangue da Zona Noroeste de Santos, e que contou com a força dos voluntários do Greenpeace de São Paulo.

Guerreiros, voluntários posam para a foto da ação contentes pelo trabalho realizado.
Guerreiros, voluntários posam para a foto da ação contentes pelo trabalho realizado.

Abraçando a causa, a ação contou com a presença de 57 voluntários, sendo 28 do Instituto EcoFaxina e 29 do Greenpeace, que se mostraram bastante sensibilizados com a situação do mangue no estuário de Santos. “É um absurdo que as empresas não se responsabilizem pelo lixo que elas produzem”, comentou a voluntária Luana Machado, voluntária do Greenpeace.

No manguezal, a biodiversidade vem sendo substituída pelo plástico. Inúmeras empresas tem suas marcas em embalagens de produtos poluindo ecossistemas costeiros e marinhos da região.
No manguezal, a biodiversidade vem sendo substituída pelo plástico. Inúmeras empresas tem suas marcas em embalagens de produtos poluindo ecossistemas costeiros e marinhos da região.

Além da enorme quantidade de isopor, outros materiais como o plástico, a borracha e o vidro também se acumulam em grandes quantidades, só de chinelos havaianas foram mais de 50 coletados. Embalagens alimentícias, de higiene pessoal, cosméticos, utensílios domésticos, brinquedos, lubrificantes de motores, fármacos, televisores, lâmpadas, pneus e muitos outros tipos resíduos que estavam expostos a céu aberto, podendo ser levados para o mar pela maré, onde diversas espécies de animais podem ingerir o plástico e acabar morrendo, poluir as praias, ou então se transformar em criadouros do mosquito Aedes aegypti. Sem falar nos caibros, tábuas e madeirites utilizados nas palafitas, não coletados por se degradarem rapidamente na natureza.

A educação ambiental é importante, mas se torna ineficaz quando falta política pública habitacional acompanhada por ações de recuperação e preservação ambiental.
A educação ambiental é importante, mas se torna ineficaz quando falta política pública habitacional acompanhada por ações de recuperação e preservação ambiental.

Esta é a quarta vez que as duas entidades unem forças contra a poluição no estuário de Santos e a que envolveu o maior número de voluntários. “Foi um evento muito bonito e importante. A equipe estava muito animada e coletou rapidamente os muitos resíduos, sobretudo isopor e plástico", ressalta o presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis. "Os duzentos sacos de lixo que levamos não foram suficientes para o "apetite" do grupo e acabaram em duas horas de coleta. Na próxima ação que houver no mangue com esse número de voluntários, com essa determinação, providenciaremos uns quinhentos sacos”, completa.

Voluntário carrega sacos com isopor e plástico. Ao fundo, uma favela de palafitas.
Voluntário carrega sacos com isopor e plástico. Ao fundo, uma favela de palafitas.

Os voluntários que participaram pela primeira vez de uma Ação Voluntária EcoFaxina puderam entender melhor as principais causas da poluição marinha em nossa região: falta de moradia, saneamento básico e recuperação das áreas degradadas de mangue como ferramenta de congelamento das favelas, ação que integra o projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos, que tramita em processo na Semam de Santos para a celebração de um termo de cooperação técnica entre o Instituto EcoFaxina e a Prefeitura de Santos.

O lixo das palafitas transformou o estuário de Santos em uma enorme sopa de plástico.
O lixo das palafitas transformou o estuário de Santos em uma enorme sopa de plástico.

O Instituto EcoFaxina atua desde 2008 com foco no desenvolvimento e apoio a políticas públicas, pesquisas, programas e ações voltadas à proteção do Meio Ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável. Um de seus principais objetivos para 2017 é implantar o projeto “Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos” no Estuário de Santos com o objetivo de recuperar áreas degradadas de mangue gerando renda para jovens e mulheres que habitam palafitas através da reciclagem do plástico, e assim diminuir o aporte de plástico para o oceano. Para saber mais sobre esse projeto e conhecer o trabalho do Instituto, acesse http://www.institutoecofaxina.org.br.

Dados da ação

- 81ª Ação Voluntária EcoFaxina
- Ecossistema: Manguezal
- Voluntários: 57
- Materiais coletados: Plástico - 318 kg; Isopor - 243 kg; Borracha - 108 kg; Vidro - 26 kg; Tecido - 15 kg; Eletroeletrônicos - 29 kg; Outros - 17 kg. TOTAL 756 kg.
- Organização: Instituto EcoFaxina.
- Apoio: Unopar - Polos Santos e São Vicente, Greenpeace, Juicy Santos e Terracom Engenharia.


