Resíduos Sólidos e Saneamento: o meio ambiente e a sua saúde dependem de planejamento

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14/07/2015 - Por Engº Adalberto Joaquim Mendes, diretor de saneamento ambiental. 

Em milhares de municípios brasileiros, a problemática dos Resíduos Sólidos, bem como do Saneamento Ambiental, ainda é subentendida e não tratada com a devida atenção.

O problema dos RSU - Resíduos Sólidos Urbanos, DEVE ser enfrentado com profissionalismo, pois está diretamente ligado a problemas ainda maiores, se observado pela ótica da Saúde Pública, por exemplo.

Os PMGIRS - Planos Municipais ou Metropolitanos de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos, são uma ferramenta, e também é uma ótima oportunidade para os municípios sanarem passivos ambientais, sociais, econômicos e de saúde pública.

Voluntário do Instituto Ecofaxina coletando resíduos em manguezal de Santos
Voluntário do Instituto EcoFaxina coleta resíduos sólidos em manguezal de Santos. Os ecossistemas marinhos sofrem intensa degradação devido a falta de uma gestão eficiente dos resíduos sólidos nas cidades litorâneas.

Além disso, um excelente instrumento que balizará investimentos públicos e privados, para estudos, projetos e obras com foco em Tratamento de Resíduos Sólidos e Saneamento Ambiental.

Sendo assim, este importante documento, o PMGIRS, deve ser elaborado por profissionais de forma plurissetorial, pois necessita diagnosticar e apresentar aos municípios soluções diversas nas áreas de engenharia civil, sanitária, química, biológica, geológica, além de outros diversos nas áreas socioeconômicas, de educação e direito.

Desafios

Estamos acompanhando processos de elaboração dos PMGIRS em diversos municípios, nosso objetivo é orientar para que o tema seja tratado com profissionalismo, pois somente assim a população terá a oportunidade de colher os frutos de um trabalho bem elaborado, que traga resultados significativos para o saneamento ambiental, resultando em benefícios concretos para a saúde de toda a população.

O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, do Ministério das Cidades, informava que no ano de 2007 o índice médio de atendimento dos sistemas de abastecimento de água, à população urbana, atingia 92,9%. Para a coleta de esgotos 42,4%, bem como o tratamento de esgotos gerados, que atendia a um contingente de, apenas, 34,3%. Na publicação mais recente do SNIS, divulgada no final de 2014, os índices de atendimento dos sistemas de abastecimento de água, totalizou 93%, para coleta de esgotos 56,3% e para o tratamento de esgotos gerados, 39%.

A meta do Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB é garantir, até 2023, todo o território nacional abastecido por água potável e, até 2033, 92% dos esgotos estejam tratados. No período compreendido entre os anos de 2007 (ano da promulgação da Lei N° 11.445/07) e 2011, foi desembolsado pelo Governo Federal, em recursos não onerosos, o total de R$ 18,9 bilhões, no ano de 2012 os investimentos totalizaram algo em torno de R$ 9,8 bilhões e em 2013, cerca de R$ 10,5 bilhões.

Na pesquisa dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, publicada em 2012, mostra que três em cada dez domicílios urbanos, não possuíam coleta de esgoto, e somente 38% do esgoto produzido no país era tratado. Na Região Norte, por exemplo, somente 13% dos domicílios têm acesso à rede coletora de esgoto.

Em 2013, a Agência Nacional de Águas – ANA divulgou o resultado de uma pesquisa, na qual encontrou água de qualidade "ruim" ou "péssima", em 44% dos pontos urbanos, contaminada, principalmente, por esgoto doméstico. Três em cada dez domicílios urbanos ainda não são abastecidos com água potável. Nas regiões com menor acesso a rios, nascentes e aquíferos, o atendimento é precário. Nas áreas e bairros mais pobres, o mesmo cenário. Ainda considerando dados da ANA, apenas 29% dos brasileiros contam com abastecimento satisfatório. Como se pode notar, na comparação dos indicadores apresentados em relação aos investimentos realizados, podem ser considerados pífios.

De acordo com o que determina a Lei Nº 11.445, de 05 de janeiro de 2007, que estabelece as Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico (Art. 9º), regulamentada pelo Decreto Nº 7.217, de 21 de junho de 2010, os titulares dos serviços de saneamento devem formular a política pública de saneamento em função dos Planos Municipais de Saneamento Básico - PMSB.

O PMSB é o resultado de um conjunto de estudos, que objetiva conhecer a situação atual dos municípios brasileiros e planejar as ações e alternativas para a universalização dos serviços públicos de saneamento, resultando na promoção do saneamento, da saúde pública e do meio ambiente. Trata-se de um instrumento estratégico de planejamento e gestão participativa, o qual visa atender o que determina os preceitos da Lei Nº 11.445/2007.

A elaboração dos Planos Municipais, nos termos previstos nas Leis vigentes, é condição para os titulares dos serviços de saneamento, terem acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados a empreendimentos e serviços relacionados ao setor, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade. Decorridos mais de 8 anos da promulgação da Lei N° 11.445/2007, menos de 20% dos municípios brasileiros elaboraram os seus PMSB.

Recursos

O PLANSAB prevê investimentos da ordem de R$ 508 bilhões visando a Universalização dos Serviços de Saneamento até o ano de 2033, sendo 59% de Agentes Federais e 41% de outros Agentes. Dos valores previstos no PLANSAB, no período de 2014 – 2033, algo em torno de R$ 122 bilhões são para os sistemas de abastecimento de água, aproximadamente R$ 182 bilhões para os sistemas de esgotos sanitários, cerca de R$ 23 bilhões para resíduos sólidos urbanos e R$ 69 bilhões para drenagem urbana. Para os investimentos em Gestão estão previstos R$ 112,345 bilhões, sendo aproximadamente R$ 34 bilhões dos Agentes Federais.

Além do acesso aos recursos financeiros, provenientes da União, com a elaboração dos Planos Municipais há a possibilidade de geração de recursos financeiros através da aplicação do art. 13 da Lei Nº 11.445, que se reproduz a seguir:

Art. 13.  Os entes da Federação, isoladamente ou reunidos em consórcios públicos, poderão instituir fundos, aos quais poderão ser destinadas, entre outros recursos, parcelas das receitas dos serviços, com a finalidade de custear, na conformidade do disposto nos respectivos planos de saneamento básico, a universalização dos serviços públicos de saneamento básico.

