Plástico causa proliferação de insetos no Oceano Pacífico
11/05/2012 - Ian Johnston / msnbc.com
A quantidade de plástico na Grande Porção de Lixo do Pacífico aumentou 100 vezes durante os últimos 40 anos, causando "profundas" alterações no ambiente marinho, de acordo com um novo estudo.
A Grande Porção de Lixo do Pacífico se encontra no Giro do Pacífico Norte, localizado entre o equador e o Paralelo 50 N e ocupa uma área de aproximadamente 20 milhões de quilômetros quadrados. O giro tem um padrão circular no sentido horário e compreende 4 correntes oceânicas: a Corrente do Pacífico Norte ao norte, a Corrente da Califórnia a leste, a Corrente Equatorial Norte ao sul, e a Corrente Kuroshio a oeste. O local concentra uma enorme quantidade de detritos marinhos, conhecido como Grande Porção de Lixo do Pacífico, conhecido mundialmente como "Great Pacific Garbage Patch".
Insetos marinhos
Cientistas do Scripps Institution of Oceanography, em San Diego descobriram que insetos que vivem na superfície do mar, denominados "gerrídeos", do gênero Alobates, estavam usando o lixo como um lugar para colocar seus ovos em maior número do que antes.
O estudo diz que o lixo fornece um novo habitat para esses insetos oceânicos, que se alimentam de plâncton e ovos de peixes e, por sua vez, viram comida de crustáceos, aves marinhas, tartarugas e peixes.
Os insetos, que passam toda a vida no mar, precisam de uma superfície dura onde depositar seus ovos, antes limitada a itens relativamente raros, como matéria vegetal, penas de aves e pedras-pome.
Se a densidade do microplástico continuar a crescer, o número de insetos aumentará também, alertaram os cientistas, "potencialmente às custas de presas como o zooplâncton e os ovos de peixes".
Em um artigo publicado pela revista Biology Letters as, pesquisadores disseram que isso teria implicações para os outros animais, predadores dos gerrídeos - que incluem caranguejos - e sua comida, que é principalmente plâncton e ovos de peixes.
Efeito bioacumulativo
Os cientistas também apontam para um estudo anterior do Scripps Institution of Oceanography, que indica que nove por cento dos peixes apresentam resíduos de plástico em seus estômagos.
Os cientistas também apontam para um estudo anterior do Scripps Institution of Oceanography, que indica que nove por cento dos peixes apresentam resíduos de plástico em seus estômagos.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), 13 mil partículas de lixo plástico são encontradas em cada quilômetro quadrado do mar, mas o problema é maior no Norte do Pacífico.
As partículas plásticas, que contém, absorvem e concentram poluentes tóxicos, estão sendo ingeridas por invertebrados, peixes, répteis, mamíferos e aves marinhas. Essas substâncias entram entram na cadeia trófica e os mais afetados são os organismos topo de cadeia, como tubarões e golfinhos.
A cada dia maior
A Grande Porção de Lixo do Pacífico com aproximadamente o tamanho do Texas, foi criada por resíduos plásticos que chegam ao mar e são transportados por correntes oceânicas para a Zona de Convergência Subtropical do Pacífico Norte.
A Grande Porção de Lixo do Pacífico com aproximadamente o tamanho do Texas, foi criada por resíduos plásticos que chegam ao mar e são transportados por correntes oceânicas para a Zona de Convergência Subtropical do Pacífico Norte.
![]() |
| Este mapa mostra a Zona de Convergência Subtropical do Pacífico Norte, no Giro do Pacífico Norte. |
A Expedição Scripps de Acumulação Ambiental de Plástico, conhecida como SEAPLEX, viajou cerca de 1.000 quilômetros a oeste da Califórnia em agosto de 2009.
Um comunicado no site do Instituto de Oceanografia Scripps afirma que os cientistas registraram uma quantidade alarmante de lixo plástico, a maioria fragmentos do tamanho de uma unha, espalhados por milhares de quilômetros em mar aberto. "
A estudante graduada Miriam Goldstein do Instituto de Oceanografia Scripps, cientista-chefe SEAPLEX, disse que o plástico chegou em grande quantidade nos oceanos em um período "relativamente curto".
29 de dezembro de 2007: A repórter Kerry Sanders da NBC informa sobre uma enorme porção de lixo que flutua no Oceano Pacífico, que está matando a vida marinha e crescendo a cada dia.
"O plástico só começou a ser amplamente utilizado no final dos anos 40 e início da década de 50, mas agora todo mundo usa e em um período de 40 anos vimos um aumento dramático de plástico nos oceanos", disse ela. "Historicamente, não temos sido bons em impedir o despejo de plástico no mar, espero que no futuro possamos fazer melhor."
![]() |
| Os investigadores descobriram larvas de peixes crescendo sobre pedaços de plástico, como mostrado acima. Jim Leichter / Scripps Institution of Oceanography |
Alteração na superfície
A enorme quantidade de plástico elevou a densidade de ovos de gerrídeos na área do giro, segundo o estudo.
A enorme quantidade de plástico elevou a densidade de ovos de gerrídeos na área do giro, segundo o estudo.
"Estamos observando mudanças neste inseto marinho que podem ser diretamente atribuídas ao plástico", disse Goldstein em um comunicado.
Ela disse à BBC que a adição de "centenas de milhões de superfícies duras" para o Pacífico causou "uma profunda mudança."
"No Pacífico Norte, por exemplo, não há algas flutuantes, como há no Mar dos Sargaços, no Atlântico Norte. E nós sabemos que os animais, as plantas e os micróbios que vivem em superfícies duras são diferentes dos que vivem flutuando na água", acrescentou.
Uma grande porção de lixo também foi encontrada no Oceano Atlântico, flutuando a poucas centenas quilômetros da costa norte-americana, de Cuba até Virginia.
O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que cunhou a frase "Great Pacific Garbage Patch", disse por telefone a msnbc.com que a única solução é passarmos a substituir o plástico e aguardar para que gradualmente se dispersem.
"Nós não podemos limpar. É muito grande. Você teria que ter toda a marinha dos EUA lá fora, correndo contra o relógio, rebocando continuamente pequenas redes. E como o plástico é gerado hoje, eles não seriam capazes de dar conta", disse ele.
