Ilha Porchat recebe a 49ª Ação Voluntária EcoFaxina neste domingo

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21/08/2014 

Voluntários do Instituto EcoFaxina retornam à ilha Porchat neste domingo (24) para mais uma ação voluntária de limpeza e conscientização ambiental. O objetivo é recolher o lixo presente na mata das encostas e também no costão rochoso, bem como conscientizar moradores e skatistas sobre os impactos da poluição marinha.

Voluntário contempla a linda vista da praia do Itararé durante ação realizada na ilha Porchat em dezembro de 2013. Foto: William R. Schepis / Instituto EcoFaxina
Voluntário contempla a linda vista da praia do Itararé durante ação realizada em 2013 na ilha Porchat.

A negligência com o lixo tem sido uma das principais causas da elevação do número de mortes de tartarugas marinhas no litoral brasileiro. Em 2010, um levantamento do Projeto Tamar apontou que no período entre janeiro e agosto daquele ano, mais de 44% das tartarugas necropsiadas pela equipe no litoral dos estados do Ceará, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina morreram por causa da ingestão de lixo. Das 192 tartarugas mortas, 80 tinham objetos em seu trato digestivo (estômago), principalmente o plástico, que compõe mais de 80% do lixo marinho, e em algumas regiões, mais de 90%. Não é por acaso que virou rotina tartaruga confundir sacola plástica com alga.

Segundo William Schepis, fundador da ONG, grande parte do lixo acumulado no costão rochoso da ilha é proveniente de favelas de palafitas existentes nos municípios de São Vicente, Santos e Cubatão. “Quando a maré enche, o lixo acumulado nos manguezais boia e é transportado por correntezas”, explica o biólogo marinho, lembrando que o lixo, principalmente o plástico, também é responsável pela morte de milhares de animais marinhos, colocando em risco o ecossistema da região, já bastante prejudicado".

Vídeo: Trote Ecológico Unisanta 2011 - Ilha Porchat

Atualmente, cerca de 260 espécies da fauna marinha são afetadas pelo lixo descartado, com aproximadamente 80% dos resíduos provenientes de áreas terrestres. O habitat marinho virou um enorme lixão que recebe toneladas de resíduos. Ambientalistas estimam que 14 bilhões de quilos de lixos sejam descartados todos os anos nos oceanos, destino final de todo o nosso lixo.
 
EcoBoarders

Em parceria com a Associação de Carveboard das Ilhas Porchat e São Vicente (Ascarvi-PSV), será promovido o 1º Encontro EcoBoarders - Família Tradição Ilha Porchat, com o objetivo de envolver na ação cerca de 30 skatistas da região, conscientizando sobre a importância de pequenos atos que fazem a diferença para o meio ambiente, como carregar o lixo até a lixeira mais próxima.

Skatistas de todas as idades costumam praticar o esporte diariamente nas ladeiras da ilha Porchat. Foto: William R. Schepis / Instituto EcoFaxina
Skatistas de todas as idades praticam o esporte diariamente nas ladeiras da ilha Porchat. 

"Tem tudo a ver essa integração entre esporte e meio ambiente. A inclusão dos nossos skatistas nesse processo de conscientização é muito importante, pois eles serão grandes multiplicadores dessa consciência na região", explica Leonardo Branco, presidente da Ascarvi-PSV. "O encontro servirá também para a Ascarvi fortalecer o projeto Meu Quintal, que visa a sensibilização ambiental e o envolvimento de moradores e atletas na preservação da Ilha Porchat." completou Leonardo.

Cartaz 49ª Ação Voluntária EcoFaxina - Ilha Porchat49ª Ação Voluntária EcoFaxina - Ilha Porchat

Save the date: domingo, 24/08, das 9 às 15 horas.
Ponto de encontro: às 9 horas no final da alameda Paulo Gonçalves.
O que levar: mochila com protetor solar, repelente, lanche, água e câmera fotográfica. Aconselhamos o uso de tênis e roupas leves.

Imagem de satélite da ilha Porchat indicando o ponto de encontro da ação. Fonte: Google Maps
Imagem de satélite da ilha Porchat indicando o ponto de encontro da ação.

O Instituto 

O Instituto EcoFaxina foi criado em 2008 na cidade de Santos, e desde então retirou 28,7 toneladas de lixo de áreas naturais da Baixada Santista. Esta será a quinta ação voluntária na ilha Porchat. Somando as quatro anteriores, foram retirados 1.353 quilos de lixo da ilha.

Para saber mais sobre o Instituto EcoFaxina, viste o blog ou a fanpage da ONG no Facebook.


Moscas varejeiras carregam alta porcentagem de bactérias que causam doenças em humanos

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19/08/2014 

Estudo verificou que 30% dos microrganismos encontrados nos insetos podem causar doenças, como peste bubônica, gastrite, úlcera e câncer de estômago. CC
Estudo verificou que 30% dos microrganismos encontrados nos insetos podem causar doenças, como peste bubônica, gastrite, úlcera e câncer de estômago. 

Cerca de 30% dos microrganismos encontrados em moscas varejeiras são capazes de causar doenças em seres humanos, revelou um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da PennState University, dos Estados Unidos, e da Nanyang Technological University, de Cingapura.

Entre as bactérias encontradas nos corpos dos insetos estavam a Yersinia pestis, causadora da peste bubônica, a Helicobacter pylori, associada ao surgimento de gastrite, úlcera e câncer de estômago, e diversas espécies que podem provocar gastroenterite, pneumonia e infecções urinárias.

Os dados foram apresentados por Ana Carolina Martins Junqueira, pesquisadora do Singapore Centre on Environmental Life Sciences Engineering (Scelse), de Cingapura, durante o evento “Advanced Topics in Genomics and Cell Biology”, realizado entre os dias 4 e 6 de agosto na Unicamp.

“Todo mundo sabe que moscas são insetos sujos, mas o índice de bactérias patogênicas foi tão alto que ficamos assustados. É o microbioma mais patogênico já descrito. Vamos iniciar agora alguns experimentos para descobrir se elas apenas transportam os microrganismos ou se podem, de fato, transmitir essas doenças para as pessoas ao pousar na comida, por exemplo”, contou Junqueira.

Os cientistas analisaram a microbiota encontrada no corpo de 127 moscas, de 19 espécies que costumam ser atraídas por matéria orgânica em decomposição. Os insetos foram coletados em 12 locais diferentes do Brasil e dos Estados Unidos durante o pós-doutorado de Junqueira – realizado na Unicamp com apoio da FAPESP.