Instituto EcoFaxina e Greenpeace unem forças para limpar manguezal em Santos

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10/03/2017 

Esta será a quarta vez que as duas entidades unem esforços para combater a poluição marinha no estuário de Santos.

Acontece no próximo domingo (12/3) a 81ª Ação Voluntária EcoFaxina, que contará com a força dos voluntários do Greenpeace de São Paulo (SP) para realizar a limpeza do manguezal na Zona Noroeste de Santos (SP).

Voluntários posam para foto durante ação realizada em manguezal de Santos, no dia 29/1.
Voluntários posam para foto durante ação realizada em manguezal de Santos, no dia 29/1.

Com o reforço de 40 voluntários do Greenpeace, que descerão para Santos em um ônibus fretado, a ação tem como meta retirar aproximadamente uma tonelada de lixo do manguezal, com uma coleta focada sobretudo no plástico, material que agride severamente os ecossistemas e a fauna marinha da região. Muitas espécies marinhas, incluindo aves, tartarugas, peixes, golfinhos e baleias ingerem grandes quantidades de plástico ao confundirem com alimentos, causando a morte de muitos animais marinhos e também transferindo e bioacumulando poluentes químicos nos animais, ocasionando um processo chamado biomagnificação, que é o acúmulo progressivo de substâncias químicas de um nível trófico para outro ao longo da cadeia alimentar, incluindo o ser humano que consome peixes e frutos do mar, como caranguejos, siris, ostras e mexilhões.

Além de ser um berçário da vida marinha e abrigar uma enorme biodiversidade, o manguezal é um ecossistema de importância especial pelos serviços ambientais que fornece à região, como proteção costeira contra efeitos físicos e climáticos, retenção de sedimentos e sequestro e retenção de carbono atmosférico.
Além de ser um berçário da vida marinha e abrigar uma enorme biodiversidade, o manguezal é um ecossistema de importância especial pelos serviços ambientais que fornece à região, como proteção costeira contra efeitos físicos e climáticos, retenção de sedimentos e sequestro e retenção de carbono atmosférico.

Na última ação realizada em mangue, foram recolhidos 625 quilos de lixo, sendo 374 quilos apenas de materiais plásticos. No total, desde que iniciou as ações voluntárias em 2008, o Instituto já conseguiu recolher mais de 42 toneladas de lixo que seguiriam para os oceanos.

O mar se tornou uma sopa de plástico e o material se acumula em praias e costões rochosos da Baixada Santista. A foto acima mostra uma área de costão rochoso na praia do Saco do Major, em Guarujá. Os impactos que o plástico descartado no manguezal gera sobre os ecossistemas marinhos da região são extremamente prejudiciais não só para a vida marinha, mas também para o turismo.
O mar se tornou uma sopa de plástico e o material se acumula em praias e costões rochosos da Baixada Santista. A foto acima mostra uma área de costão rochoso na praia do Saco do Major, em Guarujá. Os impactos que o plástico descartado no manguezal gera sobre os ecossistemas marinhos da região são extremamente prejudiciais não só para a vida marinha, mas também para o turismo.

Pessoas interessadas em participar como voluntário da 81ª Ação Voluntária EcoFaxina, devem se inscrever diretamente no evento do instituto no Facebook (facebook.com/ecofaxina/events) ou enviar email para comunicacao.ecofaxina@gmail.com, com nome e numeração de calçado.

Haverá um ônibus saindo às 8h30 da Rua Dr. Oswaldo Cruz, 266 (http://bit.ly/1Q1mMBU), com previsão de retorno às 16 horas. Importante usar roupas leves e levar mochila para transportar água, lanches, celular, protetor solar, repelente, etc. O instituto fornece coletes de identificação, luvas e botas (uso obrigatório) e certificado de participação (5 horas).

As Ações Voluntárias EcoFaxina são a forma que o Instituto desenvolveu para chamar a atenção da população, da imprensa e do governo para a necessidade urgente de programas habitacionais para famílias que residem em palafitas em áreas de mangue no estuário de Santos. Também, em paralelo, para alertar sobre a necessidade de recuperação ambiental dessas áreas degradadas, com o objetivo de congelar as ocupações e diminuir gradualmente a poluição por plástico e esgoto no mangue, principal fonte de poluição do mar e das praias da região. Os eventos tornaram-se uma ferramenta de pesquisa e educação ambiental, que por meio da sensibilização e do trabalho em equipe, propiciam uma nova perspectiva do problema para voluntários e observadores. “São uma intensa troca de informações e experiências que promovem hábitos sustentáveis na população”, afirma o presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis.