Ebbesmeyer afirma que em 10.000 anos os cientistas irão encontrar uma camada de plástico no solo e utilizar isso como uma evidência das "pessoas de plástico".
Editado em 11/05/2012 por William Rodriguez Schepis / Instituto EcoFaxina
.
Mortes de golfinhos e aves marinhas geram polêmica no Peru
08/05/2012 - David Jolly de Paris e Andrea Zarate de Lima / NY Times
No ano passado, pescadores começaram a encontrar golfinhos mortos, centenas deles, encalhados na costa norte do Peru. Agora, as aves começaram a morrer também, e o governo ainda não identificou uma causa conclusiva.
Funcionários insistem que as duas séries de mortes não estão relacionadas. Os golfinhos estão sucumbindo a um vírus, eles sugerem, e as aves marinhas estão morrendo de fome porque as anchovas estão escassas.
Mesmo após três meses de analizes nos golfinhos, o governo ainda não divulgou resultados definitivos, causando uma crescente desconfiança entre o público e os cientistas de que pode haver mais fatos para a história. Alguns argumentam que a exploração offshore de petróleo estariam perturbando a vida selvagem, por exemplo, e outros temem que biotoxinas ou pesticidas podem estar fazendo seu caminho pela cadeia alimentar.
Pelo menos 877 golfinhos e mais de 1.500 aves, a maioria delas pelicanos marrons e atobás, morreram desde que o governo começou a acompanhar as mortes em fevereiro, informou o Ministério do Meio Ambiente na semana passada. Os golfinhos, muitos dos quais pareciam ter decomposto no oceano antes de encalharem, foram encontrados nas regiões de Piura e Lambayeque, não muito longe da fronteira com o Equador.

As aves marinhas que parecem, na sua maioria morreram em terra, foram encontradas de Lambayeque a Lima. "Nunca em meus 40 anos como um pescador vi nada como isso", disse Francisco Ñiquen Rentería, o presidente da Associação de Pescadores Artesanais em Puerto Eten, na região de Lambayeque. "Às vezes, no passado, você aleatoriamente via um golfinho morto ou um pelicano, mas isso que está acontecendo agora, é realmente alarmante."
"É estranho de fato," Gabriel Quijandría, o vice-ministro do Meio Ambiente, reconheceu em um e-mail. "Mas elas não estão relacionados."
O Instituto Oceanográfico do Peru disse que o culpado mais provável nas mortes de golfinhos é o morbillivirus, de uma família de vírus ligados a mortes em massa anteriores de mamíferos marinhos, disse o Sr. Quijandría, embora nos últimos dias as autoridades não terem mostrado certeza disso.
Para as aves marinhas, ele escreveu, a "hipótese mais plausível até o momento" dada pelo Serviço Nacional de Sanidade Agropecuária é que elas estão morrendo por falta de alimento, principalmente anchovas (Engraulis ringens), uma anchova peruana, como resultado do aquecimento súbito das águas costeiras.
O Ministério do Meio Ambiente informou que as mortes de golfinhos não tinham ligação com a pesca, marés vermelhas, biotoxinas, bactérias, metais pesados ou pesticidas. Também descartam qualquer conexão com testes sísmicos offshore por companhias para localizar petróleo e gás no subsolo marinho.
Ainda assim, pescadores, ambientalistas e outros suspeitam que funcionários do governo não estão sendo sinceros.
A descoberta de animais mortos nas praias perto de Lima, a capital, nos últimos dias complicaram as coisas. No fim de semana, o Ministério da Saúde emitiu um alerta aconselhando as pessoas a evitarem as águas ao redor de Lima e ao norte, "até que saibamos a causa das mortes recentes de espécies marinhas."
![]() |
| Um pelicano agonizando é arrastado pelas ondas para morrer na praia em Tumbes, Peru, perto da fronteira com o Equador. Foto: Silvia Oshiro/Agence France-Presse - Getty Images |
Ele aconselhou as pessoas a não comerem frutos do mar crus, muito comuns em aperitivos, e recomendou que as pessoas que estejam lidando com os animais marinhos doentes e mortos a usarem luvas e máscaras. O aviso semeou confusão, dado que declarações anteriores do governo indicavam que as aves provavelmente estavam morrendo de fome, em vez de adoecendo por alguma contaminação.
A costa peruana, alimentado pela corrente fria de Humboldt, é um dos habitats marinhos mais ricos do planeta. Fluindo para o norte a partir de águas da Antártida, a corrente transporta os nutrientes das profundezas do oceano para zonas mais próximas da superfície.
O plâncton é tão abundante nestas águas que a área tem a maior pescaria do mundo, com foco na anchoveta. O peixe é um importante componente da dieta dos golfinhos, aves marinhas e outros predadores.
O Ministério do Meio Ambiente diz que os dados do Instituto Sul-Americano para o estudo do efeitos do El Niño mostram que as temperaturas das águas costeiras têm sido acima da média nos últimos meses. As anchovetas preferem a água mais fria, e se elas descem abaixo de uma profundidade de seis ou sete pés, os pelicanos não podem alcançá-las.
Essa explicação não satisfaz Juan Sernaque Juárez, 34, um pescador do norte da cidade de Tumbes, que relaciona a mortandade com testes sísmicos por empresas de petróleo e gás. Ele disse que ele e alguns de seus vizinhos tinham entrado em greve há alguns meses para protestar contra o teste, que eles acreditam matar golfinhos, pássaros e leões-marinhos. "Mas isso não funcionou", disse ele, "e agora nós, principalmente, somos os que sofrem os resultados."
.
Em testes sísmicos offshore, navios rebocam matrizes de armas de ar comprimido que liberam ar de alta pressão sob a água, produzindo ondas sonoras que podem ser analisadas e localizarem petróleo e gás nas profundezas do oceano.
Mas o Sr. Quijandría, o vice-ministro do Meio Ambiente, disse que os golfinhos não haviam mostrado sinais de danos aos órgãos internos, estruturas do ouvido ou ossos que seriam consistentes com ferimentos acasionados por explosões submarinas.
