Voluntários farão limpeza de mangue neste domingo (13), em Santos

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11/12/2015 

Ação voluntária também terá como objetivo eliminar possíveis focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti.

A 65ª Ação Voluntária EcoFaxina acontecerá em uma área de mangue, às margens do rio dos Bugres, onde está prevista a instalação do galpão para a implantação do Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos no estuário de Santos, que consiste em uma frente de trabalho composta por jovens de comunidades de palafitas da região.

Voluntas posam para foto durante a última ação no rio dos Bugres.
Voluntas posam para foto durante a última ação no rio dos Bugres.

Esta será a 16ª ação voluntária realizada no rio dos Bugres. Ao todo já foram retirados 17.565 quilos de lixo do rio.

Parceria

Nesta quinta-feira (10) estivemos reunidos com a secretária do meio ambiente de Santos, Débora Blanco Bastos Dias, que reiterou o empenho da secretaria em acelerar o andamento do processo para a cessão de área próxima ao manguezal para os trabalhos de recuperação do mangue. O vereador Kenny Mendes também esteve presente na reunião.

Maryta Cerávolo (IEF), Kenny Mendes (Câmara Municipal), Debora Blanco, Viviane Ferreira (Semam) e William Schepis (IEF)
Maryta Cerávolo (IEF), Kenny Mendes (Câmara Municipal), Debora Blanco, Viviane Ferreira (Semam) e William Schepis (IEF)

O processo segue agora para a Procuradoria Geral do Município, que após parecer encaminhará ao gabinete do prefeito para a assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre a prefeitura de Santos e o Instituto EcoFaxina.

65ª Ação Voluntária EcoFaxina

Aconselhamos o uso de roupas leves, meias para usar com bota e mochila com squeeze, lanche, protetor solar, repelente, etc. Menores de 18 anos somente acompanhados por adulto responsável.

São fornecidos coletes de identificação, luvas e botas (uso obrigatório). Certificado de participação - 5 horas.

Ônibus: saída às 8h30-40 da rua dr. Oswaldo Cruz, 266, Boqueirão - http://bit.ly/1Q1mMBU. Retorno às 15 horas.
Apoio: Prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta e Terracom.
Reserva de vaga e mais informações: 


Voluntários retiram 368 quilos de lixo de manguezal em Santos

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23/09/2015 

A 64ª Ação Voluntária EcoFaxina celebrou o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias. Dados alertam para o grave quadro de poluição por plástico no estuário de Santos.

Sopa de plástico: mais de 300 espécies de animais marinhos confundem plástico com alimentos. Um recente estudo apontou que cerca de 90% das aves marinhas já ingeriram plástico.
Sopa de plástico: mais de 300 espécies de animais marinhos confundem plástico com alimentos. Um recente estudo apontou que cerca de 90% das aves marinhas já ingeriram plástico.

No último domingo (20/09) voluntários do Instituto EcoFaxina estiveram uma área de mangue em Santos e coletaram 92 sacos de 100 litros cheios de resíduos. De tampinhas de garrafa a embalagens de óleo de motor, o manguezal acumula uma enorme variedade de resíduos, caracterizando o descarte de resíduos domiciliares proveniente de comunidades de palafitas e submoradias que ocupam vastas áreas às margens de canais e largos do estuário de Santos e São Vicente.

O plástico e o isopor são os materiais em maior volume nos manguezais.
O plástico e o isopor são os materiais em maior volume nos manguezais.

A grande variedade de resíduos exigiu paciência dos voluntas durante a coleta de dados.
A grande variedade de resíduos exigiu paciência dos voluntas durante a coleta de dados.

Os voluntários cobriram uma área de aproximadamente 2.000 m² e coletaram 360 quilos de materiais recicláveis, sobretudo plástico. Com a variação de marés, grande parte do plástico descartado no mangue contamina praias, costões, ilhas e mar aberto.

Confira os dados da coleta: 

Itens coletados Quantidade % Peso
Garrafas pet 586 11,23 36
Tampinha de garrafa pet 314 6,02 1
Pedaços de plástico 526 10,08 59
Sacolas plásticas 343 6,57 3
Embalagens cosméticos e higiene pessoal 877 16,80 51
Embalagens produtos alimentícios 840 16,10 21
Embalagens produtos de limpeza 552 10,58 62
Embalagens produtos farmacêuticos 75 1,44 2
Embalagens óleo para motor 8 0,15 1
Embalagens tetra pak 234 4,48 8
Isqueiros 85 1,63 2
Fraldas 32 0,61 14
Pedaços de isopor 275 5,27 4
Brinquedos 62 1,19 25
Chinelos 102 1,95 20
Calçados 58 1,11 21
Pinos de cocaína 92 1,76 -
Garrafas de vidro 46 0,88 23
Lâmpadas 64 1,23 3
Preservativos 8 0,15 8
Objetos metálicos 32 0,61 4
Latinhas de alumínio 6 0,11 -
Maços de cigarro 2 0,04 -
TOTAL 5219
368

Os dados foram encaminhados para o escritório da Ocean Conservancy em Washington, D.C. que reunirá os dados no relatório do Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias.

Após exaustiva coleta de dados, os voluntas posam para foto ao final de mais uma ação.
Após exaustiva coleta de dados, os voluntas posam para foto ao final de mais uma ação.

Organização: Instituto EcoFaxina
Apoio: Ocean Conservancy, Prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta e Terracom


Voluntários celebrarão o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias com ação no mangue

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17/09/2015 

Ação reforça alerta do Instituto EcoFaxina para o descarte de lixo no mangue, origem de grande parte do plástico que polui praias da região e causa danos à vida marinha.