Além de resíduos plásticos tradicionais, como embalagens de produtos, sacolas, isopor, etc, estão sendo encontrados também em ambientes aquáticos o microplástico e nanoplástico, que tem origem, em grande parte, pelo processo de fotodegradação e desgaste de objetos plásticos maiores, mas também presentes em produtos de beleza, como cremes esfoliantes, representando uma grande ameaça às espécies aquáticas. “Estudos recentes mostram a crescente presença desses nanoplásticos nos ecossistemas costeiros e marinhos. Apesar de serem observados somente por meio de microscópio eletrônico, são uma grande ameaça de poluição até então desconhecida e cada vez mais presente nos organismos aquáticos. Inclusive em nossos alimentos”, alerta Schepis.

O Instituto EcoFaxina atua desde 2008 com foco no desenvolvimento e apoio a políticas públicas, pesquisas, programas e ações voltadas à proteção do Meio Ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável. Um de seus principais objetivos para 2017 é implantar o projeto “Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos” no Estuário de Santos, que visa recuperar áreas degradadas de mangue, congelar a favela, diminuir a saída de plástico para o oceano e gerar renda para jovens e mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade social nas palafitas. Para saber mais sobre esse projeto e conhecer o trabalho do Instituto, acesse http://www.institutoecofaxina.org.br/p/projetos.html.

SERVIÇO

81ª Ação Voluntária EcoFaxina
• Local: Manguezal, Zona Noroeste de Santos (SP)
• Transporte: saída às 8h30 - rua Dr. Oswaldo Cruz, 266 – Boqueirão – Santos (SP)
• Inscrições: pelo evento no Facebook (facebook.com/ecofaxina/events) ou pelo email comunicação.ecofaxina@gmail.com.
• O que usar/levar: roupas leves e levar mochila para transportar água, lanches, protetor solar, repelente, celular, etc. Serão fornecidos coletes de identificação, luvas e botas (uso obrigatório).
• Observação: menores de 18 anos somente acompanhados por adulto responsável.
• Organização: Instituto EcoFaxina. Apoio: Apoio: Unopar - Polos Santos e São Vicente, Greenpeace Brasil, Juicy Santos e Terracom Engenharia.


Voluntários retiram 165 kg de lixo do Parque Ecológico do Perequê, em Cubatão (SP)

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22/02/2017 

Ação contou com a participação de 43 voluntários, que recolheram 165 Kg de resíduos, sendo 154 kg de plásticos, 7 kg de vidro e 4 kg de metal. Esse foi o resultado da 80ª Ação Voluntária EcoFaxina, organizada pelo Instituto EcoFaxina em parceria com a Prefeitura de Cubatão, no Parque Ecológico do Perequê, no último domingo (19/02).

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

Olhando para as belezas naturais do parque não é possível imaginar tanto lixo espalhado entre a parte plana do rio Perequê e as trilhas que seguem até as cachoeiras. Mas existe, principalmente na região da entrada do parque, onde famílias e grupos de amigos fazem churrasco e se banham no rio.

“As trilhas até que são bem conservadas, devido ao menor fluxo de pessoas, mas mesmo assim retiramos dois quilos de resíduos da mata. A área do rio no início do parque, onde se concentra a maior parte dos visitantes, estava mais prejudicada. Retiramos bastante material dessa área”, relata o presidente do Instituto EcoFaxina, William Schepis.

É fundamental que a Prefeitura de Cubatão invista em infraestrutura e ordenamento para receber o público. “Falta um receptivo turístico, placas de sinalização nas trilhas, informações ecológicas e orientações sobre como se comportar no parque, como não acender fogueiras, não sair das trilhas, não cortar vegetação e principalmente não descartar lixo. Na entrada não existe nem mesmo uma placa com o nome do parque. Não existe sequer uma lixeira para que as pessoas possam descartar corretamente os seus resíduos. Ao verem os voluntários em ação, as pessoas começaram a nos pedir sacos de lixo. Seria muito interessante também que houvesse quiosques com churrasqueiras na área que os frequentadores utilizam como 'praia', onde famílias costumam levar carvão, carnes e bebidas, mas fazem o fogo diretamente no solo", salienta. "O  secretário do meio ambiente, Mauro Haddad Nieri, participou da ação e pode constatar que há muito trabalho a fazer em relação ao ecoturismo no município, e o Instituto EcoFaxina está à disposição para colaborar como parceiro no terceiro setor ", esclarece William.

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

O Parque Ecológico do Perequê tem 168 hectares (o que equivale a aproximadamente 160 campos de futebol), 11,5 Km de perímetro, abrigando 95 espécies vegetais e 183 animais (sendo 26 endêmicas da região). Um de seus principais atrativos é a cachoeira Véu de Noiva, com cerca de 60 metros de altura. A trilha que leva à cachoeira, considerada de dificuldade moderada, é vencida em cerca de uma hora. Durante o trajeto os aventureiros têm acesso a outras cachoeiras e também a piscinas naturais.