![]() |
| Navio realiza pesquisa sísmica marítima utilizando disparos de ar comprimido Foto: Governo da Nova Zelândia |
Uma das empresas de exploração, BPZ Energia, divulgou um comunicado afirmando que suas operações foram realizadas ao norte da área onde os golfinhos encalharam e que as mortes começaram antes de iniciarem suas pesquisas recentes.
Ñiquen Rentería, 57, de Puerto Eten, que pesca pequenos tubarões e linguados, afirma que o governo está subestimando a extensão das mortes de golfinhos. Ele disse por telefone que viu pelo menos 3.000 golfinhos mortos na praia desde novembro e que eles ainda estavam morrendo, embora o número estivesse diminuindo.
Mas o Sr. Quijandría disse que não havia provas de que muitos golfinhos morreram.
Os meios de comunicação peruanos levantaram a possibilidade de que os pesticidas podem estar envenenando os animais. Pedro Alva, presidente do Instituto de Desenvolvimento Regional em Lambayeque, sugeriu que o esgoto bruto ou outro efluente poderia ser o culpado.
"É insuportável andar em torno dessas áreas", disse o Sr. Alva sobre as cidades que crescem rapidamente ao longo da costa. "Eles despejam os seus resíduos industriais e residenciais para o oceano sem controle, sem consideração".
Sophie Bertrand, um ecologista marinho do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento na França, que está liderando um projeto de pesquisa sobre aves marinhas e leões-marinhos no Peru, disse que se houvesse um fator comum que ligasse as mortes, ele provavelmente seria encontrado na anchoveta, comido por todas as espécies envolvidas.
Mesmo que os pesquisadores peruanos pareçam ter excluído as biotoxinas como um possível agente, ela escreveu em um e-mail, "existem muitas e pode ser difícil realizar testes para todas elas."
.
Lixo marinho pode ser até 2,5 vezes maior do que o imaginado
04/05/2012 - EcoD
Uma nova descoberta pode multiplicar a quantidade estimada de lixo plástico nos oceanos. Pesquisa realizada pelas universidades norte-americanas Delaware e Washington, publicada no periódico Geophysical Research Letters, revelou que pedaços minúsculos de plásticos podem atingir até cinco metros de profundidade. A maioria dos cálculos realizados anteriormente levava em conta apenas a superfície do mar.
![]() |
| Acima, plástico coletado na superfície. Novas pesquisas levarão em conta também outras profundidades. |
A pesquisa começou por acaso. O oceanógrafo Giora Proskurowski contou que percebeu algo estranho quando trabalhava embarcado no Oceano Pacífico. Pedaços de plástico similares a confetes estavam espalhados na superfície da água. Ele, então, colheu amostras de água a cinco metros de profundidade e descobriu que o vento estava empurrando o plástico para baixo da superfície da marinha.
"Isso quer dizer que décadas de pesquisa verificando a quantidade de lixo plástico no oceano podem, em alguns casos, ter subestimado significativamente a quantidade do material nas águas marítimas", observou o especialista.
Estudo
Os dados do estudo foram reunidos pelo oceanógrafo durante uma expedição ao Atlântico Norte em 2010. Os pesquisadores recolheram amostras na superfície da água e em três níveis de profundidade diferentes, até 30 metros. Quase todas as amostras tinham plástico.
Assim, o estudo conclui que os dados coletados na superfície da água subestima a quantidade de plástico em até 2,5 vezes. Se o vento for muito forte, esse fator pode chegar até 27 vezes.
A pesquisa sugere ainda um novo modelo para que ambientalistas e cientistas calculem com mais precisão a quantidade de lixo plástico nas águas marítimas.
.
País rico é país com saneamento adequado
03/05/2012 - O Estado de S. Paulo
![]() |
| Na Zona Noroeste de Santos comunidade e natureza convivem com lixo e esgoto
Foto: Instituto EcoFaxina
|
País rico é país sem pobreza, diz o lema do governo Dilma Rousseff. Mas cabe perguntar: que pobreza o governo tem em mente e quer eliminar? Se for medida pelo critério de renda, mesmo com o avanço da chamada classe C - a tal "nova classe média" -, boa parte desta é ainda pobre tanto no valor absoluto de sua renda como em termos de comparações internacionais. E há ainda as classes D e E.
Pode ser que o governo defina um nível conveniente de renda mínima ao medir o seu esforço de eliminar a pobreza. Mas nem assim esconderia o fato de que o País não seria rico se somente isso ocorresse. Esse nível de renda seria baixo e a pobreza não se limita aos rendimentos. Há outros aspectos fundamentais, como o nível e a qualidade do ensino e do atendimento à saúde recebidos em termos médios pela população, sabidamente muito baixos no Brasil. São carências seculares que não serão resolvidas em um ou dois mandatos presidenciais. E há mais aspectos da pobreza também carentes de atenção. Entre eles, a falta de saneamento adequado, que se desdobra em água tratada, esgotamento sanitário, coleta de lixo e drenagem de águas pluviais - esta para evitar as enchentes e os seus repetidos desastres. Quanto a isso o Brasil também está longe de chegar ao que se passa em países ricos.
Sabia que as carências de saneamento são sérias no Brasil, mas recentemente percebi que são ainda bem mais graves do que imaginava. Isso aconteceu ao assistir a uma palestra do economista Gesner Oliveira em reunião recente do Conselho de Economia da Associação Comercial de São Paulo. Além de sólida formação acadêmica e de sua condição de professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, ele tem hoje uma importante credencial para falar sobre o assunto: a experiência em lidar com ele como presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no governo José Serra.
O palestrante pintou um quadro dramático da precariedade do saneamento básico brasileiro, em particular nas áreas urbanas, o foco de sua análise. Assim, dados de 2010 ou próximos desse ano - como outros que são citados abaixo - mostram que apenas 25% das capitais tinham mais de 80% dos seus domicílios ligados a redes de esgoto. E há casos gravíssimos. Assim, numa reportagem de jornal mostrada na ocasião algumas foram chamadas de "capitais da porcaria", entre elas Porto Velho (apenas 2% de domicílios ligados), Belém (6%), Macapá (7%) e Manaus (11%), numa lista que inclui também quatro capitais nordestinas com taxas entre 30% e 37%.
Dados sobre o Brasil mostram ainda 40 milhões de pessoas sem rede de água tratada, 107 milhões (!) sem rede de esgoto, 134 milhões sem esgoto tratado e 8,2 milhões (!) sem banheiros em seus domicílios.
A situação de alguns países ricos foi apresentada e os dados confirmam o título deste artigo. Assim, na Alemanha 100% dos municípios têm água tratada, 100% têm coleta de esgoto e em 99% deles há tratamento do coletado. Na Itália os índices são de 98%, 90% e 94%; em Portugal, 97%, 95% e 84%; na França, 99%, 95% e 84%, respectivamente.
Numa breve referência ao saneamento rural, uma avaliação da ONU mostrou que a situação brasileira é pior do que a de países como Sudão, Timor Leste e Afeganistão. Quanto ao lixo, 42% dos resíduos sólidos coletados no País têm destinação imprópria, pois vão para lixões e aterros inadequados. E apenas 6% dos municípios têm algum sistema de drenagem.
É óbvia a correlação entre a disponibilidade de saneamento básico e melhores condições de saúde no entorno dos domicílios atendidos, mas foi interessante conhecer uma estimativa de que cada real gasto com saneamento representa a economia de quatro com tratamentos de saúde.
Dado esse triste quadro, o que se faz em contrário é claramente insuficiente para limpar toda a sujeira que revela. Há carência de investimentos e dificuldades de planejamento e de gestão. O Brasil tem seu Plano Nacional de Saneamento Básico, que prevê a universalização desse serviço até 2030 mediante investimentos totais de R$ 263 bilhões, e no valor médio anual, de R$ 13 bilhões, o que significaria dobrar a média dos últimos cinco anos, que, se mantida, deixaria essa universalização para 2060 (!).
Toda vez que ouço falar de planos governamentais ponho um pé atrás, pois muitos ficam só no plano das hipóteses. E não vejo de onde vai sair todo esse dinheiro de fontes governamentais. Por isso vi com simpatia algumas propostas apresentadas pelo palestrante, entre elas o recurso a parcerias público-privadas, pois sozinhos os governos federal, estaduais e municipais não dão conta dos problemas nessa área. E a busca de aumentos da produtividade de sistemas já instalados, inclusive ampliações e novos que virão.
No abastecimento de água, aumentos substanciais de produtividade seriam alcançados se reduzidas fortemente as perdas nas redes de abastecimento, que alcançam perto de 40% (!). Isso geraria receita adicional e liberaria recursos para mais investimentos. No esgotamento sanitário, que exige muito bombeamento, também há perspectivas de ganhos de produtividade com equipamentos mais eficientes no uso da energia.
Concluo com outro dado particularmente chocante, que evidencia os efeitos danosos da carga tributária elevadíssima, tão alta como nunca antes neste país. De impostos federais a Sabesp pagou em 2009 o total de R$ 1,26 bilhão, perto da metade a título de contribuições que se dizem sociais (uma tem explicitamente esse nome e outra é a Cofins, também com seu quê de social). No mesmo ano a Sabesp investiu um total não longe disso, R$1,8 bilhão, o qual poderia ser substancialmente ampliado se o governo federal promovesse uma forte desoneração tributária desse setor tão importante para aliviar as condições de pobreza em que vive grande parte da população brasileira.
.
Após golfinhos, centenas de pelicanos são encontrados mortos no Peru
30/04/2012 - BBC
O governo do Peru está investigando a morte de 538 pelicanos em um trecho de 70 quilômetros na costa norte do país.
O governo do Peru está investigando a morte de 538 pelicanos em um trecho de 70 quilômetros na costa norte do país.
Autoridades peruanas dizem que a maioria parece ter morrido em terra ao longo dos últimos dias.
Os cientistas também descobriram os cadáveres de 54 atobás, diversos leões-marinhos e uma tartaruga.
Eles foram encontrados na mesma região onde cerca de 877 golfinhos encalharam nos últimos quatro mêses. A causa das mortes ainda está sendo investigada.
O governo peruano disse que está "profundamente preocupado".
Um relatório preliminar informou não haver nenhuma evidência que indicasse que os pelicanos teriam morrido no mar, mas sim na praia, onde eles foram encontrados. E afirma que serão necessários mais testes para estabelecer a causa da morte.
O Instituto Marítimo Peruano (Imarpe) relatou até agora 538 atobás e 54 pelicanos haviam sido encontrado mortos em vários estágios de decomposição, embora a maioria aparentasse ter morrido recentemente.
Além das aves, cinco leões-marinhos em estado de decomposição e uma carcaça de tartaruga também foram encontrados na costa.
Relatos da mídia local sugerem que mais de 1.200 pelicanos mortos foram encontrados nas regiões de Piura e Lambayeque.
Entre janeiro e abril deste ano, 877 golfinhos mortos encalharam em Lambayeque, de acordo com dados do governo.
O Vice-Ministro do Peru para o Desenvolvimento de Recursos Naturais, Gabriel Quijandría Acosta, disse que um vírus pode ter matado os golfinhos.
Um surto de epidemia viral estave ligado a mortes semelhantes na fauna marinha peruana no passado, assim como já ocorreu no México e nos Estados Unidos.
As análises dos golfinhos, até agora, sugerem que tenham contraído um morbillivirus, que pertence ao mesmo grupo que o vírus do sarampo em seres humanos, disse Stefan Austermuehle da ONG Mundo Azul à BBC.
"Sabemos que em outros casos nos Estados Unidos até 50% da população foi morta pelo vírus", disse ele.
"O que sabemos também... é que em casos anteriores de animais que possuíam cargas elevadas de poluentes em seus corpos se tornaram vítimas facilmente para este tipo de doenças porque o sistema imunológico estava enfraquecido."
Os cientistas do Imarpe disseram que os resultados dos testes efetuados sobre os golfinhos mortos serão liberados nos próximos dias.
.
Organismos marinhos paralisam usina nuclear nos Estados Unidos
27/04/2012 - Alexandra Ludka / ABC
Os trabalhadores da usina nuclear de Diablo Canyon tiveram uma surpresa viscosa esta semana quando descobrim um acúmulo de criaturas semelhantes a água-viva que se agarraram à estrutura, levando à paralisação da planta.
