Superbactéria é encontrada em rio que deságua na Praia do Flamengo (RJ)

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16/12/2014 

"As superbactérias" resistentes à drogas foram encontradas nas águas onde serão realizados os eventos de vela dos próximos Jogos Olímpicos Rio 2016. São as mesmas encontradas em hospitais, muito difíceis de tratar.

Atletas competem no Feminino 470, durante o último dia da Regata Internacional de Vela Internacional Aquece Rio de 2014, primeiro evento-teste para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil, em 9 de agosto de 2014. (AFP Photo)
Atletas competem no Feminino 470, durante o último dia da Regata Internacional de Vela Internacional Aquece Rio de 2014, primeiro evento-teste para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil, em 9 de agosto de 2014. (AFP Photo)

Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) encontraram bactérias resistentes a antibióticos nas águas do Rio Carioca, que atravessa diversos bairros da capital fluminense. Mais comumente detectadas no ambiente hospitalar, as bactérias produtoras da enzima KPC foram identificadas em amostras de água coletadas em três pontos na Zona Sul da cidade: no Largo do Boticário, no Cosme Velho; no Aterro do Flamengo, antes da estação de tratamento do rio; e na foz do Rio Carioca, no ponto onde ele desagua na Praia do Flamengo. Segundo a pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC, Ana Paula D'Alincourt Carvalho Assef, coordenadora do trabalho, é preciso ter atenção para a possibilidade de disseminação deste tipo de resistência aos antibióticos, o que pode dificultar o controle de algumas infecções. “Até o momento, não houve registro de contaminação entre frequentadores dos ambientes estudados. Ainda assim, os resultados da pesquisa foram enviados para as autoridades competentes, que podem avaliar as medidas a serem adotadas”, declara a microbiologista, lembrando que a Praia do Flamengo é frequentada por banhistas e fica perto da Marina da Glória, que será palco de competições de vela nas Olimpíadas de 2016.

As bactérias encontradas produzem uma enzima chamada KPC, característica que as torna resistentes aos principais antibióticos utilizados no combate a estas infecções. De acordo com Ana Paula, as doenças causadas por estes micro-organismos são iguais àquelas provocadas por bactérias comuns, mas os tratamentos exigem antibióticos mais potentes. Uma vez que as superbactérias são resistentes aos medicamentos mais modernos, os médicos precisam recorrer a drogas que estavam em desuso por serem tóxicas para o organismo – como a polimixina. “Mergulhar num rio onde há bactérias produtoras de KPC é como mergulhar em qualquer rio poluído. Existe o risco de contrair doenças, que não são mais graves do que as causadas por outros micro-organismos. O problema é que, no caso de uma eventual infecção, é possível que o tratamento exija uma abordagem de internação hospitalar”, afirma a pesquisadora.

Além do risco para a população, os cientistas consideram que a principal ameaça é a disseminação da resistência, que ocorre na medida em que as bactérias são capazes de transmitir genes umas para as outras. “Os genes que estão associados à resistência aos antibióticos podem estar localizados em elementos móveis dentro das bactérias, que podem ser multiplicados e transferidos para outros micro-organismos. Fazendo uma analogia, é como se as bactérias trocassem figurinhas de mecanismos de resistência. Assim, a água pode se tornar uma biblioteca destes genes”, explica Carlos Felipe Machado de Araujo, aluno do programa de mestrado em Biologia Celular e Molecular do IOC e também autor da pesquisa.

As bactérias produtoras de KPC identificadas no Rio Carioca são classificadas como enterobactérias, uma família que reúne micro-organismos encontrados frequentemente colonizando o corpo humano – ou seja, vivendo normalmente no intestino e transitoriamente sobre a pele e mucosas. Porém, em alguns indivíduos, estes micro-organismos também podem ser agentes de doenças comuns, como infecções urinárias, gastrointestinais e pneumonias. Segundo Ana Paula, esta interação das bactérias com o homem e o ambiente aumenta o risco de propagação da resistência. “Ao entrar na água onde há bactérias produtoras de KPC, o banhista pode ser colonizado por estes micro-organismos. Mesmo que não fique doente naquele momento, eventualmente, ele pode carrear estas bactérias resistentes para o ambiente e para outras pessoas, estabelecendo um ciclo de disseminação”, explica a microbiologista.

Sobre as bactérias hospitalares

Assim como outras superbactérias, as produtoras de KPC foram inicialmente identificadas dentro dos hospitais. Nestes ambientes, o uso intensivo de antibióticos costuma exterminar as bactérias sensíveis às drogas e selecionar os micro-organismos que possuem alguma característica que os torna resistentes. O primeiro registro da enzima KPC foi feito nos Estados Unidos, em 2006, e esta forma de resistência se espalhou para unidades de saúde em todo o mundo. Até hoje, não há registro de infecções causadas por estas bactérias fora dos hospitais. No entanto, os cientistas temem rever um filme assistido mais de 20 anos atrás.

“Nos anos 1980, surgiram nos hospitais bactérias produtoras de enzimas chamadas ESBLs, que as tornavam resistentes a diversos antibióticos. Após se disseminar em unidades de saúde, micro-organismos carreando este mecanismo de resistência chegaram à população em geral, causando infecções comunitárias, e hoje são encontrados até mesmo em animais silvestres. Para combater as bactérias produtoras de ESBL, tivemos que usar antibióticos da classe dos carbapenemas. Então, surgiram as bactérias produtoras de KPC, que são resistentes a estas drogas. O receio é que essa forma de resistência também saia dos hospitais para a comunidade”, alerta Ana Paula.

Dos hospitais para o ambiente

A possibilidade de disseminação das bactérias produtoras de KPC para o ambiente já preocupa os cientistas há alguns anos. Em 2010, o Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC publicou um artigo científico apontando a presença destas superbactérias no esgoto hospitalar carioca mesmo após o tratamento. Já no final do ano passado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comunicou, no Congresso Brasileiro de Microbiologia, que havia identificado a presença destes micro-organismos nas praias do Flamengo e de Botafogo. Agora, o novo estudo do IOC indica um dos prováveis caminhos percorridos pelas superbactérias, que são carreadas pelo Rio Carioca até o desague na praia. “O Rio Carioca corta diversos bairros e reconhecidamente recebe lançamento de esgoto. Nós não encontramos estes micro-organismos no alto da Floresta da Tijuca, perto da nascente do rio. O primeiro ponto em que detectamos a sua presença foi no Largo do Boticário, após o rio atravessar áreas com moradias e hospitais”, afirma Ana Paula.

Infográfico Fiocruz

Os pesquisadores ressaltam ainda que a chegada das superbactérias até a foz do rio pode ter duas explicações. “É possível que as bactérias tenham sido encontradas na chegada do rio à Praia do Flamengo porque conseguiram sobreviver ao tratamento realizado ou porque não houve tratamento da água naquele determinado momento”, explica Carlos.