Ao final da ação, os resíduos coletados pelos voluntários foram quantificados e transportados pela empresa Multientulho para a Associação Beneficente dos Catadores de Material Reciclável da Baixada Santista.

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

Essa foi a terceira Ação Voluntária da EcoFaxina de 2017. A primeira aconteceu na praia da Vila Tupi, em Praia Grande, e a segunda no manguezal da Zona Noroeste de Santos. É também a terceira realizada no Parque Ecológico do Perequê em parceria com a Prefeitura de Cubatão, as anteriores ocorreram nos anos de 2012 e 2013.

Apesar do evento ter como foco a coleta de resíduos, para os voluntários do Instituto que estão acostumados a fazer limpeza em áreas degradadas de mangue, onde nem conseguem ver o chão tamanha a quantidade de lixo, a ação no Parque Perequê foi como um passeio. O parque tem uma beleza natural incrível. Foi um momento muito importante de sociabilização, onde renovamos nossa energia. Agora já estamos prontos para a próxima!

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina

80ª Ação Voluntária EcoFaxina


Dados da ação

Voluntários: 43
Quantidade de resíduos coletados: 165 kg
Quantidade por materiais: 154 kg de plástico, 7 kg de vidro e 4 kg de metal.
Mais fotos: http://bit.ly/2lNpnrR

Organização: Instituto EcoFaxina e Prefeitura de Cubatão
Apoio: Instituto Federal de São Paulo - Campus Cubatão, ETEC de Cubatão, Cepema-Poli-Usp, Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, Associação Beneficente dos Catadores de Material Reciclável da Baixada Santista, Multientulho e Gari - Transportes e Limpezas Ltda.

Sobre o Instituto EcoFaxina

O Instituto EcoFaxina atua desde 2008 com foco no desenvolvimento e apoio a políticas públicas, pesquisas, programas e ações voltadas à proteção do Meio Ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável. Um de seus principais objetivos para 2017 é implantar o projeto “Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos”, no Estuário de Santos, recuperando áreas de manguezais degradadas e diminuir a saída de plástico para o oceano. Para saber mais sobre esse projeto e conhecer o trabalho do Instituto, acesse http://www.institutoecofaxina.org.br.

Assessoria de imprensa

Márcia Raele | Jornalista
Tel: 13 3301.2391 | Cel: 19 99225.2139


Cubatão recebe Ação Voluntária EcoFaxina neste domingo (19)

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17/02/2017 

Evento, organizado em parceria com a prefeitura da cidade, reúne voluntários que farão limpeza do Parque Ecológico do Perequê. 

Acontece neste domingo, 19 de fevereiro, a 80ª Ação Voluntária EcoFaxina. O evento será no Parque Ecológico do Perequê, em Cubatão (SP), importante área de preservação na região, que conta com trilhas em meio à Mata Atlântica.

O objetivo da ação, além da limpeza, é promover o turismo ecológico consciente no parque. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
O objetivo da ação, além da limpeza, é promover o turismo ecológico consciente no parque.

“O parque forma um importante corredor ecológico e abriga grande biodiversidade que precisa ser preservada. Como recebe muitos turistas e moradores da cidade, poderemos encontrar bastante resíduos em sua área”, comenta o presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis, que organiza a ação em parceria com a Prefeitura de Cubatão e ajuda de voluntários do instituto.

O Parque Ecológico do Perequê tem 168 hectares (aproximadamente 160 campos de futebol), 11,5 Km de perímetro, 95 espécies vegetais e 183 animais (sendo 26 endêmicas da região). Um de seus principais atrativos é a cachoeira Véu de Noiva, com cerca de 60 metros de altura. A trilha que leva à cachoeira, considerada de dificuldade moderada, é vencida em cerca de uma hora. Durante o trajeto os aventureiros tem acesso a outras cachoeiras e também piscinas naturais.

Ação Voluntária EcoFaxina - Parque Ecológico do Perequê. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

Ação Voluntária EcoFaxina - Parque Ecológico do Perequê. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

Ação Voluntária EcoFaxina - Parque Ecológico do Perequê. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

O evento conta com apoio do Instituto Federal de São Paulo Campus Cubatão, ETEC de Cubatão, Cepema-Poli-Usp, Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, Associação Beneficente dos Catadores de Material Reciclável da Baixada Santista, Multientulho e Gari - Transportes e Limpezas.

Esta é a terceira Ação Voluntária EcoFaxina de 2017. A primeira aconteceu na praia da Vila Tupi (Praia Grande/SP) e a segunda no manguezal da Zona Noroeste de Santos (SP). É também a terceira realizada no parque em parceria com a Prefeitura de Cubatão, as anteriores ocorreram nos anos de 2012 e 2013.