Nos arredores de Campinas, a coleta foi feita em um hospital público, um mercado de comidas, um parque de área urbana e um lixão. Também foram realizadas coletas em uma reserva natural da Floresta Amazônica e em seis estábulos de diferentes espécies de animais criados no campus da PennState University, em University Park, Pennsylvania. Uma linhagem foi mantida em um laboratório do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG/Unicamp) como controle.

Originalmente, contou Junqueira, o objetivo do projeto era sequenciar o genoma mitocondrial de 20 espécies de moscas pertencentes à ordem Diptera, bem como estudar a evolução desses insetos com auxílio de plataformas de sequenciamento de nova geração.

“No início, tive certa dificuldade para sequenciar determinados fragmentos do genoma. Posteriormente, conheci Stephan Schuster, na época professor da PennState University, que se interessou pelo trabalho e decidiu colaborar”, contou Junqueira.

Schuster propôs que a melhor maneira de mapear o genoma mitocondrial seria sequenciar tudo que havia nas moscas coletadas, inclusive a microbiota por elas transportada, e depois filtrar os genomas associados (metagenoma) durante a etapa de análise dos dados. “Primeiro sequenciamos apenas a cabeça, depois o tórax, o abdômen e, por último, patas e asas”, contou a pesquisadora.

Após terminar o pós-doutorado, Junqueira trabalhou com Schuster nos Estados Unidos para fazer a análise do metagenoma. Para isso, foi necessário desenvolver novas técnicas, de modo a otimizar o tratamento e a categorização do imenso volume de dados gerados pelos métodos de sequenciamento de nova geração.

“Por meio de análises estatísticas dos microrganismos encontrados, foi possível separar as moscas de ambiente urbano, as da Amazônia, as de ambiente rural e as de laboratório. Isso mostra que o ambiente tem um peso muito maior na modulação do microbioma do que a espécie em si”, disse Junqueira.

De acordo com a pesquisadora, o número de patógenos encontrados nas moscas de ambientes urbanos foi muito maior que nas demais, provavelmente porque nesse ambiente há maior quantidade disponível de lixo e de matéria orgânica em decomposição.

“O grande problema é que esses insetos comutam facilmente entre um ambiente sujo, como um lixão, e o churrasco das nossas casas. Nas moscas coletadas dentro do hospital, por exemplo, encontramos bactérias responsáveis por dois terços das infecções hospitalares do mundo”, disse Junqueira.

Além das bactérias patogênicas para humanos, acrescentou a pesquisadora, também foram encontradas espécies que podem causar doenças em animais e em plantas.

“Defendemos a hipótese de que esse tipo de inseto pode ser usado como sensor ambiental e ajudar a predizer surtos, principalmente em regiões de fronteira, portos, aeroportos. Poderíamos monitorar a contaminação dos ambientes por meio da análise do microbioma das moscas”, afirmou a pesquisadora.

Aedes

Atualmente no Singapore Centre on Environmental Life Sciences Engineering, Schuster e Junqueira estão usando a mesma abordagem criada no estudo com moscas varejeiras para investigar o microbioma do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

“O objetivo é ver se há diferença entre os microrganismos encontrados em mosquitos infectados pelo vírus da dengue e os não infectados. O estudo ainda está no começo e, por enquanto, só trabalhamos com espécimes de laboratório. Mas já vimos diferenças entre as bactérias existentes nesses dois grupos”, explicou a pesquisadora.

No futuro, os cientistas pretendem investigar a possibilidade de inibir a infecção do mosquito pelo vírus por meio da modulação do microbioma existente em seu corpo.

Paralalelamente, Junqueira também colabora com pesquisadores do Laboratório de Genética e Evolução Animal do CBMEG/Unicamp, liderado pela professora Ana Maria Lima de Azeredo-Espin. O grupo analisa microRNAs de diferentes espécies de moscas varejeiras e pragas da pecuária para tentar entender a regulação de genes envolvidos no hábito alimentar desses insetos, com o apoio da FAPESP.

“O estudo poderá gerar dados a respeito de fatores genéticos das moscas que estão associados à atração por matéria orgânica em decomposição ou tecidos vivos, além de proporcionar dados fundamentais para o estudo da interação hospedeiro-microbioma”, contou Junqueira. 


Fonte: Agência Fapesp


Estudo alerta para concentração de mercúrio nos oceanos

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14/08/2014 

Grupo internacional de pesquisadores conclui que as águas a menos de 100 metros de profundidade apresentam hoje três vezes mais mercúrio do que antes da Revolução Industrial.

Uma bomba McLane sendo lançada pelo navio de pesquisas R/V Thompson durante o cruzeiro GEOTRACES, no Pacífico oeste em 2013, ajudaram os pesquisadores na coleta de pequenas partículas de matéria orgânica em que o mercúrio se fixa e afunda em profundidades intermediárias (100 a 1.000 metros) no oceano. Foto: Brett Longworth / WHOI
Uma bomba McLane sendo lançada pelo navio de pesquisas R/V Thompson durante o cruzeiro GEOTRACES, no Pacífico Oeste em 2013, que ajudou os pesquisadores na coleta de pequenas partículas de matéria orgânica em que o mercúrio se fixa e afunda em profundidades intermediárias (100 a 1.000 metros) no oceano. Foto: Brett Longworth / WHOI

Um novo estudo publicado na mais recente edição da revista Nature divulgou os primeiros cálculos sobre a concentração do mercúrio – um elemento prejudicial à saúde humana – no oceano global.

O trabalho foi feito com base em informações obtidas em 12 viagens de navio para a amostragem da água do mar nos Oceanos Atlântico (norte e sul) e Pacífico durante os últimos oito anos.

Os resultados das análises foram muito condizentes com outros modelos (não mensurações, como neste caso) usados anteriormente para a estimativa da poluição do oceano por mercúrio: entre 60 mil e 80 mil toneladas. Os maiores níveis foram encontrados no norte do Oceano Atlântico e no Ártico.

Os pesquisadores - um grupo internacional formado por cientistas da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI), da Universidade Estadual Wright, do Observatório Midi-Pyrénées e do Instituto Real da Holanda para Pesquisas Marinhas (NIOZ) - concluíram que as águas a menos de 100 metros de profundidade apresentaram o triplo de mercúrio do que na época da Revolução Industrial e que o oceano como um todo teve um aumento de cerca de 10% na concentração no mesmo período.