Fonte: Fiocruz


Mais de 5 trilhões de pedaços de plástico flutuam pelos oceanos do planeta

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16/12/2014 

Pesquisadores revelaram quarta-feira passada (10) o que chamaram de estimativa de dados científicos mais rigorosa da quantidade de lixo plástico nos oceanos - cerca de 269 mil toneladas - com base em dados de 24 expedições de navios em todo o mundo ao longo de seis anos.

Praia do Perequê em Ilhabela após um show gratuito na última sexta-feira (12)
Praia do Perequê, em Ilhabela, após um show gratuito na última sexta-feira (12)

Há sacolas, garrafas, tampas de garrafas, brinquedos, camisinhas, chupetas, escovas de dente, hastes de cotonete, calçados, embalagens de produtos, alças de guarda-chuva, petrechos de pesca, assentos sanitários e muito mais. A poluição por plástico é generalizada nos oceanos da Terra.

"Há muito mais poluição por plástico do que as recentes estimativas sugerem", disse Marcus Eriksen, diretor de pesquisa do 5 Gyres Institute, com sede em Los Angeles, que estuda este tipo de poluição.

"Tem de tudo o que você pode imaginar feito de plástico", acrescentou Eriksen, que liderou o estudo publicado na revista científica PLoS ONE. "É como um Walmart à deriva."

Noventa e dois por cento do plástico vem sob a forma de "microplásticos" - partículas de itens maiores degradados pela luz solar e fragmentados por ondas, mordidas de tubarões e outros peixes ou de outras maneiras, disse Eriksen.

Especialistas tem soado o alarme nos últimos anos sobre a forma como a poluição por plástico está matando um grande número de aves marinhas, tartarugas marinhas, mamíferos marinhos e outras criaturas enquanto sujam ecossistemas marinhos.

Alguns objetos de plástico, como redes de pesca descartadas matam por afogamento golfinhos, tartarugas marinhas e outros animais. Fragmentos de plástico são encontrados na garganta e trato digestório de animais marinhos.

Os pesquisadores disseram que o plástico entra nos oceanos dos rios e de regiões costeiras densamente povoadas, bem como de navios.

Objetos maiores de plástico, abundantes perto da costa, também flutuam em cinco giros subtropicais do mundo - grandes regiões com correntes circulares no Pacífico Norte e Sul, no Atlântico Norte e Sul e no Oceano Índico.

Giros oceânicos subtropicais

No meio destes giros o lixo plástico se acumulou em enormes "porções de lixo" que atuam como "liquidificadores gigantes - moendo grandes objetos de plástico até chegarem a microplásticos", disse Eriksen.

O estudo, baseado em dados de expedições a cinco giros subtropicais, litoral da Austrália, Baía de Bengala e Mar Mediterrâneo, estimou que existam 5,25 trilhões de partículas de lixo plástico nos oceanos. Minúsculas partículas de plástico, até o tamanho de um grão de areia, se espalharam através dos até atingem regiões polares, mesmo remotas.

Os pesquisadores disseram que as partículas adsorvem facilmente poluentes químicos como DDT, PCBs e outros, e essas toxinas entram na cadeia alimentar marinha quando ingeridas por peixes e outras criaturas marinhas.


Fonte: Reuters


Baixada Santista sofre com contaminação por metal

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04/12/2014 

Análise sedimentar do Estuário de Santos e São Vicente mostra que acúmulo de metais pode gerar consequências para biota local. 

A Baixada Santista vem sendo alvo da poluição gerada pela industrialização e pelo crescimento populacional da área, e uma das conseqüências desse quadro é o acúmulo de metais em todo o ecossistema marítimo. Visando analisar o fenômeno, Juliê Rosemberg Sartoretto, mestre do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), realizou um estudo que faz o levantamento do nível de contaminação por metais no Estuário de Santos e São Vicente através da observação de colunas sedimentares. Estudos sobre metais em sedimentos já foram realizados anteriormente, porém nenhuma pesquisa atentou em fazer um paralelo entre o aumento das concentrações das substâncias dos últimos 70 anos, com a industrialização e a ocupação cada vez maior da região.

Voluntários retiram televisor CRT de manguezal em Santos. Além da poluição industrial, é comum o descarte de aparelhos eletroeletrônicos, assim como pilhas, lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias em algumas regiões do estuário de Santos e São Vicente.

Para realizar a pesquisa, Juliê utilizou métodos variados durante o processo, entre eles, digestão parcial dos sedimentos – método US EPA 3050B –, digestão total dos sedimentos – método US EPA 3010 –, e análise de mercúrio por geração de vapor (US EPA). “A maioria dos metais estudados podem ser encontrados naturalmente no meio ambiente, e muitos deles têm importância vital para o funcionamento de alguns organismos. No entanto, o excesso se sua concentração pode gerar uma contaminação de todo o ecossistema. A grande acumulação desses metais no sedimento é uma evidência de que esse ecossistema está sobrecarregado desses contaminantes, e assim como ele acumula nos sedimentos, ele também acumula nos organismos e na água”, afirma a pesquisadora.

Mercúrio é fator de risco

Resultados finais apontaram a existência de dois ambientes distintos nos Estuários de Santos e São Vicente, o Canal de Bertioga e o Alto Estuário Santista. No Canal de Bertioga, a quantidade de metais concentrados ainda está abaixo dos níveis de TEL, adotado pela CETESB, e Nível 1 da Resolução Conama 454 (2012), que são concentrações pré-estabelecidas nas quais se observa um efeito negativo do metal nos organismos presentes dentro de um sistema. Porém, o aumento da porcentagem de metais gerado de alguns anos para cá pode encontrar suas causas em alguns incidentes ambientais, como o incêndio na Ilha de Socó nos anos 80, a proximidade com o Alto Estuário Santista, e um derramamento de óleo, também ocorrido nos anos 1980. Já o Alto Estuário de Santos apresenta concentrações elevadas e alarmantes de cobre, chumbo, zinco e mercúrio, sendo este último o mais preocupante. Desde a década de 50 pode-se perceber um aumento na concentração de metais nessa região, sendo que a agravação do quadro teve início a partir dos anos 1970, em reflexo à efervescência da atividade industrial.

“Os resultados encontrados de maior relevância foram os teores de mercúrio, que denotaram alguns pontos com alta poluição dentro do Alto Estuário Santista. Esses resultados são de suma importância para diversos setores envolvidos. Primeiramente são dados alarmantes devido à alta toxicidade do mercúrio, indicando um possível risco à biota local. Economicamente falando há um outro problema, uma vez que devido a presença do Porto de Santos a região necessita de frequentes processos de dragagem. Altas concentrações de mercúrio no sedimento impossibilitam o processo de dragagem, gerando prejuízos imensos para os setores envolvidos. Altas concentrações desse elemento no sistema também geram problemas econômicos para a comunidade pesqueira local, uma vez que, devido às legislações, não é possível a comercialização de organismos que apresentem altas concentrações desses metais em seus tecidos”, completa.