Com vastas áreas de mangue invadidas por palafitas, o estuário de Santos acabou se transformando em uma enorme sopa de plástico. Armadilha mortal para diversas espécies que buscam no mangue um local para se alimentarem e se reproduzirem.
Com vastas áreas de mangue invadidas por palafitas, o estuário de Santos acabou se transformando em uma enorme sopa de plástico. Armadilha mortal para diversas espécies que buscam no mangue um local para alimentação e reprodução.

A 64ª Ação Voluntária EcoFaxina será realizada neste domingo (20/9) em comemoração ao Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias. Promovido desde 1986, sempre no terceiro sábado de setembro pela ONG norte-americana Ocean Conservancy, o International Coastal Cleanup tem como objetivo envolver o maior número de pessoas na coleta de resíduos em praias e demais ecossistemas costeiros por todo o planeta. Além das coletas, o programa visa identificar as fontes de resíduos e mudar padrões comportamentais que contribuem para a poluição dos oceanos. Os dados das coletas são reunidos, publicados e utilizados para sensibilizar e educar consumidores, empresários e governantes. Em 2014 o evento reuniu cerca de 560.000 voluntários em 91 países, que retiraram mais de 7 mil toneladas de lixo de ambientes marinhos.

Caminhões descartam lixo misturado com resíduos da construção civil sobre o mangue. Após serem é aterradas as áreas se transformam em terrenos para habitações em madeira e depois em alvenaria. O metro quadrado desmatado de mangue possui hoje valor médio de trinta reais.
Caminhões descartam lixo misturado com resíduos da construção civil sobre o mangue. Após serem aterradas, as áreas se transformam em terrenos para habitações em madeira e depois em alvenaria. O metro quadrado desmatado de mangue possui hoje valor médio de trinta reais.

Por estarmos em uma região estuarina, a limpeza precisa começar pelo manguezal, berço da vida marinha e local de descarte de lixo para milhares de famílias que vivem em palafitas. A ação voluntária acontecerá na Zona Noroeste de Santos, em uma área de manguezal invadida por palafitas, onde moradores convivem com lixo e esgoto a céu aberto. Assim como nas demais ações promovidas durante o ano, o objetivo é conscientizar moradores sobre a importância da separação e do descarte correto dos resíduos, envolvendo cada vez mais pessoas com a causa e com o trabalho voluntário.

Além da limpeza e da educação ambiental, a coleta de dados e informações também é muito importante, pois eles servem de alerta e subsídio para governantes e empresários desenvolverem políticas públicas e empresariais que contribuam para que o plástico, esse material com inúmeras qualidades, mas que é confundido com alimentos e ocasiona a morte de milhares de animais marinhos todos os anos, siga seu caminho natural, o da reciclagem.


Mais de 80% dos resíduos que se acumulam nas praias da região tem origem domiciliar, proveniente de áreas de invasão de mangue nos municípios que compõe o estuário de Santos e São Vicente.

Cidade sem lixo, mangue sem lixo, praias sem lixo

Esta será a segunda ação realizada em parceria com a Prefeitura de Santos através do programa Cidade sem Lixo. A primeira foi realizada dia 30/08. A parceria visa conscientizar moradores de áreas invadidas e a população em geral através da educação ambiental e participação nas Ações Voluntárias EcoFaxina. Antes da parceria nas ações, o Instituto EcoFaxina e a Prefeitura já vinham atuando juntos na divulgação do programa com a fixação de cartazes nas comunidades.

Tratores percorrem as praia de Santos para remover lixo expelido pelo mar. Enquanto continuarmos poluindo o mangue, todo dia será dia de limpeza de praias na Baixada Santista. Crédito: Janelas TV
Tratores percorrem as praias de Santos para remover lixo expelido pelo mar. Diariamente são coletadas até 40 toneladas de resíduos. Enquanto continuarmos poluindo o mangue, todo dia será dia de limpeza de praias na Baixada Santista. Crédito: Janelas TV

O programa é fruto da Lei Complementar 831, de 10 de abril de 2014, criada por meio de projeto de lei do vereador Kenny Mendes (DEM), que alterou o Código de Posturas, com a proibição do descarte de resíduos de qualquer natureza em vias públicas, passeios, jardins, logradouros, terrenos e canais, com multas previstas para os infratores. Antiga reivindicação do Instituto EcoFaxina. As multas são de R$ 150,00 para volumes até 2 litros, R$ 250,00 para volumes de 2 a 100 litros, R$ 500,00 para volumes de 100 a mil litros e R$ 1.000,00 para volumes superiores a mil litros. Sendo dobrados os valores nos casos de reincidência.

64ª Ação Voluntária EcoFaxina
Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias 2015
Ecossistema: manguezal - Zona Noroeste, Santos.
Data: domingo, 20/09.
Aconselhamos o uso de roupas leves, meia para utilizar com bota e mochila com caneca, lanche, protetor solar, repelente, etc. Menor de 18 anos somente acompanhado por adulto responsável.
Fornecemos: coletes de identificação, botas, luvas e certificados de participação.
Transporte: ônibus com partida às 8h30 da rua dr. Oswaldo Cruz, 277. Retorno previsto para as 16 horas.
Apoio: Ocean Conservancy, Prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta e Terracom.
Reserva de vaga e mais informações: 


Estudo: 90% das aves marinhas já ingeriram plástico

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11/09/2015 

Até 2050 será 99%, se a humanidade continuar saturando o oceano com bilhões de toneladas de plástico, de acordo com um novo estudo. Estima-se que haja atualmente 580.000 objetos de plástico por km² nos oceanos do planeta.

Carcaça de um albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis). Processo de decomposição evidencia a causa da morte.
Carcaça de um albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis). Decomposição evidencia a causa da morte.

