Mangue no Clima: EcoFaxina leva o manguezal à margem do canal do Porto, na Ponta da Praia
O Instituto EcoFaxina está executando, desde outubro de 2026, o Projeto Mangue no Clima, que em sua primeira fase irá introduzir o manguezal na margem do canal do Porto de Santos, junto ao calçadão da Ponta da Praia, um trecho onde hoje não há mangue. A primeira fase, um piloto, prevê a limpeza de resíduos e o plantio de mudas de mangue-vermelho em 2.930 m², com monitoramento científico e a participação de pescadores artesanais e voluntários.
Uma floresta que trabalha pela cidade
No estuário de Santos, onde a maré sobe e desce todos os dias, existe uma floresta que trabalha pela cidade sem que a gente perceba: o manguezal. Ele é uma das defesas naturais mais eficientes contra as mudanças climáticas, mas boa parte dele foi degradada pelo lixo e pelo abandono.

Uma solução baseada na natureza contra as mudanças climáticas
O Mangue no Clima é uma proposta de Solução baseada na Natureza (SbN): em vez de depender apenas de obras de engenharia, usa o próprio ecossistema para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Para o estuário de Santos, um manguezal bem estabelecido pode trazer benefícios como:
Carbono azul: o mangue retira CO₂ da atmosfera e guarda o carbono principalmente no solo alagado, onde a matéria orgânica se decompõe muito lentamente.
Proteção da costa: as raízes dissipam a energia das ondas e das marés de tempestade e ajudam a conter a erosão, uma defesa importante diante da subida do nível do mar.
Filtro natural: o manguezal retém sedimentos, resíduos e poluentes trazidos pelas chuvas e pelos canais de drenagem, reduzindo o que chega ao canal do porto e às praias.
Berçário da vida marinha: oferece abrigo e alimento para peixes e crustáceos em fase jovem, como o caranguejo aratu, e para as aves do estuário.
Base da cadeia alimentar: as folhas que caem alimentam microrganismos e sustentam a cadeia alimentar do estuário, da qual depende a pesca artesanal da região.
Por isso, ampliar o manguezal no estuário é também uma forma de adaptação climática para a cidade, para o porto e para as comunidades que vivem da maré.
Mangue onde hoje não há mangue
No trecho do canal do Porto junto à Ponta da Praia, a margem não tem manguezal. O Instituto EcoFaxina vai introduzir esse ecossistema ali, para que o mangue se estabeleça e passe a prestar seus serviços ecossistêmicos: atrair biodiversidade e reter os sedimentos que chegam à margem com as chuvas pelos canais de drenagem, ajudando a evitar o assoreamento do canal do porto.
Ao mesmo tempo, o novo manguezal vai ser um atrativo cênico e turístico. Quem passa pelo calçadão vai poder ter contato com árvores muito particulares, de grande valor ecológico, conhecer melhor o ecossistema de mangue e entender sua importância para a biodiversidade do estuário e da costa da Baixada Santista.
O que a primeira fase vai fazer
O Mangue no Clima é um projeto que usa a própria natureza como infraestrutura climática, unindo ciência, comunidade e educação ambiental. Na primeira fase, que funciona como piloto, o trabalho se divide em cinco frentes:
Limpeza: retirada de 500 a 1.000 kg de resíduos das áreas de plantio e do entorno, com pesagem e classificação do material (gravimetria) para gerar dados sobre a poluição do estuário.
Plantio: a proposta inicial é de 468 mudas de mangue-vermelho (Rhizophora mangle) em três áreas que somam 2.930 m², com espaçamento técnico de 2,5 × 2,5 m e mudas presas a tutores de bambu. Como esta é uma fase piloto, o número final vai depender do que a experiência de campo mostrar.
Monitoramento: acompanhamento da sobrevivência e do crescimento das mudas e da fauna, com registros fotográficos e imagens de drone.
Pessoas: três pescadores artesanais de comunidades de palafitas atuam como agentes ambientais remunerados, ao lado da equipe técnica de biólogos.
Voluntariado: três ações abertas à população, com a meta de envolver de 150 a 200 voluntários.

Se o plantio previsto se estabelecer, a estimativa é que as áreas possam retirar cerca de 38 toneladas de CO₂ da atmosfera em 20 anos.
Florestania da maré
O termo florestania nasceu no Acre, entre os seringueiros, para unir floresta e cidadania. O Mangue no Clima leva essa ideia para a maré: cuidar do mangue é um ato de cidadania.
Por isso, o trabalho de campo está nas mãos de quem lê a maré e conhece o mangue por dentro. E por isso as áreas ficam à vista de quem caminha pelo calçadão: uma vitrine viva, onde moradores e turistas vão poder acompanhar a floresta crescer.

Tem lama, a gente refloresta.
Uma fase piloto
A primeira fase funciona como piloto. A proposta inicial é plantar 468 mudas, mas o número final vai depender do que a experiência de campo mostrar: as condições de cada área podem permitir chegar a esse total ou não.
Já nesta etapa, a equipe poderá mapear outras áreas do estuário e, se alguma se mostrar viável, levar até ela parte do plantio previsto. O aprendizado da fase piloto vai orientar a segunda fase, que pretende ampliar o projeto para novas áreas. A proposta, em elaboração, prevê chegar a cerca de 3,3 hectares, com plantas jovens resgatadas do próprio manguezal.
Venha pôr a mão na lama
As ações voluntárias do Mangue no Clima serão divulgadas nas redes do Instituto EcoFaxina (@ecofaxina) e do projeto (@manguenoclima). Acompanhe e venha reflorestar com a gente.
Realização e apoio: o Mangue no Clima é realizado pelo Instituto EcoFaxina, com recursos de emendas parlamentares dos vereadores Benedito Furtado, Fábio Duarte e Marcos Caseiro, por meio do Termo de Fomento nº 712961/2026 com a Prefeitura de Santos, via Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (SEMAM).
Fotos crédito: William Schepis / Instituto EcoFaxina




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