A pesquisadora ainda destaca o fato de que essa contaminação pode ser prejudicial aos seres humanos pelo consumo da carne de peixe. Alguns metais, como o mercúrio, por exemplo, podem sofrer o processo de biomagnificação, em que a concentração da substância vai aumentando gradativamente a cada nível trófico da cadeia alimentar.

Previsão pessimista

Caso os níveis de contaminação do ecossistema marítimo por metais não diminuam, conseqüências imediatas poderão ser notadas na biota local, já que a maioria dos organismos não resistiria ao ambiente desequilibrado. A reconstrução da degradação ambiental não é uma prática viável no caso da Baixada Santista, portanto, a melhor solução possível para a situação seria o controle da disseminação de poluentes até que aconteça uma reconstrução natural da região.


Fonte: IO-USP


Bactérias ajudam a tratar água utilizada por refinarias de petróleo

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17/11/2014 

Microrganismos identificados por pesquisadores são capazes de eliminar contaminantes tóxicos presentes em efluente industrial; resultados do estudo foram apresentados no encontro Brazil-UK Frontiers of Engineering (foto efluente industrial: Wikimedia/imagem bactérias: Louise Hase Gracioso)
Microrganismos identificados por pesquisadores são capazes de eliminar contaminantes tóxicos presentes em efluente industrial; resultados do estudo foram apresentados no encontro Brazil-UK Frontiers of Engineering (foto efluente industrial: Wikimedia/imagem bactérias: Louise Hase Gracioso)

As refinarias de petróleo usam grande quantidade de água em um processo industrial denominado craqueamento catalítico, que visa aumentar o rendimento de produtos como gasolina e gás liquefeito de petróleo (GLP), por meio da conversão de frações pesadas provenientes da destilação do petróleo em frações mais leves e de maior interesse comercial.

Por ter alta concentração de contaminantes tóxicos, como fenóis, gases sulfídrico e cianídrico, além de amônia, hidrocarbonetos e mercaptanos, esse efluente industrial – chamado de “água ácida” – não pode ser destinado diretamente para tratamento e precisa ser estocado pelas refinarias para a remoção da amônia e de sulfetos antes de ser descartado.

“As concentrações de contaminantes tóxicos nesse efluente industrial podem variar de 100 a 1.000 ppm [partes por milhão]. Se essa água residual for enviada diretamente para uma lagoa de tratamento, pode causar graves problemas ambientais”, disse Elen Aquino Perpetuo, professora do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à Agência FAPESP.

Em colaboração com colegas do Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema) – um centro cooperativo em Engenharia Ambiental apoiado pela FAPESP –, a pesquisadora encontrou uma solução mais prática para o tratamento desse efluente industrial.

Os cientistas identificaram duas bactérias – a Achromobacter sp. e a Pandoraea sp. – capazes de reduzir a concentração de contaminação da “água ácida” para níveis aceitáveis e permitir lançá-la no ambiente ou reutilizá-la em processos industriais nas refinarias.

Alguns dos resultados do projeto foram apresentados no encontro Brazil-UK Frontiers of Engineering, realizado entre 6 e 8 de novembro em Jarinu, no interior de São Paulo, pela Royal Academy of Engineering, do Reino Unido, em colaboração com a FAPESP.

O evento reuniu 63 jovens pesquisadores de diferentes áreas da Engenharia – 33 do Brasil e 30 do Reino Unido –, atuantes em universidades, instituições de pesquisa e empresas, como Shell, Foster Wheeler e Petrobras, entre outras.

“As bactérias conseguiram remover todos os contaminantes de amostras de efluentes de refinarias”, afirmou Perpetuo, que realizou mestrado, doutorado e pós-doutorado com Bolsas da FAPESP.

De acordo com a professora, as duas bactérias foram isoladas do ar e descobertas por acaso, quando trabalhava como pesquisadora no Cepema, em Cubatão, próximo a uma refinaria da Petrobras.

Ao deixar uma solução de fenol com 500 ppm exposta em uma área de processos ao ar livre do Cepema, os pesquisadores perceberam que dias depois a solução começou a turvar – sinal de crescimento celular.

“Como só tinha fenol como fonte de carbono na solução, percebemos que microrganismos estavam degradando o composto”, disse Perpetuo. “Posteriormente, começamos a isolar as bactérias e a inoculá-las em diferentes concentrações de poluentes para verificar quem resistia mais à presença de fenóis. E constatamos que a Achromobacter sp. e a Pandoraea sp. eram mais eficientes na degradação do composto.”

Degradar fenol

A fim de testar a eficácia das bactérias na degradação de fenóis, os pesquisadores realizaram dois experimentos diferentes. No primeiro, feito em biorreatores, adicionaram 100 mililitros (ml) de biomassa de Achromobacter sp. em 500 ml de água ácida e mantiveram as bactérias na solução por 82 horas.

Já no segundo experimento, mantiveram por 96 horas cepas de Pandoraea sp. em uma solução de “água ácida” em balão de Erlenmeyer (frasco de vidro) sob agitação e temperatura controlada.

Para tornar incolor a “água ácida” tratada com as bactérias foi utilizada uma concentração de 6 gramas por litro de carvão ativado, como o utilizado em filtros de água domésticos.

Os resultados dos experimentos indicaram que as bactérias foram capazes de degradar os fenóis e compostos como o-cresol e m-cresol presentes na soluções em concentrações de 500 ppm.

A bactéria Achromobacter sp, contudo, foi a mais eficiente e demonstrou ser capaz de degradar fenóis em concentração de até 2 gramas por litro de solução.

“Até então não tinha sido identificada uma bactéria com uma capacidade tão alta de efluentes reais [não sintéticos].. As já relatadas na literatura científica têm capacidade de degradar concentrações de até 200 ou 300 ppm de efluentes sintéticos, como água adicionada de fenol, onde não há mistura de contaminantes”, disse Perpetuo.

Por meio de um projeto de doutorado, realizado com Bolsa da FAPESP, os pesquisadores analisaram o proteoma (conjunto de proteínas) da bactéria a fim de identificar as enzimas envolvidas na capacidade de degradação de fenóis pelo microrganismo.

Os resultados da análise foram publicados na revista Current Proteomics e demostraram que o microrganismo possui algumas enzimas que apresentam uma grande expressão quando expostas ao fenol.

“Achamos que a Achromobacter sp pode ser uma espécie nova de bactéria. Por isso, já solicitamos a realização do sequenciamento do genoma total dela”, disse Perpetuo.