O Fundo poderá ser investido em infraestrutura e instalações necessárias para a melhoria nos serviços, ou ser utilizado como fonte de garantia para empréstimos, a fim de custear investimentos na universalização dos serviços públicos de saneamento básico. Os municípios só terão acesso aos recursos financeiros do Fundo Nacional de Universalização dos Serviços de Saneamento – FNUSB se for previsto no PMSB. Boa parte dos PMSB analisados, não contemplam a criação do Fundo Municipal de Universalização dos Serviços de Saneamento Básico – FMUSB.

A situação dos serviços de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos, bem como de drenagem urbana e manejo de águas pluviais, pode ser considerada a pior, em relação aos eixos dos serviços de abastecimento de água e esgotos sanitários, pois nem informações confiáveis existem, principalmente, em municípios de pequeno e médio porte.

Há reconhecimento amplo que no Brasil especialistas dominam plenamente a tecnologia aplicada aos serviços de saneamento básico e que dispomos de um parque industrial, no segmento de máquinas e equipamentos, que podem ser utilizados em prol da população. Entretanto se faz necessário conscientizar os entes federativos que os serviços de saneamento básico são fundamentais para a promoção da saúde pública.


Voluntários retiram 602 kg de lixo de manguezal em Santos

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17/06/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini 

A 62ª Ação Voluntária EcoFaxina reuniu 31 voluntários no último domingo (14) na Zona Noroeste, em Santos.  A ação se concentrou em uma área de mangue degradado próxima à comunidade Mangue Seco, atingida por um incêndio no dia 1º de março do ano passado. No total, mais de meia tonelada de lixo foi retirada do manguezal.

A 62ª Ação Voluntária EcoFaxina reuniu 31 voluntários que retiraram 602 kg de resíduos em área degradada de mangue na Zona Noroeste de Santos.

Antes do início da ação, os voluntários foram até a Vila Telma, região atingida por um incêndio de grandes proporções na última quinta-feira (11/06), deixando 70 barracos destruídos.

Área de mangue invadida por palafitas atingida por um incêndio de grandes proporções na última quinta-feira (11/06).

Próximo a essa área, o Instituto EcoFaxina pretende construir um galpão de reciclagem para receber os resíduos que sufocam o mangue, principalmente o plástico, material que é confundido com alimentos e ocasiona a morte de milhares de animais marinhos todos os anos.

Para a ação, cada voluntário recebeu um saco de 100 litros e foi instruído a recolher resíduos sólidos, em especial o plástico, o grande vilão da poluição marinha. No total foram retirados do manguezal 402 kg de plástico; 102 kg de borracha (pneus); 64kg de porcelana (louça sanitária) e 34kg de tecido.

As Ações Voluntárias EcoFaxina recebem o apoio da prefeitura de Santos, Universidade Santa Cecília - Unisanta, Terracom Engenharia e Mr. Fly Moda Sustentável.

Voluntários posam para foto ao final da 62ª Ação Voluntária EcoFaxina.

Moradores cobram melhorias

Durante visita à Vila Telma, os voluntários foram indagados pelos moradores da região sobre as promessas de melhorias no bairro. Jane Maria Vieira, líder comunitária, afirmou que há meses está tentando agendar uma audiência com o prefeito da cidade para questionar as precárias condições dos fios elétricos na comunidade, fato que pode provocar curtos circuitos e acidentes, principalmente com as crianças.

No final de março diretores do Instituto EcoFaxina realizaram uma visita técnica ao manguezal da Zona Noroeste para estudo da área onde será construído o galpão onde serão realizarados os trabalhos de limpeza, reciclagem e plantio de mudas de mangue com jovens da comunidade.

Visita técnica com técnicos da Prefeitura de Santos ao manguezal da Zona Noroeste para estudo da área onde será construído o galpão onde serão realizarados os trabalhos de limpeza, reciclagem e plantio de mudas de mangue com jovens da comunidade.

Participaram da visita técnica representantes da Secretaria do Meio Ambiente, Unidade de Gerenciamento do Programa Santos Novos Tempos, Departamento de Assuntos Legislativos, Subprefeitura da Zona Noroeste, COHAB e Defesa Civil. A equipe realizou visita técnica nas imediações, onde foi constatado que houveram novas invasões em áreas de mangue, sendo um dos objetivos do projeto evitar novas invasões através da recuperação do monitoramento das áreas degradadas.  

O projeto visa trabalhar a reciclagem dos materiais coletados no manguezal, a recuperação ambiental e também a geração de renda, dando oportunidades para os jovens desempregados da própria comunidade, e encontra-se em trâmite na prefeitura desde 2009. A minuta do Termo de Cooperação Técnica elaborado em abril deste ano junto à Secretaria do Meio Ambiente está pronto, aguardando somente a definição da área para o início do trabalho de recuperação ambiental, já previsto pelo programa Santos Novos Tempos.

Nesta quinta-feira (18) diretores do Instituto EcoFaxina se reunirão com o chefe de gabinete da Prefeitura de Santos, Sr. Rogério Pereira dos Santos. A expectativa é que seja definida a localização da área próxima ao manguezal para o agendamento da assinatura do termo de cooperação técnica com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa.


Incêndio Ultracargo: primeiros resultados das análises em amostras de água

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23/04/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini e William Rodriguez Schepis 

Testes apontam alto nível de toxicidade da água que escoou do combate ao incêndio nos tanques da Ultracargo. Foram coletadas amostras de água, peixes e ostras.

No dia 7/4, ainda durante o incêndio, uma equipe do Instituto EcoFaxina percorreu o estuário de Santos com o objetivo de coletar amostras de água, peixes e ostras da região para testes e análises em laboratórios. A ação durou cinco horas. Foram coletadas amostras de água em sete pontos do estuário: rio Casqueiro, Jardim São Manoel, Ilha Caraguatá, Canal do Porto e duas na região do incêndio.

Os estudos estão sendo realizados em parceria com a Universidade Santa Cecília (UNISANTA), Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).

Mapa com os pontos onde foram coletadas amostras de água.
Mapa com os pontos onde foram coletadas amostras de água.

As amostras de água foram entregues para os biólogos mestres Fernando Sanzi Cortez e Fabio Pusceddu, do Laboratório de Ecotoxicologia da Unisanta. Eles conduzirão as análises que incluem parâmetros físico-químicos da água como pH, amônia, oxigênio dissolvido, salinidade e sulfetos, além de testes de toxicidade (toxicidade crônica com embriões de ouriço). Frações das amostras foram enviadas também para o professor Dr. Denis Abessa, da UNESP, onde serão conduzidos testes de toxicidade crônica com copépodos (Nitokra sp).

Uma amostra de peixes coletados ainda vivos por pescadores na tarde do dia 3/4, dia do início do incêndio, foi enviada para a Dra. Isabella Bordon, do IPEN, que está realizando análises de metais e poluentes orgânicos nos tecidos. Uma amostra de ostras, coletada dia 10/4, foi encaminhada para o Dr. Igor Dias Medeiros, da UNIFESP, para análise de biomarcadores.

Amostras ostras dissecadas e prontas para análise de biomarcadores.
Amostras ostras dissecadas e prontas para análise de biomarcadores.

Monitoramento e resultados

Os primeiros resultados indicaram um alto nível de toxicidade em uma amostra coletada próxima ao incêndio, nos demais pontos, não houve indícios de toxicidade. Contudo, somente com esses primeiros testes, não é possível afirmar ainda se houve ou não contaminação nos demais pontos, considerando que fatores abióticos como hidrodinâmica, marés e ventos influenciam no deslocamento e dispersão de águas superficiais.

Amostra coletada no ponto 5, próximo ao incêndio, causou letalidade total em testes com embriões de ouriço, indicando alto nível de toxicidade da "água" que escorria dos tanques para o estuário.
Amostra coletada no ponto 5, próximo ao incêndio, causou letalidade total em testes com embriões de ouriço, indicando alto nível de toxicidade da "água" que escorria dos tanques para o estuário.

O monitoramento ambiental continuará com coletas periódicas de água e sedimento, possibilitando uma avaliação mais precisa dos impactos ambientais no sistema estuarino. Também serão realizadas saídas com pescadores para verificação da disponibilidade e da qualidade do pescado. Os dados serão unificados e constarão em um relatório que será disponibilizado online e enviado ao Ministério Público Federal e demais órgãos competentes.

Cresce números de espécies conhecidas

Em coletas de amostras de peixes do estuário, feita pelo Laboratório de Pesquisas Biológicas do Acervo Zoológico da Universidade Santa Cecília (Unisanta) durante o incêndio, o biólogo e pesquisador Matheus Rotundo detectou que "cresceu" o número de espécies no estuário de Santos. 

Desastre ecológico: Contaminação causou a morte de milhões de peixes e invertebrados.
Desastre ecológico: contaminação causou a morte de milhões de peixes e invertebrados.

De acordo com Rotundo, estudos realizados em 2012 encontraram 78 espécies na região.  A coleta realizada durante o incêndio da Ultracargo registrou 64 novas espécies o que fez subir para 142 o número de espécies conhecidas identificadas no estuário de Santos. “Na verdade o número cresceu ainda mais, pois não foi possível identificarmos algumas espécies, tendo em vista que muitos exemplares coletados perderam características morfológicas que os diferenciam e servem de base para identificação”, destacou o biólogo. "Com a mortandade, espécies difíceis de capturarmos em amostragens, seja por escassez de indivíduos, isolamento, hábito ou comportamento, acabaram aparecendo", completou Rotundo.

A lista das espécies encontradas foi enviada por Rotundo para o Ministério Público Federal.
A lista das espécies encontradas foi enviada por Rotundo para o Ministério Público Federal.

Pelo menos seis espécies registradas no levantamento estão ameaçadas de extinção, conforme as portarias nº 444 e 445/2014, do Ministério do Meio Ambiente: Epinephelus itajara (mero), Rhinobatos horkelii (raia viola) e Megalops atlanticus (Pirapema), categorizadas como criticamente em perigo, Pogonias cromis (miraguaia) e Genidens barbus (bagre branco), em perigo, e Epinephelus marginatus (garoupa) e Hippocampus reidi (cavalo marinho), classificadas como vulneráveis.

Segundo Rotundo, a lista de espécies afetadas ainda pode aumentar, pois parte do material examinado não apresentava condições para uma identificação precisa. Nesses casos, amostras de tecidos foram coletadas para identificação molecular (DNA).

A mortandade de certa forma ajudou na identificação de espécies que vivem no estuario de Santos.
A mortandade de certa forma ajudou na identificação de espécies que vivem no estuario de Santos.

Danos a longo prazo

Rotundo considera que as consequências ambientais do incêndio foram sérias e que os danos levarão anos para serem contornados. “Os aspectos reprodutivos dos peixes foram seriamente afetados e muitas das espécies se reproduzem apenas uma vez por ano. Além disso, como o próprio nome diz, um Estuário é um intermediário entre as águas do mar e dos rios. O incêndio afetou os peixes dos dois ambientes”, afirmou o biólogo.


O outro lado do incêndio da Ultracargo

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05/04/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini 

Um incêndio de grandes proporções atingiu a empresa de armazenamento de combustíveis Ultracargo, na Alemoa, em Santos, na manhã da última quinta-feira (2/4). Após mais de 80 horas de trabalho árduo dos bombeiros, ainda não há estimativa de quando o combate às chamas será concluído.

Atualmente, apenas dois dos seis tanques permanecem pegando fogo e o trabalho de rescaldo do Corpo de Bombeiros continua em um terceiro tanque que continha álcool.

A quantidade de partículas nocivas enviadas através da fumaça tóxica para a atmosfera é difícil de ser calculada. Seus efeitos são mais prejudiciais para pessoas com doenças alérgicas ou respiratórias crônicas e também para aquelas que estiverem próximas ao foco da fumaça.

Porém, há uma outra face do problema que vai além da poluição do ar. O incêndio da Ultracargo pode provocar um desiquilíbrio ambiental grave na região, tendo inclusive impactos econômicos.

Fonte de renda comprometida

A 59ª Ação Voluntária EcoFaxina aconteceu neste domingo no mangue que fica às margens da Vila dos Pescadores, em Cubatão. O dia da Páscoa foi data útil para cinco voluntários do instituto se unirem com a comunidade para, mais do que recolher resíduos sólidos no manguezal, observar os efeitos já visíveis do escoamento das águas usadas no combate às chamas em todo o estuário.


De acordo com os pescadores artesanais que trabalham na região, já na tarde de quinta-feira era possível encontrar peixes mortos boiando na superfície. Neste domingo, durante visita técnica guiada pelo pescador José Hélio, encontramos toneladas de peixes e invertebrados: uma cena desoladora para quem luta por um ecossistema limpo e também para quem tira da pesca o seu sustento. Em meio ao manguezal, resquícios de espuma utilizada no combate ao incêndio.


“Sou pescador há 40 anos e trabalho aqui na região há mais de 25 anos. Nem nos outros incêndios do porto nós tivemos um problema tão grande quanto o de agora. Se fosse possível contar certamente daria várias toneladas de peixes mortos, é uma tristeza muito grande para quem vive disso. Quem vai bancar o nosso prejuízo?”. José Hélio não sai para pescar desde a tarde da quinta-feira, data do início do incêndio.


Alex Correa é filho de pescador e atualmente trabalha em Minas Gerais. A notícia do incêndio e o relato de amigos sobre a morte dos peixes fez com que ele voltasse para a Baixada Santista para ver com os próprios olhos a situação. “É assustador ver peixes como o robalo, a enguia e o bagre (que não são comuns na superfície) boiando. Isso significa que a situação pode estar pior do que a gente imagina. Quando vamos poder voltar a pescar e consumir peixes? Como a comunidade que sobrevive da pesca vai ficar? A multa da empresa não será direcionada para quem precisa.”, desabafa.

Estuário prejudicado

Enquanto percorríamos o estuário, o forte odor do peixe aumentava gradativamente. Então, nos deparamos com a cena mais lamentável da visita: uma extensão de cerca de um quilometro de peixes mortos. Dentre eles, dois meros juvenis (Epinephelus itajara) espécie ameaçada de extinção.


A CETESB (Companhia Ambiental do estado de São Paulo) informou que uma equipe acompanha permanentemente os trabalhos de emergência realizados na Ultracargo, com o objetivo de minimizar os impactos ao meio ambiente decorrentes do incêndio. No sábado foram coletados peixes no estuário e no rio Cubatão, além de amostras da água de cinco pontos diferentes da região. Análises preliminares indicam que peixes da região morreram devido à poluição da água, que apresenta baixa oxigenação e temperatura elevada. O órgão não sabe informar quantos peixes foram mortos.

Enquanto percorríamos o estuário encontramos uma equipe da empresa “Alpina Briggs” recolhendo peixes mortos. A CETESB informou que a ação de recolhimento irá encaminhar animais mortos para um local ambientalmente adequado.

Enquanto a atenção das autoridades está voltada para o incêndio, os pescadores artesanais permanecem em dúvida sobre o futuro e o sustento de suas casas. Para as comunidades que vivem nas palafitas, além da ausência de peixes na mesa e da poluição do mangue, sobra o odor desagradável que vai muito além do cheiro da fumaça negra.

Parceria com a comunidade

Organizada em parceria com a Associação de Pescadores “José Tobias Barros” e o Esporte Clube Só Bolado, a 59ª Ação Voluntária EcoFaxina encerrou o 1º Projeto Verão Saúde Ambiental da Vila dos Pescadores, envolvendo dezenas de moradores que utilizaram quatro barcos para recolher 130 sacos de 100 litros cheios, totalizando 1.055 quilos de resíduos sólidos a menos no estuário de Santos. Já estamos programando a próxima!



Vila dos Pescadores terá limpeza de manguezal na Páscoa

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01/04/2015 

Pescadores artesanais serão maioria entre os voluntários. Ação integra a programação do 1º Projeto Verão Saúde Ambiental da Vila dos Pescadores, promovido pela Associação de Pescadores “José Tobias Barros”. As atividades tiveram início em fevereiro com ações de prevenção a doenças e cuidados com a saúde e com o meio ambiente. 

Canoas caiçaras utilizadas por pescadores da comunidade.
Canoas caiçaras utilizadas por pescadores da comunidade.

Nas duas últimas semanas, a diretora presidente da Associação de Pescadores “José Tobias Barros”, Sra. Marly Vicente, idealizadora do Projeto Verão Saúde Ambiental, juntamente com o diretor e engenheiro ambiental, Sr. Adeildo Messias, promoveram nas ultimas duas semanas reuniões com pescadores do bairro para planejarem a limpeza do manguezal com a equipe do Instituto EcoFaxina. 

São aguardados de 80 a 100 voluntários da comunidade, em sua maioria pescadores artesanais que utilizarão suas canoas caiçaras para transportar os voluntários e os resíduos retirados do manguezal. 

À partir da esquerda, Francisco Tobias, Adeildo Messia e Marly Vicente (Associação de Pescadores), William Rodriguez Schepis (Instituto EcoFaxina), Sr. Pedro Ximbica (Associação de Pescadores) e Rosângela Chad (Zoonoses).
À partir da esquerda, Francisco Tobias, Adeildo Messia e Marly Vicente (Associação de Pescadores), William Rodriguez Schepis (Instituto EcoFaxina), Sr. Pedro Ximbica (Associação de Pescadores) e Rosângela Chad (Zoonoses), antes de uma reunião na Vila dos Pescadores.

A 59ª Ação Voluntária EcoFaxina terá início às 10 horas e percorrerá toda a margem ocupada por palafitas, assim como becos e áreas com floresta remanescente, até chegar a comunidade vizinha, Vila Pelicas.

Um ônibus, cedido pela prefeitura de Cubatão, partirá às 8h30m da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, no Boqueirão, em Santos - em frente à Unisanta. Aproveitaremos o transporte para levarmos doações de roupas feitas por voluntários para a sede do Exército da Salvação presente na comunidade. A prefeitura também apoiará a ação com lanches e água para os voluntários

A Vila dos Pescadores originou-se na década de 1960, quando um grupo de pescadores fixou moradia no local, dedicando-se à pesca sobretudo no Rio Casqueiro. Algumas vantagens favoreceram o crescimento da vila, como a proximidade do bairro Jardim Casqueiro e da Via Anchieta. À partir de 1972 verificou-se um crescente fluxo populacional para esta área, resultando em déficit habitacional e no agravamento de problemas socioambientais.

59ª Ação Voluntária EcoFaxina - Vila dos Pescadores
Data: domingo, 05/04
Transporte: saída do ônibus às 8h30min da rua Dr. Oswaldo Cruz, 277, Boqueirão.
Fornecemos: luvas, botas, máscaras, coletes de identificação e certificados de participação.



58ª Ação Voluntária Ecofaxina retira 1065 kg de lixo do manguezal

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24/03/2015 - Por Rafaella Martinez Vicentini  

Ação reuniu mais de 50 pessoas no último domingo na Zona Noroeste, em Santos.  A ação se concentrou na área do Mangue Seco e Butantã, região atingida por um incêndio no dia 1º de março do ano passado. No total, mais de uma tonelada de lixo foi retirada do manguezal.

Nos manguezais da Baixada Santista a vida pede socorro.
Nos manguezais da Baixada Santista a vida pede socorro.

O tempo fechado e a previsão de chuva não impediram os 51 voluntários de se encontrarem na porta da Universidade Santa Cecília para seguirem rumo à mais uma ação. Eram jovens de todas as idades. Homens, mulheres, estudantes e formados: pessoas com senso ambiental e consciência de que é preciso fazer a diferença.

Foi a primeira vez que o técnico de manutenção Luan Martins participou. Ele conheceu o trabalho através das redes sociais. “Eu acompanhava pelo Facebook e achava a ideia muito legal. Decidi participar de uma ação e fazer parte de tudo isso. É uma maneira simples de praticar a construção de um futuro melhor”, afirmou.

Futuro esse, que não diz respeito apenas ao meio ambiente. Cada ação provoca uma mudança no pensamento da comunidade como um todo. Para o biólogo William Rodriguez Schepis, idealizador do projeto, o maior ganho para o Instituto EcoFaxina é coletivo.  “Nós trazemos pessoas de outros lugares para conhecer a raiz do problema da poluição. Através do trabalho, eles desenvolvem o sendo crítico. A prefeitura, por conta disso, começa a prestar atenção na atividade e se posiciona para a implementação de políticas públicas que venham atender essa região. A comunidade vê a gente aqui, se pergunta o que está acontecendo e passa a pensar mais no meio ambiente. É um ciclo e o maior impacto é o da consciência coletiva”, refletiu.

Em meio a tanto lixo, voluntas priorizam a coleta do plástico.
Em meio a tanto lixo, voluntas priorizam a coleta do plástico.

Cada voluntário recebeu um saco de 100 litros e foi instruído a recolher resíduos sólidos, em especial o plástico, um dos maiores poluidores dos mares na atualidade. Além disso, o material é extremamente prejudicial para a vida aquática, pois os animais marinhos podem confundi-lo com comida e serem sufocados.

Foram retirados 67 sacos de 100 litros de resíduos sólidos, um sofá (cujo peso não foi considerado na contagem final), 32 pneus e 68 quilos de vasos sanitários inutilizados. No total, o manguezal, berçário da vida marinha e ecossistema prioritário para conservação no mundo todo ficou 1065 kg mais limpo.

Voluntas posam para "foto da ação" debaixo de chuva.
Voluntas posam para "foto da ação" debaixo de chuva.


Dia Mundial da Água pede ação no manguezal

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20/03/2015 

Neste domingo (22/3), voluntários do Instituto EcoFaxina celebrarão o Dia Mundial da Água com limpeza de manguezal em Santos. 

A preservação dos manguezais é de grande importância para a manutenção da qualidade da água e da biodiversidade marinha.
A preservação dos manguezais é de grande importância para a manutenção da qualidade da água e da biodiversidade marinha.

A 58ª Ação Voluntária EcoFaxina será realizada em uma área de manguezal invadida por palafitas, onde moradores convivem com lixo e esgoto a céu aberto, com o objetivo de conscientizar a comunidade e limpar a área que teve cerca de 100 palafitas destruídas por incêndio em maio do ano passado.

Próximo a essa área, o Instituto EcoFaxina pretende construir um galpão de reciclagem para receber os resíduos que sufocam o mangue, principalmente o plástico, material que é confundido com alimentos e ocasiona a morte de milhares de animais marinhos todos os anos.

Voluntários retiraram 928 quilos de resíduos da área onde houve incêndio de palafitas em ação realizada no mês passado. Só de plástico foram retirados 719 quilos.
Voluntários retiraram 928 quilos de resíduos da área onde houve incêndio de palafitas em ação realizada no mês passado. Só de plástico foram retirados 719 quilos.

Contudo, a construção do galpão depende ainda da assinatura de termo de cooperação técnica, encaminhado no dia 12/3 pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa para a Secretaria do Meio Ambiente, que definirá, entre outras coisas, o local exato do terreno na área onde hoje ocorrem intervenções do programa Santos Novos Tempos.


58ª Ação Voluntária EcoFaxina - Mangue Seco e Butantã
Data: domingo, 22/03
Transporte: saída do ônibus às 9 horas da rua dr. Oswaldo Cruz, 277
Fornecemos: luvas, botas, máscaras, coletes de identificação e certificados de participação.
Clique aqui para obter mais informações e confirmar a sua presença!



Instituto EcoFaxina ganha linha de camisetas ecológicas

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19/03/2015 

Linha ecológica trará mensagens contra a poluição marinha com renda destinada a projetos de educação ambiental, limpeza e preservação de ambientes marinhos.

Com o objetivo de divulgar, conscientizar e servir como uma fonte extra de renda para a entidade, além das doações, a linha de camisetas ecológicas é fruto de uma parceria entre o Instituto EcoFaxina e a Mr. Fly Moda Sustentável.

A empresa, com sede em Juiz de Fora, Minas Gerais, é focada no desenvolvimento sustentável e trabalha na confecção de camisetas com malha 50% algodão e 50% poliéster derivado do plástico reciclado de garrafas PET. Para cada camisa confeccionada, duas garrafas plásticas são recicladas. Dessa forma, a empresa contribui para a diminuição dos resíduos e a geração de emprego e renda com a coleta das garrafas. E todo esse cuidado ainda resulta em peças de excelente qualidade e estampas superestilosas.

"Contribuir com a causa através do Instituto Ecofaxina é muito gratificante tanto para mim, como para todos os colaboradores da Mr. Fly. Compartilhamos dos mesmo ideais de sustentabilidade visando as futuras gerações e conscientizando a todos sobre a importância de adquirirmos hábitos sustentáveis em nosso dia a dia.", diz Anna Lopes, CEO da Mr. Fly.

A linha tem início com uma camiseta exclusiva para voluntários que já pode ser adquirida por R$ 39,90 durante as Ações Voluntária EcoFaxina ou através de pedido por e-mail. Outros modelos já estão sendo elaborados e estarão em breve disponíveis para todos que desejam contribuir para o trabalho do instituto adquirindo um produto sustentável e de alta qualidade.

O primeiro modelo, exclusivo para voluntários, já está disponível nas versões masculina (foto) e feminina (baby look).
O primeiro modelo, exclusivo para voluntários, já estádisponível em versões masculina (foto) e feminina (baby look).
O primeiro modelo, exclusivo para voluntários, já está disponível nas versões masculina (fotos) e feminina (baby look).


Trote promoverá confraternização consciente entre calouros, neste sábado (28)

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24/02/2015 

Em sua sexta edição, o Trote Ecológico EcoFaxina reunirá calouros das faculdades de Biologia Marinha, da Universidade Santa Cecília - Unisanta e Ciências do Mar, da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp, em mais uma Ação Voluntária EcoFaxina.

Calouros curtindo o visual à bordo da escuna em durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2014
Calouros curtindo o visual à bordo da escuna em durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2014.

Neste sábado (28), os calouros partirão às 9 horas de Santos em uma escuna até a praia do Saco do Major e passarão por um trote diferente, onde ovos, tintas e moedas em semáforos são substituídos por coletes, luvas e sacos em uma bela praia com acesso somente por trilha ou mar, na região da Cabeça do Dragão, em Guarujá, que lamentavelmente, acumula grande quantidade de plástico que sai do estuário de Santos.

Calouros coletam plástico na praia do Saco do Major durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2013. Fragmentos e pequenos objetos de plástico, como tampinhas de garrafas PET, são frequentemente ingeridos por diversas espécies de animais marinhos que os confundem com alimentos.
Calouros coletam plástico na praia do Saco do Major durante o Trote Ecológico EcoFaxina 2013. Fragmentos e pequenos objetos de plástico, como tampinhas de garrafas PET, são frequentemente ingeridos por diversas espécies de animais marinhos que os confundem com alimentos.

Após darem um trato na praia, pesarem e embarcarem os resíduos, os calouros terão a oportunidade de praticar algumas atividades de pesquisa, como análise de parâmetros físico-químicos da água, coleta de plâncton e sedimento, observação de aspectos ecológicos e morfodinâmicos da praia, além de se familiarizarem com as práticas de mergulho livre e autônomo, necessárias em boa parte das pesquisas.

Calouros transportando os resíduos até a escuna ao final do Trote Ecológico EcoFaxina 2014
Calouros transportando os resíduos até a escuna ao final do Trote Ecológico EcoFaxina 2014.

Ao término das atividades a escuna retornará a Santos para o desembarque e destinação correta dos resíduos. Como grande parte do plástico fica exposta aos raios UV por longos períodos, sofrendo fotodegradação, a sua reciclagem se torna inviável, sendo necessário o encaminhamento para o aterro sanitário pela empresa de limpeza urbana. Parte dos resíduos coletados nas ações são integrados ao acervo do Instituto EcoFaxina. Esta será a 57ª Ação Voluntária EcoFaxina.

Gravando!

Nesta edição os calouros terão a companhia de uma equipe do Canal Off, que fará imagens para o Coletivo Off, uma iniciativa do canal em prol do desenvolvimento sustentável, através de personagens autênticos, ideias inovadoras, projetos simples e pequenas ações do dia a dia que podem informar, sensibilizar e influenciar pessoas.


Navegar é preciso, e acampar com amigos também!

Após o desembarque dos resíduos, os alunos que optarem por prolongar a confraternização seguirão à bordo da escuna até a Prainha Branca, na região do Rabo do Dragão. Ao chegar, o grupo montará as barracas em um camping com chuveiro elétrico. No domingo as atividades serão livres, com  grupo retornando de ônibus para Santos por volta das 17 horas.

A Prainha Branca abriga uma comunidade caiçara e está localizada na APA Serra do Guararú, o maior conjunto remanescente de Mata Atlântica na Ilha de Santo Amaro, com restingas e mangues preservados. O acesso se dá somente por trilha ou mar.
A Prainha Branca abriga uma antiga comunidade caiçara e está localizada na APA Serra do Guararú, o maior conjunto remanescente de Mata Atlântica na Ilha de Santo Amaro, com restingas e mangues preservados. O acesso se dá somente por trilha ou mar.

Bora mar!

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Para reservar vaga e embarcar no trote o calouro deve entrar em contato com o diretório acadêmico da sua faculdade.

O que levar?


Para o trote, o calouro deve levar mochila, com roupa de banho, toalha, lanche, caneca, protetor solar, óculos de sol e máquina fotográfica. Mascara de mergulho e nadadeiras são opcionais.

Quem seguir para a Prainha Branca deverá dividir ou levar uma barraca, equipamentos de camping, repelente e dinheiro para o camping - na faixa de R$ 20,00 por pessoa - e para alimentação. Instrumento musical e prancha de surf são opcionais.

* Não será permitido o embarque de bebidas alcoólicas na escuna.

Ponto de encontro

A escuna partirá às 9 horas da Ponte Edgard Perdigão - terminal de passageiros - na Av. Alm. Saldanha da Gama, em frente ao Clube de Regatas Saldanha da Gama, na Ponta da Praia. Clique aqui para ver o mapa


Vida marinha está à beira da extinção em massa, afirma estudo

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11/02/2015 

Um grupo de cientistas concluiu que os humanos estão prestes a causar um dano sem precedentes aos oceanos e os animais que vivem neles. 

Voluntário coleta o lixo flutuante durante Ação Voluntária EcoFaxina na baía de Santos. A poluição marinha causa degradação dos habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos. A poluição marinha causa degradação dos habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos. Crédito: Instituto EcoFaxina
Voluntário coleta lixo flutuante durante Ação Voluntária EcoFaxina na baía de Santos. A poluição marinha causa degradação de habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos.

"Podemos estar sentados à beira do precipício de uma grande extinção", afirmou Douglas McCauley, ecologista da Universidade da Califórnia e autor do estudo, publicado na revista Science no mês passado (15/1).

Segundo McCauley, ainda há tempo para evitar uma catástrofe maior. Isso porque, comparados com os continentes, os oceanos estão quase intactos.

"Os impactos estão aumentando, mas não estão tão graves a ponto de não podermos reverte-los", afirmou Martin Pinsky, biólogo marinho da universidade Rutgers e coautor do estudo.

A pesquisa de McCauley e Pinsky é sem precedentes, pois cruzou dados de diversas fontes, desde relatórios sobre a exploração de combustíveis fósseis até estatísticas sobre remessas de containers, pesca e mineração oceânica.

Plataforma P-36 da Petrobras afundando a cerca de 130 quilômetros da costa do Rio após duas explosões em 15 de março de 2001. Falha mecânica em uma das válvulas foi apontada como a principal causa para o acidente.
Plataforma P-36 da Petrobras afundando a cerca de 130 quilômetros da costa do Rio após duas explosões em 15 de março de 2001. Falha mecânica em uma das válvulas foi apontada como a principal causa para o acidente.

Os cientistas detectaram sinais claros que os seres humanos afetaram os oceanos e a vida marinha de forma grave.

Enquanto algumas espécies sofrem com a superpopulação, outras estão ameaçadas de extinção, devido a destruição seus habitats naturais, geralmente causada pela intervenção humana.

A população de recifes de corais, por exemplo, diminuiu 40% no século passado, principalmente pelas consequências do aquecimento global.

Algumas espécies de peixes estão migrando para águas mais frias. Outras espécies, com a locomoção reduzida, não irão conseguir encontrar novos lares.

Ao mesmo tempo, as emissões de gases do efeito estufa estão alterando a química da água do mar, tornando-a mais ácida.

Ainda assim, a pesquisa afirma que há tempo para reduzir os estragos, com a implantação de programas que limitem a exploração dos oceanos.

Os autores alegam que a limitação da industrialização dos oceanos em algumas regiões permitiria que espécies ameaçadas migrassem para outras partes ainda preservadas.

"Acredito que nosso melhor parceiro para salvar o oceano é ele próprio", afirma McCauley.


Fonte: Revista Info


ONU dá luz verde a um tratado sobre águas de alto mar

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29/01/2015 

Depois de quatro dias de intensas negociações, precedidas por nove anos de idas e vindas, a Organização das Nações Unidas (ONU) acordou convocar uma conferência intergovernamental a fim de redigir um tratado juridicamente vinculante que conserve a vida marinha e regule as águas de alto mar que estão fora de toda jurisdição nacional.

Como um fantasma na noite, esta medusa se desloca perto do fundo marinho do cânion de Barkley, diante da costa ocidental do Canadá, a 892 metros de profundidade. Foto: CSSF/NEPTUNE Canadá/cc by 2.0
Como um fantasma na noite, esta medusa se desloca perto do fundo marinho do cânion de Barkley, diante da costa ocidental do Canadá, a 892 metros de profundidade. Foto: CSSF/NEPTUNE Canadá/cc by 2.0

A decisão final foi tomada nas primeiras horas da manhã do sábado, dia 24, enquanto o restante da ONU já havia entrado no descanso de final de semana. O Grupo de Trabalho Especial que negociou o acordo começou a trabalhar em 2006. A Aliança de Alto Mar, uma coalizão de 27 organizações não governamentais, e a União Internacional para a Conservação da Natureza, tiveram muito a ver com o progresso das negociações do tratado proposto.

Karen Sack, diretora da organização humanitária The Pew Charitabel Trusts, uma integrante da coalizão, afirmou à IPS que um Comitê Preparatório, que compreende os 193 Estados membros da ONU, começará a trabalhar em 2016. Mas esclareceu que não houve consenso quanto a “um prazo final para completar o tratado”.

Segundo Sack, “as negociações sempre são difíceis, mas em quase uma década houve muitas conversações sobre as questões em análise e definitivamente há alguns assuntos nos quais se poderia avançar rapidamente”. O Comitê Preparatório apresentará em 2017 um informe da Assembleia Geral com recomendações substanciais sobre a convocação de uma conferência intergovernamental com o propósito de redigir um instrumento internacional juridicamente vinculante.

As conversações concluídas no dia 24 tiveram a resistência inicial de vários países, entre eles Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Rússia, e em certa medida Islândia, segundo relatou um dos participantes da reunião. Mas, com o tempo, esses países se somaram à grande maioria de Estados favoráveis à redação de um tratado que regule as águas internacionais ou de alto mar.

Pescador exibe um atum-azul-do-atlântico (Thunnus thynnus), espécie de alto mar ameaçada de extinção devido à sobrepesca. Foto: Wikimedia

De todo modo, esses países resistiram à adoção de um processo de negociação com prazos determinados. “Com relação aos Estados Unidos, em particular, estamos muito contentes por ver que finalmente mostram flexibilidade e esperamos que, ao avançar, encontrem uma maneira de apoiar um cronograma mais ambicioso”, opinou à IPS Sofia Tsenikli, assessora do Greenpeace Internacional.

Em um comunicado divulgado no dia 24, a Aliança de Alto Mar afirma que o avanço aconteceu apesar da pressão de um pequeno grupo de governos que questionou a necessidade de um novo marco legal. “Essa minoria bloqueou um acordo sobre um calendário mais rápido que reflete o imperativo científico claro para a ação, mas todos os países concordaram com a necessidade de agir”, acrescentou. Os membros da Aliança elogiaram a decisão de seguir adiante com o tratado.

Lisa Speer, diretora de programa de oceanos internacionais do Conselho para a Defesa de Recursos Naturais, pontuou que muitos Estados realizaram grandes esforços para proteger a metade do planeta que constituem as águas internacionais. “Sabemos que estes Estados continuarão defendendo a necessidade urgente de uma proteção maior” neste processo, acrescentou.

Daniela Diz, do Fundo Mundial para a Natureza, considerou que a decisão foi um passo fundamental para a conservação dos oceanos. “Agora podemos olhar para um futuro no qual levaremos a conservação desses bens comuns globais para o beneficio de toda a humanidade”, afirmou. “Armados com novos conhecimentos, estamos dando os primeiros passos para proteger as águas de alto mar e manter o mundo seguro para nossos filhos”, afirmou Sylvia Earle, da organização ecológica Mission Blue.

O resultado da reunião terá que ser aprovado pela Assembleia Geral em setembro, algo que é considerado uma formalidade.

As águas de alto mar são os mares que estão além da zona econômica exclusiva dos países, que constituem 64% dos oceanos, e o fundo marinho que há fora da plataforma continental de um país, explica um informe divulgado pela Aliança de Alto Mar. Essas áreas representam quase 50% da superfície da Terra, e incluem alguns dos ecossistemas mais importantes, mais ameaçados e menos protegidos do planeta.

Somente um tratado internacional sobre a biodiversidade dos mares internacionais abordaria o atual contexto legal e institucional, insuficiente, fragmentado e mal implantado, que não protege os mares internacionais das numerosas ameaças que enfrentam no século 21.


Fonte: Envolverde/IPS


Ambiente marinho é prejudicado pela poluição por microplástico

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21/01/2015

Entrada de “pellets” nos ambientes marinhos e costeiros pode trazer graves consequências aos ecossistemas e até mesmo aos seres humanos. Diretrizes e ações por parte de órgãos públicos e privados são necessárias no Brasil.

Voluntária exibe alguns pellets coletados durante ação realizada na Prainha Branca, em Guarujá. Foto: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Voluntária exibe alguns pellets coletados durante ação realizada na Prainha Branca, em Guarujá

Visando analisar a origem da poluição por pellets – grânulos de matéria plástica com menos de 5 milímetros de diâmetro – nos oceanos, suas consequências e possíveis soluções para o problema, a pesquisadora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), Flávia Cabral Pereira, desenvolveu seu estudo de mestrado. Atualmente, a poluição marinha por microplástico, material encontrado em diversos ambientes marinhos e costeiros do Brasil e do mundo, é uma grande preocupação, principalmente em função de sua elevada capacidade de dispersão e resistência à degradação.

Por que os pellets são encontrados nos oceanos?
Comumente componentes do lixo marinho, os pellets provavelmente chegam aos oceanos através de perdas acidentais durante o transporte oceânico ou do escoamento por drenagem de perdas de processos industriais. Encontrados em áreas próximas a centros urbanos e portos, e até mesmo em alto mar, apenas três ocorrências da presença do material foram formalmente publicadas no Brasil, na cidade de Santos, São Paulo, em Tamandaré, Pernambuco, e Fernando de Noronha. Porém, coletas do Projeto Marplast, convênio entre a Plastivida e o IO, revelam que outras praias em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro de Santa Catarina também são alvo do contaminante.

O objeto de estudo da tese são os microplásticos primários, resinas termoplásticas que podem ser transportados na forma de grãos ou pó. “Uma visão macro utilizada como critério de análise para este trabalho permite identificar duas fases distintas na cadeia dos plásticos como um todo: pré-consumo e pós-consumo. Estes microplásticos podem ser considerados como existentes apenas na etapa pré-consumo, tendo em vista que são produzidos pelas indústrias de segunda geração (produtoras) e moldadas nas indústrias de terceira geração (transformadoras). Então, a partir daí, eles dão origem aos mais diversos produtos plásticos que chegam ao consumidor final, como embalagens, brinquedos, componentes automotivos, utilidades domésticas, peças para a indústria eletroeletrônica e para a construção civil, dentre uma infinidade de outras aplicações”, completa Flávia.

Essas partículas são um problema em potencial aos organismos vivos, uma vez que a ingestão de plástico pode gerar bloqueio intestinal ou úlceras no estômago, reduzindo a absorção de nutrientes, além de provocar uma falsa sensação de saciedade e alterações hormonais prejudiciais à reprodução dos animais. “Além disso, a superfície dos pellets pode adsorver poluentes orgânicos persistentes (POPs), como PCBs (Bifenispoliclorados) e DDTs (DicloroDifenilTricloetano), contaminando os animais que os ingerem e causando problemas hormonais, o que pode acarretar em alterações nas taxas de crescimento e reprodução, inclusive levando à morte. Ainda, aditivos químicos como corantes e antioxidantes, comumente adicionados à composição das resinas termoplásticas para alterar suas características naturais e aprimorar seus usos finais podem ser tóxicos provocando efeitos nocivos aos organismos”, afirma a pesquisadora.

Brasil precisa de soluções

No âmbito internacional, o problema da poluição por microplásticos já teve algumas iniciativas desenvolvidas, como é o caso do programa “pellet zero”, ancorada no programa Operation Clean Sweep (OCS). O programa consiste na apresentação de um manual com orientações para auxiliar a gestão das operações nas indústrias de plástico, com o objetivo de reduzir a perda do composto para o ambiente.

No caso brasileiro, a simples transposição dos programas internacionais para a realidade do país não resolveria o problema, porque primeiramente é necessário levantar informações sobre a produção e a logística das indústrias, dados que ainda não estão disponíveis no país. “Além disso, não é possível absorver diretamente os manuais produzidos por outros países em uma proposta nacional, tendo em vista que realidades diferentes refletem problemas, lógicas e, consequentemente, soluções distintas. Importar uma solução proposta em outro contexto e realidade incorre, em grande probabilidade, na geração de resultados ineficientes e incoerentes, não adequados para solucionar o problema em questão”, explica.

Para Flávia, a resolução do problema vem através de uma interlocução entre iniciativa privada, órgãos públicos do poder e sociedade civil. “A solução do problema de forma integrada e sistêmica perpassa pelo envolvimento dos principais atores mapeados, como proposto pela Estratégia de Honolulu, que marca uma nova abordagem intersetorial para ajudar a reduzir a ocorrência de lixo marinho, bem como os danos que esses resíduos provocam nos habitats marinhos, na economia global, na biodiversidade e na cadeia alimentar humana.”


Fonte: IO-USP