Uma preocupação dos organizadores, é que, além de resíduos plásticos tradicionais, como embalagens de produtos, sacolas, lacres, etc, estão sendo encontrados também em ambientes aquáticos o microplástico e nanoplástico, que tem origem, em grande parte, no processo de fotodegradação e desgaste de objetos plásticos maiores, e representam uma grande ameaça às espécies aquáticas. “Estudos recentes mostram a crescente presença desses nanoplásticos nos ecossistemas costeiros e marinhos. Apesar de serem observados somente por meio de microscópio eletrônico, são uma grande ameaça de poluição até então desconhecida e cada vez mais presente nos organismos aquáticos. Inclusive em nossos alimentos”, alerta Schepis.

Para quem tiver interesse em participar como voluntário da 80ª Ação da EcoFaxina, pode enviar um e-mail para ecofaxina@gmail.com ou se inscrever diretamente no evento publicado na página do instituto no Facebook (www.facebook.com/ecofaxina/events).

A ação tem início na parte plana do rio às 8h30, com término às 12 horas. Os voluntários que optarem por continuar após a pausa para o lanche, terão a oportunidade de seguir pela trilha com a ação de coleta, aproveitando as belas piscinas naturais e cachoeiras formadas pelo rio, com conclusão prevista para 17 horas.

O Instituto EcoFaxina atua desde 2008 com foco no desenvolvimento e apoio a políticas públicas, pesquisas, programas e ações voltadas à proteção do Meio Ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável. Um de seus principais objetivos para 2017 é implantar o projeto “Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos”, no Estuário de Santos, recuperando áreas de manguezais degradadas e diminuir a saída de plástico para o oceano. Para saber mais sobre esse projeto e conhecer o trabalho do Instituto, acesse http://www.institutoecofaxina.org.br.

SERVIÇO

80ª Ação Voluntária EcoFaxina
• Local: Parque Ecológico do Perequê, em Cubatão (SP)
• Mapa: https://goo.gl/maps/SfuEeibzpjr
• Transporte público: EMTU - Linha 912 - Praia Grande (Terminal Tatico) / Cubatão (USIMINAS) - Via Praia Grande (Terminal Rod. Urbano Tude Bastos) e Santos (Av. Nossa Sra. de Fátima).
• O que levar/usar: roupas leves, roupa de banho, tênis para trilha e mochila para transportar água, lanche, toalha, máscara de mergulho, celular, protetor solar, repelente, etc.
• Inscrições: pelo evento no Facebook - http://bit.ly/2kA1Nu9 – ou pelo email: ecofaxina@gmail.com.

Assessoria de Imprensa

Márcia Raele | Jornalista
Tel: 13 3301.2391 | Cel: 19 99225.2139
comunicacao.ecofaxina@gmail.com
www.institutoecofaxina.org.br


Filhote de peixe-boi morre após ingerir sacolas plásticas

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14/02/2017 

Um filhote de peixe-boi que se perdeu da mãe foi resgatado na Flórida, mas não resistiu aos danos provocados pelo plástico em seu trato digestório.

Os veterinários do zoológico tinham batizado o filhote de "Emoji". Após de ter sido separado de sua mãe, o jovem peixe-boi ingeriu sacolas plásticas em busca de algas marinhas no fundo do mar.
Os veterinários do zoológico tinham batizado o filhote de "Emoji". Após ter sido separado de sua mãe, o jovem peixe-boi ingeriu sacolas plásticas em busca de algas marinhas no fundo do mar.

Um filhote de peixe-boi foi resgatado em outubro, na Flórida, mas não conseguiu resistir aos danos que as sacolas plásticas que ingeriu por engano provocaram em seu organismo, e morreu no final de janeiro. O plástico foi encontrado em seu estômago com resíduos projetando-se por todo o intestino.
 

Os veterinários que resgataram o animal e o acolheram em um zoológico, na Flórida (EUA), disseram que foi um dos casos mais sérios que já presenciaram, e que ele estava sofrendo de uma coagulação intravascular, que fazia com que o filhote sangrasse e coagulasse ao mesmo tempo.

O peixe-boi conseguiu sobreviver durante três meses, e exatamente quando estava começando a ganhar peso e dar alguns sinais de melhora, não resistiu e morreu. “Este é um trágico exemplo das consequências das ações dos seres humanos”, disseram os veterinários ao jornal Whashington Post, em reportagem publicada este mês. “Agora, mais do que nunca precisamos nos responsabilizar, mantendo lixos e plásticos foras dos nossos rios e mares, e de estarmos cada vez mais conscientes das consequências de nossas ações”, ressaltaram. O caso chamou tanto a atenção dos veterinários, que eles resolveram acompanhar o bebê peixe-boi e fazer um vídeo sobre ele. Assista abaixo:


Segundos dados da revista National Geographic, existem 5,25 trilhões de resíduos plásticos no oceano – cerca de 269 mil toneladas na superfície. Estudos recentes descobriram que metade das tartarugas marinhas e quase todas as aves marinhas do planeta já ingeriram plástico.