Aplicação em larga escala

De acordo com a professora, uma das possíveis formas de utilização das bactérias para o tratamento de “água ácida” seria por meio da aplicação de biofilme dos microrganismos em cilindros biológicos, semelhantes a rodas d’água, que ficariam parcialmente imersos e girando sobre a superfície de tanques de armazenamento do efluente, uma vez que as bactérias necessitam de aeração.

Ao girar, o cilindro possibilitaria que as bactérias ora entrassem em contato com o efluente e degradassem os contaminantes tóxicos e ora ficassem expostas ao ar.

“Desenvolvemos um protótipo do cilindro biológico para um tanque de um litro em um ambiente aberto e ele funcionou. Achamos que não seria difícil fazer um para uma escala bem maior”, estimou.

Na avaliação de Perpetuo e de outros especialistas presentes no evento em Jarinu, a biorremediação – como é chamado o uso de microrganismos para transformação biológica de produtos químicos indesejáveis, para imobilização de metais ou modificação das propriedades dos materiais para melhorar a utilização de recursos, como a água e a terra – é reconhecida como uma das soluções de mais baixo custo para a limpeza de água e solos contaminados.

Com as novas tecnologias de sequenciamento genético, a área começou a se desenvolver mais nos últimos anos, avaliou Andrew Singer, pesquisador do Centro de Ecologia e Hidrologia do Natural Environment Research Council (Nerc), do Reino Unido.

“A microbiologia molecular moderna se desenvolveu em um ritmo tão grande nos últimos anos que poderá nos permitir não só identificar micróbios isolados e sua atividade genética, como também fazer um levantamento rápido de um ambiente inteiro para determinar as espécies de microrganismos presentes e estimar a abundância e sua atividade”, disse Singer em palestra durante o evento.

Colaboração em pesquisa

O Brazil-UK Frontiers of Engineering teve como objetivo possibilitar que os participantes conhecessem outros pesquisadores promissores em outras áreas e de lugares diferentes para desenvolver uma perspectiva multidisciplinar em Engenharia. Além disso, buscou estimular o estabelecimento de redes multinacionais de colaboração em pesquisa.

“A ideia foi criar um espaço de discussão durante o encontro em que jovens pesquisadores provenientes tanto de universidades e instituições de pesquisa como de empresas pudessem conversar sobre temas que vão ter impactos econômicos e sociais no futuro”, explicou Euclides de Mesquita Neto, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos coordenadores do evento.

“Para esta edição selecionamos como temas para discussão óleo e gás, redes inteligentes, big data em saúde e biorremediação”, disse Mesquita Neto, que é membro da coordenação da área de Engenharia da FAPESP.

Durante os três dias de duração do evento foram realizadas 16 apresentações orais e sessões de pôsteres sobre esses quatro temas.

O artigo “Proteome analysis of phenol-degrading Achromobacter sp. strain C-1, isolated from an industrial area” (doi: 10.2174/1570164611209040007), de Gracioso e outros, pode ser lido por assinantes da revista Current Proteomics em benthamscience.com/journal/abstracts.php?journalID=cp&articleID=107135. 


Fonte: Agência FAPESP


Voluntários conscientizarão banhistas sobre os impactos do plástico nos oceanos

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06/11/2014 – Por Ana Carolina Martins, aluna de Propaganda e Marketing da UNIP. Modificado em 14/11. 

Neste domingo (16/11), moradores e turistas que frequentam as praias santistas terão a oportunidade de se informar sobre os impactos causados pela poluição marinha e conhecer o trabalho desenvolvido pelo Instituto EcoFaxina na região.

Orla de Santos. Foto: Tadeu Nascimento
Orla de Santos. Crédito: Tadeu Nascimento

A iniciativa do evento partiu de três alunos do curso de Propaganda e Marketing, da Universidade Paulista - UNIP, que entraram em contato ao Instituto EcoFaxina para elaborarem o evento.

Uma intervenção com resíduos coletados em mangues e praias será realizada por alunos da UNIP, voluntários e diretores da ONG, com início às 16 horas, na barraca Settaport, localizada na praia do Boqueirão, em frente ao Moby Club.

O Instituto realiza mensalmente ações voluntárias para a coleta de lixo em manguezais, praias e costões rochosos. O resultado até o momento foi a retirada de 31.214 kg de lixo do ambiente marinho, a conscientização de milhares de habitantes de palafitas e mais de 700 voluntários envolvidos. A expectativa é que o sucesso das ações continue aumentando sempre, com maior conscientização da população e captação de voluntários.

A intervenção tem o objetivo incentivar as pessoas a conhecer e preservar os oceanos, além servir como um alerta e despertar a responsabilidade socioambiental nas empresas.

A barraca contara com: exposição de materiais coletados por voluntários nas ações; voluntários informando sobre o trabalho da ONG e conscientizando banhistas; cadastro de voluntários; venda de canecas, bituqueiras de praia, sanduíches naturais e sucos com lucro revertido para o Instituto EcoFaxina (que não possui patrocinadores); música ao vivo com o Dj Andrigues e o grupo de pagode Nossos Planos; exibição de vídeos das ações; rede de vôlei.

Como o evento será em uma barraca de praia, haverá guarda-sóis e cadeiras. Assim, as pessoas que comparecerem, além de colaborarem para a preservação dos oceanos, também poderão curtir a tarde na praia. A barraca conta com diversas opções de alimentos e bebidas.

O local foi escolhido pelos alunos por ser de uma fundação que se preocupa com o meio ambiente, por estar localizada na praia, foco de ações do Instituto EcoFaxina e ser um local de grande circulação de munícipes e turistas. Em resumo, foi escolhido por ser um local perfeito para a intervenção, unindo natureza, informação, lazer e esporte para todos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) estima que a poluição por plástico nos oceanos seja responsável pela morte anual de 1,5 milhão de animais marinhos.

Então já sabe, neste domingo chame os amigos e venha curtir uma praia na barraca mais ecológica do Brasil! Participe, você estará contribuindo com o trabalho do Instituto EcoFaxina e ajudando a despertar na população santista a consciência ambiental e o respeito que a nossa ilha e os animais marinhos merecem.

Intervenção #PorUmMarSemLixo – Instituto EcoFaxina/UNIP
Data: 16 de novembro de 2014
Horário: A partir das 16 horas
Local: Barraca Settaport – Em frente ao Moby Club


Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar apoia medidas da Global Ocean Commission

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13/11/2014 

Pela falta de legislação nas águas internacionais, a iniciativa pretende reverter o processo de degradação do ecossistema marinho nos próximos cinco anos 

Fauna acompanhante da pesca de arrasto. A pesca de arrasto destrói o leito oceânico e não poupa nenhum organismo. Apenas um décimo do que é pescado tem valor econômico.
Fauna acompanhante da pesca de arrasto. A pesca de arrasto destrói o leito oceânico e não poupa nenhum organismo. Apenas um décimo do que é pescado tem valor econômico.