Para chegarem a esses números, os pesquisadores começaram reunindo meio século de trabalhos acadêmicos sobre aves marinhas e plástico. Eles descobriram que, 80 das 135 espécies presentes nos estudos ingerem plástico e que cerca de um terço das aves continham objetos plásticos - tampas, lacres, isqueiros, sacolas rasgadas, brinquedos, filamentos e fragmentos - em seus estômagos quando necropsiadas.

Mas esses estudos datam desde 1962, quando a poluição por plástico era um problema muito menor. E se esses mesmos estudos em aves fossem todos executados hoje? Os estudiosos desenvolveram um modelo para responder a essa pergunta, e utilizando dados atuais sobre a concentração de plástico nos oceano, descobriram: 90% das aves marinhas em 186 espécies por todo o planeta já ingeriram plástico.

Os resultados foram publicados no jornal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Cerca de 90% dos resíduos coletados durante as Ações Voluntárias EcoFaxina em manguezais no estuário de Santos é composto por plástico.

O plástico está em todos os lugares, em nossas casas, em nossos carros, em nossa comida, mas onde ele vai parar quando acabamos de utilizá-lo? O fato triste é que grande parte acaba em nossos oceanos. E com todo esse plástico flutuando, alguns são inevitavelmente apanhados por aves marinhas. Eric van Sebille, coautor, do Imperial College London, analisou 60 anos de dados e descobriu que, em comparação com a década de 1960, quando apenas 5% das aves estudadas continham objetos plásticos em seus estômagos, hoje esse número subiu para 90% , e pode chegar a 99% em 2050. Connie Orbach da Univesidade de Cambridge falou com Eric sobre o problema....

Erik - Nós sabemos que estas aves são forrageadoras, certo? Eles passam muito tempo apenas pairando acima da superfície do oceano, tentando encontrar alimentos. E, por vezes, confundem um isqueiro, por exemplo, com um peixe, ou ficam penas curiosas e querem pegá-lo.

Connie - Então, por que você acha que há tanto plástico no estômago? De onde vem tudo isso?

Erik - Muitas pessoas já devem ter ouvido falar sobre o que nós chamamos "ilhas de lixo" - são áreas no oceano aberto, onde todo o plástico em algum momento se acumula. Mas o que descobrimos é, na verdade, que não há muitas muitas aves marinhas forrageando nessas áreas, não existem muitas aves marinhas ingerindo plástico em mar aberto. Assim, a maior parte dos danos à fauna causado pelo plástico realmente ocorre em regiões costeiras.

Guará (Eudocimus ruber) procura alimento no mangue em meio a muito plástico.
Guará (Eudocimus ruber) procura alimento no mangue em meio a muito plástico.

Connie - O que significa estas aves terem plástico no estômago?

Erik - Nós não sabemos realmente o que o plástico causa em aves marinhas, mas temos certeza de que é prejudicial. Pode tanto causar obstrução do trato digestório quanto feri-las internamente. Outra coisa que acontece em alguns casos é o acúmulo de grandes quantidades de plástico nos estômagos. Já encontramos o equivalente a 8% da massa corporal nos estômagos de aves marinhas. Para uma pessoa adulta, seriam 6 quilos. É como andar por aí com dois gatos no estômago. E, em seguida, em terceiro lugar, o plástico pode conter toxinas e estas toxinas podem ser absorvidas nas aves.

Connie - A ideia de transportar dois gatos por aí soa realmente irritante. Quando eu penso em aves marinhas, penso nas gaivotas, que no Reino Unido são um tipo de praga. Elas roubam comida de todos à beira-mar - por que eu deveria me importar com o que está acontecendo com estas gaivotas?

Erik - Pense sobre pinguins, pense sobre albatrozes. Mas eu acho que o mais importante é que, as aves marinhas são quase literalmente canários em uma mina de carvão. Se as aves marinhas ingerem plástico, podemos estar certos de que outras criaturas também ingerem plástico. É que as aves marinhas têm sido sempre mais fácil de estudar. Elas nidificam em terra, assim a literatura sobre aves marinhas tem muito mais tempo, muito mais do que a maioria dos animais marinhos.

Connie - Existe a possibilidade de que as aves marinhas ingerindo parte desse plástico através dos animais que elas estão comendo e não apenas diretamente?

Erik - Provavelmente, isso é verdade, mas a partir de nossos estudos, foi muito difícil evidenciar isso. Então, novamente, isso é algo que nós realmente precisamos entender. Nós mal sabemos a quantidade certa de plástico que entra no oceano. Nós não sabemos aonde o plástico está, e onde preocupantemente, parte desse plástico pode ser incorporado aos animais, ao que chamamos de biota. Assim, o plástico pode realmente estar incorporado a pássaros, peixes, plâncton, mexilhões. Todas essas criaturas pode realmente conter plástico.

Voluntária coleta plástico em praia do Guarujá (SP) durante Ação Voluntária EcoFaxina.
Voluntária coleta plástico em praia do Guarujá (SP) durante Ação Voluntária EcoFaxina.

Connie - Alguns dos animais que você mencionou, em seguida - mexilhões e peixes, são coisas que normalmente comemos - há alguma possibilidade de nós também estarmos ingerindo plástico através da cadeia alimentar?

Erik - Sim, embora ninguém realmente saiba a magnitude disso, quanto de plástico que realmente estamos ingerindo através da cadeia alimentar. Eu acho que nós precisamos perceber que vivemos em um mundo de plástico. O plástico é um material fantástico, certo? É durável, é leve, é à prova d'água. É tudo o que você quer de um material que é tão versátil. O único problema é a forma como gerimos os resíduos de plástico. Precisamos ter certeza de que eles não cheguem aos oceanos, que não alcancem ambientes naturais.

Connie - Então, você não está dizendo que deveríamos usar menos plástico. Que deveríamos administrá-lo melhor.

Erik - Acho que devemos ser mais conscientes de que, ao usarmos plástico, devemos ter cuidado ao descartar no final.