Praia Grande recebe Ação Voluntária EcoFaxina em seu aniversário de 50 anos

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16/01/2017 

Voluntários realizarão coleta de microlixo dia 19/1, na praia da Vila Tupi. Um alerta de que nem tudo é festa quando o assunto é poluição marinha na Baixada Santista.

Além do aspecto ruim que ele dá às praias da região, o microlixo causa graves prejuízos à vida marinha, transfere poluentes químicos para o ambiente e pode ser ingerido por diversas espécies, incluindo aves, peixes, tartarugas e mamíferos. "Nanolixo" - Novos estudos mostram que partículas submicroscópicas de plástico, observadas somente através de microscópio eletrônico, representam uma ameaça de poluição até então desconhecida.
Além do aspecto ruim que ele dá às praias da região, o microlixo causa graves prejuízos à vida marinha, transfere poluentes químicos para o ambiente e pode ser ingerido por diversas espécies, incluindo aves, peixes, tartarugas e mamíferos. "Nanolixo" - Novos estudos mostram que partículas submicroscópicas de plástico, observadas somente através de microscópio eletrônico, representam uma ameaça de poluição até então desconhecida.

Integrando a programação dos 50 anos da Praia Grande, a 78ª Ação Voluntária EcoFaxina reunirá voluntários para uma coleta de microlixo na praia da Vila Tupi, onde o prefeito Alberto Mourão fará a entrega oficial das obras de reurbanização do entorno do Emissário Submarino da Sabesp, que incluem a construção de um deck, a instalação de uma academia para a melhor idade e a entrega de dois murais pintados pelo artista Erick Wilson, que é natural de Praia Grande, e tem como meta pintar 80 murais pelo mundo retratando os oceanos e a vida marinha. Praia Grande receberá as 10ª e 11ª edições.

O artista retratou uma onda gigante e um ambiente recifal utilizando a estrutura do Emissário Submarino.
O artista retratou uma onda gigante e um ambiente recifal utilizando a estrutura do Emissário Submarino.

Na tenda de verão da prefeitura, entidades ambientais estarão expondo seus trabalhos ao público das 10 às 17 horas.

A coleta terá início às 10h30 com encerramento previsto para 12h30, após a quantificação e qualificação dos resíduos retirados da faixa de areia. Os dados serão encaminhados à prefeitura.  A 78ª Ação Voluntária EcoFaxina tem o apoio do Departamento de Educação Ambiental da Praia Grande, Projeto Megafauna Marinha do Brasil e Universidade Santa Cecília - Unisanta.


Resíduos retirados do trato digestório de uma tartaruga-marinha. Fragmentos de plástico, em suas diferentes formas, cores e tamanhos compõem o banquete que oferecido diariamente aos animais marinhos da Baixada Santista.
Resíduos retirados do trato digestório de uma tartaruga-marinha. Fragmentos de plástico, em suas diferentes formas, cores e tamanhos compõem o banquete que oferecido diariamente aos animais marinhos da Baixada Santista.

Clique aqui para confirmar presença em nossa página no Facebook.


Aves comem plástico no oceano porque sentem 'cheiro de alimento'

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12/11/2016 

Um novo estudo lança luz sobre por que tantas aves marinhas, peixes, baleias e outras criaturas estão ingerindo tanto plástico. E não é exatamente o que os cientistas pensavam. 


Os oceanos estão sendo invadidos pelo plástico e centenas de espécies marinhas ingerem quantidades surpreendentes. No entanto, o porquê de tantas espécies, de minúsculos zooplânctons às baleias, confundirem plástico com alimentos nunca foi totalmente explorado.

Agora, um novo estudo explica o porquê: Tem cheiro de comida.

Algas são consumidas pelo krill, pequenos crustáceos que são a principal fonte de alimento para muitas aves marinhas. Como as algas se decompõe naturalmente no oceano, elas emitem um forte odor de enxofre conhecido como dimetilsulfureto (DMS). Aves marinhas em busca de krill aprenderam que o odor de enxofre às levam a suas áreas de alimentação.

Pequenos crustáceos semelhantes ao camarão, o krill compõe o zooplâncton, base da cadeia alimentar nos oceanos.