A unidade CTD (condutividade, temperatura, profundidade) é baixada pelo navio de pesquisas durante o cruzeiro GEOTRACES no Atlântico Norte em 2011. Dados e amostras de água coletadas durante o cruzeiro contribuíram para o estudo sobre o mercúrio no oceano global liderado por Carl Lamborg. Foto: Brett Longworth / WHOI
A unidade CTD (condutividade, temperatura, profundidade) sendo lançada pelo navio de pesquisas  R/V Knorr durante o cruzeiro GEOTRACES no Atlântico Norte, em 2011. Dados e amostras de água coletadas durante o cruzeiro contribuíram para o estudo sobre o mercúrio no oceano global liderado por Carl Lamborg. Foto: Brett Longworth / WHOI

“O problema é que não sabemos o que isso tudo significa para os peixes e os mamíferos marinhos. Provavelmente significa que alguns peixes têm ao menos três vezes mais mercúrio do que há 150 anos, mas pode ser mais. O essencial é que agora temos números sólidos sobre os quais basear a continuidade dos trabalhos”, alertou o químico marinho Carl Lamborg, do WHOI.

 “Com o incremento que vimos no passado recente, os próximos 50 anos podem muito bem adicionar a mesma quantidade que vimos nos últimos 150 anos”, completou.

Considerando as dificuldades de distinção entre as causas naturais e antropogênicas, os pesquisadores decidiram começar avaliando os dados de uma substância com comportamento similar ao mercúrio, mas que é melhor estudada, o fosfato.

Ao considerar o padrão de circulação oceânica e determinar a proporção do fosfato e do mercúrio em águas profundas, a mais de um quilômetro, que não tiveram contato com a atmosfera desde a Revolução Industrial, o grupo conseguiu estimar o mercúrio que estava no oceano e provem de fontes naturais, segundo o WHOI.

Para determinar a influência humana em águas mais superficiais, o grupo usou como um tipo de ‘rastreador’ o dióxido de carbono, substância que pode ser relacionada às principais atividades que liberam o mercúrio no ambiente, e que é muito bem estudada. Assim, os pesquisadores elaboraram um índice relacionando ambos os elementos.

Dr. Carl Lamborg (à esquerda), principal autor de um artigo recente na revista Nature estima a quantidade de mercúrio natural e derivado da poluição dos oceano, com a sua chefe de laboratório, Gretchen Swarr, que também é co-autora do artigo. Foto: Ken Kostel / WHOI
Dr. Carl Lamborg (à esquerda), autor de um artigo recente na revista Nature estima a quantidade de mercúrio natural e derivado da poluição dos oceano, com a sua chefe de laboratório, Gretchen Swarr, que também é co-autora do artigo. Foto: Ken Kostel / WHOI

"Por enquanto, não é possível olhar para uma amostra de água e diferenciar entre o mercúrio que veio da poluição e aquele de fontes naturais. Agora, ao menos temos uma forma de separar grande parte das contribuições de fontes naturais e humanas ao longo do tempo”, explicou Lamborg.

As estimativas de biodisponibilidade do mercúrio, a forma que ele pode ser absorvido por animais e humanos, têm um papel importante em tudo, desde a elaborações de tratados internacionais para controlar a liberação desse elemento, até o estabelecimento de políticas públicas para alertar sobre o consumo de frutos do mar.

“Ninguém antes tentou realizar um panorama mais abrangente de todos os oceanos e ter uma estimativa do total de mercúrio na superfície e de parte das águas profundas”, afirmou David Streets, cientista do Laboratório Nacional Argonne (Estados Unidos) que não estava envolvido no estudo, à Nature.

O mercúrio – que ocorre naturalmente, mas também é um sub-produto de diversas atividades humanas como a queima do carvão, a mineração e a fabricação de cimento – é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos dez principais químicos de maior preocupação para a saúde pública.

Segundo a OMS, a intoxicação por mercúrio pode causar deficiências em fetos e em recém-nascidos, e ter efeitos sobre os sistemas nervoso, digestivo e imune, além dos pulmões, rins, pele e olhos.

A principal forma de contaminação humana pelo mercúrio é o consumo de frutos do mar, pois, ao entrar na cadeia alimentar marinha, ele se acumula nos animais de forma crescente, de acordo com o aumento do nível trófico.

Em 2010, avaliações de várias espécies de atum comprovaram que todas excederam ou se aproximaram dos níveis de mercúrio permitido pela OMS. Ou seja, apesar de variar dependendo da espécie, o atum, tão elogiado por suas propriedades saudáveis, na verdade também pode trazer riscos consideráveis.


Fonte: Instituto CarbonoBrasil


Microchips em abelhas podem fornecer pistas sobre o colapso das colônias

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12/08/2014 

A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil. Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”. 

Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax. Foto: Vale/CSIRO
Zangão da espécie Apis mellifera africanizada com microssensor colado no tórax. Foto: Vale/CSIRO

O desaparecimento das fabricantes de mel preocupa não só pela ameaça à existência desse produto, mas também porque as abelhas têm chamado a atenção principalmente pelo importante papel que representam na produção de alimentos. Não é para menos. Elas são responsáveis por 70% da polinização dos vegetais consumidos no mundo ao transportar o pólen de uma flor para outra, que resulta na fecundação das flores.

Leia também: Cientistas descobrem o que está matando as abelhas, e é mais grave do que se pensava 

Algumas culturas, como as amêndoas produzidas e exportadas para o mundo inteiro pelos Estados Unidos, dependem exclusivamente desses insetos na polinização e produção de frutos. A maçã, o melão e a castanha-do-pará, para citar alguns exemplos, também são dependentes de polinizadores.

Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo.

Além de pesticidas, outros fatores, como mudanças climáticas com maior ocorrência de eventos extremos, infestação por um ácaro que se alimenta da hemolinfa (correspondente ao sangue de invertebrados) das abelhas, monoculturas que fornecem pouco pólen como milho e trigo e até técnicas para aumentar a produção de mel, podem ser responsáveis pelo fenômeno conhecido como Distúrbio do Colapso de Colônias (CCD, na sigla em inglês), que provoca a desorientação espacial desses insetos e morte fora das colmeias. O distúrbio já provocou a morte de 35% das abelhas criadas em cativeiro nos Estados Unidos.

Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada (abelhas com ferrão resultantes de variedades europeias e africanas) para avaliação do seu comportamento sob a influência de pesticidas e de eventos climáticos. Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil.

As abelhas são um dos principais polinizadores das flores e plantas, até um terço da comida que ingerimos depende da polinização. Foto: Vale/CSIRO
As abelhas são um dos principais polinizadores das flores e plantas, até um terço da comida que ingerimos depende da polinização. Foto: Vale/CSIRO

No estado australiano da Tasmânia, ilha ao sul do continente da Oceania, será feito um estudo comparativo com 10 mil abelhas para avaliar como elas reagem quando expostas a pesticidas. Para isso, duas colmeias foram colocadas em contato com pólen contaminado e outras duas não. “Se for notada qualquer alteração no comportamento dos insetos expostos ao pesticida, como incapacidade de voltar para a colmeia, desorientação ou mesmo morte precoce, o produto passará a ser o principal suspeito do distúrbio de colapso de colônias”, diz o físico Paulo de Souza, coordenador da pesquisa e professor visitante do ITV.

O projeto foi iniciado em setembro do ano passado e seu término está previsto para abril de 2015, com a divulgação dos resultados no segundo semestre. “A principal razão para a escolha da Tasmânia é que se trata de um ambiente distinto, onde não há poluição e metade do território é composta por florestas”, diz Souza, que também é professor da Universidade da Tasmânia.

Como as melíferas australianas pesam em torno de 105 miligramas, o sensor representa cerca de 5% do seu peso. Já as abelhas da mesma espécie que vivem no Brasil pesam cerca de 70 miligramas – o que levou os pesquisadores a fazerem testes em túneis de vento para avaliar se o sensor poderia ter influência sobre a sua capacidade de voo. “Avaliamos a batida das asas e a inclinação do corpo em abelhas com o sensor e sem ele, e verificamos que não houve alteração na capacidade de voar”, diz Souza.


A parte do experimento que está sendo feita no Brasil tem como foco inicial o monitoramento de 400 abelhas durante três meses para avaliar em que medida as mudanças do clima, principalmente a alteração do regime de chuvas na Amazônia, afetam os insetos.

“Não sabemos como elas vão se comportar diante das projeções de aumento da temperatura e de alterações no clima devido ao aquecimento global”, diz Souza. Os estudos estão sendo feitos em um apiário no município de Santa Bárbara do Pará, próximo a Belém.

Clique aqui para ler a reportagem completa


Fonte: Agência Fapesp


Empresas irão escavar o leito oceânico em busca de minerais

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05/08/2014 

As perspectivas de uma "corrida do ouro" nas profundezas do mar, abrindo um polêmico caminho para a mineração no leito oceânico, estão mais próximas. 

A ONU acaba de publicar seu primeiro plano para o gerenciamento da extração dos chamados "nódulos" - pequenas rochas ricas em minerais - do fundo do mar.

Lançamento de um Veículo Operado Remotamente (ROV, na sigla em inglês) do deck de um navio. Estes ROVs são utilizados para exploração e amostragem. Cortesia: Nautilus Minerals
Lançamento de um Veículo Operado Remotamente (ROV, na sigla em inglês) do deck de um navio. Estes ROVs são utilizados para exploração e amostragem. Cortesia: Nautilus Minerals

Um estudo técnico promovido pela Autoridade Internacional do Leito Oceânico (ISA, na sigla em inglês), o órgão da ONU que controla a mineração nos oceanos, diz que as companhias interessadas podem pedir licenças a partir de 2016.

A ideia de explorar ouro, cobre, manganês, cobalto e outros metais do leito oceânico foi considerada por décadas, mas só recentemente se tornou factível, por conta do alto preço dos minerais e metais e de tecnologias mais modernas de exploração.

De acordo com a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, a ISA foi estabelecida para estimular e administrar a mineração do fundo do mar para o benefício mais amplo da humanidade - com uma parcela dos lucros dirigida para os países em desenvolvimento.

Agora o órgão está dando o passo significativo de não só mais simplesmente manejar pedidos para exploração mineral, mas também considerar como licenciar as primeiras operações reais de mineração e como dividir as receitas.

"Estamos à beira de uma nova era de mineração do leito marinho profundo", disse o conselheiro legal do ISA, Michael Lodge.

Minerais no fundo do mar

Especialistas em proteção ambiental vêm advertindo há tempos que a mineração no leito oceânico pode ser altamente destrutiva e poderia ter consequências de longo prazo desastrosas para a vida marinha.

A ilustração mostra o processo de mineração do leito marinho pela empresa Nautilus Minerals. Imagem cortesia.
A ilustração mostra o processo de mineração do leito marinho pela empresa Nautilus Minerals.

O próprio estudo da ONU reconhece que a mineração provocará "danos ambientais inevitáveis".

Mas o relatório foi divulgado em meio ao que um porta-voz do órgão descreve como "um aumento sem precedentes" no interesse das companhias estatais e privadas.

Funcionários da Soil Machine Dynamics trabalhando em uma máquina de mineração submarina construída para a Nautilus Minerals, em Wallsend, Inglaterra. Crédito: Nigel Roddis / Reuters
Funcionários da Soil Machine Dynamics trabalhando em uma máquina de mineração submarina construída para a Nautilus Minerals, em Wallsend, Inglaterra. Crédito: Nigel Roddis / Reuters

O número de licenças emitidas para a busca de minerais já chega a 17, com outras sete prestes a serem emitidas e muitas mais em análise. Elas cobrem vastas áreas dos Oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.

A atração é óbvia. Uma análise do leste do Pacífico - uma área de 5 milhões de quilômetros quadrados conhecida como zona Clarion-Clipperton - concluiu que mais de 27 bilhões de toneladas de nódulos poderiam estar misturadas à areia.

Essas pedras poderiam conter 7 bilhões de toneladas de manganês, 340 milhões de toneladas de níquel, 290 milhões de toneladas de cobre e 78 milhões de toneladas de cobalto - apesar de ainda não se saber o quanto disso é acessível.

No mês passado, geólogos japoneses encontraram o que afirmam ser um tesouro de terras raras no oceano, mas dentro do mar territorial do país, fora do alcance da ISA.

O grande desafio da mineração marinha será combinar interesses privados com recursos que devem ser compartilhados por toda a humanidade.