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Connie - Então, sobre a estimativa de que 99% das aves marinhas terão plástico no estômago em 2050, você acha que podemos virar esse jogo?

Erik - Sim. Um estudo relatou que houve um grande esforço da União Europeia para reduzir a quantidade de plástico que entra no oceano, na verdade, houve uma queda significativa na quantidade de plástico encontrado em aves marinhas no mar do Norte. Essa é uma grande notícia. Isso significa que se você parar, as aves serão menos impactadas, e irão se recuperar.

Fontes: Cambridge University e MSNBC
Tradução: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina


Resíduos Sólidos e Saneamento: o meio ambiente e a sua saúde dependem de planejamento

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14/07/2015 - Por Engº Adalberto Joaquim Mendes, diretor de saneamento ambiental. 

Em milhares de municípios brasileiros, a problemática dos Resíduos Sólidos, bem como do Saneamento Ambiental, ainda é subentendida e não tratada com a devida atenção.

O problema dos RSU - Resíduos Sólidos Urbanos, DEVE ser enfrentado com profissionalismo, pois está diretamente ligado a problemas ainda maiores, se observado pela ótica da Saúde Pública, por exemplo.

Os PMGIRS - Planos Municipais ou Metropolitanos de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos, são uma ferramenta, e também é uma ótima oportunidade para os municípios sanarem passivos ambientais, sociais, econômicos e de saúde pública.

Voluntário do Instituto Ecofaxina coletando resíduos em manguezal de Santos
Voluntário do Instituto EcoFaxina coleta resíduos sólidos em manguezal de Santos. Os ecossistemas marinhos sofrem intensa degradação devido a falta de uma gestão eficiente dos resíduos sólidos nas cidades litorâneas.

Além disso, um excelente instrumento que balizará investimentos públicos e privados, para estudos, projetos e obras com foco em Tratamento de Resíduos Sólidos e Saneamento Ambiental.

Sendo assim, este importante documento, o PMGIRS, deve ser elaborado por profissionais de forma plurissetorial, pois necessita diagnosticar e apresentar aos municípios soluções diversas nas áreas de engenharia civil, sanitária, química, biológica, geológica, além de outros diversos nas áreas socioeconômicas, de educação e direito.

Desafios

Estamos acompanhando processos de elaboração dos PMGIRS em diversos municípios, nosso objetivo é orientar para que o tema seja tratado com profissionalismo, pois somente assim a população terá a oportunidade de colher os frutos de um trabalho bem elaborado, que traga resultados significativos para o saneamento ambiental, resultando em benefícios concretos para a saúde de toda a população.

O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, do Ministério das Cidades, informava que no ano de 2007 o índice médio de atendimento dos sistemas de abastecimento de água, à população urbana, atingia 92,9%. Para a coleta de esgotos 42,4%, bem como o tratamento de esgotos gerados, que atendia a um contingente de, apenas, 34,3%. Na publicação mais recente do SNIS, divulgada no final de 2014, os índices de atendimento dos sistemas de abastecimento de água, totalizou 93%, para coleta de esgotos 56,3% e para o tratamento de esgotos gerados, 39%.

A meta do Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB é garantir, até 2023, todo o território nacional abastecido por água potável e, até 2033, 92% dos esgotos estejam tratados. No período compreendido entre os anos de 2007 (ano da promulgação da Lei N° 11.445/07) e 2011, foi desembolsado pelo Governo Federal, em recursos não onerosos, o total de R$ 18,9 bilhões, no ano de 2012 os investimentos totalizaram algo em torno de R$ 9,8 bilhões e em 2013, cerca de R$ 10,5 bilhões.

Na pesquisa dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, publicada em 2012, mostra que três em cada dez domicílios urbanos, não possuíam coleta de esgoto, e somente 38% do esgoto produzido no país era tratado. Na Região Norte, por exemplo, somente 13% dos domicílios têm acesso à rede coletora de esgoto.

Em 2013, a Agência Nacional de Águas – ANA divulgou o resultado de uma pesquisa, na qual encontrou água de qualidade "ruim" ou "péssima", em 44% dos pontos urbanos, contaminada, principalmente, por esgoto doméstico. Três em cada dez domicílios urbanos ainda não são abastecidos com água potável. Nas regiões com menor acesso a rios, nascentes e aquíferos, o atendimento é precário. Nas áreas e bairros mais pobres, o mesmo cenário. Ainda considerando dados da ANA, apenas 29% dos brasileiros contam com abastecimento satisfatório. Como se pode notar, na comparação dos indicadores apresentados em relação aos investimentos realizados, podem ser considerados pífios.

De acordo com o que determina a Lei Nº 11.445, de 05 de janeiro de 2007, que estabelece as Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico (Art. 9º), regulamentada pelo Decreto Nº 7.217, de 21 de junho de 2010, os titulares dos serviços de saneamento devem formular a política pública de saneamento em função dos Planos Municipais de Saneamento Básico - PMSB.

O PMSB é o resultado de um conjunto de estudos, que objetiva conhecer a situação atual dos municípios brasileiros e planejar as ações e alternativas para a universalização dos serviços públicos de saneamento, resultando na promoção do saneamento, da saúde pública e do meio ambiente. Trata-se de um instrumento estratégico de planejamento e gestão participativa, o qual visa atender o que determina os preceitos da Lei Nº 11.445/2007.

A elaboração dos Planos Municipais, nos termos previstos nas Leis vigentes, é condição para os titulares dos serviços de saneamento, terem acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados a empreendimentos e serviços relacionados ao setor, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade. Decorridos mais de 8 anos da promulgação da Lei N° 11.445/2007, menos de 20% dos municípios brasileiros elaboraram os seus PMSB.