O planeta Terra tem cerca de três quartos de sua superfície coberta por água e, apesar disso, esse é um dos recursos mais maltratados e o que causa maior preocupação em relação ao futuro. Por isso, com o objetivo de acabar com a destruição dos fundos marinhos, poluição e pesca predatória, foi criada em fevereiro de 2013, a Global Ocean Commission, composta por uma equipe multinacional de renomados representantes políticos e empresários.

Com o apoio da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), da ONU, a comissão busca restaurar a produtividade dos oceanos a partir de uma gestão de recursos, pois por conta da ausência de uma governança adequada, alguns continentes acabam abusando da liberdade e, constantemente, saqueiam as riquezas marítimas desprotegidas. Pensando nisso, a comissão pretende aumentar a regulamentação na utilização deste recurso já que cerca de 64% da área ocupada pelos oceanos é alto mar, ou seja, não tem jurisdição de qualquer país. “Nossas propostas são prioridades deste momento para evitar a destruição da fauna e da flora. Aos poucos muitas espécies estão sendo extintas, os corais estão desaparecendo, a pesca predatória por arrastão, que acaba levando toda vida marinha grudada no fundo do mar, está aumentando grandemente, entre outras coisas”, explica Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e atual Comissário Brasileiro da Global Ocean Commission.

Para que os danos causados no ecossistema marinho sejam reversíveis é necessário que as mudanças ocorram em até cinco anos. Tal recomendação afeta principalmente países como os Estados Unidos, a União Europeia, a China e o Japão.

“O aquecimento dos mares vai destruir países inteiros. Alguns vão acabar completamente cobertos de água e vão desaparecer. Muitos podem não se dar conta, mas há grandes chances da orla de Copacabana desaparecer com todos esses efeitos que os cientistas estão prevendo por conta do aumento do nível do mar. Por isso, quanto mais gente apoiar a causa da comissão, mais fácil será que as Nações Unidas se movam e convençam seus países associados a aderir também”, diz o comissário.

O aumento da temperatura da água causa o branqueamento dos corais, ou seja, os corais morrem, restando apenas a sua estrutura calcária branca (esqueleto). Crédito: NOAA
O aumento da temperatura da água causa o branqueamento dos corais, ou seja, os corais morrem, restando apenas a sua estrutura calcária branca (esqueleto). Crédito: NOAA

A Global Ocean Commission, composta por dezessete representantes que são ex-chefes de Estado, Governo, ministros e líderes empresariais proeminentes, passou cerca de 18 meses investigando o declínio dos oceanos para criar o relatório "Do declínio à recuperação: um plano de salvação para os oceanos do mundo", em que especificam oito objetivos e propostas para restaurar e proteger os mares. Entre os principais passos, estão em destaque a pesca ilegal (que tem impactos ecológicos, econômicos e sociais) e, claro, a contaminação, que fazem com que todos os países sejam afetados, em especial os em desenvolvimento que, muitas vezes, dependem dos oceanos para segurança alimentar.

"Cerca de 60 por cento destas subvenções fomentam práticas insustentáveis e sem elas a indústria pesqueira em alto-mar não é financeiramente viável", especifica o relatório. Além disso, a conservação da fauna marinha também ajuda a amenizar os efeitos do aquecimento global, já que os peixes e outras formas de vida aquática em alto mar absorvem o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, o suficiente para poupar mais de US$200 bilhões em danos climáticos anuais.

“Quando nos damos conta do aquecimento global e da acidificação das águas do oceano, e que isso tudo vai mudar a vida das gerações futuras, é preciso pensar em soluções para reverter esse quadro, pois em algumas regiões do mundo a vida da pessoa já está completamente diferente por conta dessas mudanças. Há lugares na China onde as pessoas andam de máscara nas ruas por conta do ar poluído. Para nós, brasileiros, isso tudo parece uma coisa muito distante, pois vemos apenas o rio Tietê, o rio Pinheiros, a lagoa Rodrigo de Freitas, a sujeira da Baía de Guanabara para as Olimpíadas, mas isso é apenas aquilo que os olhos podem ver. A comissão procura ver além, olhar tudo que está acontecendo fora de nossas vistas para sensibilizar as pessoas a evitar que o pior aconteça”, esclarece Dr. Furlan.

Voluntários do Instituto EcoFaxina alertam para a poluição por plástico nos oceanos. Além de ser confundido com alimentos e causar a morte de milhares de animais marinhos a cada ano, o plástico adsorve poluentes bioacumulativos da água e os transfere para a cadeia alimentar, fazendo com que cheguem aos nossos pratos. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntários do Instituto EcoFaxina alertam para a poluição por plástico nos oceanos. Além de ser confundido com alimentos e causar a morte de milhares de animais marinhos a cada ano, o plástico adsorve poluentes bioacumulativos da água e os transfere para a cadeia alimentar, fazendo com que cheguem aos nossos pratos. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

Confira abaixo as propostas da Global Ocean Commission para a melhoria dos oceanos:

Proposta 1: Por meio de uma meta de desenvolvimento sustentável a Global Ocean Commission quer reduzir a perda da biodiversidade marinha eliminando a pesca ilegal e reduzindo em 50% a quantidade de resíduos plásticos no ambiente marinho

Proposta 2: Para cuidar dos mares a comissão propõe a criação de organizações regionais para gestão do oceano e o fortalecimento da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM)

Proposta 3: Para acabar com a sobrepesca e a pesca ilegal a GOC pede que sejam adotados três passos: transparência integral dos subsídios à pesca, classificação para identificar e distinguir aqueles que são prejudiciais e limitação dos subsídios para combustíveis utilizados na pesca em alto mar nos próximos cinco anos. Atualmente a frota pesqueira mundial é 2,5 vezes maior do que o necessário para que as capturas sejam sustentáveis.

Proposta 4: Além dos impactos ambientais, a pesca ilegal tem impactos econômicos e sociais que afetam, em especial, os países em desenvolvimento. Para acabar com a prática, é preciso, por meio de compromisso e cooperação, punir os praticantes

Proposta 5: Ações coordenadas dos governos, do setor privado e da sociedade para incentivar a reciclagem e conscientizar o consumidor, já que 80% dos resíduos encontrados no mar vem do continente, essa medida é essencial

Proposta 6: Os impactos da exploração de petróleo e gás são também responsáveis pela perturbação da vida marinha, por isso a comissão pretende estabelecer padrões internacionais de segurança e responsabilidade para essa atividade

Proposta 7: Para conseguir monitorar todo o progresso das propostas feitas em direção a um oceano mais saudável a comissão recomenda a criação de um comitê independente de responsabilidade pelos oceanos

Proposta 8: A fim de conseguir alcançar os objetivos propostos, é necessária a criação de uma Zona de Regeneração em Alto Mar, uma região onde não seria liberada a pesca. Tal medida não afetaria a economia, pois apenas 1% das espécies de peixes é capturado exclusivamente em alto mar, e ainda traria um alto impacto ambiental positivo com pequeno custo.