Mineração marinha e meio ambiente

As perspectivas da mineração no fundo do mar já geraram um forte debate entre cientistas marinhos.

"Não creio que nós tenhamos a propriedade sobre o oceano profundo, no sentido de que possamos fazer o que quisermos com ele", afirma Jon Copley, biólogo da Universidade de Southampton e chefe de missão do navio de pesquisas britânico James Cook.

"Em vez disso, nós dividimos a responsabilidade por sua condução", diz. "Nós não temos um histórico bom em alcançar um balanço em nenhum outro lugar - pense nas florestas tropicais -, então a questão é: 'Será que conseguiríamos acertar?", questiona.

O também biólogo Paul Tyler, do Centro Nacional Oceanográfico, da Grã-Bretanha, adverte de que espécies únicas podem ser colocadas em risco.

"Se você limpa aquela área pela mineração, aqueles animais terão que fazer uma dessas duas coisas: ou se dispersam e colonizam outra fissura hidrotermal em outro lugar ou eles morrem", comenta. "E o que acontece quando elas morrem é que a fissura se torna biologicamente extinta."

A química marinha Rachel Mills, da Universidade de Southampton, sugere um debate mais amplo sobre a mineração em geral, com o argumento de que todos nós usamos minerais e que as minas em terra são muito maiores do que seria qualquer uma no leito do mar.

Ela fez pesquisas para a Nautilus Minerals, uma empresa canadense que planeja explorar minas nas fissuras hidrotermais na costa da Papua Nova Guiné.

"Tudo o que nos cerca, e a maneira como vivemos, depende de fontes minerais, mas não nos perguntamos com frequência de onde eles veem." "Precisamos nos perguntar se há mineração sustentável em terra e se há mineração sustentável no mar. Acho que são as mesmas questões morais que devemos colocar se é nos Andes ou no Mar de Bismarck", diz.

Esse debate deve crescer mais com a proximidade cada vez maior do início das operações de mineração.

Mineração marinha no Brasil

No Brasil, a mineração marinha será realizada na exploração de crostas cobaltíferas na Elevação do Rio Grande.

Elevação do Rio Grande (destaque em vermelho). Imagem cortesia da Marinha do Brasil
Elevação do Rio Grande (destaque em vermelho). Imagem cortesia da Marinha do Brasil

A Coordenação da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), apresentou um Plano de Trabalho, resultado de mais de quatro anos de estudos desenvolvidos no Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (PROAREA), com intensa cooperação dos setores técnicos e políticos envolvidos, como o Serviço Geológico do Brasil, o Ministério das Minas e Energia, o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério das Relações Exteriores.

Esse Plano vai assegurar ao Brasil o direito exclusivo de exploração da área requisitada por, pelo menos, quinze anos, ampliando o espaço do País como ator no cenário político-estratégico dessa região de interesse. Acresce, ainda, importante contribuição para as pesquisas no Atlântico Sul e o nosso desenvolvimento socioeconômico. 

As atividades de pesquisa relacionadas à geologia e biologia marinha em áreas internacionais ganharam prioridade no País a partir de 2009, com a criação do PROAREA no âmbito da CIRM, que tem como propósito a identificação e avaliação da potencialidade mineral de áreas com importância econômica e político-estratégica localizadas na Área, por meio do desenvolvimento de tecnologia de ponta, da geração de empregos e qualificação de recursos humanos.

Como exemplo dessa sinergia, podemos citar que mais de sessenta estudantes e pesquisadores de diferentes instituições e áreas científicas como geologia, biologia e geofísica contribuíram para a construção do Plano de Trabalho.

Além das crostas ricas em cobalto, as pesquisas na Elevação do Rio Grande também constataram a ocorrência de outros minérios, como níquel, platina, manganês e terras raras que possuem relevante potencial científico e econômico.


Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br e Marinha do Brasil


Lei em vigor no país proíbe que municípios brasileiros usem lixões

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04/08/2014 

Prefeito que desobedecer a lei pode ser multado em até R$ 50 milhões. Municípios tiveram quatro anos para substituir os lixões por aterros sanitários. 

A partir de agora, todas as cidades do país estão proibidas de usar lixões e o prefeito que desobedecer a lei pode ser multado em até R$ 50 milhões.
A partir de agora, todas as cidades do país estão proibidas de usar lixões e o prefeito que desobedecer a lei pode ser multado em até R$ 50 milhões.

Mais de 3,3 mil prefeituras ainda descartam a céu aberto, em terrenos sem qualquer tratamento para evitar a contaminação do solo. A lei sobre resíduos sólidos deu quatro anos para que os municípios substituíssem os lixões por aterros sanitários.

O prazo terminou dia no sábado (2) e, se depender da ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, não será ampliado, mas a pressão dos prefeitos sobre o Congresso é muito grande. “Tenho conhecimento de várias medidas que as pessoas pedem prazo, oito anos, seis anos, quatro anos”, fala a ministra.

Hoje, 60% dos municípios não contam com aterros sanitários. A situação é pior no Nordeste. Na semana passada, em Pernambuco, duas crianças morreram intoxicadas por alimentos estragados, apanhados em um lixão. No Ceará, segundo o governo do estado, ainda existem 280 lixões. Em Iguatu, no Ceará, cada vez quer chega um caminhão, as catadoras disputam as sobras com os urubus.

Em Crateús, o lixo hospitalar, que deveria ser incinerado, se acumula por todo canto. Frascos com sangue e até seringas com agulhas ameaçam os catadores.

Ninguém sabe quantos catadores existem no Brasil. O fato é que até no Distrito Federal, ainda tem muita gente que depende do lixo para sobreviver.

O lixão da Estrutural surgiu nos anos 1960 e fica numa das áreas mais pobres do Distrito Federal. No local são despejadas 68 mil toneladas de lixo por mês. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, é o maior lixão da América Latina e fica a apenas 15 km do centro da capital.

A empresa responsável pela limpeza urbana explica que ações na justiça atrasaram a construção do aterro sanitário e que o lixão da estrutural deve ser desativado até outubro. Pelo menos 1,4 mil catadores tiram o sustento do local e estão preocupados com o futuro.


Fonte: G1


Vergonha nacional

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02/08/2014 - Por Adalberto Joaquim Mendes, com colaboração de Giselle Malvezzi Mendes. 