Acontece que o plástico flutuante fornece uma plataforma perfeita para as algas prosperarem. Como as algas se decompõe, emitindo o odor do DMS, aves marinhas, seguindo seus olfatos em busca de krill, são enganadas por uma "armadilha olfativa", de acordo com um novo estudo publicado dia 9 de novembro na Science Advances. Em vez de se alimentarem de krill, elas se alimentam de plástico.

"DMS é o sino do almoço", diz Matthew Savoca, estudante de doutorado da Universidade da Califórnia - Davis e principal autor do estudo. "Quando as pessoas ouvem o sino do almoço, sabemos que a comida está pronta. Este é o mesmo conceito. Uma vez que o olfato dos pássaros lhes diz que este é o lugar onde podem encontrar o krill, iniciam o forrageamento (comportamento de busca e exploração de recursos alimentares)".

Os detritos plásticos têm se acumulado rapidamente nos oceanos do planeta, quase dobrando a cada década. Em 2014, uma análise global estimou a quantidade de plástico nos oceanos em 250 milhões de toneladas, em grande parte suspenso na forma de pequenas partículas do tamanho de um grão de arroz. Mais de 300 espécies foram documentadas consumindo plástico, incluindo tartarugas, baleias, focas, aves e peixes. Aves marinhas estão especialmente em risco; Um estudo publicado no ano passado por cientistas da Austrália concluiu que praticamente todas as aves marinhas já consumiram plástico.

Na Baixada Santista, toneladas de plástico descartadas diariamente por favelas de palafitas em manguezais no interior do estuário saem para o oceano pelo do canal do Porto de Santos (acima) e pelo canal de São Vicente.

Cerca de 700 espécies de animais marinhos foram registradas como tendo encontrado detritos feitos pelo homem, como plástico, metal e vidro, de acordo com o estudo de impacto mais abrangente em mais de uma década realizado por pesquisadores da Universidade de Plymouth.

O plástico representa cerca de 92 % dos casos de ingestão e emaranhamento e 17 % de todas as espécies envolvidas está na lista vermelha de ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção da IUCN, como a foca-monge-do-havaí e a tartaruga-cabeçuda.

Os cientistas sabem há muito tempo que o plástico no oceano é consumido porque parece comida. As tartarugas marinhas, por exemplo, confundem frequentemente sacolas plásticas com águas-vivas. Outros animais marinhos, incluindo peixes, devoram pedaços de microplástico, quebrados pela luz solar e a ação das ondas, porque se assemelham a pequenos organismos de que normalmente se alimentam.

Mas o estudo de como os odores podem influenciar na ingestão de plástico por animais marinhos é o primeiro de seu tipo. Savaca uniu-se a uma cientista que estuda como os odores afetam as tomadas de decisão, e um químico de alimentos e vinhos, para determinar qual odor poderia ser o causador.

"Isso não desmente que o plástico possa parecer visualmente atraente", diz ele. "Muitas vezes, é o cheiro que faz os animais forragearem na área e ativam o processo de alimentação. É muito mais provável que uma ave marinha coma plástico se ele parecer e 'cheirar' como comida."

Chelsea Rochman, uma bióloga evolucionária da Universidade de Toronto, que estuda os efeitos tóxicos do plástico consumido pelos peixes, chamou o estudo de um passo importante para entender por que os animais marinhos estão comendo plástico.

"Ao longo da literatura sobre detritos plásticos, você vê pesquisadores escreverem declarações implicando que os animais estão 'escolhendo' comer detritos plásticos sem um bom teste ou explicação do porquê", diz ela. "Este é o primeiro grupo a mergulhar realmente nos detalhes do porquê."

A equipe de Savoca decidiu se concentrar em aves já severamente afetadas pelo consumo de plásticos: albatrozes, pardelas e petréis. Eles começaram o estudo colocando sacos com microplástico em boias da baía de Monterey e Bodega Bay, ao largo da costa da Califórnia. Depois de três semanas eles recolheram os sacos e testaram o odor em laboratório.

"Eles cheiravam a enxofre", diz Savoca.


Não demorou muito para identificar o DMS como um forte preditor de consumo de plástico nos oceanos e a "infoquímica fundamental" que atrai animais marinhos para o plástico como se fosse krill. Testes de extração de odor confirmaram que três variedades comuns de plástico adquiriram uma "assinatura DMS" em menos de um mês. A equipe também descobriu, não surpreendentemente, que as aves mais atraídas pelo odor DMS são albatrozes, pardelas e petréis, as mais severamente afetadas pelo consumo de plástico.

Os pesquisadores querem agora desenvolver novos estudos para saber se outros animais, como peixes, pinguins e tartarugas, também são atraídos para o plástico por substâncias químicas.

E eles dizem que pode ser possível desenvolver plásticos que não atraiam algas ou não quebrem rapidamente no ambiente.