Recursos

O PLANSAB prevê investimentos da ordem de R$ 508 bilhões visando a Universalização dos Serviços de Saneamento até o ano de 2033, sendo 59% de Agentes Federais e 41% de outros Agentes. Dos valores previstos no PLANSAB, no período de 2014 – 2033, algo em torno de R$ 122 bilhões são para os sistemas de abastecimento de água, aproximadamente R$ 182 bilhões para os sistemas de esgotos sanitários, cerca de R$ 23 bilhões para resíduos sólidos urbanos e R$ 69 bilhões para drenagem urbana. Para os investimentos em Gestão estão previstos R$ 112,345 bilhões, sendo aproximadamente R$ 34 bilhões dos Agentes Federais.

Além do acesso aos recursos financeiros, provenientes da União, com a elaboração dos Planos Municipais há a possibilidade de geração de recursos financeiros através da aplicação do art. 13 da Lei Nº 11.445, que se reproduz a seguir:

Art. 13.  Os entes da Federação, isoladamente ou reunidos em consórcios públicos, poderão instituir fundos, aos quais poderão ser destinadas, entre outros recursos, parcelas das receitas dos serviços, com a finalidade de custear, na conformidade do disposto nos respectivos planos de saneamento básico, a universalização dos serviços públicos de saneamento básico.

O Fundo poderá ser investido em infraestrutura e instalações necessárias para a melhoria nos serviços, ou ser utilizado como fonte de garantia para empréstimos, a fim de custear investimentos na universalização dos serviços públicos de saneamento básico. Os municípios só terão acesso aos recursos financeiros do Fundo Nacional de Universalização dos Serviços de Saneamento – FNUSB se for previsto no PMSB. Boa parte dos PMSB analisados, não contemplam a criação do Fundo Municipal de Universalização dos Serviços de Saneamento Básico – FMUSB.

A situação dos serviços de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos, bem como de drenagem urbana e manejo de águas pluviais, pode ser considerada a pior, em relação aos eixos dos serviços de abastecimento de água e esgotos sanitários, pois nem informações confiáveis existem, principalmente, em municípios de pequeno e médio porte.

Há reconhecimento amplo que no Brasil especialistas dominam plenamente a tecnologia aplicada aos serviços de saneamento básico e que dispomos de um parque industrial, no segmento de máquinas e equipamentos, que podem ser utilizados em prol da população. Entretanto se faz necessário conscientizar os entes federativos que os serviços de saneamento básico são fundamentais para a promoção da saúde pública.


Voluntários retiram 602 kg de lixo de manguezal em Santos

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17/06/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini 

A 62ª Ação Voluntária EcoFaxina reuniu 31 voluntários no último domingo (14) na Zona Noroeste, em Santos.  A ação se concentrou em uma área de mangue degradado próxima à comunidade Mangue Seco, atingida por um incêndio no dia 1º de março do ano passado. No total, mais de meia tonelada de lixo foi retirada do manguezal.

A 62ª Ação Voluntária EcoFaxina reuniu 31 voluntários que retiraram 602 kg de resíduos em área degradada de mangue na Zona Noroeste de Santos.

Antes do início da ação, os voluntários foram até a Vila Telma, região atingida por um incêndio de grandes proporções na última quinta-feira (11/06), deixando 70 barracos destruídos.

Área de mangue invadida por palafitas atingida por um incêndio de grandes proporções na última quinta-feira (11/06).

Próximo a essa área, o Instituto EcoFaxina pretende construir um galpão de reciclagem para receber os resíduos que sufocam o mangue, principalmente o plástico, material que é confundido com alimentos e ocasiona a morte de milhares de animais marinhos todos os anos.

Para a ação, cada voluntário recebeu um saco de 100 litros e foi instruído a recolher resíduos sólidos, em especial o plástico, o grande vilão da poluição marinha. No total foram retirados do manguezal 402 kg de plástico; 102 kg de borracha (pneus); 64kg de porcelana (louça sanitária) e 34kg de tecido.

As Ações Voluntárias EcoFaxina recebem o apoio da prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta, Terracom Engenharia e Mr. Fly Moda Sustentável.

Voluntários posam para foto ao final da 62ª Ação Voluntária EcoFaxina.

Moradores cobram melhorias

Durante visita à Vila Telma, os voluntários foram indagados pelos moradores da região sobre as promessas de melhorias no bairro. Jane Maria Vieira, líder comunitária, afirmou que há meses está tentando agendar uma audiência com o prefeito da cidade para questionar as precárias condições dos fios elétricos na comunidade, fato que pode provocar curtos circuitos e acidentes, principalmente com as crianças.

No final de março diretores do Instituto EcoFaxina realizaram uma visita técnica ao manguezal da Zona Noroeste para estudo da área onde será construído o galpão onde serão realizarados os trabalhos de limpeza, reciclagem e plantio de mudas de mangue com jovens da comunidade.

Visita técnica com técnicos da Prefeitura de Santos ao manguezal da Zona Noroeste para estudo da área onde será construído o galpão onde serão realizarados os trabalhos de limpeza, reciclagem e plantio de mudas de mangue com jovens da comunidade.

Participaram da visita técnica representantes da Secretaria do Meio Ambiente, Unidade de Gerenciamento do Programa Santos Novos Tempos, Departamento de Assuntos Legislativos, Subprefeitura da Zona Noroeste, COHAB e Defesa Civil. A equipe realizou visita técnica nas imediações, onde foi constatado que houveram novas invasões em áreas de mangue, sendo um dos objetivos do projeto evitar novas invasões através da recuperação do monitoramento das áreas degradadas.  

O projeto visa trabalhar a reciclagem dos materiais coletados no manguezal, a recuperação ambiental e também a geração de renda, dando oportunidades para os jovens desempregados da própria comunidade, e encontra-se em trâmite na prefeitura desde 2009. A minuta do Termo de Cooperação Técnica elaborado em abril deste ano junto à Secretaria do Meio Ambiente está pronto, aguardando somente a definição da área para o início do trabalho de recuperação ambiental, já previsto pelo programa Santos Novos Tempos.

Nesta quinta-feira (18) diretores do Instituto EcoFaxina se reunirão com o chefe de gabinete da Prefeitura de Santos, Sr. Rogério Pereira dos Santos. A expectativa é que seja definida a localização da área próxima ao manguezal para o agendamento da assinatura do termo de cooperação técnica com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa.


Incêndio Ultracargo: primeiros resultados das análises em amostras de água

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23/04/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini e William Rodriguez Schepis 

Testes apontam alto nível de toxicidade da água que escoou do combate ao incêndio nos tanques da Ultracargo. Foram coletadas amostras de água, peixes e ostras.

No dia 7/4, ainda durante o incêndio, uma equipe do Instituto EcoFaxina percorreu o estuário de Santos com o objetivo de coletar amostras de água, peixes e ostras da região para testes e análises em laboratórios. A ação durou cinco horas. Foram coletadas amostras de água em sete pontos do estuário: rio Casqueiro, Jardim São Manoel, Ilha Caraguatá, Canal do Porto e duas na região do incêndio.

Os estudos estão sendo realizados em parceria com a Universidade Santa Cecília (UNISANTA), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).

Mapa com os pontos onde foram coletadas amostras de água.
Mapa com os pontos onde foram coletadas amostras de água.

As amostras de água foram entregues para os biólogos mestres Fernando Sanzi Cortez e Fabio Pusceddu, do Laboratório de Ecotoxicologia da Unisanta. Eles conduzirão as análises que incluem parâmetros físico-químicos da água como pH, amônia, oxigênio dissolvido, salinidade e sulfetos, além de testes de toxicidade (toxicidade crônica com embriões de ouriço). Frações das amostras foram enviadas também para o professor Dr. Denis Abessa, da UNESP, onde serão conduzidos testes de toxicidade crônica com copépodos (Nitokra sp).

Uma amostra de peixes coletados ainda vivos por pescadores na tarde do dia 3/4, dia do início do incêndio, foi enviada para a Dra. Isabella Bordon, do IPEN, que está realizando análises de metais e poluentes orgânicos nos tecidos. Uma amostra de ostras, coletada dia 10/4, foi encaminhada para o Dr. Igor Dias Medeiros, da UNIFESP, para análise de biomarcadores.

Amostras ostras dissecadas e prontas para análise de biomarcadores.
Amostras ostras dissecadas e prontas para análise de biomarcadores.

Monitoramento e resultados

Os primeiros resultados indicaram um alto nível de toxicidade em uma amostra coletada próxima ao incêndio, nos demais pontos, não houve indícios de toxicidade. Contudo, somente com esses primeiros testes, não é possível afirmar ainda se houve ou não contaminação nos demais pontos, considerando que fatores abióticos como hidrodinâmica, marés e ventos influenciam no deslocamento e dispersão de águas superficiais.

Amostra coletada no ponto 5, próximo ao incêndio, causou letalidade total em testes com embriões de ouriço, indicando alto nível de toxicidade da "água" que escorria dos tanques para o estuário.
Amostra coletada no ponto 5, próximo ao incêndio, causou letalidade total em testes com embriões de ouriço, indicando alto nível de toxicidade da "água" que escorria dos tanques para o estuário.

O monitoramento ambiental continuará com coletas periódicas de água e sedimento, possibilitando uma avaliação mais precisa dos impactos ambientais no sistema estuarino. Também serão realizadas saídas com pescadores para verificação da disponibilidade e da qualidade do pescado. Os dados serão unificados e constarão em um relatório que será disponibilizado online e enviado ao Ministério Público Federal e demais órgãos competentes.

Cresce números de espécies conhecidas

Em coletas de amostras de peixes do estuário, feita pelo Laboratório de Pesquisas Biológicas do Acervo Zoológico da Universidade Santa Cecília (Unisanta) durante o incêndio, o biólogo e pesquisador Matheus Rotundo detectou que "cresceu" o número de espécies no estuário de Santos. 

Desastre ecológico: Contaminação causou a morte de milhões de peixes e invertebrados.
Desastre ecológico: contaminação causou a morte de milhões de peixes e invertebrados.

De acordo com Rotundo, estudos realizados em 2012 encontraram 78 espécies na região.  A coleta realizada durante o incêndio da Ultracargo registrou 64 novas espécies o que fez subir para 142 o número de espécies conhecidas identificadas no estuário de Santos. “Na verdade o número cresceu ainda mais, pois não foi possível identificarmos algumas espécies, tendo em vista que muitos exemplares coletados perderam características morfológicas que os diferenciam e servem de base para identificação”, destacou o biólogo. "Com a mortandade, espécies difíceis de capturarmos em amostragens, seja por escassez de indivíduos, isolamento, hábito ou comportamento, acabaram aparecendo", completou Rotundo.

A lista das espécies encontradas foi enviada por Rotundo para o Ministério Público Federal.
A lista das espécies encontradas foi enviada por Rotundo para o Ministério Público Federal.

Pelo menos seis espécies registradas no levantamento estão ameaçadas de extinção, conforme as portarias nº 444 e 445/2014, do Ministério do Meio Ambiente: Epinephelus itajara (mero), Rhinobatos horkelii (raia viola) e Megalops atlanticus (Pirapema), categorizadas como criticamente em perigo, Pogonias cromis (miraguaia) e Genidens barbus (bagre branco), em perigo, e Epinephelus marginatus (garoupa) e Hippocampus reidi (cavalo marinho), classificadas como vulneráveis.

Segundo Rotundo, a lista de espécies afetadas ainda pode aumentar, pois parte do material examinado não apresentava condições para uma identificação precisa. Nesses casos, amostras de tecidos foram coletadas para identificação molecular (DNA).

A mortandade de certa forma ajudou na identificação de espécies que vivem no estuario de Santos.
A mortandade de certa forma ajudou na identificação de espécies que vivem no estuario de Santos.

Danos a longo prazo

Rotundo considera que as consequências ambientais do incêndio foram sérias e que os danos levarão anos para serem contornados. “Os aspectos reprodutivos dos peixes foram seriamente afetados e muitas das espécies se reproduzem apenas uma vez por ano. Além disso, como o próprio nome diz, um Estuário é um intermediário entre as águas do mar e dos rios. O incêndio afetou os peixes dos dois ambientes”, afirmou o biólogo.


O outro lado do incêndio da Ultracargo

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05/04/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini 

Um incêndio de grandes proporções atingiu a empresa de armazenamento de combustíveis Ultracargo, na Alemoa, em Santos, na manhã da última quinta-feira (2/4). Após mais de 80 horas de trabalho árduo dos bombeiros, ainda não há estimativa de quando o combate às chamas será concluído.

Atualmente, apenas dois dos seis tanques permanecem pegando fogo e o trabalho de rescaldo do Corpo de Bombeiros continua em um terceiro tanque que continha álcool.

A quantidade de partículas nocivas enviadas através da fumaça tóxica para a atmosfera é difícil de ser calculada. Seus efeitos são mais prejudiciais para pessoas com doenças alérgicas ou respiratórias crônicas e também para aquelas que estiverem próximas ao foco da fumaça.

Porém, há uma outra face do problema que vai além da poluição do ar. O incêndio da Ultracargo pode provocar um desiquilíbrio ambiental grave na região, tendo inclusive impactos econômicos.

Fonte de renda comprometida

A 59ª Ação Voluntária EcoFaxina aconteceu neste domingo no mangue que fica às margens da Vila dos Pescadores, em Cubatão. O dia da Páscoa foi data útil para cinco voluntários do instituto se unirem com a comunidade para, mais do que recolher resíduos sólidos no manguezal, observar os efeitos já visíveis do escoamento das águas usadas no combate às chamas em todo o estuário.


De acordo com os pescadores artesanais que trabalham na região, já na tarde de quinta-feira era possível encontrar peixes mortos boiando na superfície. Neste domingo, durante visita técnica guiada pelo pescador José Hélio, encontramos toneladas de peixes e invertebrados: uma cena desoladora para quem luta por um ecossistema limpo e também para quem tira da pesca o seu sustento. Em meio ao manguezal, resquícios de espuma utilizada no combate ao incêndio.


“Sou pescador há 40 anos e trabalho aqui na região há mais de 25 anos. Nem nos outros incêndios do porto nós tivemos um problema tão grande quanto o de agora. Se fosse possível contar certamente daria várias toneladas de peixes mortos, é uma tristeza muito grande para quem vive disso. Quem vai bancar o nosso prejuízo?”. José Hélio não sai para pescar desde a tarde da quinta-feira, data do início do incêndio.


Alex Correa é filho de pescador e atualmente trabalha em Minas Gerais. A notícia do incêndio e o relato de amigos sobre a morte dos peixes fez com que ele voltasse para a Baixada Santista para ver com os próprios olhos a situação. “É assustador ver peixes como o robalo, a enguia e o bagre (que não são comuns na superfície) boiando. Isso significa que a situação pode estar pior do que a gente imagina. Quando vamos poder voltar a pescar e consumir peixes? Como a comunidade que sobrevive da pesca vai ficar? A multa da empresa não será direcionada para quem precisa.”, desabafa.

Estuário prejudicado

Enquanto percorríamos o estuário, o forte odor do peixe aumentava gradativamente. Então, nos deparamos com a cena mais lamentável da visita: uma extensão de cerca de um quilometro de peixes mortos. Dentre eles, dois meros juvenis (Epinephelus itajara) espécie ameaçada de extinção.


A CETESB (Companhia Ambiental do estado de São Paulo) informou que uma equipe acompanha permanentemente os trabalhos de emergência realizados na Ultracargo, com o objetivo de minimizar os impactos ao meio ambiente decorrentes do incêndio. No sábado foram coletados peixes no estuário e no rio Cubatão, além de amostras da água de cinco pontos diferentes da região. Análises preliminares indicam que peixes da região morreram devido à poluição da água, que apresenta baixa oxigenação e temperatura elevada. O órgão não sabe informar quantos peixes foram mortos.

Enquanto percorríamos o estuário encontramos uma equipe da empresa “Alpina Briggs” recolhendo peixes mortos. A CETESB informou que a ação de recolhimento irá encaminhar animais mortos para um local ambientalmente adequado.

Enquanto a atenção das autoridades está voltada para o incêndio, os pescadores artesanais permanecem em dúvida sobre o futuro e o sustento de suas casas. Para as comunidades que vivem nas palafitas, além da ausência de peixes na mesa e da poluição do mangue, sobra o odor desagradável que vai muito além do cheiro da fumaça negra.

Parceria com a comunidade

Organizada em parceria com a Associação de Pescadores “José Tobias Barros” e o Esporte Clube Só Bolado, a 59ª Ação Voluntária EcoFaxina encerrou o 1º Projeto Verão Saúde Ambiental da Vila dos Pescadores, envolvendo dezenas de moradores que utilizaram quatro barcos para recolher 130 sacos de 100 litros cheios, totalizando 1.055 quilos de resíduos sólidos a menos no estuário de Santos. Já estamos programando a próxima!



Vila dos Pescadores terá limpeza de manguezal na Páscoa

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01/04/2015 

Pescadores artesanais serão maioria entre os voluntários. Ação integra a programação do 1º Projeto Verão Saúde Ambiental da Vila dos Pescadores, promovido pela Associação de Pescadores “José Tobias Barros”. As atividades tiveram início em fevereiro com ações de prevenção a doenças e cuidados com a saúde e com o meio ambiente. 

Canoas caiçaras utilizadas por pescadores da comunidade.
Canoas caiçaras utilizadas por pescadores da comunidade.

Nas duas últimas semanas, a diretora presidente da Associação de Pescadores “José Tobias Barros”, Sra. Marly Vicente, idealizadora do Projeto Verão Saúde Ambiental, juntamente com o diretor e engenheiro ambiental, Sr. Adeildo Messias, promoveram nas ultimas duas semanas reuniões com pescadores do bairro para planejarem a limpeza do manguezal com a equipe do Instituto EcoFaxina. 

São aguardados de 80 a 100 voluntários da comunidade, em sua maioria pescadores artesanais que utilizarão suas canoas caiçaras para transportar os voluntários e os resíduos retirados do manguezal. 

À partir da esquerda, Francisco Tobias, Adeildo Messia e Marly Vicente (Associação de Pescadores), William Rodriguez Schepis (Instituto EcoFaxina), Sr. Pedro Ximbica (Associação de Pescadores) e Rosângela Chad (Zoonoses).
À partir da esquerda, Francisco Tobias, Adeildo Messia e Marly Vicente (Associação de Pescadores), William Rodriguez Schepis (Instituto EcoFaxina), Sr. Pedro Ximbica (Associação de Pescadores) e Rosângela Chad (Zoonoses), antes de uma reunião na Vila dos Pescadores.

A 59ª Ação Voluntária EcoFaxina terá início às 10 horas e percorrerá toda a margem ocupada por palafitas, assim como becos e áreas com floresta remanescente, até chegar a comunidade vizinha, Vila Pelicas.

Um ônibus, cedido pela prefeitura de Cubatão, partirá às 8h30m da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, no Boqueirão, em Santos - em frente à Unisanta. Aproveitaremos o transporte para levarmos doações de roupas feitas por voluntários para a sede do Exército da Salvação presente na comunidade. A prefeitura também apoiará a ação com lanches e água para os voluntários

A Vila dos Pescadores originou-se na década de 1960, quando um grupo de pescadores fixou moradia no local, dedicando-se à pesca sobretudo no Rio Casqueiro. Algumas vantagens favoreceram o crescimento da vila, como a proximidade do bairro Jardim Casqueiro e da Via Anchieta. À partir de 1972 verificou-se um crescente fluxo populacional para esta área, resultando em déficit habitacional e no agravamento de problemas socioambientais.

59ª Ação Voluntária EcoFaxina - Vila dos Pescadores
Data: domingo, 05/04
Transporte: saída do ônibus às 8h30min da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão.
Fornecemos: luvas, botas, máscaras, coletes de identificação e certificados de participação.



58ª Ação Voluntária Ecofaxina retira 1065 kg de lixo do manguezal

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24/03/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini  

Ação reuniu mais de 50 pessoas no último domingo na Zona Noroeste, em Santos.  A ação se concentrou na área do Mangue Seco e Butantã, região atingida por um incêndio no dia 1º de março do ano passado. No total, mais de uma tonelada de lixo foi retirada do manguezal.

Nos manguezais da Baixada Santista a vida pede socorro.
Nos manguezais da Baixada Santista a vida pede socorro.

O tempo fechado e a previsão de chuva não impediram os 51 voluntários de se encontrarem na porta da Universidade Santa Cecília para seguirem rumo à mais uma ação. Eram jovens de todas as idades. Homens, mulheres, estudantes e formados: pessoas com senso ambiental e consciência de que é preciso fazer a diferença.

Foi a primeira vez que o técnico de manutenção Luan Martins participou. Ele conheceu o trabalho através das redes sociais. “Eu acompanhava pelo Facebook e achava a ideia muito legal. Decidi participar de uma ação e fazer parte de tudo isso. É uma maneira simples de praticar a construção de um futuro melhor”, afirmou.

Futuro esse, que não diz respeito apenas ao meio ambiente. Cada ação provoca uma mudança no pensamento da comunidade como um todo. Para o biólogo William Rodriguez Schepis, idealizador do projeto, o maior ganho para o Instituto EcoFaxina é coletivo.  “Nós trazemos pessoas de outros lugares para conhecer a raiz do problema da poluição. Através do trabalho, eles desenvolvem o sendo crítico. A prefeitura, por conta disso, começa a prestar atenção na atividade e se posiciona para a implementação de políticas públicas que venham atender essa região. A comunidade vê a gente aqui, se pergunta o que está acontecendo e passa a pensar mais no meio ambiente. É um ciclo e o maior impacto é o da consciência coletiva”, refletiu.

Em meio a tanto lixo, voluntas priorizam a coleta do plástico.
Em meio a tanto lixo, voluntas priorizam a coleta do plástico.

Cada voluntário recebeu um saco de 100 litros e foi instruído a recolher resíduos sólidos, em especial o plástico, um dos maiores poluidores dos mares na atualidade. Além disso, o material é extremamente prejudicial para a vida aquática, pois os animais marinhos podem confundi-lo com comida e serem sufocados.

Foram retirados 67 sacos de 100 litros de resíduos sólidos, um sofá (cujo peso não foi considerado na contagem final), 32 pneus e 68 quilos de vasos sanitários inutilizados. No total, o manguezal, berçário da vida marinha e ecossistema prioritário para conservação no mundo todo ficou 1065 kg mais limpo.

Voluntas posam para "foto da ação" debaixo de chuva.
Voluntas posam para "foto da ação" debaixo de chuva.