Um dos principais problemas encontrados nas cidades brasileiras é o lixo sólido, resultado de uma sociedade que a cada dia consome mais, e a elevação do consumo significa maior geração de lixo. 

Famílias usam o lixo e entulho para aterrar o manguezal na margem do rio dos Bugres, próximo ao lixão Sambaiatuba, na divisa dos municípios de Santos e São Vicente. Foto: William R. Schepis / Instituto EcoFaxina
Famílias utilizam lixo e entulho para aterrar o manguezal na margem do rio dos Bugres, próximo ao lixão Sambaiatuba, na divisa dos municípios de Santos e São Vicente. Foto: William R. Schepis / Instituto EcoFaxina

Na segunda metade do século XX, foi desencadeado um aumento significativo na quantidade de lixo. Atualmente, quando compramos algo no supermercado, o lixo não é apenas gerado pelo produto em si, pois existe a etapa de produção (cultivo, extração de minérios, transporte, energia) e depois, para o consumidor final, têm as sacolas plásticas e os cupons fiscais, além dos produtos em si, que muitas vezes tem suas embalagens descartadas incorretamente.

É comum em bairros não assistidos pelo serviço de coleta de lixo, ou municípios que não gerem adequadamente o gerenciamento dos resíduos sólidos (lixo), se observar que o depósito do lixo seja realizado em locais impróprios, causando sérios danos à biodiversidade e ao homem, destacando-se a dispersão de insetos e pequenos animais, tais como moscas, baratas, ratos e etc.

O lixo acumulado produz um líquido denominado chorume, que possui coloração escura e cheiro desagradável. Essa substância atinge as águas subterrâneas (aquífero, lençol freático) e os solos, contaminando-os. O armazenamento do lixo em situações inadequadas pode provocar deslizamentos de encostas, assoreamento e contaminação de mananciais, enchentes e demais danos ambientais.

Os lixões retratam além dos problemas ambientais, os sociais, com a parcela da sociedade excluída, buscando, nesses locais, materiais para vender como papéis, plásticos, latas, entre outros. Há grande contingente de pessoas que buscam alimentos, ou melhor, restos de alimento para o seu consumo, muitas vezes estragados e/ou contaminados, demonstrando o ápice da degradação humana.

Na tentativa de resolver os problemas citados anteriormente, foram aprovadas duas leis de fundamental importância, as Leis N⁰ 11.445/07 e a N⁰ 12.305/10. Mas a maioria dos gestores públicos municipais, até o presente momento, não tem realizado o menor esforço para cumpri-las, minimamente alegando falta de recursos financeiros.

De acordo com a Lei N⁰ 11.445/07 os titulares dos serviços de saneamento básico (água, esgoto, limpeza pública e manejo de resíduos sólidos, bem como drenagem urbana e manejo de águas pluviais) dos municípios, devem formular as políticas de saneamento básico baseadas nos Planos Municipais de Saneamento (Lei).

A Lei N⁰ 12.305/10 estabeleceu que até o dia 02 de agosto de 2014, todos os municípios deveriam ter elaborado os Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, para se capacitar, junto ao Governo Federal, e receber recursos financeiros visando à execução das obras, principalmente para o tratamento dos resíduos sólidos (lixo) e encerramento dos lixões existentes em operação, que provocam consequências terríveis ao meio ambiente e ao ser humano.

Até o presente momento, como mais da metade dos municípios brasileiros não cumpriram a sua parte, é fácil concluir que as Leis não serão cumpridas, quanto à promoção da saúde pública dos cidadãos, consolidando o desrespeito generalizado pelos interesses comuns do povo, que são obrigados a pagar seus impostos.

A alegação da falta de recursos financeiros para cumprimento das Leis em questão não procede, pois quando da formalização dos pleitos, os municípios não conseguem apresentar os documentos exigidos, até certo ponto simples, como os Atestados de Regularidade, do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, que consiste em enviar pela internet, anualmente, as informações solicitadas.

Finalmente, cabe acrescentar que o Plano Nacional de Saneamento – PLANSAB prevê o investimento de R$ 508 bilhões nos próximos 20 anos para as obras de saneamento básico, inclusive para os resíduos sólidos, no montante de R$ 23,4 bilhões, sendo R$ 12,4 bilhões do Governo Federal e R$ 11,0 bilhões de outros agentes.

Considerando que a Lei N⁰ 12.305/10 estabelece que até o dia 2 de agosto de 2014 todos os lixões deverão ser encerrados, há que se concluir que a maioria dos Prefeitos poderão estar incursos em 2 crimes, um de improbidade administrativa pela ausência de Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e o outro tipificado como crime ambiental por não ter conseguido encerrar adequadamente os lixões.

Como se pode notar é simplesmente mais uma VERGONHA NACIONAL.

Adalberto Joaquim Mendes é Engenheiro Civil, Diretor de Saneamento Ambiental do Instituto EcoFaxina, Autor do Livro “Saneamento Básico para Gestores”, Consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD e Conselheiro Titular do Comitê de Saneamento Ambiental do Conselho das Cidades – Ministério das Cidades (Elaboração das Leis № 11.445/07 e №12.305/10, bem como os Decretos №7.217/10 e №7.404/10).


Fotos impressionantes mostram pessoas deitadas no próprio lixo

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29/07/2014 

Os Estados Unidos, e o planeta, têm problemas com o lixo. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, o americano médio produz mais de 4 quilos de lixo por dia. Isso é mais que o dobro da quantidade produzida em 1960, e é 50 por cento mais do que a quantidade produzida pelos europeus ocidentais. Em janeiro, o fotógrafo Gregg Segal decidiu dar algumas imagens para esses números. Sua série em curso, "7 Dias de Lixo", mostra amigos californianos, vizinhos e conhecidos no lixo que eles geraram durante uma semana.

Algumas pessoas se ofereceram voluntariamente para participar do projeto, por acreditarem na ideia por trás dele, outras foram compensadas pela participação. Geralmente, Segal se esforça para incluir pessoas de diversos níveis sociais em seus projetos. E, como a quantidade de lixo varia de acordo com a pessoa, houveram algumas pessoas que produziram mais lixo do que podiam transportar para o estúdio fotográfico. "É claro que tiveram algumas pessoas que selecionaram os materiais. Eu dizia, 'É realmente isso?' Eu acho que a maioria preferiu não incluir o lixo úmido e só levaram o lixo limpo, sem sujeira. Outras pessoas não selecionaram e levaram algumas coisas desagradáveis, ​​que contribuíram para imagens mais fortes", disse Segal.

Segal utilizou materiais naturais para transformar seu quintal em cenários artificiais, como o chão de uma floresta, uma praia ou um corpo d'água, onde fotografou todos os modelos. "Eu fotografei de cima para tornar bem clínico, limpo e gráfico. É uma espécie de ninho, uma cama que estamos deitando com todo esse material, obrigando-nos a conciliar o que estamos gerando, o que esperamos que faça as pessoas pensarem um pouco mais sobre o que estão consumindo", disse ele.

Naturalmente, algumas pessoas hesitaram em deitar sobre o lixo. "Eles acharam meio repugnante. Eu acho que há algo levemente humilhante sobre isso, mas de uma forma construtiva", disse Segal. "É uma experiência única na vida para as pessoas que são fotografadas com todas as suas coisas. Eu acho que foi visto como novidade por alguns e a questão da repulsa foi atenuada pelo fator novidade".

Segal
também posou para uma foto com sua esposa e filho. "Eu não queria agir como se estivesse à parte", disse ele. "Não estava louco pela foto, mas acho importante mostrar para as pessoas. Não é como se eu estivesse apontando o dedo para elas. Eu estou apontando para todos nós".

Segal continua trabalhando em sua série e pretende filmar seus modelos em uma variedade maior de "ambientes naturais artificiais" para reforçar a ideia de que o lixo está por toda parte e que nenhum ambiente é intocado.

Dana. Foto: Gregg Segal
Dana

Alfie, Kirsten, Miles e Elly. Foto: Gregg Segal
Alfie, Kirsten, Miles e Elly

Lya, Whitney e Kathrin. Foto: Gregg Segal
Lya, Whitney e Kathrin

Michael, Jason, Annie e Olivia. Foto: Gregg Segal
Michael, Jason, Annie e Olivia

Susan. Foto: Gregg Segal
Susan

Milt. Foto: Gregg Segal
Milt

John. Foto: Gregg Segal
John

Till e Nicholas. Foto: Gregg Segal
Till e Nicholas

Sam e Jane. Foto: Gregg Segal
Sam e Jane

Marsha e Steven. Foto: Gregg Segal
Marsha e Steven

Elias, Jessica, Azai e Ri-karlo. Foto: Gregg Segal
Elias, Jessica, Azai e Ri-karlo

James. Foto: Gregg Segal
James

"Obviamente, a série pretende levar as pessoas em direção ao confronto com o excesso que faz parte de suas vidas. Eu estou esperando que elas reconheçam que uma grande parte do lixo que produzem é desnecessária", disse ele. "Não é necessariamente culpa delas. Nós somos apenas peças de uma máquina, não somos os únicos culpados. Mas ao mesmo tempo somos, porque não estamos fazendo nada, não estamos fazendo nenhum esforço. Existem alguns pequenos passos que podemos tomar para diminuir a quantidade de lixo que produzimos".

A obra de Segal está incluída na edição do ano do The Fence no Brooklyn.


Fonte: Slate


Declínio de aves insetívoras está associado ao uso de agrotóxico, afirmam especialistas

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22/07/2014 

Pela primeira vez, pesquisadores traçam conexões claras entre os efeitos sistêmicos da imidacloprida, da família dos neonicotinoides, com a retração de populações de aves. 

Este estorninho é uma das 15 espécies de aves cujo declínio na população tem sido associado ao uso de agrotóxicos na Holanda.
Este estorninho é uma das 15 espécies de aves cujo declínio na população tem sido associado ao uso de agrotóxicos na Holanda.

Na Holanda, pesquisadores e ornitólogos preocupados com a redução de populações de aves insetívoras em áreas agrícolas avaliaram diversas causas e concluíram que isso está ocorrendo devido aos altos níveis de imidacloprida, um inseticida sistêmico.

Da família do neonicotinoide, a imidacloprida é muito utilizada na agricultura e horticultura para tratar sementes e bulbos, afetando o sistema nervoso central dos insetos e deixando-os desorientados ou paralisados antes de morrerem. O mesmo agrotóxico é ligado à mortalidade de abelhas e outros invertebrados.

Leia também: Cientistas descobrem o que está matando as abelhas, e é mais grave do que se pensava

Este é o primeiro estudo que correlaciona o agrotóxico com possíveis efeitos danosos – através da cadeia alimentar – para vertebrados.

“O uso do imidacloprida é o fator que melhor explica o declínio das populações em comparação com outros fatores, como o uso da terra”, explicou o professor Hans de Kroon, da Universidade de Radboud, que supervisionou o estudo, publicado na revista Nature.

“Nossos resultados indicam que o impacto dos neonicotinoides sobre o ambiente natural é ainda mais substancial do que tem sido relatado recentemente, e relembra os efeitos dos inseticidas persistentes do passado”, enfatizou.

A pesquisa foi realizada em parceria com o Centro Sovon para Ornitologia de Campo, e abrangeu dados detalhados sobre as tendências e fatores ambientais que afetam as populações locais de 15 espécies de aves, como estorninhos e andorinhas.

Os biólogos combinaram informações da secretaria de água distrital com contagens sistemáticas das aves feitas antes e após a introdução da imidacloprida, em 1995.

Eles concluíram que, quanto maior as concentrações de imidacloprida na superfície da água, maior é o declínio no número de aves. Para as 15 espécies, o número de indivíduos caiu em média 3,5% por ano nas áreas com mais de 20 nanogramas de imidacloprida por litro de água.

Concentrações de imidacloprida na superfície da água. Alguns pontos apresentam concentrações acima de 1000 nonogramas por litro.
Concentrações de imidacloprida na superfície da água. Alguns pontos apresentam concentrações acima de 1000 nonogramas por litro.

Os pesquisadores ainda não sabem precisamente o que causa o declínio: se é a falta de comida, a ingestão de insetos contaminados ou uma combinação dos dois. Para algumas espécies, a ingestão de sementes preparadas com inseticida não pode ser excluída das explicações.

Também ainda não está claro se o sucesso na reprodução das aves está caindo, se a mortalidade está aumentando, ou ambos, apontam os pesquisadores.

“Os neocotinoides sempre foram considerados como toxinas seletivas. Mas nossos resultados indicam que podem afetar todo o ecossistema. O estudo mostra o quão importante é ter boas séries de dados de campo e a sua análise rigorosa”, disse Kroon.

No Brasil, a ausência de séries temporais para a avaliação dos efeitos das atividades humanas sobre a biodiversidade é um problema sério. Já nos países europeus, os dados já vêm sendo coletados há muitas décadas devido ao estímulo que se oferece às pesquisas de base.

No caso holandês, o sistema de monitoramento das aves é um dos mais densos do mundo.

“Temos dados suficientes disponíveis de espécies de aves comuns para analisar as densidades e tendências nos seus números”, disse Ruud Foppen, do Centro Soven, que organiza e analisa as contagens de aves.

A União Europeia introduziu uma moratória de dois anos sobre determinados usos de neonicotinóides. No entanto, estes pesticidas são amplamente utilizados no tratamento de sementes para cultivos aráveis. Eles são criados para serem absorvidos pela muda em crescimento e são tóxicos para o sistema nervoso central de pestes que prejudicam o plantio.

Ao comentar o assunto, representantes da Bayer disseram que a pesquisa não apresenta argumentos aceitáveis.

Assista ao vídeo sobre a pesquisa:




Fontes: CarbonoBrasil / O Globo


Noventa e nove por cento do plástico nos oceanos desapareceu

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03/07/2014 

Milhões de toneladas. Essa é a quantidade de plástico flutuando nos oceanos do planeta, dada a sua utilização onipresente. Mas um novo estudo descobriu que 99% deste plástico está desaparecendo dos oceanos. Uma possibilidade perturbadora: peixes estão comendo. 

Navio de pesquisa rebocando rede de superfície para coleta de plástico
À caça. A RV Hespérides reboca uma rede projetada para "filtrar" a superfície do oceano e coletar partículas de plástico que flutuam. Crédito: Joan Costa

Se for esse o caso, "há potencial para que este plástico esteja entrando na cadeia alimentar dos oceanos", diz Carlos Duarte, oceanógrafo da University of Western Australia. "E nós somos parte desta cadeia alimentar."

Os seres humanos produzem quase 300 milhões de toneladas de plástico por ano. A maior parte disso termina em aterros sanitários ou lixões, mas um estudo de 1970 da Academia Nacional de Ciências estimou que 0,1% de todo todo plástico produzido pelo homem vai para os oceanos. Cerca de 80% vem dos continentes, transportados por rios, inundações ou tempestades, e 20% de embarcações marítimas. Parte deste material acaba preso no gelo do Ártico, uma outra parte que chega nas praias, pode até se transformar em rochas feitas de plástico. Mas a grande maioria ainda deve estar flutuando lá fora, no mar, preso nos giros subtropicais, grandes redemoinhos no centro dos oceanos, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico.

Para descobrir a quantidade de plástico que está flutuando nessas manchas de lixo, quatro navios da expedição Malaspina, um projeto de pesquisa global para estudar os oceanos, coletou em 2010 e 2011 amostras de plástico em todos os cinco grandes giros oceânicos. Depois de meses de rebocando redes de malha fina ao redor do mundo, os navios de pesquisa nos trouxeram novas informações. Ao invés das milhões de toneladas que os cientistas esperavam, os pesquisadores calcularam o volume global de plástico nos oceano em, no máximo, apenas 40 mil toneladas, e  relataram isso ontem (02/07) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. "Não conseguimos contabilizar 99% do plástico presente nos oceanos", diz Duarte, líder da equipe.

As concentrações de detritos de plástico em águas superficiais do oceano global.
As concentrações de detritos de plástico em águas superficiais do oceano global. Círculos coloridos indicam concentrações de massa. O mapa mostra as concentrações médias de 442 locais (1.127 reboques de rede de superfície). Áreas cinzentas indicam as zonas de acumulação previstas por um modelo de circulação da superfície global. Cinza escuro e cinza claro representam zonas de acumulação interna e externa, respectivamente; áreas brancas são previstas como zonas de não acumulação. (Cózar, A.)

Ele suspeita que essa enorme quantidade de plástico foi ingerida por animais marinhos. Quando o plástico está flutuando no oceano aberto, a radiação do sol pode fragmentá-lo em partículas cada vez menores, até ficarem tão pequenas que começam a parecer comida de peixe, especialmente para o pequeno peixe-lanterna, um pequeno peixe marinho bem distribuído nos oceanos, conhecido por ingerir plástico.

"Sim, os animais estão comendo", disse o oceanógrafo Peter Davison, do Farallon Institute for Advanced Ecosystem Research, em Petaluma, California, que não esteve envolvido no estudo. "Isso tudo é indiscutível." Mas, ele disse, "é difícil saber neste momento quais as consequências biológicas. Poluentes tóxicos como o DDT, PCBs, ou mercúrio aderem à superfície do plástico, adsorvendo e concentrando poluentes presentes na água." Quando os animais comem o plástico, as toxinas podem estar indo para o peixe e percorrendo a cadeia alimentar até espécies de mercado como o atum e o marlim. Ou, disse Davison, "as toxinas no peixe podem voltar pra água ... ou quem sabe, eles estejam vomitando (plástico) ou excretando, e não haja dano a longo prazo. Nós não sabemos."

"É impossível saber quanto os animais estão comendo", diz Kara Law, oceanógrafa física na Sea Education Association em Woods Hole, Massachusetts, que não esteve envolvida no estudo. "A quantidade estimada de plástico que entra nos oceanos em que o estudo se baseou tem quase meio século de idade, e precisamos desesperadamente de uma melhor estimativa de quanto plástico está entrando no mar anualmente."

Além do mais, tanto Davison quanto Law dizem que há uma série de outros locais em potencial, onde o plástico poderia estar tendo o seu final. Podem estar parando no litoral, e uma grande quantidade pode estar sendo degradada em pedaços muito pequenos para serem detectados. Outra possibilidade é de que organismos estejam aderindo e crescendo sobre o plástico, levando abaixo da superfície do oceano, suspenso na coluna d'água ou descendo até o fundo do mar. Micróbios podem até estar comendo.

A melhor hipótese para o destino do plástico que está desaparecendo? Que esteja afundando com o peso de organismos que aderem a ele, ou nas fezes de animais, e permanecendo no fundo do oceano, diz Law. "Francamente, não acho que podemos definir a pior hipótese. Nós realmente não não sabemos o que o plástico está causando."


Fonte: Science