Os organismos, conhecidos como salpa, são pequenas criaturas do mar com uma consistência semelhante à água-viva. A usina está localizada em Avila Beach, Califórnia.
![]() |
| Quando
ocorrem blooms algais as salpas podem rapidamente aumentar a sua
população produzindo assexuadamente clones que consomem o fitoplâncton.
Crédito: Getty Images
|
O influxo de salpas foi descoberto em parte do sistema da planta durante um monitoramento de rotina, de acordo com Tom Cuddy, o gerente sênior de comunicações externas e nuclear da Pacific Gas & Electric, empresa operadora da planta.
"Em seguida, tomomamos a decisão conservadora de desaceleração da unidade afetada para 20 por cento e continuamos a acompanhar a situação", disse Cuddy. "Como o problema continuou, tomamos uma outra decisão conservadora, que seria o mais seguro cortar a força da unidade."
As salpas causaram o entupimento das telas no interior da estrutura de admissão, que se destinam a manter a vida marinha para fora essegurar que a unidade seja refrigerada.
"Segurança é a mais alta prioridade", disse Cuddy. "Nós não vamos reiniciar a unidade até que a salpa se mova e as condições melhorem. Nenhuma prioridade é mais importante que a operação segura das nossas instalações."
A planta é constituída por duas unidades. A unidade 1 foi desligada anteriormente por causa do processo de reabastecimento e manutenção e não entrará em funcionamento durante várias semanas. Agora que a Unidade 2 foi desligada por causa do influxo de salpas, a planta cessou toda a produção.
A planta é constituída por duas unidades. A unidade 1 foi desligada anteriormente por causa do processo de reabastecimento e manutenção e não entrará em funcionamento durante várias semanas. Agora que a Unidade 2 foi desligada por causa do influxo de salpas, a planta cessou toda a produção.
Mesmo com a planta Diablo Canyon fora de operação, a PG&E se comprometeu a continuar a produção utilizando outras fontes de energia para que seus clientes não sejam afetados pelo fechamento.
"Já tivemos salpas presas à estrutura de admissão antes, mas nunca a esse ponto", disse Cuddy.
A estratégia da planta? Simplesmente esperar até que as salpas sigam seu caminho e retomar a produção assim que os filtros estiverem livres.
.
A estratégia da planta? Simplesmente esperar até que as salpas sigam seu caminho e retomar a produção assim que os filtros estiverem livres.
![]() | |
| As salpas funcionam como bombas biológicas,
sequestrando carbono da superfície e transportando para o fundo oceânico
no final do seu ciclo de vida.
Crédito: Richard Herrman
|
Morte de 877 golfinhos na costa no Peru continua um mistério
24/04/2012 - Marilia Brocchetto / CNN
As autoridades ambientais do Peru estão investigando as mortes de mais de 800 golfinhos que acabaram chegando na costa norte do país neste ano.
![]() |
| Foto: AP / Nestor Salvatierra |
Os golfinhos podem ter morrido de um surto virótico de Morbillivirus ou bacteriano de Brucella, disse vice-ministro do Meio Ambiente peruano Gabriel Quijandría, segundo a agência peruana estatal de notícias Andina. Falando à CNN, ele disse que está esperando os resultados dos testes que devem sair dentro de uma semana.
"Neste momento, a hipótese mais provável é que seja um surto de vírus", disse ele.
Quijandría disse quinta-feira que 877 golfinhos encalharam em uma área de 220 km de Punta Aguja à Lambayeque, no norte do país.
![]() |
| Foto: AP / Nestor Salvatierra |
![]() |
| Foto: AP / Nestor Salvatierra |
Mais de 80% desses golfinhos foram encontrados em estado avançado de decomposição, o que torna difícil estudar as suas mortes, de acordo com a Andina.
No início da semana passada, o governo peruano reuniu um painel de diferentes ministérios para analisar um relatório do Instituto Peruano do Mar (IMARPE). As autoridades concluiram que as mortes dos golfinhos não foram devido à falta de alimentos, interação com a pesca, envenenamento com pesticidas, biotoxinas, ou contaminação por metais pesados.
![]() |
| Foto: AP / Nestor Salvatierra |
![]() |
| Foto: AP / Nestor Salvatierra |
"Quando você tem algo desse tamanho, minha intuição diz que algo traumático aconteceu", Disse Sue Rocca, uma bióloga marinha da Whale and Dolphin Conservation Society, à CNN. Ela levantou uma série de possibilidades quanto ao que poderia ter matado os animais, incluindo o trauma acústico, mas concluiu que os investigadores não fazem idéia ainda.
"Mais investigações precisam ser feitas", disse ela.
![]() |
| Foto: AP / Nestor Salvatierra |
As mortes de golfinhos no Peru marcam uma terceira onda de encalhes em cerca de dois meses.
Em fevereiro, 179 golfinhos, 108 dos quais mortos, encalharam em Cape Cod, no leste dos Estados Unidos, segundo o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal. Biólogos marinhos ainda estão tentando determinar a causa dessas mortes.
No início de março, um vídeo amador feito em uma praia no Rio de Janeiro, Brasil, mostrou mais de 30 golfinhos encalhando. Nesse caso, os golfinhos foram devolvidos com segurança para o mar por banhistas.
.
Mais de 40% do lixo coletado não tem destinação adequada, mostra relatório
12/04/2012 - JN
Os estados e os municípios brasileiros têm até agosto de 2012 para entregar ao Ministério do Meio Ambiente um plano que dê destino correto ao lixo sólido.
Os estados e os municípios brasileiros têm até agosto de 2012 para entregar ao Ministério do Meio Ambiente um plano que dê destino correto ao lixo sólido.
Os estados e os municípios brasileiros têm até agosto de 2012 para entregar ao Ministério do Meio Ambiente um plano que dê destino correto ao lixo sólido. O objetivo dessa exigência é acabar com os lixões no nosso país. Nessa semana, o Jornal Nacional teve acesso com exclusividade a um estudo que mostra como o lixo é descartado atualmente no Brasil.
Economia crescendo, brasileiro comprando mais e produzindo mais lixo: esse ciclo levou à geração de quase 62 milhões de toneladas de lixo em 2011, 1,8% a mais do que em 2010.
Em média, cada brasileiro produziu um quilo e 223 gramas de lixo por dia em 2011. De todo o lixo produzido, 10% não foram coletados; 6,4 milhões de toneladas.
As informações foram levantadas com os municípios pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
O relatório mostra que quase 42% do lixo coletado não tem destinação adequada. Praticamente o mesmo percentual de 2010. Esse lixo vai parar em lixões ou aterros controlados.
“Não tem praticamente nenhuma diferença do lixão. Lixão é a pior forma de destinação, em que o lixo é abandonado sobre um terreno sem nenhum cuidado. O aterro controlado tem algum cuidado só para dar uma disfarçada”, diz Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe.
As regiões Sudeste e Nordeste são as que mais produzem lixo no Brasil. O Sudeste é o que dá melhor destinação aos resíduos. O Centro-Oeste, a pior destinação.
“Se compararmos os dados hoje disponibilizados no Brasil com a realidade de outros países, de outras cidades, mesmo que do mesmo porte, percebemos que o Brasil está bem distante de investir os volumes de recursos adequados ou necessários para avançar nessa questão”, avalia Carlos Silva Filho.
.
O Instituto EcoFaxina oferece vagas de estágio para licenciatura em Ciências Biológicas e Matemática na Zona Noroeste
29/03/2012 - William Rodriguez Schepis / IEF
Desde 2009 o Instituto EcoFaxina desenvolve o Programa Turma Ecológica - Rumo Certo para crianças de 6 a 14 anos que habitam palafitas no estuário de Santos e São Vicente em parceria com Associações de Bairro.
![]() |
| Logotipo do programa |
Sofre o povo, sofre a natureza
As condições sociais das comunidades que ocupam áreas de manguezal é chocante. As pessoas convivem com ratos, baratas, moscas e mosquitos. É hábito das famílias criarem gatos para espantar tais pragas. Além de gatos, existem também muitos cachorros, que vagam pelas ruas, becos e até mesmo pelo manguezal.
![]() |
| Seu João "o Baixinho", mostra sua antiga armadilha para caranguejos, que hoje utiliza para capturar ratos, que são afogados e jogados na "maré". |
Outra prática muito comum é a criação de porcos no manguezal, sem nenhum cuidado veterinário, em meio a muito lixo, para o consumo da carne. Armadilhas para captura de aves também são comuns pelos manguezais no entorno das comunidades.
![]() |
| Precárias estruturas de madeira servem como criadouros de porcos nas margens do estuário de Santos e São Vicente |
![]() |
| O manguezal recebe fezes e urina dos animais |
![]() |
| Os porcos são criados sem nenhum acompanhamento veterinário |
Resíduos sólidos
Estre os principais problemas ambientais da Baixada Santista, o descarte inadequado de resíduos causa severos danos ao ecossistema estuarino e marinho. Muitos animais como peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos confundem lixo com alimento. Hoje, o plástico que se acumula pelo estuário em enormes proporções e transportado gradativamente para o mar aberto, mata aproximadamente 1 milhão de aves marinhas e costeiras, 100 mil tartarugas e 100 mil mamíferos marinhos, de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza.
Além de matar por sufocamento, estrangulamento, afogamento e inanição, o plástico nunca se decompõem totalmente. O plástico sofre um processo chamado fotodegradação. É quando a luz do sol degrada lentamente o material, até o momento em que se transforma em pó. Esse pó tem a capacidade de absorver e concentrar poluentes, principalmente POPs, poluentes orgânicos persistentes. Esses poluentes são bioacumulativos e dependendo da concentração podem causar câncer, disfunções no sistema nervoso, hormonal e reprodutivo. Esse pó que resulta do processo de fotodegradação é facilmente ingerido por peixes que se alimentam de plancton e organismos filtrantes como ostras e mariscos, que servem de alimento para peixes maiores. Desta forma os poluentes permeiam a cadeia trófica e chegam até os organismos topo de cadeia, em que muitas espécies-chave determinam a abundância de outras espécies. E estes poluentes já estão chegando aos nossos pratos. Um recente estudo analisou a carne de tubarões vendidos em supermercados da capital paulista e constatou que todos os organismos possuíam índices de arsênio e mercúrio muito acima do permitido para o consumo humano. Isso demonstra a eficácia daquele velho ditado popular... "Nós colhemos aquilo que plantamos".
As crianças
Estre os principais problemas ambientais da Baixada Santista, o descarte inadequado de resíduos causa severos danos ao ecossistema estuarino e marinho. Muitos animais como peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos confundem lixo com alimento. Hoje, o plástico que se acumula pelo estuário em enormes proporções e transportado gradativamente para o mar aberto, mata aproximadamente 1 milhão de aves marinhas e costeiras, 100 mil tartarugas e 100 mil mamíferos marinhos, de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza.
Além de matar por sufocamento, estrangulamento, afogamento e inanição, o plástico nunca se decompõem totalmente. O plástico sofre um processo chamado fotodegradação. É quando a luz do sol degrada lentamente o material, até o momento em que se transforma em pó. Esse pó tem a capacidade de absorver e concentrar poluentes, principalmente POPs, poluentes orgânicos persistentes. Esses poluentes são bioacumulativos e dependendo da concentração podem causar câncer, disfunções no sistema nervoso, hormonal e reprodutivo. Esse pó que resulta do processo de fotodegradação é facilmente ingerido por peixes que se alimentam de plancton e organismos filtrantes como ostras e mariscos, que servem de alimento para peixes maiores. Desta forma os poluentes permeiam a cadeia trófica e chegam até os organismos topo de cadeia, em que muitas espécies-chave determinam a abundância de outras espécies. E estes poluentes já estão chegando aos nossos pratos. Um recente estudo analisou a carne de tubarões vendidos em supermercados da capital paulista e constatou que todos os organismos possuíam índices de arsênio e mercúrio muito acima do permitido para o consumo humano. Isso demonstra a eficácia daquele velho ditado popular... "Nós colhemos aquilo que plantamos".
As crianças
O Programa Turma Ecológica vai oferecer gratuitamente para as crianças do Caminho da União no bairro Jardim São Manoel, um curso especial de reforço escolar, com aulas ministradas por alunos do 2º e 3º ano dos cursos de Ciências Biológicas e Matemática.
O objetivo principal do curso é reforçar o aprendizado dos alunos, despertando a consciência ambiental e a cidadania. Utilizando o conceito da transdisciplinaridade, as aulas trarão à tona fundamentos da ecologia, relacionados a conduta cidadã, o desenvolvimento sustentável e o bem estar social. Provocar nas crianças ações diretas no seio da família, propiciando um diálogo através do caráter transformador da Educação Ambiental para a construção de uma sociedade sustentável.
![]() |
| As crianças convivem com a sujeira e nadam em águas extremamente poluídas |
Licenciatura
Através do Programa Turma Ecológica - Rumo Certo, os estagiários poderão adquirir horas de estágio, obrigatórias para a obtenção do diploma de licenciatura.
Além das vagas para estágio obrigatório, dois estagiários (Matemática e Ciências Biológicas) receberão bolsas de 40% de desconto na mensalidade.
Requisitos:
Gostar de crianças
Interesse em Ecologia e Educação Ambiental
Estar cursando o 2º ou 3º ano
Local:
Associação dos Moradores e Amigos do Caminho da União
Caminho da União, nº 35 - Jardim São Manoel, Santos.
Períodos:
Manhã e tarde
Contato e informações:
Os interessados devem enviar e-mail com nome e telefone celular para programaturmaecologica@gmail.com
Confira imagens do Programa Turma Ecológica:
Confira imagens do Programa Turma Ecológica:
.
Para MPF, Chevron furou poço com pressão maior de forma premeditada
20/03/2012 - Felipe Werneck, Sabrina Valle / O Estado de S.Paulo
Relatório da Polícia Federal e do Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes (RJ) sobre o vazamento de 2,4 mil barris de óleo no Campo de Frade, em novembro, e o afloramento divulgado semana passada acusa a Chevron de ter utilizado uma pressão na perfuração do poço superior à tolerada de forma premeditada. O excesso de pressão é apontado como uma das causas do vazamento, que estaria "fora de controle". O MPF não descarta pedir à Justiça a prisão preventiva dos executivos da Chevron. O governo federal avalia prolongar a interrupção da exploração de petróleo no campo.
"Eles assumiram um risco premeditado", afirmou ontem o procurador da República Eduardo Santos, do MPF, que acusou a Chevron de "ter botado uma pressão maior que a suportada e ter cavado além do que foi autorizado". "O vazamento não é mais no poço, é na rocha reservadora, e não tem como ser controlado. Não se sabe a capacidade. É uma cratera no solo marinho", acrescentou o procurador, que pretende formalizar denúncia amanhã, com base na lei de crimes ambientais (9.605).
"O crime está em andamento, por isso eu não descarto (pedir) a prisão", afirmou o procurador. Santos foi o autor do pedido de medida cautelar que resultou na proibição, determinada pela Justiça na noite de sexta-feira, de que 17 funcionários da Chevron e da Transocean, que operava a plataforma na Bacia de Campos, se ausentem do País até o julgamento da ação penal. O presidente da Chevron, George Raymond Buck III, está na lista.
Injeção
O delegado da Polícia Federal Fábio Scliar, responsável pelo inquérito, também afirmou, baseado no depoimento de geólogos, que houve excesso na pressão usada na injeção de fluido de perfuração. "O poço explodiu e depois foi necessário usar mais pressão para abandoná-lo." Segundo ele, uma área de cerca de 7 quilômetros quadrados do Campo de Frade pode estar sob risco de novos vazamentos. "A situação é grave e está fora de controle. Como é inédita, a indústria não está preparada para responder." O novo afloramento ocorreu a 3 quilômetros do poço que vazou em novembro, e a Chevron admitiu um afundamento na área em que se formou uma fissura de 800 metros.

"A empresa vai respeitar a lei brasileira e defender seus empregados com todos os recursos que a lei oferece", disse ontem o diretor de Assuntos Corporativos da Chevron, Rafael Jaen. Segundo ele, a petroleira ainda não foi notificada sobre a decisão que impede funcionários de deixar o País. Em relação ao afloramento de óleo, Jaen afirmou que a situação está sob controle. "São gotas que saem do subsolo. Todos os dias fazemos sobrevoos, e a mancha está diminuindo; fragmentada, concentra dois litros de óleo", afirmou.

Segundo ele, a petroleira interrompeu suas operações no campo de Frade e a intenção é retomar as atividades após a conclusão de um estudo geológico "técnico e profundo", realizado em conjunto com a Petrobrás. "Por enquanto, são especulações, hipóteses e teorias."
A Transocean informou apenas que "vem cooperando com as autoridades, mas continuará defendendo veementemente os seus colaboradores".
.
.
Lavar roupas polui o ambiente marinho com "microplástico", aponta estudo
19/03/2012 - Mark Kinver / BBC - Tradução: IEF
Partículas microscópicas de plástico que saem das roupas lavadas estão se acumulando no ambiente marinho e podem estar entrando na cadeia alimentar, alerta estudo.
Os pesquisadores rastrearam o microplastico de roupas sintéticas, que lançaram até 1.900 minúsculas fibras de vestuário cada vez que foram lavados.
Pesquisas anteriores mostraram que plásticos menores que 1mm são comidos por animais e entrar na cadeia alimentar.
![]() |
| As concentrações de microplastico são maiores perto de áreas costeiras urbanas, mostrou o estudo |
Os resultados foram apresentados na revista Environmental Science and Technology.
"A pesquisa que tinha feito antes mostrou que de todos os pedaços de plástico no meio ambiente, cerca de 80% é composto de pequenos pedaços", disse o co-autor Mark Browne, um ecologista com base na Universidade da California, em Santa Barbara.
"Isso nos levou a querer saber que tipos de plástico estão lá e de onde eles vêm."
Dr Browne, um membro do Centro Nacional para Análises e Sínteses Ecológicas, disse que o microplástico é uma preocupação, porque as evidências mostraram que ele esta fazendo o seu caminho na cadeia alimentar.
"Uma vez que o plástico é ingerido, ele é transferido dos estômago do animail para o seu sistema circulatório e acumulam nas células", disse à BBC News.
A fim de identificar a amplitude da presença de microplastico nas regiões costeiras, a equipe coletou amostras de 18 praias ao redor do globo, incluindo o Reino Unido, Índia e Cingapura.
"Nós descobrimos que todas as amostras do mundo contêm microplastico."
As fibras mais finas pode acabar causando problemas enormes em todo o mundo
Dr. Browne acrescentou: "A maioria do plástico parecia ser fibroso."
![]() |
| Minúsculas fibras de plástico que podem causar enormes problemas por todo o mundo |
"Quando olhamos para os diferentes tipos de polímeros que encontramos, fomos descobrindo que acrílico, poliéster e poliamida (nylon) compõem a grande maioria."
Os dados mostram também que a concentração de microplastico foi maior nas zonas próximas a grandes centros urbanos.
A fim de testar a idéia que emissários de esgoto são a fonte de plástico, a equipe trabalhou com uma autoridade local em New South Wales, Austrália.
"Nós encontramos exatamente a mesma proporção de plásticos", revelou Dr. Browne, o que levou a equipe a concluir que suas suspeitas estavam corretas.
Como resultado, Dr. Browne e seu colega, o professor Richard Thompson da Universidade de Plymouth, no Reino Unido realizaram uma série de experimentos para ver que tipo de fibras eram contidas na descarga de água das máquinas de lavar.
"Ficamos muito surpresos. Algumas roupas de poliéster lançaram mais de 1.900 fibras por roupa, por lavagem," Dr. Browne observou.
"Pode não parecer muita coisa, mas é a partir de um único item, em uma única lavagem e mostra como as coisas podem se acumular.
"Isso nos sugere que uma grande proporção das fibras que foram encontradas no meio ambiente, a evidência mais forte, foi derivada do esgoto, em conseqüência da lavagem de roupa."
.
Protesto contra novo Código Florestal reúne 1,5 mil em Brasília
08/03/2012 - Heloísa Guedes / Lead Comunicação
Ação marcou encerramento da campanha Mangue Faz a Diferença; manifestantes cobraram da presidente promessa eleitoral de vetar projeto
Mais de 1,5 mil pessoas se reuniram em frente ao Congresso Nacional, na quarta-feira (7), para protestar contra a aprovação do projeto de lei do novo Código Florestal (PLC 30/2011) e mostrar a importância dos manguezais. A ação faz parte da campanha nacional Mangue Faz a Diferença, coordenada pela Fundação SOS Mata Atlântica, com apoio da Rádio Eldorado e do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, uma coalizão formada por quase 200 organizações da sociedade civil brasileira.
Representando 24 Estados brasileiros, os manifestantes fizeram um banner vivo com os dizeres “Veta Dilma”, para cobrar as promessas de campanha da presidente, e também levaram as mensagens das campanhas #MangueFazaDiferença e #FlorestaFazaDiferenca. Estiveram presentes cientistas, deputados, ONGs, representantes de movimentos sociais e de organizações.
O projeto de lei que altera o Código Florestal já sofreu inúmeras mudanças, porém continua anistiando e incentivando o desmatamento. Para as ONGs ambientalistas, o texto aprovado no Senado é um pouco melhor que o da Câmara, mas ainda extremamente ruim para o Brasil. Por isso, elas defendem que a única solução agora é o veto da presidente.
Para as lideranças pesqueiras que estiveram no ato, a aprovação de um novo Código Florestal trará danos irreversíveis não só para a população ribeirinha e rural como também para a urbana. “O mangue é o berçário dos peixes. Com o novo Código Florestal várias espécies se extinguirão e farão falta à mesa dos brasileiros.” – afirmou Cícero Oliveira, da Associação Ribeirinha Amigos do Meio Ambiente (ARIBAME).
Ao todo, foram 36 mobilizações em 13 Estados do País desde o lançamento da campanha Mangue Faz a Diferença, no dia 24 de janeiro, no Fórum Social Temático, em Porto Alegre (RS). Com 87 instituições que aderiram à iniciativa, as ações da campanha atingiram cerca de 50 mil pessoas. “Esse foi o maior ato ambientalista contra o Código Florestal”, declarou Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.
A mobilização teve início às 8h, em frente à Catedral, e seguiu em direção ao Congresso Nacional. Às 11h, os manifestantes participaram de uma reunião com deputados na Câmara e, depois, se dividiram em grupos para visitar e pressionar os parlamentares de seus Estados.
Reunião
Movimentos de pescadores e estudantes conversaram nesta, quarta-feira, com deputados a respeito das estratégias para a votação do Código Florestal e também contaram aos parlamentares os impactos que a nova legislação trará.
Para a liderança de marisqueiras Eleonice, a anistia prevista no Código não servirá somente para o desmatamento, mas também para a atividade de carcinicultura (cultivo de camarão), responsável por enormes passivos socioambientais. “Empreendimentos de carcinicultura que hoje são ilegais vão receber a possibilidade de funcionar legalmente e ainda ter áreas ampliadas”, disse.
Compareceram na reunião os Deputados Sarney Filho (PV-MA), Ivan Valente (PSOL-SP), Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Walter Feldman (PSDB-SP). Segundo o Deputado Sarney Filho, “com essa legislação o Bioma Mata Atlântica será sepultado e a Amazônia será vencida pelos ruralistas”.
Cenário atual do Código Florestal
Os principais problemas da proposta do Código Florestal é que estimula novos desmatamentos, anula multas de crimes ambientais, reduz Áreas de Preservação Permanente (APP) e de reservas legais e desobriga a recuperação da grande maioria das áreas ilegalmente desmatadas.
Apesar dos pedidos de cientistas, juristas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais para que o processo seja revisto e realizado de forma responsável, o Projeto de Lei deverá ser votado na próxima terça feira (13/03).
.
.
Assinar:
Postagens (Atom)












