Fonte: Global Ocean Commission


Destruição de manguezais gera prejuízos econômicos de até US$ 42 bilhões, por ano

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17/10/2014

Agência da ONU afirma que é necessária ação global para impedir mais perdas; destruição de manguezais é até cinco vezes maior que outras florestas; Brasil concentra 7% de todos os manguezais do planeta.

Voluntário coleta plástico em manguezal no estuário de Santos. Ecossistema considerado berçário de espécies marinhas  sofre diariamente com o desmatamento e a poluição na região. Foto: Tierry Medeiros/Instituto EcoFaxina
Voluntário coleta plástico em manguezal no estuário de Santos. Ecossistema, considerado berçário de espécies marinhas, sofre diariamente com o desmatamento e a poluição na região.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, alertou que o ritmo de destruição dos manguezais é de 3 a 5 vezes maior do que o das florestas em todo o mundo.

Segundo relatório, "Importância dos Manguezais: Pedido para Ação", lançado dia 29/09, em Atenas, Grécia, os danos econômicos chegam a US$ 42 bilhões, o equivalente a R$ 101 bilhões, por ano.

Brasil

Os manguezais são encontrados em 123 países e cobrem uma área de 152 mil km². Mais de 100 milhões de pessoas vivem a uma distância de 10 km dessas regiões e se beneficiam de seus recursos.

O relatório mostra que o Brasil abriga 7% dos manguezais no mundo. Segundo o Pnuma, o país registra uma taxas mais baixas de perda porque mais de 70% dessas áreas estão em regiões protegidas. A cidade de Caeté, no Pará, é citada no documento como um dos exemplos. Com uma população de 13 mil habitantes, o Pnuma afirma que 83% tiram seu sustento do manguezal da região.

Caranguejo

Somente o caranguejo retirado do local é fonte de renda para 38% das famílias. A situação se repete na ilha de Caratateua, também no Pará.

O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, afirmou que os serviços fornecidos pelos manguezais movimentam US$ 57 mil por hectare, por ano.

Além disso, Steiner menciona a capacidade dos manguezais de absorver carbono, que de outra forma seria expelido na atmosfera. Segundo ele, "fica claro que a contínua destruição dessas áreas não faz nenhum sentido ambiental ou econômico".

"No entanto, a crescente destruição e degradação dos manguezais - impulsionada pela conversão de terras para a aquicultura e agricultura, o desenvolvimento costeiro e a poluição - está ocorrendo em um ritmo alarmante, com a perda de mais de um quarto da cobertura de mangue do planeta. Isso tem potenciais efeitos devastadores sobre a biodiversidade, a segurança alimentar e os meios de subsistência de algumas das comunidades costeiras mais marginalizadas nos países em desenvolvimento, onde mais de 90 por cento dos manguezais do mundo são encontrados."

Mudança climática

A mudança climática representa outra ameaça ao manguezais. O relatório mostra que o fenômeno pode resultar numa perda de 10% ou 15% da região até 2100.

O chefe do Pnuma disse que a destruição e a degradação dos manguezais está ocorrendo num passo alarmante, seja pela conversão do local para atividades de aquacultura, agricultura, desenvolvimento da costa ou poluição.

Steiner declarou que mais de 25% dos manguezais no mundo já foram perdidos.

Para ele, esse fato tem efeitos devastadores sobre a biodiversidade, segurança alimentar e bem estar de várias comunidades que vivem nesses locais.

O documento diz ainda que apesar das provas dos benefícios gerados pelas regiões de mangues, essas áreas continuam sendo um dos ecosistemas mais ameaçados do planeta.


Fonte: Pnuma


TJ-SP volta a proibir distribuição de sacolas plásticas em supermercados da capital paulista

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08/10/2014 

Venda também está proibida. Liminar permitia a distribuição das sacolas desde junho de 2011. 



O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) julgou improcedente a ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast) e cassou liminar concedida em junho de 2011 que derrubou uma lei aprovada pela Câmara Municipal da capital paulista que proibia distribuição e venda de sacolas plásticas em supermercados da cidade.

Leia também: Sacolas plásticas descartáveis serão probidas em todo o estado da Califórnia | Poluição por plásticos causa perda equivalente a US$ 13 bilhões para ecossistemas marinhos | União Européia quer o plástico fora dos estômagos dos animais marinhos

O julgamento do Órgão Especial aconteceu na última quarta-feira (1º), mas só foi divulgado neste terça-feira. A decisão ocorreu por maioria de votos dos desembargadores.

A proibição de distribuir sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais na cidade de São Paulo foi sancionada em 2011 pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). A medida só entraria efetivamente em vigor em janeiro do ano seguinte, mas o Sindiplast conseguiu uma liminar que derrubou a lei.

O texto aprovado em 2011 pela Câmara Municipal de São Paulo previa, em caso de descumprimento da legislação, multa de R$ 50 a R$ 50 milhões, de acordo com o faturamento da loja infratora. A fiscalização seria feita pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

Em nota, o Sindiplast diz que “serão tomadas as medidas legais cabíveis, sempre no intuito de defender o direito do consumidor” e que “conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o banimento das sacolas plásticas dos supermercados acarretará aumento de 146,1% no custo mensal das famílias com embalagens”.


Fonte: O Globo


Depois do 'trato' na Prainha Branca, voluntas partem neste sábado para Ilhabela

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26/09/2014 

Voluntários retiram 215 quilos de lixo da mata e 32 da praia e enviam SOS pela vida marinha. Esta é a segunda vez que voluntários do Instituto EcoFaxina e da SOS Mata Atlântica se unem no Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias. 

Voluntários enviam um SOS pela vida marina. Animais comem plástico! Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntários enviam um SOS pela vida marinha. Animais comem plástico!

Mesmo com uma previsão de tempo pouco animadora, indicando chuva a qualquer hora do dia, voluntários partiram de Santos e de São Paulo rumo à Prainha Branca, na Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, dispostos a limpar a mata ao redor das trilhas que dão acesso às praias Branca, Preta e Camburi, além claro das três praias.

Os voluntários se encontraram no início da trilha por volta das nove horas, e após muitos abraços e um rápido bate-papo, partiram para a trilha.

Logo nos primeiros metros ficou claro que o trabalho seria pesado e alguns voluntários deixaram a trilha e partiram para a mata para retirar embalagens de alimentos, garrafas pet, sacolas plásticas, e objetos inusitados como um carrinho de bebê e um carrinho de supermercado.

Voluntários retiram o lixo da mata ao redor da trilha. A quantidade surpreendeu a todos. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntários retiram o lixo da mata ao redor da trilha. A quantidade surpreendeu a todos.

Na metade da trilha decidimos cancelar a limpeza das praias Preta e Camburi, pois não haveria tempo suficiente, tamanha a quantidade de lixo que havia para ser coletada na trilha de acesso à Prainha Branca.

Mesmo formando um verdadeiro pelotão - 77 'ecofaxineiros', 35 do Instituto EcoFaxina e 42 da SOS Mata Atlântica -, levamos cerca de 1 hora e 40 minutos para percorrer a trilha, que possui aproximadamente 20 minutos de percurso.

Ao chegarmos na vila fomos para o campo de futebol ao lado da praia, onde um grupo de voluntários iniciou a coleta de dados dos resíduos retirados durante a trilha.

Voluntários realizam a coleta de dados dos resíduos retirados durante a trilha. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

Enquanto isso, outro grupo seguiu para limpeza da faixa de areia e do costão rochoso.

Voluntários realizaram a limpeza da faixa de areia e do costão rochoso. Foto: William R. Schepis/InstitutoEcoFaxina

Voluntários realizaram a limpeza da faixa de areia e do costão rochoso. Foto: William R. Schepis/InstitutoEcoFaxina

Dados da coleta na trilha:

 Resíduo  Quantidade  Peso (Kg)
Sacola plástica 609 14
Embalagem plástica de alimentos 190 4
Embalagem plástica de produtos de limpeza 82  5
Embalagem plástica de produtos de higiene pessoal e cosméticos 66 5
Garrafa PET  639 34
Tampa de plástico  160 1
Fragmentos de plástico 362 27
Garrafa de vidro 93 29
Embalagens diversas de vidro 38 7
Latinha de alumínio 418 9
Isopor 56 2
Preservativo 14 -
Carrinho de supermercado 1 9
Carrinho de bebê 1 4
Ferragem 13 3
Eletroeletrônico 5  14,5
Pino de cocaína 8 -
Vestuário (roupas e calçados) 88 38
Isqueiro 2 -
Brinquedo 10 2
Total 2855 215

Dados da coleta na praia:

 Resíduo  Quantidade  Peso (Kg)
Sacola plástica 347 3,5
Embalagem plástica de alimento 593 5,5
Garrafa PET  56 2,5
Tampa de plástico 91 0,5
Garrafa de vidro 32 9,5
Haste de cotonete e pirulito 104 -
Canudo 77 -
Fagmento de plástico 662 4
Latinha de alumínio 38 1
Isopor 41 0,5
Pino de cocaína 18 -
Esponja de limpeza 3 -
Brinquedo 8 5
Balão de hélio 12 -
Rede de pesca 2 -
Total 2072 32

O microlixo nos oceanos forma um banquete para peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos

Ao final da coleta de dados os voluntários das duas entidades posaram para uma foto

Após a coleta dos dados os sacos foram levados até uma embarcação da comunidade, que transportou o lixo para o atracadouro da balsa para que a Terracom, empresa de limpeza urbana, fizesse a destinação final correta.

Voluntários carregam os sacos até a embarcação

Parte 3 de 3

Próxima Ação Voluntária EcoFaxina que terá os dados da coleta incluídos no relatório do DMLRP.

Ecossistemas: praia, costão e subaquático - Praia do Portinho, Pedras Miúdas e ilha das Cabras - Parque Municipal Marinho de Ilhabela.

O que levar: barraca, equipamentos de camping, repelente, roupas leves, roupa de banho, agasalho, tênis, chinelo, óculos de sol, máquina foográfica, alimentos, bebidas, máscara e nadadeiras.

Transporte: um ônibus partirá no sábado (27) às 9 horas da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão, Santos. Retorno no domingo (28) às 16 horas. Chegada em Santos prevista entre 19 e 20 horas. (VAGAS ESGOTADAS)

Veículo próprio: quem for de carro ou moto deverá acompanhar o ônibus.

Hospedagem gratuita: os voluntários que forem de ônibus terão uma área reservada para camping, sem custos. O local possui banheiro com chuveiro e cozinha com geladeira, micro-ondas e fogão.

As pessoas que forem de carro, por conta própria, ficarão hospedadas em uma pousada na mesma rua pelo valor de R$ 50,00 (cinquenta reais), ou em qualquer outro local de sua preferência.

CRONOGRAMA

Sábado (27)

9h00: partida
12/13h00: chegada - Acomodação, almoço e montagem do acampamento
14h00: trilha monitorada no Parque das Cachoeiras
16h00: apresentação sobre o Parque Municipal Marinho de Ilhabela
17h00: retorno para o camping - banho e janta

Domingo (28)

7h00: café da manhã
8h00: início da ação voluntária
13h00: término da ação voluntária
14-16h00: almoço - tempo livre
16h00: retorno para Santos
19-20h00: chegada à Santos

Organização: Instituto EcoFaxina e Instituto Dharma
Apoio: Universidade Santa Cecília - Unisanta, Projeto Construindo o Amanhã, Bela Azul Turismo e Náutica, Ocean Conservancy e Prefeitura de Ilhabela.


Ministério Público cobra retirada de lixo do Parque "Ambiental" Sambaiatuba, em São Vicente

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18/09/2014 

Volume excedente no Parque Ambiental chega a 70 mil toneladas. 

Pessoas e animais convivem com o lixo no Parque Ambiental Sambaiatuba
Pessoas e animais convivem com o lixo no Parque Ambiental Sambaiatuba

O Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público do Estado de São Paulo aguarda respostas da Prefeitura de São Vicente e da Cetesb sobre o volume excedente de 70 mil toneladas de lixo depositadas no Parque Ambiental Sambaiatuba.

A promotora de Justiça e integrante do Gaema Almachia Acerbi ressalta o fato de a Prefeitura ter feito contrato com a Terracom, no valor de R$ 8,5 milhões, especificamente para a retirada do volume excedente. “O contrato já terminou há mais de dois meses e estamos aguardando respostas da Cetesb e da Prefeitura”.

Entrada do Parque Ambiental Sambaiatuba, antigo lixão Sambaiatuba.
Entrada do Parque Ambiental Sambaiatuba, antigo lixão Sambaiatuba

Almachia também se mostrou preocupada com a notícia da morte de um funcionário da Codesavi (empresa ligada à Prefeitura) na área de transbordo do parque ambiental, na última sexta-feira, que teria sido sufocado por uma montanha de lixo.

Pessoas separam resíduos sem o uso de equipamentos de proteção individual.
Pessoas separam resíduos sem o uso de equipamentos de proteção individual

Em caso de uma resposta não convincente da Prefeitura sobre o lixo acumulado no Sambaiatuba, Almachia Acerbi pensa na possibilidade de responsabilizar pessoalmente o prefeito Luis Claudio Bili (PP). “Quando uma Prefeitura é multada, o dinheiro acaba saindo dos cofres públicos e quem paga é o munícipe. Quando um prefeito é acionado pode responder por improbidade administrativa”, afirma.

O chorume contamina o solo e as águas do estuário de Santos.
O chorume contamina o solo e as águas do estuário de Santos

15h26, e sem resposta

O Diário do Litoral tentou respostas com a Prefeitura enviando e-mail para a Assessoria de Imprensa às 15h26 de ontem. O órgão informou que o responsável por encaminhar as respostas já não estava mais na Codesavi naquele horário.

As perguntas encaminhadas foram: qual foi o resultado ao final do contrato? O volume excedente foi retirado? Para onde foi encaminhado o volume excedente de 70 mil toneladas de lixo? A Prefeitura mantém o número de recolhimento de 243 toneladas de lixo/dia no Município? Onde é levado hoje esse material? Quem é a empresa responsável pela retirada do lixo urbano? Qual o valor do contrato? É notório o problema do entulho nas ruas. Como a Codesavi tem atuado para minimizar/resolver esse problema? Qual o volume retirado de entulho nas ruas? Há campanha específica para o não descarte de entulho?


Fonte: Diário do Litoral


Voluntários farão limpeza de três praias na Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, em Guarujá

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16/09/2014 

Voluntários do Instituto EcoFaxina e da Fundação SOS Mata Atlântica se reúnem no Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias para mais uma ação em defesa da vida marinha. 

Vista aérea da Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, em Guarujá. Foto: Pedro Rezende
Vista aérea da Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, em Guarujá. Foto: Pedro Rezende

Neste sábado (20/9) acontece a 29ª edição do International Coastal Cleanup (ICC) - no Brasil (DMLRP) - evento anual promovido pela ONG norte-americana Ocean Conservancy com o objetivo de engajar pessoas em ações de limpeza em regiões costeiras para coleta dados sobre a poluição marinha por resíduos sólidos. Em 2013 cerca de 650 mil pessoas retiraram 5.592 toneladas de lixo de praias em mais de 90 países. O equivalente a 823 elefantes africanos machos adultos.

Os voluntários irão percorrer três praias - Branca, Preta e Camburí - localizadas na Área de Proteção Ambiental da Serra do Guararú, no Guarujá, região conhecida também como "Rabo do Dragão", porção norte da ilha de Santo Amaro que abriga rica biodiversidade. Trata-se do último trecho remanescente de Mata Atlântica intacto em Guarujá, lar de felinos, como a onça parda e a jaguatirica.

Um ônibus com cerca de 40 voluntários da Fundação SOS Mata Atlântica partirá de São Paulo com destino ao Guarujá, onde encontrarão os voluntários do Instituto EcoFaxina que partirão de Santos, também de ônibus. A ação deve reunir entre 80 a 100 voluntários para a ação.  

As trilhas que levam às praias serão percorridas com guias locais e funcionam como uma terapia de cores, cheiros e sons, com um "coral" formado por anfíbios e aves como tiés-sangue, saíras de sete cores e maritacas.

Voluntários do Instituto EcoFaxina e da Fundação SOS Mata Atlântica durante ação realizada em 2012 na APA da Serra do Guararú. Foto: Rodrigo Aquino/Instituto EcoFaxina
Voluntários do Instituto EcoFaxina e da Fundação SOS Mata Atlântica durante ação realizada em 2012 na APA da Serra do Guararú. Foto: Rodrigo Aquino/Instituto EcoFaxina

Criada em 2012, a APA compreende uma área de aproximadamente 25,6 km² e tem como objetivo proteger a biodiversidade e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais da região.

Prainha Branca

O núcleo populacional da Prainha Branca formou-se no início do século XX, com o estabelecimento de famílias caiçaras que buscavam prover a própria subsistência à custa da pesca e da prática de uma lavoura rudimentar, sendo oriundos de Ubatuba e da ilha Montão de Trigo, situada no município de São Sebastião (litoral norte de São Paulo), a aproximadamente 40 km de Bertioga.

Hoje, a comunidade reúne cerca de 90 famílias que pertencem a quatro eixos familiares, que deram origem à população local, família Neto, família Lemos, família Oliveira e família Santos.

A indústria pesqueira na Baixada Santista viveu período de exploração desenfreada com grandes barcos e suas redes de arrasto que não respeitavam os períodos de defeso, ou seja, o pescado rareou na área. A árdua tarefa de pescar passou a não compensar já há bastante tempo para os caiçaras da Prainha Branca/Ponta da Armação.

Os pescadores restantes enfatizam, porém, que as medidas de fiscalização e proteção recém-implementadas pelos órgãos competentes (mormente a partir da criação da APA Marinha do Litoral Centro, que engloba a área da Prainha Branca/Ponta da Armação, em 2008) além do seguro-defeso criado pelo Governo Federal, devem fazer com que o peixe reapareça em maior escala nos próximos anos.

Atualmente, as principais atividades econômicas que compõem e renda familiar dos moradores estão ligadas ao setor de turismo, como pousadas, campings, lanchonetes e pequenos comércios.


Vista da trilha de acesso à Prainha Branca. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina

2 de 3

Esta será a segunda das três Ações Voluntárias EcoFaxina realizadas durante o mês de setembro, que terão os dados das coletas integrados ao relatório do International Coastal CleanUp (ICC). A primeira aconteceu dia 7 de setembro em uma faixa de manguezal na Zona Noroeste de Santos. A terceira acontecerá dia 28 de setembro na praia do Portinho, em Ilhabela, em parceria com o Instituto Dharma.


SERVIÇO:

Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias (DMLRP) 2014
51ª Ação Voluntária EcoFaxina - Praias Branca, Preta e Camburí

Cartaz - divulgação
Cartaz - divulgação
  • Aconselhamos o uso de roupas leves e mochila com lanche, frutas, água, protetor solar, repelente, máquina fotográfica, etc.
  • Transporte gratuito: saída às 7h30 da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão - em frente à Unisanta. Mapa
  • Ponto de encontro: lanchonete no final da estrada do Perequê, às 9 horas. Mapa
Organização: Instituto EcoFaxina e Fundação SOS Mata Atlântica.
Apoio: Sociedade Amigos da Prainha Branca, Universidade Santa Cecília - Unisanta, Projeto Construindo o Amanhã, Terracom Engenharia, Prefeitura de Guarujá e Prefeitura de Santos.

Informações: facebook.com/ecofaxina