"Saber as espécies mais impactadas com base na maneira como encontram alimentos permite que a comunidade científica descubra como melhor alocar esforços de monitoramento e conservação para as espécies mais necessitadas", disse Savoca.

Fontes: Science Magazine e National Geographic 
Tradução e adaptação: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina


Pesquisa realizada pelo Instituto EcoFaxina, UNESP e CETESB confirma contaminação por metais no Rio dos Bugres

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17/09/2016 

Supressão de vegetação, aterramento, ocupação irregular em área de manguezal por uma das maiores favelas de palafitas do Brasil e um lixão, este é o cenário do Rio dos Bugres, que delimita parte dos municípios de Santos e São Vicente.

Invasões de áreas de mangue e lixão são fatores que contribuem para a contaminação do rio.
A pesquisa realizada com os sedimentos do Rio dos Bugres a fim de se averiguar a qualidade dos sedimentos (nível de toxicidade e contaminação por metais) confirmou a suspeita dos autores do estudo: os sedimentos exibiram alta toxicidade e alta contaminação, extrapolando os limites de qualidade de sedimentos para alguns metais.

A poluição por resíduos sólidos foi um obstáculo superado durante a coleta dos sedimentos.

O trabalho consistiu em testes de toxicidade aguda com o anfípodo Tiburonella viscana, realizado no Laboratório do Núcleo de Estudos em Poluição e Ecotoxicologia Aquática (NEPEA), coordenador pelo Professor Doutor Denis Abessa da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus do Litoral Paulista e análises químicas de sedimentos, realizadas na Companhia Ambiental Do Estado De São Paulo (CETESB).

Os atores envolvidos na execução do trabalho, Instituto EcoFaxina (Sociedade Civil), UNESP (Academia) e a CETESB (Agência Ambiental do Governo do Estado de São Paulo), demonstram que diversos setores da sociedade podem atuar em colaboração, o que reforça a imparcialidade do trabalho.

Os dados são inéditos e de especial importância, tendo em vista que as campanhas de monitoramento no Sistema Estuarino de Santos e São Vicente realizadas pela CETESB não incluem cenários com essa característica. Ademais, esse estudo pode servir como referência para pesquisadores de outras regiões do país que possuem cenário semelhante.

Poder público

A inércia e o descaso dos gestores públicos de diferentes órgãos ao longo de décadas sobre a não observância e deficiência no cumprimento, planejamento, execução, fiscalização de políticas públicas e planos setoriais tais como o Código Florestal (Lei Federal nº 12651/12) – Manguezais são Áreas de Preservação Permanente - APP, Plano de Saneamento Básico (Lei Federal nº 11.445/07), Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/10), Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos entre outros, contribuíram e contribuem sobremaneira para que este cenário se perpetue e piore a cada dia.

A Prefeitura de Santos conduz um programa denominado Santos Novos Tempos que contempla obras de macrodrenagem na região do entorno do Bugres, remoção de submoradias, e ações que irão alterar o regime hidrológico e sedimentológico do rio, no entanto, as ações não possuem comunhão com o município de São Vicente, nem tampouco se contempla estudos para averiguar se existe ou não contaminação no Rio dos Bugres, pois, em caso de obras de dragagem, essa atividade terá que observar a Resolução CONAMA nº 454/2012 (Estabelece as diretrizes gerais e os procedimentos referenciais para o gerenciamento do material a ser dragado em águas sob jurisdição nacional).

O projeto Santos Novos Tempos apresenta problemas em sua execução e perdeu o financiamento do Banco Mundial. Link para os relatórios:  
http://documents.worldbank.org/curated/en/docsearch/projects/P104995

Por ser uma realidade complexa, somente um conjunto de ações como a remoção total das palafitas (contemplando a realocação dessas pessoas com moradias através de planos habitacionais), implantação e melhoria das condições de saneamento no entorno, gestão de resíduos, remediação das áreas contaminadas pelo lixão, limpeza e reflorestamento das áreas degradadas de mangue, poderá gradativamente restabelecer a condição natural do Rio dos Bugres e seus serviços ambientais.

O Programa Santos Novos Tempos, se revisto e ajustado de acordo com as necessidades locais e as legislações em vigor, se tornará uma boa oportunidade para o início de reversão deste cenário. É fundamental que São Vicente acompanhe esse processo, especialmente em colaboração com a CETESB para a remediação da área do antigo lixão.

Naturalmente, os esforços conjuntos de distintos setores do poder público dependem de vontade política dos seus gestores, no entanto, o clamor da comunidade e a atuação do Ministério Público poderiam acelerar esse processo a fim de reverter esse quadro de vulnerabilidade ambiental e social.

Link para o artigo: